Publicado por: Evaldo Oliveira | Junho 15, 2018

LIGURIA, O BEIRUTE DE SANTIAGO

Em visita a Santiago, a educada capital do Chile, depois da visita ao mercado da cidade e de uma maravilhosa degustação de vinhos orgânicos, faltava conhecer um restaurante gostoso, que tivesse a cara da cidade.

Dispúnhamos de uma abalizada indicação, e saímos em busca de novidades, até encontrarmos um café que nos lembrava Paris, porém com alguns detalhes que os chilenos sabem agregar com louvor.

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Caminhando pelas ruas quase sempre limpas, nos encantamos com a bela visão de dois amantes fugindo pelos céus de um parque. Como em um passe de mágica, nos descobrimos em frente ao bar Liguria, que eu imaginava um restaurante. Sua fachada simples, com ares italianos, permitia uma visão de seu interior, o que nos impunha a obrigação de entrar, pelo que se anunciava de belo. Logo, a lembrança do Beirute, o emblemático bar-símbolo de Brasília, na 109 Sul, surgiu em minha mente.

O seu interior nos remete a restaurantes antigos, apesar de ter apenas 25 anos de existência. Uma volta no tempo, com suas banquetas convidando para um amplo balcão e, à frente aquele tudo de bom que as prateleiras de um restaurante pode oferecer.

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Ao sairmos desse almoço especial, reencontrei el bigodon, que na calçada havia nos convidado a entrar. Um abraço e uma foto. No hotel, dando uma passada nas folhas de um livro que falava sobre aquele famoso bar, deparei-me com a figura de el bigodon. E descobri que havia abraçado um personagem, um ícone.

El bigodon

El bigodon II

Liguria, parte de Santiago. Beirute, a cara de Brasília desde tempos.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Publicado por: Evaldo Oliveira | Junho 8, 2018

UMA ÁRVORE, uma religião, um povo?

No ano de 1931 um grupo de bascos trouxe uma árvore do país basco para ser replantada na cidade de Santiago, no Chile. Ali, o roble sagrado de Viscaya, que simboliza liberdade e justiça, funde suas raízes na milenar tradição Basca. Que o  vento dos séculos espalhe suas folhas e, como mensageiras do país basco, fertilizem a terra chilena (texto escrito em uma placa de mármore). Viscaya se refere a um território histórico do País Basco, cuja capital é Bilbao.

No país basco fica a cidade de Guernica, bombardeada pela Alemanha Nazi e pela Itália fascista no ano de 1937, durante a Guerra Civil Espanhola, que aconteceu no período de 1936 a 1939. Nesse ataque, 126 pessoas inocentes foram mortas.  Guernica  serviu de inspiração e deu nome ao melhor e mais famoso de todos os quadros de Picasso.

A árvore foi plantada no Cerro(morro, em português) San Cristóbal, onde no alto se encontra uma grande estátua da Virgem da Imaculada Conceição. Ocerroé um dos pontos mais altos de Santiago, e desde o ano de 1931 aquela árvore oferece sua sombra benfazeja a quantos visitam aquele que é um dos melhores pontos da da capital do Chile.

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Uma árvore. Um grito de liberdade do povo basco seis anos antes do ataque a Guernica.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Os bascos são um grupo étnico que habita partes do norte da Espanha e do sudoeste da França. São encontrados predominantemente na região conhecida como País Basco. Wikipédia.

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Maio 31, 2018

EM BUENOS AIRES, UM PASSEOe um estranho banco

Passeando pelas ruas de Buenos Aires, você vai dar de cara com algumas figuras muito amadas pelos argentinos. Suas estátuas estão espalhadas por algumas ruas, formando o Passeo de la Historieta, que começa com a simpática Mafalda, musa dos cartoons. Na Argentina, a turma da Mafalda ganhou importância por suas críticas políticas e ambientais.

No Passeo da la Historieta Mafalda aparece sentada no banco de uma praça, na esquina mais famosa de San Telmo. Outras figuras  vão surgindo pelas calçadas das quadras, terminando em Porto Madeiro. Ao final, você terá contemplado em torno de 15 dos personagens mais famosos na Argentina.

