Publicado por: Evaldo Oliveira | Fevereiro 15, 2019

UM ESTRANHO CASO DE ASMA

No rol de lembranças dos meus atendimentos na rede pública de saúde, veio-me à mente mais um caso emblemático. Trabalhava no Posto de Saúde do Guará I e tinha como cliente uma criança que morava em Taguatinga, cidade-satélite a cerca de 15 quilômetros. Esse cliente tinha um quadro de asma brônquica que resistia a todas as tentativas de resolução.

Os atendimentos anteriores foram corretos, e as medicações seguiram o padrão adequado para a alopatia. Foram prescritos medicamentos e cuidados de higiene que não funcionaram, apesar de bem intencionados e compatíveis com uma boa prática pediátrica. A criança já havia consultado com um alergista, porém seu quadro de asma continuava a responder de forma insatisfatória.

Depois de algumas tentativas de tratamento, sem que algo de especial surgisse em meus planos, tive a ideia de ir à casa dos pais do garoto. Acertamos para o dia seguinte. Senti que havia algo que mantinha aquela criança sempre em crise.

Na casa, apesar de alguns elementos não estarem de acordo com o que seria ideal, não me pareceram ser decisivos em sua não melhora. Não havia cão ou gato, ou outro animal de pelo ou de penas. Visitei o quintal e os lados da casa, e resolvi entrar no domicílio.

Analisei a sala, que me pareceu bem cuidada, e me dirigi, orientado pelos pais, para o quarto da criança, que ficava no início do corredor. Na passagem pela sala, algo me chamou a atenção. Havia muito calor na parte de cima do meu corpo, e da cintura para baixo a temperatura era bem amena, em função do piso. Parei, fui um pouco à frente e retornei. Ali estava a explicação para o problema do garoto. Havia claramente duas ondas (bolhas) de calor. Uma quente, que ia até a cintura de um adulto, e uma fria, daí para baixo.

Olhei para o teto, que descobri ser de telhas de amianto. Reuni-me com os pais e ficou acertado que imediatamente as telhas seriam trocadas para essas de barro, tipo colonial. Acredite, tudo passou a trabalhar a favor da saúde daquela criança. Adeus, asma!

Uma doença crônica de difícil resolução, em uma criança pobre atendida na rede pública de saúde. Uma visita. Apenas uma visita.

Unknown Telhas de barro. O início da cura.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Obs.: Caso algum especialista discorde dessa acepção, favor fazer comentário pertinente.

Publicado por: Evaldo Oliveira | Fevereiro 8, 2019

PIXILINGA NA JANELA

Certo dia, recebi em meu consultório uma criança de 8 meses apresentando uma irritação pruriginosa na pele, e chorava com muita intensidade. Após um exame minucioso, suspeitei de que houvesse algo errado no quarto daquela criança.

Combinei com os pais e ao final do expediente dirigi-me ao seu apartamento com a intenção de averiguar alguma anormalidade ou inadequação. Saí do consultório imaginando encontrar mofo ou algo que pudesse provocar aquele tipo de reação na pele da criança.

Encontrei um quarto limpinho, muito bem cuidado, com excelente ventilação, e com um piso adequado. Olhei para um lado, procurei em outro, fui ao banheiro. Nada que me chamasse a atenção.

Um pouco decepcionado, já pensando em sair, percebi um pombo do outro lado da janela, junto ao vidro. Logo veio outro, e outro. Pronto. O diagnóstico estava selado: Irritação da pele por pixilinga de pombo. Uma boa higienização do local e a colocação de uma tela de proteção foram suficientes.

A pixilinga (Dermanyssus gallinae), também conhecida como piolho de galinha ou de pombo, é uma infestação de piolhos de aves. Esses piolhos (insetos) têm necessidade de hospedeiros para sobreviver.

