Publicado por: Evaldo Oliveira | Abril 21, 2018

LAMPIÃO E MARIA BONITA, terror, amor e marketing na caatinga

Quando falamos ou pensamos no cangaço, logo surge o nome ou a imagem de Lampião. Por quê? O bando de Lampião não foi o primeiro a atuar no sertão nordestino. Antes dele, José Gomes, o Cabeleira, já aterrorizava a zona da mata pernambucana desde Vitória de Santo Antão até o centro de Recife pelos idos de 1775. Cabeleira, que nascera no ano de 1751, era um bandido sanguinário e cruel e entrou na vida do crime por influência do pai, um homem de má índole que cedo ensinou a arte de matar e sangrar as pessoas indefesas apenas por prazer. Cabeleira foi levado à forca no Forte das Cinco Pontas em 1776.

Em 1875 nascia Antônio Silvino,  em Afogados da Ingazeira-PE, o mais famoso cangaceiro antes de Lampião. Chefe de um grupo de cangaço, arrancou trilhos, prendeu funcionários, sequestrou engenheiros da Great Wester. Preso em 1914 na Casa de Detenção de Recife, teve um exemplar comportamento, sendo libertado em 1937 através de um indulto do presidente Getúlio Vargas. Morreu em 1944 em Campina Grande.

Antonio Silvino, segundo de péAntônio Silvino, segundo de pé

Nenhum desses cangaceiros, no entanto, conseguiu criar em torno de si algo que pudesse perpetuar seus nomes na história do crime. Lampião, ao contrário, firmou-se no anedotário popular e nos registros históricos como o homem que conseguiu espalhar o terror , originando fama, ódio, respeito, idolatria, temor e admiração. Lampião nasceu em Serra Talhada em junho de 1898 e, devido à sua fama, em 1930 foi citado no jornal The New York Times.

Maria Bonita

Tudo começou no ano de 1921, quando  Virgulino Ferreira da Silva passou a fazer parte de um bando depois que a polícia assassinou seu pai a tiros. Lampião tinha muita destreza, era inteligente, sabia ler e escrever, além de ser bom de mira. Com tais requisitos, tornou-se líder do bando em 1922. O apelido Lampião surgiu de sua temida habilidade no manejo do rifle, ao fazer vários disparos em sequência, que mais parecia um candeeiro iluminando a caatinga.

Lampiã::Maria Bonita

Uma de suas primeiras ações foi matar o informante que entregara seu pai à polícia. Ainda no ano de 1922, realizou um dos maiores assaltos da história do cangaço, ao atacar e exigir dinheiro de uma senhora de mais de noventa anos, a Baronesa de Água Branca.

Lampião

Maria Gomes de Oliveira, a Maria Bonita, nasceu em Paulo Afonso no ano de 1911, e passou a fazer parte do bando aos 18 anos de idade, a convite de Lampião, com quem havia iniciado um romance em 1929.

As vestimentas de Lampião eram espalhafatosas, chamativas, com chapéu de couro e coletes com moedas e medalhas de ouro, além de um lenço de seda que trazia no pescoço, preso por anéis de ouro.

Em 1928, porém, o grupo de Lampião cometeria um engano que lhe custaria muitos dissabores, ao atacar Mossoró, à época uma cidade de médio porte. Aquela desastrada invasão marcaria o início do fim do bando. Os cangaceiros perderiam, a partir de então, sua propalada fama de  invencibilidade. Como resultado dessa ação, o grupo ficou com apenas 16 a 20 homens, e contou com a deserção de Massilon, que havia encorajado Lampião a invadir a cidade, por ser próspera e possuir bancos. Lampião jamais concordou com essa invasão.

Bando completo

Corria o ano de 1937, e Lampião, aos trinta e nove anos, andava irritado com a perseguição das volantes. Reclamava também de que sua visão tornara-se precária, depois de um ferimento no olho direito em um espinho. Seu corpo se ressentia com os maus tratos produzidos pelo sol, a pele ressecada, além das más condições de higiene e dos ferimentos mal curados.