Mafalda

Fazendo parte do passeo, em uma esquina surgem as Chicas Divito, que são duas mulheres bonitas e de extravagante sensualidade, que representariam a mulher argentina. Fui conversar com elas.

Divas

Caminhando pelas ruas do centro de Buenos Aires, já no final da tarde, depois de andar vários quilômetros, o cansaço tomando conta dos músculos das pernas, a visão de um banco, que se repetia em algumas calçadas, chamou minha atenção. Logo imaginei que alguém os abandonara ali, e que o estado de sujeira do tecido que os recobria afastava possíveis pretendentes a uma pausa para descansar as pernas. Cheguei perto, e a repulsa aumentou. Não vou sentar em um tecido sujo, que tomou chuva e sol por vários dias,pensei.

Banco sozinho

Disfarcei um pouco e testei o tecido, passando a mão com desdém. Qual a minha surpresa ao perceber que aquele banco era de ferro, e estava em boas condições de utilização. Ali passei alguns minutos, sentado e pensando na vida. Preconceito, o meu pecado.

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Buenos Aires. Mafalda & Cia, cultura nas ruas. Um banco na calçada, obra de arte disfarçada.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Maio 25, 2018

RIO DA PRATA, uma surpresa!

Ao chegarmos ao hotel, em Montevidéu, uma questão precisava ser esclarecida: Qual seria a origem do nome da capital do Uruguai?

A explicação. Quando se navega pelo Rio da Prata de leste para oeste, isto é, do Oceano Atlântico para o continente, avista-se o sexto monte na região em que hoje se situa a capital do Uruguai. Daí o registro de Monte VI de Este a Oeste. Isto propicia que, de forma abreviada, a palavra pode ser escrita Monte VI D-E-O (Montevideo).

Outra versão aponta que o nome da capital do Uruguai deriva das palavras Monte Vidio, que significa monte visível, que se avista à distância, nome dado a um monte pelos portugueses em 1723.

Nosso hotel estava a duas quadras da praia. Uma belíssima praia. Porém havia algo de diferente: as ondas eram fracas e a água tinha uma coloração ocre. É que se trata de uma praia de rio, o Rio da Prata.

 O Rio da Prata, com seus 290 km, é, de fato, o maior estuário do mundo. Na verdade, trata-se da desembocadura dos rios Paraná e Uruguai no Oceano Atlântico. Sua água tem uma cor barrenta e se encontra na fronteira de Uruguai e Argentina. Por sua localização, o Rio da Prata banha as cidades de Buenos Aires e Montevidéu.

Foz Rio da Prata

Em Montevidéu, o Rio da Prata forma um conjunto de mais de dez praias, com uma paisagem que lembra as praias urbanas brasileiras. De frente para esse mar de água doce, a Rambla, um calçadão com 22 quilômetros, se destaca como lugar aprazível, onde os montevideanos costumam praticar esportes, caminhar com segurança ou simplesmente desfrutar da beleza que dali se descortina.

Rio da Prata e as Ramblas

Fotos da internet

Praias de Montevidéu. Lembre que são de rio, e a água é gelada.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Maio 9, 2018

A ÚLTIMA CEIA, fragmentos

Leonardo da Vinci pintou A Última Ceia, uma das pinturas mais enigmáticas da História, por encomenda de Ludovico Sforza, Duque de Milão. Trata-se de uma pintura enorme, medindo 4,60 m x 8,80 m, ocupando a parte de cima de uma parede do refeitório do Convento de Santa Maria delle Grazie em Milão, Itália.

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Trata-se de uma pintura enigmática, onde cada elemento da pintura dirige a atenção para o centro da composição, a cabeça de Jesus. Retrata a última ceia de Cristo com seus discípulos na noite anterior à traição de Judas, fato que o levaria à prisão e à crucificação.

Nela podemos notar como cada elemento da pintura dirige a atenção para o ponto médio da composição, a cabeça de Cristo. Ali, a reação de espanto e horror de cada um dos discípulos. Da esquerda para a direita, vislumbramos Bartolomeu, Tiago (filho de Zebedeu) e André formando um grupo de três. A seguir, as figuras de Judas, Pedro e João compondo outro grupo. Ao centro, Cristo é a personificação da paz. A seguir, Tomé, Tiago (filho de Alfeu) e Felipe formam o terceiro grupo; Mateus, Tadeu e Simão compõem o último grupo de três.