Além da pixilinga, outras doenças podem ser transmitidas pelos pombos, como a  Criptococose, doença causada pelo fungo Cryptococus neoformans; outra doença é a Histoplasmose, que é transmitida pela inalação dos esporos de um fungo que existe nas fezes dos pombos; Ornitose ou psitacose: doença infecciosa tem como agente etiológico a bactéria Clamydia psittaci. Tive um cliente de 15 anos que foi acometido de psitacose, transmitida por um periquito dado de presente por sua namorada, que ocasionou perda da visão central em um dos olhos. Os sintomas lembravam os da Aids.

Pixilinga 2

Uma criança doente. Um exame clínico apurado. Pombos. Pixilingas na janela.

Telas de proteção. Cuidado!

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Fevereiro 1, 2019

E AS PRISÕES, COMO SURGIRAM?

Com toda essa onda de prisões, seja por crimes comuns, por feminicídio ou crime do colarinho branco, imaginei: como e quando surgiram as prisões? E descubro que a ideia de cárcere vem desde a Idade Antiga – século VIII a.C. ao século V d.C. Aqui, o cárcere era marcado pelo aprisionamento, não pelo caráter da pena, mas como garantia de ter o sujeito sob o domínio físico, para se exercer a punição.

No Egito, por volta de 525 a.C., os lavradores eram requisitados para construir as obras públicas e cultivar as terras do Faraó (toda a terra do Egito). Quem não era capaz de pagar os impostos do faraó, em troca de construção de obras na área de irrigação e armazenamento de cereais, tornava-se escravo.

Minos, o rei de Creta, na Grécia, mandou encarcerar em uma ilha-prisão o artesão Dédalo, que construíra o Labirinto a mando do rei, para conter o Minotauro. Ao penetrar no Labirinto e matar o Minotauro, Teseu, comprovou a vulnerabilidade do Labirinto. Preso, Dédalo construiu um par de asas para si e outro para Ícaro, seu filho. No dia da fuga, o rapaz desobedeceu às orientações do seu pai e voou muito alto, derretendo a cera que sustentava as penas e as asas, vindo o jovem a se espatifar sobre os rochedos.

Na Idade Média surgiu a pena eclesiástica, com o intuito de purgar seus monges dos pecados, isolando-os em celas, para um tempo de reflexão sobre seus atos. Nessa época, as punições dos transgressores consistiam na amputação dos braços, na degola, na forca, o suplício na fogueira, queimaduras a ferro em brasa, a roda e a guilhotina.

Na Idade Moderna as punições eram ligadas ao corpo, e chamadas de suplício público. Assim, o corpo do indivíduo condenado era violado na presença da população, para mostrar qual seria o destino daqueles que desafiassem a ordem vigente, a ordem do monarca. Desobedecer a ordem do poder absoluto era como desobedecer a ordem de um deus.

Para encarcerar não era necessária a existência de um local específico, podendo ser calabouços, ruínas e torres de castelos, até ser construída, em Londres, a primeira penitenciária – House of Correction -, entre os anos de 1550 e 1552.

Em Veneza, na Itália, a Ponte dos Suspiros (1600-1602), cujo nome é atribuído a uma lenda que diz que, em tempos remotos, os criminosos, após receberem a sentença no Palácio Ducal, à direita, suspiravam ao ver pela última vez o mundo externo quando eram conduzidos à Prigioni Nuove – prédio à esquerda – através da ponte. Dali eles não saíam. Ou ficavam nas prisões ou eram executados. Assim dizia a lenda. Na Wikipédia consta ter sido este o primeiro edifício no mundo construído com a finalidade específica para ser uma prisão.

Ponte SuspirosO Palácio Ducal – Palácio do Doge – foi construído entre 1309 e 1424, passando a ser residência do Doge de Veneza, e contém os escritórios de várias instituições políticas. No início do século XVII foram construídas as Prigioni Nuove, que ficavam na outra margem do rio. Esta construção era a sede dos Signori dela Notte, formada por magistrados encarregados de prevenir e reprimir crimes penais. Os edifício, um de cada lado do rio, foram ligados através da Ponte dei Sospiri (1600-1602). Este era o percurso feito pelos condenados trazidos do Palácio Ducal para as prisões.