Em 1938, depois de anos aterrorizando cidades do Nordeste, os cangaceiros, acampados na Grota de Angicos, em Poço Redondo (Sergipe) foram atacados de surpresa pela polícia armada oficial, conhecida como volante. Naquele local morreriam onze homens do bando. Maria Bonita foi degolada ainda viva, assim como Lampião, este já morto, além de nove cangaceiros. Suas cabeças foram cortadas e fotografadas pelos soldados, como prova da derrocada do bando de  Lampião.

Cabeleira, enforcado em Recife aos 25 anos.

Antônio Silvino, 23 anos mais velho que Lampião, morreu em Campina Grande aos 69 anos, seis anos depois da morte do cangaceiro mais famoso do Brasil, em uma grota no interior de Sergipe.

Lampião, morto por uma volante aos 40 anos, debilitado em sua saúde.

Maria Bonita, a primeira mulher a participar de um grupo de cangaço.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Publicado por: Evaldo Oliveira | Abril 13, 2018

ESTÁTUAS VIVAS

Estátua viva corresponde à performance de um artista de rua realizada em locais públicos, imitando uma estátua com movimentos estáticos. Em ação o controle do corpo, pausas sem movimento associadas a mímicas, sempre com o objetivo de prender a atenção dos espectadores.

Pelos caminhos do mundo, conheci muitas performances de artistas de rua com suas estátuas vivas.

Assim foi em Nova York

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Assim também aconteceu em Paris

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Em muitas outras cidades conhecemos variados tipos de apresentação artística nas ruas tentando chamar nossa atenção. As estátuas vivas do momento tentam equilibrar-se em uma pequena haste, parecendo flutuar.

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Mas foi na Rambla, em Barcelona, que conheci uma estátua viva que me marcou de forma indelével. Caminhava por aquela bonita via de pedestres quando avistei uma estátua de D. Quixote. Não havia pessoas em volta. Aproximei-me para um exame mais detalhado. Era uma estátua de bronze altiva, exposta ao forte sol da Catalunha. Na dúvida, aguardei um pouco. Percebi o sinal, a pista que faltava. Na base da estátua havia um recipiente para colocação de dinheiro. Coloquei um euro e ali, diante de mim, iniciou-se o bailado de um cavaleiro medieval que, ao que tudo indicava, procurava por um amigo que ali não se encontrava. Seria um cavalo, ou um amigo gordinho? Lembrei-me de Rocinante.

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Dom Quixote, na Rambla, em Barcelona, a estátua viva mais perfeita que até hoje conheci. Somente depois saberia que as estátuas vivas da Rambla ganhariam um impulso a partir do ano de 1988, quando Antonio Santos Staticman permaneceu imóvel por 15 horas, vinte e dois minutos e 55 segundos, justo ali, na Rambla, em Barcelona, batendo assim o record guiness de imobilidade.

Estátuas vivas. Performance ou arte?

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Abril 6, 2018

O HOMEM PIRILAMPO E A ESTUPIDEZ HUMANA

Antoine é um jovem de 25 anos que não gosta de ser manipulado, como ser obrigado a estudar nada que lhe interesse. Então, passou a fazer traduções do aramaico. Ele pensa demais e acredita que essa é a razão de seus problemas, porque a inteligência torna a pessoa infeliz, solitária, pobre, enquanto o disfarce de inteligente oferece a imortalidade efêmera do jornal e a admiração dos que acreditam no que leem. Por isso, resolveu tornar-se estúpido.

Antoine tinha um amigo proveniente de uma família pobre que havia feito testes de alimento para a fábrica Nenê, quando do lançamento de uma nova variedade de potinhos para bebês com um complemento de vitaminas e fósforo que, em doses infinitesimais, é bom para a saúde. Um erro acontecera na fábrica, devido à troca de uma simples unidade de medida, quando um engenheiro confundiu microgramas com quilogramas. Em decorrência, as pessoas tiveram cânceres e outras doenças graves. O amigo Aslee teve sorte de não ter senão problemas mentais que retardaram o seu desenvolvimento cerebral. Devido à alta dosagem de fósforo ingerido, Aslee brilhava à noite. Quando perambulavam pelas ruas à noite, Aslee parecia um imenso pirilampo que iluminava o caminho pelas ruelas escuras.