Nesta pintura não aparecem os pés de Jesus. Justo no local onde estariam os pés de Cristo foi aberta uma porta, por volta do ano de 1650, encobrindo completamente os pés que Leonardo da Vinci havia pintado. Já falei que a pintura ficava na parte de cima da parede.

Em relação à Última Ceia, há uma estória que alguns estudiosos afirmam não ser verdadeira, por falta de amparo normativo, como diríamos nós, médicos auditores, em um despacho formal.

Reza a lenda que… Ao conceber seu famoso afresco A última Ceia, Leonardo da Vinci precisava pintar o Bem – na imagem de Jesus – e o Mal – na figura de Judas, porém não tinha os modelos. Resolveu sair procurando por Milão  pessoas que representassem os dois.

Certo dia, enquanto assistia a um coral, viu em um dos rapazes a imagem ideal de Cristo. Convidou-o para o seu ateliê, e reproduziu seus traços em estudos e esboços. Antes de o rapaz sair, mostrou-lhe a ideia do afresco, e elogiou-o por representar tão bem a face de Jesus.

Passaram-se três anos. A “Santa Ceia”, que enfeitava uma das igrejas mais conhecidas da cidade, estava quase pronta – mas Da Vinci ainda não havia encontrado o modelo ideal de Judas.

O cardeal, responsável pela igreja, começou a pressionar Da Vinci, exigindo que terminasse logo o seu trabalho.

Depois de muitos dias procurando, o pintor encontrou um jovem prematuramente envelhecido, esfarrapado, bêbado, atirado na sarjeta. Com dificuldade, pediu a seus assistentes que o levassem até a igreja, pois já não tinha mais tempo de fazer esboços.

O mendigo foi carregado até lá, sem entender direito o que estava acontecendo: os assistentes o mantinham de pé, enquanto Da Vinci copiava as linhas da impiedade, do pecado, do egoísmo, tão bem delineadas naquela face.

Quando terminou o trabalho, o mendigo – já um pouco curado de sua ressaca – abriu os olhos e notou o afresco na sua frente. E disse, numa mistura de espanto e tristeza:

– Eu já vi este quadro antes!

– Quando? – perguntou um surpreso Da Vinci.

– Há três anos, antes de eu perder tudo que tinha. Numa época em que eu cantava num coro, e o artista me convidou para posar como modelo para a face de Jesus. (Texto retirado da internet).

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Maio 4, 2018

SOMOS O QUE PENSAMOS?

Esta semana recebi uma correspondência eletrônica com orientações que envolvem o comportamento humano, em especial no que diz respeito aos nossos pensamentos. Nele, uma referência direta à Física Quântica. Pensei comigo mesmo: Qual a relação da física quântica com a esperitualidade?

A física quântica é um ramo teórico da ciência relacionado ao estudo das partículas atômicas e subatômicas, elementos iguais ou menores que os átomos (elétrons, protons, moleculas, fótons etc) e, ao contrário da física clássica, é considerada como não intuitiva, sendo seus princípios aplicados também na explicação das correntes filosóficas.

Aqui, o entendimento de que a força do pensamento humano poderia exercer um grande poder sobre a realidade individual de cada pessoa, sendo ela capaz de alterar o mundo ao seu redor.

Nessa linha, alguns físicos relacionam os princípios da física quântica com as teorias sobre a consciência humana e o poder do pensamento como construtor da realidade. Desse modo, a mente humana teria uma capacidade profunda de influenciar na disposição das micropartículas atômicas ao redor das pessoas, do modo como elas se comportam e como elas constroem a realidade de cada indivíduo. Para os estudiosos que acreditam nesta ideia, as intenções das pessoas influenciariam a construção da realidade.

Isso nos leva ao encontro da ciência noética. De acordo com esse ramo da ciência, o pensamento pode ser quantificado, por ter uma massa mensurável. Dessa forma, a ideia teria uma massa, e essa massa exerceria uma força de gravidade que poderia atrair massas iguais. Desse modo, se muitas pessoas se concentrarem no mesmo pensamento, as ocorrências desse pensamento passam a se consolidar em uma só, e a massa acumulada aumenta.