Ponte dos Suspiros, a mais bela passagem ligando uma condenação ao pavor, sem retorno.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Janeiro 25, 2019

O TOURO DE OSBORNE

O mundo é um livro, e aqueles que não viajam leem apenas uma página.

Frase no saguão de um hotel.

Ao viajarmos de carro pela pela Espanha, saindo de Madri com destino a Sevilha, aqui e ali nos deparávamos com um outdoor exibindo a silhueta de um belo touro. Esses painéis se repetiram tantas vezes que logo surgiu a pergunta óbvia: O que significa a imagem desse touro?

No ano de 1956 a agência publicitária Azor realizou, por encomenda do Grupo Osborne, o desenho, em grandes painéis, de um símbolo para representar uma bebida do grupo, o brandy Veterano. Os painéis mediam 4 metros de altura, com a imagem do touro e o anúncio da bebida.

Esses painéis foram então distribuídos estrategicamente pelas estradas, para cortar o horizonte e favorecer a sua visibilidade. Com a passagem do tempo, houve um apego das pessoas pela imagem do touro, o que transformou o que era apenas uma marca comercial em um símbolo cultural espanhol.

No ano de 1988, a Lei Geral de Estradas obrigou a retirada de publicidade que se localizasse em lugar visível a partir de qualquer estrada estatal. Logo os textos foram retirados dos painéis, mas os touros ficaram lá.

Em 1997 o Supremo Tribunal dita a sentença determinando a manutenção dos touros de Osborne, em face do interesse estético e cultural que lhes foi atribuído, e a partir de 1988 o Touro de Osborne deixou de ser um símbolo estritamente comercial.

Embora não sendo o touro de Osborne oficialmente um símbolo de identidade da Espanha, os nacionalistas da Catalunha boicotam e chegam a derrubar o único touro colocado na Catalunha.

caminhos madriEste, capturei nos caminhos de Sevilha

Atualmente existem 88 touros de Osborne distribuídos de forma aleatória pela Espanha, porém há uma concentração em torno de Cádis e Sevilha.

Uma imagem. Uma identidade. A cultura.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Janeiro 18, 2019

INTUSSUSCEPÇÃO, VOLVO, TOALETE OROFARINGOTRAQUEOBRÔNQUICA

O volvo, ou nó no intestino, é um evento grave, em que ocorre a torção de parte do intestino, provocando obstrução e bloqueando o fluxo sanguíneo para o local. Este evento tem como sintomas náuseas, vômitos, dor e inchaço na barriga.

A intussuscepção intestinal é uma condição grave na qual uma parte do intestino desliza para dentro de outra, como as partes de um tripé fotográfico retrai sobre a outra parte. Pode interromper a passagem de sangue para essa porção do intestino e causar uma infecção grave, obstrução, perfuração do intestino ou até morte dos tecidos. A intussuscepção é mais comum em crianças até três anos, e causa sintomas como vômitos intensos, barriga inchada, dores fortes, diarreia e sangue nas fezes.

Estas duas palavras estranhas vieram à tona quando tomamos conhecimento de que um rapaz de Alagoasmorreu ao ser acometido, pelo que se comenta, de um volvo intestinal ao não liberar a eliminação de flatos (puns) depois de almoçar na casa da namorada.

Outra expressão que nos causa estranheza é toalete orofaringotraqueobrônquica quando queremos dizer que alguém está gargarejando forte, como ocorreu com Megriv, estudante de Fisioterapia, em suas matinais limpezas das vias aéreas, quando gritava o seu tradicional ARRGHRRAARRBRRR no interior do banheiro todas as manhãs, pondo em alvoroço os moradores do prédio em que morava, conforme contado na crônica Os Gargarejos Matinais de Megriv, publicada neste blog em agosto de 2010.