Certo dia, Antoine comunica a seus amigos que investiria no viés da idiotice como forma de sobrevivência, convencido de que somente com a estupidez conseguiria ser levado a sério pelas pessoas. Decide, então, experimentar fazer o jogo da estupidez, e inicia sua tentativa de se tornar alcoólatra. Acredita que o álcool o ajudaria a esquecer coisas, mas tudo que Antoine consegue é chegar ao coma alcoólico com alguns copos de cerveja. Aqui, a desistência do plano A.

Imagina então que o suicídio seria o mais indicado nessa tentativa de se tornar estúpido. Recuperando-se do coma, e ainda no hospital, recebe a indicação de uma moça sobre um local para fazer um curso de suicídio, com as técnicas para um evento bem elaborado e de sucesso. Porém não consegue.

Concluindo pela incapacidade para dar cabo de si, Antoine decide então fazer uma lobotomia, e marca uma consulta com o pediatra de sua infância que, ao invés disso,  receita-lhe uma pílula vermelha – Felizac – antidepressivo que, com certeza, irá transformá-lo em alguém feliz e sem pensamentos tórridos. Era sua terceira tentativa de se tornar estúpido.

Finalmente, utilizando o antídoto contra a inteligência, Antoine arranja emprego em uma corretora de ações e logo fica milionário. Para se adaptar a essa nova condição, começa a comprar e comprar, enquanto sua consciência dorme. Mas ele é retirado desse estado, pois seu cérebro ainda dá sinais de estar atuante. E temos um final no limite do surrealismo banal.

Devaneio literário feito por Martin Page no livro Como Me Tornei Estúpido, lançado no Brasil pela Editora Rocco.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Publicado por: Evaldo Oliveira | Março 30, 2018

ÉFESO, TRÊS MIL ANOS DE BRILHO NA TURQUIA

Quando se fala de Éfeso, importantíssima cidade turca do século X a.C, há que se reforçar os pesos histórico e bíblico desta que já foi a segunda maior cidade do Império Romano.

Éfeso é uma cidade localizada a três quilômetros de Selçuk, atual Esmirna, na Turquia. Foi construída no século X a.C. por colonos gregos jônicos. A cidade floresceu sob o domínio de Roma em 129 a.C., sendo a segunda maior cidade do Império Romano, atrás apenas de Roma. No século I, contava com 250.000 habitantes, sendo também a segunda maior cidade do mundo.

Em Éfeso ficava o Templo de Ártemis, concluído por volta do ano 550 a.C. e eleito como uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. Lá também funcionava a Biblioteca de Celso, com sua fachada monumental, representando uma fase de esplendor. Ali estão as estruturas bem conservadas do seu famoso teatro, capaz de abrigar 25.000 pessoas. Ali também foi o local onde São Paulo fez a leitura de várias de suas cartas. O Evangelho de São João pode ter sido escrito em Éfeso.

Nessa importante cidade foi escrito o livro de Efésios por São Paulo, entre os anos 60 a 63 d.C. Este livro descreve a disciplina necessária para que o cristão possa se transformar em verdadeiro filho de Deus, ao tempo em que estabelece e fortalece o crente para que ele possa cumprir os propósitos e o chamado de Deus.

E foi justamente para Éfeso que São João levou Maria após a ressurreição de Cristo. Sua casa fica no Monte Rouxinol (Bülbül Dagi), onde teria passado seus últimos dias.

Na asclépia de Pérgamo, distante 178 quilômetros de Éfeso, foi construído o primeiro hospital do mundo, com uma estrutura que ainda hoje impressiona. A asclépia de Pérgamo, junto com na asclépia de Cós, na Grécia, foram o berço da prática médica não sacerdotal.

Éfeso, berço de acontecimentos que mudaram a história do mundo.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Publicado por: Evaldo Oliveira | Março 23, 2018

MINHAS CINCO MÃES

Meu nome é Mirtes. Nasci no interior do Piauí há 57 anos. Meu pai, Manoel, era um homem espirituoso, engraçado, nascido em Araripina-PE. Casou com minha mãe Jandira, e o casamento evoluiu muito bem, com a rudez natural de meu pai e o amor incondicional de minha mãe aos sete filhos do casal.