Há poucos anos descobriu-se que meditações e preces coletivas produzem uma energia  altamente ordenada e capaz de alterar o mundo físico. Em outras palavras, descobriu-se que a intenção humana é capaz de afetar o mundo; que o pensamento direcionado pode alterar, entre outras coisas, a direção em que os peixes nadam em um aquário, assim como as reações químicas do corpo humano. Em síntese, o pensamento humano pode, sim, transformar o mundo físico, e essa capacidade pode ser incrementada por meio da prática. Fica a pergunta: se um razoável número de pessoas se reunir – mantendo o pensamento concentrado – poderia alterar o funcionamento de um equipamento eletrônico?

Física Quântica. Ciência Noética. Um encontro?

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Publicado por: Evaldo Oliveira | Abril 27, 2018

ELAS NÃO SAEM DE CASA

Quando descobri aquela casa cor de tijolo, logo imaginei que elas moravam ali. Era uma casa bem construída, um pouco rebuscada no acabamento. Eu queria saber se eram realmente elas que moravam ali, e resolvi montar uma campana nos finais de semana.

Eu sabia que a espera ia ser longa, até que elas resolvessem sair para suas atividades do dia a dia. No dia 28 de janeiro, discretamente fotografei a moradia,  que se mostrava muito bem fechada. E fiquei à espreita, realizando uma visita a cada final de semana. A casa continuava fechada; era fácil perceber esse detalhe.

Passaram-se 4 semanas e a casa continuava trancada, sem possibilidade visão do seu interior. A cada visita, fotos discretas para acompanhamento da campana.

Dois meses e 4 dias haviam-se passado e a cena não se alterara. Elas de fato não saíram de casa, percebia-se claramente, apesar do óbvio contrassenso.

Já intrigado com a falta de qualquer sinal que evidenciasse a presença de vida na casa que eu imaginara que elas habitavam, resolvi chegar mais perto. Com todo o cuidado possível, olhei em volta e descobri o que de fato acontecera. Elas haviam saído pela lateral do imóvel. Haviam rompido a parede e sumiram discretamente, sem deixar qualquer sinal nas redes sociais.

28.01.2018Foto de 28 de janeiro

04.03.2018Foto de 4 de março

Campana inútil. Não cheguei a conhecer as mini vespas douradas que eu acalentava fotografar. Fuga pela lateral.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Publicado por: Evaldo Oliveira | Abril 21, 2018

LAMPIÃO E MARIA BONITA, terror, amor e marketing na caatinga

Quando falamos ou pensamos no cangaço, logo surge o nome ou a imagem de Lampião. Por quê? O bando de Lampião não foi o primeiro a atuar no sertão nordestino. Antes dele, José Gomes, o Cabeleira, já aterrorizava a zona da mata pernambucana desde Vitória de Santo Antão até o centro de Recife pelos idos de 1775. Cabeleira, que nascera no ano de 1751, era um bandido sanguinário e cruel e entrou na vida do crime por influência do pai, um homem de má índole que cedo ensinou a arte de matar e sangrar as pessoas indefesas apenas por prazer. Cabeleira foi levado à forca no Forte das Cinco Pontas em 1776.

Em 1875 nascia Antônio Silvino,  em Afogados da Ingazeira-PE, o mais famoso cangaceiro antes de Lampião. Chefe de um grupo de cangaço, arrancou trilhos, prendeu funcionários, sequestrou engenheiros da Great Wester. Preso em 1914 na Casa de Detenção de Recife, teve um exemplar comportamento, sendo libertado em 1937 através de um indulto do presidente Getúlio Vargas. Morreu em 1944 em Campina Grande.

Antonio Silvino, segundo de péAntônio Silvino, segundo de pé

Nenhum desses cangaceiros, no entanto, conseguiu criar em torno de si algo que pudesse perpetuar seus nomes na história do crime. Lampião, ao contrário, firmou-se no anedotário popular e nos registros históricos como o homem que conseguiu espalhar o terror , originando fama, ódio, respeito, idolatria, temor e admiração. Lampião nasceu em Serra Talhada em junho de 1898 e, devido à sua fama, em 1930 foi citado no jornal The New York Times.