O caso do rapaz de Alagoas, de fato, está mais para infarto agudo do miocárdio que para uma torção do intestino (volvo). A intussuscepção está descartada, ao que parece. Quanto a Megriv, espero que nunca em minha vida eu venha a ter um vizinho assim, preocupado com sua toalete matinal diária, a que chama de toalete orofaringotraqueobrônquica.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Janeiro 11, 2019

ASTRID, UMA TRAGÉDIA REAL

Na estrada que liga Zurique a Lucerna há uma igreja, na verdade, uma capela em homenagem à rainha Astrid da Bélgica. E você fica curioso. Quem teria sido a rainha homenageada com essa capela?

capela

No dia 17 de novembro de 1905 nascia na Suécia Astrid Sofia Lovisa Thyra. Filha do príncipe Oscar Carlos da Suécia, irmão do rei Gustavo, recebeu uma formação de grande liberdade, sem a costumeira educação espartana que acontecia na Grã Bretanha. Seus pais queriam que Astrid e suas irmãs Marta e Margarida tivessem a mesma aprendizagem que qualquer menina burguesa. Aprenderam a cozinhar, cozer e tratar de crianças. Astrid, a mais nova das três irmãs, formou-se em Puericultura pela Universidade feminina de Upsala.

Astrid conheceu aquele que viria ser marido em um dos encontros entre famílias europeias. Em março de 1926, depois de algumas semanas de convívio, Leopoldo e Astrid sentiram-se atraídos um pelo outro. Ele, o príncipe herdeiro da Bélgica, filho de Alberto I e da rainha Isabel. Leopoldo era bonito, inteligente, simpático e rico. Os dois se amaram como se podia amar naquele tempo. O casamento foi primeiro uma cerimônia civil em Estocolmo, no dia 4 de novembro de 1926. A noiva era da religião luterana e o noivo era católico.

Ao visitar a Exposição Internacional de Bruxelas, em 1935, o rei comprou um belo automóvel, um Packard cupê. Em agosto desse mesmo ano, o casal real instalou-se com os filhos em uma pequena comitiva numa aldeia suíça para praticar alpinismo. No dia 29 de agosto o casal real, acompanhado por amigos que viajavam em outro carro, partiram para as montanhas com o intuito de praticar seu desporto preferido. O motorista e a dama de companhia da rainha viajavam no banco de trás. Astrid, com um mapa na mão, seguia o itinerário e dava indicações ao marido dos locais onde gostava de parar para apreciar a paisagem. Em um gesto impensado, a rainha, virando-se para o marido, mostra-lhe algo no mapa e este, num segundo de distração, perde o controle do carro e vai de encontro a uma árvore, em que abalroa de forma violenta. O corpo de Astrid da Bélgica é brutalmente projetado, partindo o vidro com a cabeça, e seu corpo cai ensanguentado, tendo morte instantânea. O rei Leopoldo e os outros ocupantes do carro tiveram ferimentos leves.

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No seu enterro estiveram presentes monarcas e príncipes, além de chefes de Estado, mas a grande e comovente homenagem, que ela teria apreciado, foi prestada pelos mineiros, que ela protegera, e que fizeram questão de desfilar envergando suas roupas de trabalho, com os típicos lenços vermelhos ao pescoço; nas mãos, as lâmpadas acesas das lanternas com que desciam às minas.

Uma rainha, uma capela. A homenagem de um povo.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

 

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Janeiro 4, 2019

O AZULEJO, DO EGITO A SÃO LUÍS DO MARANHÃO

O azulejo existia na antiguidade, no Antigo Egito e na Mesopotâmia, alastrando-se com a expansão islâmica para a Península Ibérica no século XIV pelos mouros, que levaram consigo o termo atual. Em sua permanência na Península Ibérica, a produção de azulejos se desenvolve na Espanha, em especial em Sevilha, Málaga, Valência e Talavera de la Reina. Os mosaicos serviam para ornamentar paredes dos palácios nas terras conquistadas, traduzindo um complexo jogo geométrico em brilho e ostentação.