Aos vinte e sete anos de idade minha mãe morreu, e meu pai falou que, para ele, o mundo havia acabado. No velório de mamãe, papai conheceu uma moça e logo perguntou se ela queria casar com ele. Combinaram o dia em que ele iria à casa da moça comunicar que iriam se casar.

No dia marcado, meu pai, conforme fora combinado, foi à casa onde morava sua futura esposa, sendo recebido por uma de suas irmãs, Lucinda. Todas as moças da casa eram conhecidas pela beleza. Meu pai perguntou onde estava Maria, sua pretendida, e Lucinda respondeu que ela não se encontrava no lugarejo. Meu pai, então, perguntou se ela queria casar com ele, e saiu dali noivo de Lucinda, e logo se casariam. Vingança.

Depois de algum tempo Lucinda engravidou e teve seu primeiro filho. Maria, sua irmã, foi para sua casa cuidar do recém-nascido enquanto Lucinda se recuperava do parto. Maria voltou para casa grávida do meu pai. O filho nasceu e ela sumiu da cidade, levando consigo a criança, de quem meu pai jamais teria notícia. Vingança.

Lucinda, aproveitando-se das viagens do meu pai, começou um chamego com o filho de uma irmã do meu pai; portanto, seu sobrinho. Os boatos se espalharam e Lucinda, envergonhada, fugiu de casa levando consigo os três filhos.

Ao chegar de viagem, meu pai tomou conhecimento do acontecido e foi em busca de seus três filhos. Ao chegar ao local onde eles estavam, encontrou somente dois filhos – um menino e uma menina -, e os trouxe de volta. Meu pai nunca soube do paradeiro do filho mais velho.

Logo que retornou, meu pai casou novamente, mas esta união durou apenas três meses. Então, pôs dinheiro no bolso, montou em uma burra e disse: Vou procurar uma mulher para casar. Encontrou Erminda, que era separada do marido. E meu pai foi pedir a moça em casamento. O pai da moça falou para o pretenso noivo que sua filha não merecia se casar, por ser uma pessoa muito má. Meu pai não deu ouvidos ao futuro sogro, e o casamento foi realizado. Dessa união nasceram quatro filhos. O pai da moça tinha razão. O casal se separaria anos depois. Erminda era uma mulher cruel.

Casou-se pela última vez com uma moça de 15 anos, com quem teve três filhos e ao lado de quem veio a falecer no ano de 2002.

Os sete filhos da minha mãe foram parcialmente criados por todas aquelas cinco mulheres, sendo amados pela primeira, nossa verdadeira mãe -, e maltratados por quatro delas. Uma chegava a esconder os copos para que não bebêssemos água e sujássemos a louça.

Manoel. Cinco casamentos. Seis relacionamentos. Dezesseis filhos; dois perdidos pelo caminho.

Hoje exercendo o cargo de procuradora federal, Mirtes ainda consegue rir de sua conturbada história de vida.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Março 16, 2018

PAMUKKALE, o algodão doce da Turquia

A Turquia é um país de grandes dimensões, e possui atrações que, mesmo antes de conhecer, o turista já possui informações, embora muitas vezes precárias. É o caso de Pamukkale, que fica a cerca de dez a doze horas de ônibus, saindo de Istambul.

Conhecido como Castelo de Algodão, que mais parece uma geleira, é um conjunto de piscinas formadas pelo calcário branco formado pela solidificação da calcita que desce junto com as águas das fontes termais, e que depois de solidificado se transforma em mármore travertino.

Pamukkale data do período helenístico, época em as virtudes medicinais de suas fontes termais transformaram a cidade vizinha, Hierápolis, fundada em 197 a.C., em um centro de cura. O parque foi declarado Patrimônio Mundial pela Unesco no ano de 1988. Esse período, dito helenístico, vai da morte de Alexandre o Grande, em 323 a.C., até 146 a.C., quando a península grega foi anexada por Roma. Hoje, Hierápolis é uma estância termal na Turquia. São Paulo refere-se a este lugar, em suas cartas. Reforço que este parque fica muito perto de Éfeso, em cujo anfiteatro São Paulo fez a leitura de algumas de suas cartas.