Maria Bonita

Tudo começou no ano de 1921, quando  Virgulino Ferreira da Silva passou a fazer parte de um bando depois que a polícia assassinou seu pai a tiros. Lampião tinha muita destreza, era inteligente, sabia ler e escrever, além de ser bom de mira. Com tais requisitos, tornou-se líder do bando em 1922. O apelido Lampião surgiu de sua temida habilidade no manejo do rifle, ao fazer vários disparos em sequência, que mais parecia um candeeiro iluminando a caatinga.

Lampiã::Maria Bonita

Uma de suas primeiras ações foi matar o informante que entregara seu pai à polícia. Ainda no ano de 1922, realizou um dos maiores assaltos da história do cangaço, ao atacar e exigir dinheiro de uma senhora de mais de noventa anos, a Baronesa de Água Branca.

Lampião

Maria Gomes de Oliveira, a Maria Bonita, nasceu em Paulo Afonso no ano de 1911, e passou a fazer parte do bando aos 18 anos de idade, a convite de Lampião, com quem havia iniciado um romance em 1929.

As vestimentas de Lampião eram espalhafatosas, chamativas, com chapéu de couro e coletes com moedas e medalhas de ouro, além de um lenço de seda que trazia no pescoço, preso por anéis de ouro.

Em 1927, porém, o grupo de Lampião cometeria um engano que lhe custaria muitos dissabores, ao atacar Mossoró, à época uma cidade de médio porte. Aquela desastrada invasão marcaria o início do fim do bando. Os cangaceiros perderiam, a partir de então, sua propalada fama de  invencibilidade. Como resultado dessa ação, o grupo ficou com apenas 16 a 20 homens, e contou com a deserção de Massilon, que havia encorajado Lampião a invadir a cidade, por ser próspera e possuir bancos. Lampião jamais concordou com essa invasão.

Bando completo

Corria o ano de 1937, e Lampião, aos trinta e nove anos, andava irritado com a perseguição das volantes. Reclamava também de que sua visão tornara-se precária, depois de um ferimento no olho direito em um espinho. Seu corpo se ressentia com os maus tratos produzidos pelo sol, a pele ressecada, além das más condições de higiene e dos ferimentos mal curados.

Em 1938, depois de anos aterrorizando cidades do Nordeste, os cangaceiros, acampados na Grota de Angicos, em Poço Redondo (Sergipe) foram atacados de surpresa pela polícia armada oficial, conhecida como volante. Naquele local morreriam onze homens do bando. Maria Bonita foi degolada ainda viva, assim como Lampião, este já morto, além de nove cangaceiros. Suas cabeças foram cortadas e fotografadas pelos soldados, como prova da derrocada do bando de  Lampião.

Cabeleira, enforcado em Recife aos 25 anos.

Antônio Silvino, 23 anos mais velho que Lampião, morreu em Campina Grande aos 69 anos, seis anos depois da morte do cangaceiro mais famoso do Brasil, em uma grota no interior de Sergipe.

Lampião, morto por uma volante aos 40 anos, debilitado em sua saúde.

Maria Bonita, a primeira mulher a participar de um grupo de cangaço.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Publicado por: Evaldo Oliveira | Abril 13, 2018

ESTÁTUAS VIVAS

Estátua viva corresponde à performance de um artista de rua realizada em locais públicos, imitando uma estátua com movimentos estáticos. Em ação o controle do corpo, pausas sem movimento associadas a mímicas, sempre com o objetivo de prender a atenção dos espectadores.

Pelos caminhos do mundo, conheci muitas performances de artistas de rua com suas estátuas vivas.

Assim foi em Nova York

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Assim também aconteceu em Paris

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Em muitas outras cidades conhecemos variados tipos de apresentação artística nas ruas tentando chamar nossa atenção. As estátuas vivas do momento tentam equilibrar-se em uma pequena haste, parecendo flutuar.