Os artesãos simplificaram a técnica mourisca, que exigia muito tempo, e trataram de adaptar os padrões ao gosto ocidental. Nos finais do século XV, surgiram em Sevilha os primeiros exemplares usados em Portugal, e serviram para revestir as paredes de palácios e igrejas. Em Lisboa, os azulejos somente surgiriam setenta anos depois, em 1560, em oficinas de olaria que utilizavam técnica importada da Itália (faiança). Hoje, em Portugal, os azulejos estão nas casas, nas ruas, praças e monumentos, nas igrejas, palácios.

Na cidade do Porto, a Capela das Almas ou Capela de Santa Catarina ainda nos encanta com seus azulejos. Essa construção atual remonta aos finais do século XVIII.

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Na época do Brasil colônia, os portugueses trouxeram os azulejos em navios, para ornamentação de igrejas e casas, replicando o que fizeram os mouros ao invadir a Espanha.

Porém o primeiro registro da azulejaria brasileira data de 1620/1640, quando vieram de Portugal peças de cerâmica vidrada para ornamentar o Convento de Santo Amaro de Água Fria, do Engenho Fragoso, em Olinda. No ano de 1737 chegam ao Brasil, vindos de Portugal, os magníficos painéis da capela mor do Convento de São Francisco, na Bahia.

Somente no século XVIII os azulejos portugueses começaram a chegar à capital do Maranhão, para enriquecimento da estética de prédios comerciais e de casas mais abastadas da cidade.

Ainda hoje, no Centro Histórico de São Luís, é possível observar azulejos em bom estado de conservação, revestindo paredes de casas e lojas, assim como painéis de azulejos que existem em vários locais da cidade, a exemplo do que acontece em Portugal.

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EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Dezembro 28, 2018

ASSIM PENSAVA HIPÓCRATES, O PAI DA MEDICINA

Os aforismos hipocráticos retratam o pensamento livre de um homem nascido no ano de 460 a.C. Hipócrates teve como contemporâneos alguns dos filósofos mais importantes da História da Humanidade – Demócrito, Sócrates, Diógenes de Sinope, Platão, Heráclito de Éfeso e Aristóteles.

Nascido na asclépia de Cós, na Grécia, filho de pai médico, Hipócrates começou a estudar o que os pacientes escreviam nas tábuas votivas, ao deixarem a asclépia depois de curados. Com esse trabalho, o médico de Cós elaborou as máximas da Alopatia – Contraria Contrariis Curentur(o contrário curando o contrário) assim como as da Homeopatia – Similia similibus curentur (o semelhante curando o semelhante).

Contemporâneo dos mais prestigiados filósofos gregos, Hipócrates construiu os Aforismos, pensamentos que orientaram sua prática médica e seu modo de vida.

Que a comida seja teu alimento e o alimento tua medicina

 Tuas forças naturais, as que estão dentro de ti, serão as que curarão tuas doenças

 A vida é curta, a arte é longa, a oportunidade é fugaz, a experiência enganosa, o julgamento difícil

 Nem a sociedade, nem o homem, nem nenhuma outra coisa deve ultrapassar os limites estabelecidos pela natureza

 Aos doentes, tenha por hábito duas coisas – ajudar, ou pelo menos não produzir danos (Primum non nocere)

 Há uma circulação comum, uma respiração comum. Todas as coisas estão relacionadas

 A febre da doença provoca o próprio corpo; a do amor, o corpo do outro

 Tudo acontece conforme a natureza

 A cura está ligada ao tempo e, às vezes, também às circunstâncias

 Tuas forças naturais, as que estão dentro de ti, serão as que curarão tuas doenças