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Pamukkale. De longe, uma geleira. Ao nos aproximarmos, um Castelo de Algodão.

Coisas da senhora Natureza.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN.

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Março 9, 2018

PORTUGAL, sem texto

Falar das coisas de Portugal. Fácil, nem precisa de texto. Aqui, apenas as fotos e suas localizações. Elas falam por nós.

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Na cidade do Porto, visitando o Majestic Café

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Pelas ruas de Lisboa, em momento estátua viva

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Em Lisboa, as questões da atualidade

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Ainda em Lisboa, de tuc-tuc elétrico, sem fumaça nem barulho

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Em Aveiro, a Veneza portuguesa

Precisa de texto? Ou o texto poderia ser tão inútil quanto meias para cadeira?

Meia p:cadeira

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Publicado por: Evaldo Oliveira | Março 2, 2018

KAFKA PASSOU POR AQUI

Em Praga, um passeio pela Cidade Velha já serve de um bom caminho e estímulo para se conhecer a capital da República Tcheca. Quando se fala em Praga, logo lembramos de um homem esbelto, magro, de ar circunspecto, que escreveu, dentre outros, o livro A Metamorfose, em 1912. Se você ainda não leu, vale a pena pensar nisso.

No livro, o personagem que se destaca é um jovem, Gregor Samsa, que certo dia se descobre transformado em uma grande barata, enquanto dormia, e isso altera a vida de cada uma das pessoas de sua casa. Um inseto insignificante, repugnante, que pode, sem dúvida, simbolizar a visão da sociedade sobre ele.

Continuando a caminhada, ao entrar na rua Franze Kafky Námesti, sem pressa, nossa atenção será desviada para a casa nº 5, que fica ao lado da Igreja de Saint Nicholas. Ao olharmos em volta, logo descobriremos que, de fato estamos em frente à casa em que nasceu o grande escritor tcheco Franz Kafka. E é naquela casa simples que funciona o Museu de Kafka. Ali, uma surpresa poderá até nos fazer rir, por um detalhe.

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Kafka nasceu em Praga em 3 de julho de 1883, e morreu de tuberculose no dia 3 de junho de 1924, um mês antes de completar 41 anos. Embora considerado pelos críticos como um dos escritores mais influentes do século XX, Kafka nunca foi profeta em sua terra. É que suas primeiras traduções foram realizadas por intelectuais de tendência anarquista, criando a ideia de que Kafka era um autor revolucionário.

Com a mudança do regime pós-guerra e instauração da ditadura comunista, a produção de Kafka esteve proibida, por ele ser considerado um autor reacionário. Até mesmo pessoas que se dedicavam a estudar Kafka foram perseguidas pela polícia política. Em 1990, com a queda do regime socialista, foi criada a Sociedade Franz Kafka de Praga.

Agora, o motivo do eventual riso: próximo à entrada da casa/museu, duas estátuas masculinas fazem xixi, displicentemente, sobre o mapa da República Tcheca. As duas estátuas, verdade, nada têm a ver com Kafka ou seus escritos. É obra de um artista, em protesto contra a corrupção existente no país. Se a moda pega no Brasil, teríamos milhares de zumbis urinando em quase todas as esquinas das grandes cidades.

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EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Fevereiro 23, 2018

ISTAMBUL, onde o oriente e o ocidente se encaram no Bósforo

Quando se fala em Istambul, logo surge a ideia de que esta cidade é a capital da Turquia, porém é Ancara que oficialmente ocupa este posto. Ao andarmos por Istambul temos a impressão de que estamos viajando no tempo. A cidade já foi conhecida como Bizâncio e Constantinopla, a depender do invasor da vez. Com treze milhões de habitantes, Istambul rivaliza com Londres como acidade mais populosa da Europa.