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Mas foi na Rambla, em Barcelona, que conheci uma estátua viva que me marcou de forma indelével. Caminhava por aquela bonita via de pedestres quando avistei uma estátua de D. Quixote. Não havia pessoas em volta. Aproximei-me para um exame mais detalhado. Era uma estátua de bronze altiva, exposta ao forte sol da Catalunha. Na dúvida, aguardei um pouco. Percebi o sinal, a pista que faltava. Na base da estátua havia um recipiente para colocação de dinheiro. Coloquei um euro e ali, diante de mim, iniciou-se o bailado de um cavaleiro medieval que, ao que tudo indicava, procurava por um amigo que ali não se encontrava. Seria um cavalo, ou um amigo gordinho? Lembrei-me de Rocinante.

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Dom Quixote, na Rambla, em Barcelona, a estátua viva mais perfeita que até hoje conheci. Somente depois saberia que as estátuas vivas da Rambla ganhariam um impulso a partir do ano de 1988, quando Antonio Santos Staticman permaneceu imóvel por 15 horas, vinte e dois minutos e 55 segundos, justo ali, na Rambla, em Barcelona, batendo assim o record guiness de imobilidade.

Estátuas vivas. Performance ou arte?

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Abril 6, 2018

O HOMEM PIRILAMPO E A ESTUPIDEZ HUMANA

Antoine é um jovem de 25 anos que não gosta de ser manipulado, como ser obrigado a estudar nada que lhe interesse. Então, passou a fazer traduções do aramaico. Ele pensa demais e acredita que essa é a razão de seus problemas, porque a inteligência torna a pessoa infeliz, solitária, pobre, enquanto o disfarce de inteligente oferece a imortalidade efêmera do jornal e a admiração dos que acreditam no que leem. Por isso, resolveu tornar-se estúpido.

Antoine tinha um amigo proveniente de uma família pobre que havia feito testes de alimento para a fábrica Nenê, quando do lançamento de uma nova variedade de potinhos para bebês com um complemento de vitaminas e fósforo que, em doses infinitesimais, é bom para a saúde. Um erro acontecera na fábrica, devido à troca de uma simples unidade de medida, quando um engenheiro confundiu microgramas com quilogramas. Em decorrência, as pessoas tiveram cânceres e outras doenças graves. O amigo Aslee teve sorte de não ter senão problemas mentais que retardaram o seu desenvolvimento cerebral. Devido à alta dosagem de fósforo ingerido, Aslee brilhava à noite. Quando perambulavam pelas ruas à noite, Aslee parecia um imenso pirilampo que iluminava o caminho pelas ruelas escuras.

Certo dia, Antoine comunica a seus amigos que investiria no viés da idiotice como forma de sobrevivência, convencido de que somente com a estupidez conseguiria ser levado a sério pelas pessoas. Decide, então, experimentar fazer o jogo da estupidez, e inicia sua tentativa de se tornar alcoólatra. Acredita que o álcool o ajudaria a esquecer coisas, mas tudo que Antoine consegue é chegar ao coma alcoólico com alguns copos de cerveja. Aqui, a desistência do plano A.

Imagina então que o suicídio seria o mais indicado nessa tentativa de se tornar estúpido. Recuperando-se do coma, e ainda no hospital, recebe a indicação de uma moça sobre um local para fazer um curso de suicídio, com as técnicas para um evento bem elaborado e de sucesso. Porém não consegue.

Concluindo pela incapacidade para dar cabo de si, Antoine decide então fazer uma lobotomia, e marca uma consulta com o pediatra de sua infância que, ao invés disso,  receita-lhe uma pílula vermelha – Felizac – antidepressivo que, com certeza, irá transformá-lo em alguém feliz e sem pensamentos tórridos. Era sua terceira tentativa de se tornar estúpido.

Finalmente, utilizando o antídoto contra a inteligência, Antoine arranja emprego em uma corretora de ações e logo fica milionário. Para se adaptar a essa nova condição, começa a comprar e comprar, enquanto sua consciência dorme. Mas ele é retirado desse estado, pois seu cérebro ainda dá sinais de estar atuante. E temos um final no limite do surrealismo banal.

Devaneio literário feito por Martin Page no livro Como Me Tornei Estúpido, lançado no Brasil pela Editora Rocco.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

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