 Os jovens de hoje não parecem ter respeito algum pelo passado, nem esperança alguma para o porvir

 Há, verdadeiramente, duas coisas diferentes: saber e crer que se sabe. A ciência consiste em saber; em crer que se sabe está a ignorância

 Os homens deveriam saber que é do cérebro, e de nenhum outro lugar, que vêm as alegrias, as delícias, o riso e as diversões, e tristezas, desânimos e lamentações

 Os homens pensam que a epilepsia é divina meramente porque não a compreendem. Se eles denominassem divina qualquer coisa que não compreendem, não haveria fim para as coisas divinas

 A arte é longa, a vida é breve

 Para os males extremos, só são eficazes os remédios intensos

 A guerra é a melhor escola do cirurgião

 Não darei veneno a ninguém, ainda que me o peça, nem lhe sugerirei tal possibilidade

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Aforismo é um gênero textual ou uma obra deste gênero caracterizado por sentenças breves que possuem uma definição de um preceito moral ou prático. A palavra aforismo foi utilizada pela primeira vez nos Aforismos de Hipócrates.Wikipédia

 

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Dezembro 20, 2018

COLONIA DEL SACRAMENTO

Saindo de Buenos Aires com destino ao Uruguai, há duas opções. A primeira e mais prática, para quem tem bagagem, é voar até Santiago do Chile e tomar um avião para Montevidéu. A segunda opção é sair da capital da Argentina e viajar cerca de 150 quilômetros de barco e aportar em Colônia do Sacramento, cidade uruguaia que fica na foz do rio da Prata.foz-rio-da-prata

O Rio da Prata, de fato, é um grande estuário, formado pela desembocadura dos rios Paraná e Uruguai no Oceano Atlântico. De uma forma bela e democrática, o Rio da Prata banha as cidades de Buenos Aires e Montevidéu, ao tempo em que separa a fronteira de Uruguai e Argentina.

Colônia do Sacramento é uma cidade do Uruguai, fundada em janeiro de 1680, pelo Governador da Capitania Real do Rio de Janeiro, a mando do Império Português, com o objetivo de estender as fronteiras de sua colônia até o Rio da Prata. O Centro Histórico desta bela cidade é reconhecido como Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

A seguir, a cidade-patrimônio em quatro fotos.

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Primeiras ruas

Rua com calçamento português, com escoamento no centro.

Praça de Touros

Praça de touros, detalhe

Colônia do Sacramento, um Patrimônio da Humanidade que merece uma visita.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Dezembro 14, 2018

GINJA EM PORTUGAL, onde e como tomar

Na crônica Um Mistério À Portuguesa, falei que a Ginjinha é um licor obtido pela fermentação da ginja, uma frutinha parecida com a cereja, e que os ingredientes tradicionais dessa bebida são as ginjas, o açúcar, o vinho branco, o vinho tinto e o pau de canela. Também falei que há dois estabelecimentos tradicionais que, em Portugal, comercializam esta bebida: a Ginjinha Sem Rival, fundada no século XIX, e a Ginjinha da Espinheira, que funciona desde 1840. Esta última, por estar localizada no Largo São Domingos, serviu como único ponto para degustação, em Lisboa.

Agora vamos ao como e onde tomar essa delícia de bebida:

Foto 1

Na Ginjinha da Espinheira, sozinho, em Lisboa (copinho de vidro)

Foto 2

Em grupo, ainda em Lisboa (copinho de vidro)

Foto 3

Em Óbidos, em suas ruas estreitas (copinho de plástico)

Foto 4

Ainda em Óbidos, conferindo em uma barraca de rua (copinho de plástico)

Foto 5

Finalmente, em Óbidos, degustando uma ginja à moda cult, em taças de cristal

Foto 6

E terminar o dia comendo um dos melhores bacalhaus de Lisboa, que ninguém é de ferro.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

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