Istambul chamava-se Bizâncio até 330 d.C. A seguir, passou a se chamar Constantinopla, nome que vigorou até 1453, quando suas muralhas foram enfim vencidas e a cidade foi invadida pelo sultão Mehmet II, sendo rebatizada de Istambul. Dessa forma, Istambul foi a capital de três grandes impérios: Romano, Bizantino e Otomano.

Com um posicionamento geográfico privilegiado, a cidade de Istambul ocupa ambas as margens do movimentado estreito de Bósforo que, juntamente com o mar de Mármara, separa a Ásia da Europa no sentido norte-sul, conferindo a esta cidade a característica única no mundo de ocupar dois continentes. Com trinta quilômetros de extensão, o Estreito de Bósforo divide em duas partes a cidade de Istambul, delimitando os territórios europeus de um lado e a Ásia do outro, ao tempo em que liga o mar Negro ao Mar de Mármara. Ali se encontra a ponte Fatih Sultão Mehmet, com 1.090 metros de extensão, a segunda maior ponte pênsil do mundo. A primeira está no Japão.

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A moderna e democrática Turquia deve estas condições a Ataturk – Pai dos Turcos – que, em 1922, acabou com os privilégios dos sultões, aboliu a escrita árabe-otomana, por sua complicação, e introduziu o alfabeto ocidental.

O estreito de Bósforo, com 7.600 anos de formação, é muito recente do ponto de vista geológico, e tem sua história envolvida nos escritos bíblicos. É que o Mar Negro, antigamente, era um grande lago de água doce, e foi invadido pelas águas do Mediterrâneo, dando origem ao estreito. Essa invasão, na visão de historiadores, teria inspirado a história bíblica do dilúvio e da Arca de Noé.

Segundo o Gênesis, escrito por Moisés em torno do ano 1400 a.C., de repente começou a cair água. Caiu do céu um aguaceiro que durou 40 dias e 40 noites. Noé cumprira o determinado, e os homens e os animais foram acomodados na arca. Os que não conseguiram ficaram assustados e subiram nos morros, mas logo as montanhas mais altas foram cobertas. Deus se arrependeu, e prometeu que jamais haveria outro dilúvio sobre a terra.

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Estreito de Bósforo, relato bíblico no ponto que separa dois continentes.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Publicado por: Evaldo Oliveira | Fevereiro 16, 2018

UMA IGREJA SEM ENTRADA

Sempre gostei de visitar igrejas. Já conheci igreja protestante com imagens de santos em seu interior. Estranho? É que essa igreja foi confiscada pela religião protestante ao se expulsarem os padres. Isso é comum, tanto do lado do catolicismo quanto das igrejas protestantes, devido ao sem número de guerras europeias.

Também já vi um hotel recepcionando seus hóspedes onde até pouco tempo funcionava uma igreja católica, como esta na Polônia.

Hotel igreja

Em Praga, a bela capital da República Checa, caminhando por sua praça principal, à noite, vislumbrei duas belíssimas torres que pareciam flutuar, em sua tentativa de aparecer por trás de alguns prédios. Procurei um modo de entrar naquela igreja que se destacava na parte de trás de um imenso quadrilátero que formava praça. Impossível entrar. Não havia uma porta ou caminho pudessem me indicar o acesso ao edifício da igreja. Amanhã eu retorno, pensei.

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Na manhã do dia seguinte, novamente na praça, tentei descobrir o caminho que não encontrara na noite anterior. Perguntei nas lojas do quarteirão e encontrei a resposta. A entrada ficava quase despercebida entre alguns prédios comerciais, à direita da foto. A teimosia valeu a pena. A igreja é belíssima também por dentro.

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A história da praça da Cidade Velha remonta ao século XIV, quando era apenas um espaço comercial dominado, durante a Idade Média, por uma burguesia próspera e poderosa. Ali foi construída a prefeitura da Cidade Velha, e lguns anos depois seria construída a igreja Nossa Senhora de Tyn, que ficou conhecida como a catedral dos comerciantes, e tinha como objetivo competir com a catedral de Praga.

Igreja de Nossa Senhora de Tyn. Até hoje sua entrada nos confunde em meio a um emaranhado de prédios comerciais.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

 

 

 

 

 

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