Publicado por: Evaldo Oliveira | Janeiro 24, 2020

MAURÍCIO AZEREDO, uma lembrança

Era um jovem bem apessoado, pelos idos do início da década de 1980, quando o conheci. Formado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Mackenzie, Maurício Azeredo era professor do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da UnB. Eu, médico homeopata e pediatra, atendi suas filhinhas e daí nossa amizade só se fortaleceu.

O designer de móveis é professor adjunto do Curso de Design do Departamento de Artes e Arquitetura da PUC de Goiás. Foi premiado várias vezes pelo Museu da Casa Brasileira e pela Bienal Brasileira de Design – Secretaria de Cultura do Estado do Paraná. Expôs sua obra em diversos museus e galerias do Brasil e do exterior, incluindo Inglaterra, França, Alemanha, Itália e Singapura.

Várias vezes estivemos na casa de Maurício e em seu ateliê, na cidade goiana de Pirenópolis, acompanhados de amigos, para uma conversa com o artista, que em uma dessas visitas se esmerou no preparo de uma paella com os mais variados frutos do mar. Esta foto parece ser de 1985.

Pirenópolis 1985Visitei algumas casas de amigos em Brasília, e escolhi estas fotos para prestar uma homenagem a Maurício Azeredo.

Mesa

Em noite de taçasA mesa em noite de taças. As estolas são da arquiteta e designer de tecidos Cláudia Azeredo. Perceba que na imagem aparecem algumas travas que,  quando retiradas, propiciam a desmontagem da mesa, já que não tem cola nem parafuso. São encaixes.

Mesa de centroMesa de centro, tendo ao fundo um banco Ressaquinha

Portas de apartamentos

PortaPorta 2

Maurício Azeredo. Para a arte em móveis,  este nome basta.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Janeiro 17, 2020

EUNUCOS, do terror da mutilação a um pouco de prestígio

Eunucos são homens que tiveram os órgãos genitais removidos parcial ou totalmente. Na Grécia Antiga a conversão era imposta a quem reincidia em adultério ou em um crime de estupro. Conhecidos desde a antiguidade até nossos dias, o primeiro registro da história vem do século XXI a.C., da cidade de Lagash, na Suméria. É fácil imaginar, face à gravidade da mutilação, a que poucos sobreviviam. Há relato de que apenas um em cada dez sobrevivia.

A prática da castração, e de ter eunucos nas cortes, era comum em toda a Ásia. Os eunucos existiram na China, na Índia, Ásia Menor e toda a Pérsia. Também no mundo árabe antigo era comum tê-los a proteger os haréns dos sultões. Os lugares onde mais apareceram foram na China, na Europa e no Oriente Médio.

Na China, homens eram castrados em forma de punição e condenados a trabalhar de graça, principalmente em construções. Esse meio de punição apareceu oficialmente entre 1050 a.C e 255 a.C. Como a maioria era analfabeta, seus principais serviços prestados eram braçais, mas com o tempo eles conseguiram mudar isso. Eunucos acabaram se tornando bastante influentes, uma vez que essa tradição levou séculos, fazendo com que eles conquistassem poder.

No no Oriente Médio as coisas eram um pouco diferentes. Apesar de eles ainda serem escravos, como os eunucos da China, eles vinham de outros países. Homens eram trazidos da Europa oriental, África e também da Ásia para se tornarem eunucos. A cirurgia era feita fora das terras do Oriente Médio, já que isso poderia tirar a pureza do solo. Aqui, os eunucos passaram a controlar burocracias e conquistar cargos de certa importância.

Por fim, na Europa, os garotos eram oferecidos pelos seus pais para se tornarem os castrati. Estes eram cantores do sexo masculino, que tinham seus testículos cortados para que sua voz não passasse por mudanças durante a puberdade. Eles se tornavam, portanto, cantores com vozes afeminadas e podiam ganhar bastante dinheiro. Eles eram utilizados em óperas, inclusive nas óperas de Mozart.

Apesar de não existirem mais eunucos nesses lugares, na Índia essa prática ainda existe. Os Hijras, como são chamados os eunucos da Índia, vivem à margem da sociedade, sendo conhecidos por terem poderes mágicos. No ano de 2014, os Hijras foram reconhecidos como o “terceiro sexo” na Índia.

Eunucos. Sofrimento, terror. Sucesso em certos setores da sociedade.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Cristo, em resposta a uma tentação dos fariseus, respondeu (Mateus 19:12): Pois há eunucos porque já nasceram assim; outros foram feitos assim pelos homens; outros se fizeram eunucos (automutilação) por causa do Reino dos céus.

 

 

 

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Janeiro 10, 2020

UM PORRE DE LICOR EM LISBOA

Paulo Ricco, em visita a Lisboa, sentindo-se desprestigiado por seus familiares no pequeno almoço (café da manhã), saiu do hotel e foi caminhando sem destino, no sentido do Rocio. No fundo, tinha como objetivo contemplar o rio Tejo a partir da Torre de Belém.

No caminho, parou em uma lanchonete para tomar um imperial (chope) com o intuito de relaxar um pouco. Sentado, pôs-se a olhar para algumas garrafas de bebidas expostas em um canto da prateleira do meio. Logo se interessaria por uma garrafa de formato diferente que chamava sua atenção.

Pediu uma bica (café expresso, em Lisboa) e ficou de olhar fixo naquela garrafa que trazia um nome estranho no rótulo – Licor de Merda. Em Portugal, caso lhe chamem para tomar um café, não será esse o desejo de quem o convidou. De fato, você vai beber, e talvez não tome nem uma chávena(xícara) de café.

Depois de algum tempo, Ricco fez sinal para o empregado de mesa (garçom) e pediu uma dose daquela bebida de nome estranho. Encantou-se com o aroma que provinha da taça e adorou seu gostinho todo especial. E pediu outra dose.

PromoçãoFoto internet

O Licor de Merda teve origem em Portugal no ano de 1974, quando o país estava em uma fase difícil de sua história recente. Acabara de acontecer a Revolução dos Cravos, que se refere a um evento que depôs o regime ditatorial do Estado Novo, vigente desde 1933. Esta ação foi liderada por um movimento militar que contou com adesão em massa da população. O regime não reagiu, ou quase isso. Uma nova Constituição foi implantada em 1976, ao tempo em que surgia um sistema democrático.

A bebida foi criada como um protesto ou crítica à classe política, à desordem partidária, quando os grupos políticos não se entendiam àquela altura da pós-Revolução dos Cravos, deflagrada no dia 25 de abril de 1974. Nascido como uma brincadeira, o Licor de Merda quase desapareceu, ressurgindo no ano de 2004, agora produzido pela empresa Sérgiu’s, Comércio e Distribuição de Bebidas Ltda.

Desorientados, os familiares de Paulo Ricco o encontraram em estado de total embriaguez, sentado no cais, ao lado da Torre de Belém, com uma sacola ao lado. É que ele aproveitara uma promoção da bebida e caíra na esbórnia etílica.

Cantarolando baixinho versos da canção Esperando na Janela, Paulo foi almoçar no Bar do Ramiro, onde degustou os melhores frutos do mar de Lisboa, e onde conheceu o percebes, que é uma espécie de crustáceo de aspecto estranho muito apreciado aqui em Lisboa.

Percebes

Paulo Ricco. Na sacola ao lado, três garrafas de Licor de Merda.

Licor

Uma delas está comigo até hoje, já quase vazia, aguardando renovação. Sinto que terei de ir a Lisboa.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Janeiro 3, 2020

UM CEARENSE ENFEZADO EM SÃO PAULO

Há alguns anos, viajei para participar de um encontro sobre saúde suplementar que aconteceria em São Paulo. Fiquei hospedado em um hotel no início da Rua da Consolação, pela proximidade com o local do evento.

No café da manhã, no primeiro dia do curso, conheci um médico de Fortaleza que media quase dois metros de altura, e logo se tornaria meu amigo naquele curso. Psiquiatra de formação, possuía um humor inteligente, e um senso crítico nos limites da acidez.

Saímos do hotel cedo, e nos dirigíamos à Rua Dr. Arnaldo para chegar ao local do curso, que funcionaria nas dependências da Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp. Ainda na Rua Dr. Arnaldo, percebemos uma aglomeração de pessoas em torno de um carro. Sem entender o que estaria acontecendo, chegamos próximo  a essas pessoas e descobrimos o motivo daquele agito.

Estacionado debaixo de uma árvore, junto ao passeio, no meio da rua, havia um carro seminovo com uma corrente que supus ser de ferro, passando por baixo e por cima do carro, da frente até à traseira, como uma salsicha enrolada por uma fita. Dentro do carro, sorridente, um jovem conversava com algumas pessoas que se mostravam preocupadas com o desfecho daquela empreitada. Na frente do carro, uma faixa dizia algo como: Venice, se você não vier aqui, não saio mais do carro. Estou em greve de fome.

 Ao nos ver passar, o jornalista que cobria o evento fez sinal, chamando o médico cearense para uma entrevista. Nós paramos e logo o jornalista perguntou: O que você acha dessa situação? Um jovem preso em um carro suplicando pelo amor de uma mulher. Se ela não voltar, ele promete não sair do automóvel. Está em greve de fome.

 O médico de Fortaleza respondeu naturalmente: Na minha terra chamamos isso  de baitolice. Será que em São Paulo só há essa tal de Venice? E quem garante que ali no carro não haja comida e água escondidas?

 Demos as costas e nos dirigimos ao curso, que estava para começar.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Dezembro 27, 2019

DE ONDE TERIA SURGIDO A VIDA SOBRE A TERRA?

A primeira teoria sobre a origem da vida foi o criacionismo. Aqui, o universo e todos os seres vivos seriam frutos da criação divina. A comunidade científica em todo o mundo descarta esta teoria.

A teoria da geração espontânea apontava para uma origem menos digna. A vida poderia ser criada pela formação espontânea de determinados seres visos a partir de matéria orgânica, ou de uma mistura de matéria orgânica e inorgânica. Exemplo: sempre que tecidos sujos com suor fossem colocados junto de cereais durante mais de 21 dias, formar-se-iam ratos. Esta teoria foi tornada obsoleta pelos questionamentos do italiano Francisco Redi (1626-1698), confirmados  pelas experiências de Louis Pasteur no ano de 1859.

A teoria da geração espontânea surgiu com Aristóteles e arrebanhou defensores ilustres ao longo da história, como Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, René Descartes e Isaac Newton.

Outra hipótese muito antiga, atribuída ao filósofo Anaxágoras atribui a origem da vida na terra à chegada de partículas de vida trazidas do espaço. Ele acreditava que o universo teria sementes de vida e que, portanto, a vida teria sua origem fora do planeta Terra. Até o século XIX esta teoria ainda tinha adeptos, face às análises de rochas de meteoritos e à descoberta de que essas rochas carregavam compostos orgânicos.

No último trimestre de 2019, pesquisadores  da Universidade de Thoku no Japão, e pesquisadores da NASA publicaram as conclusões de um estudo que afirma ter encontrado um tipo de açúcar (ribose, um constituinte do ácido ribonucleico, ou RNA) essencial para a criação de vida, em meteoritos. O RNA é um tipo de ácido nucleico formado por camadas de nucleotídeos, que participam de várias funções biológicas, como a codificação genética e o reconhecimento de proteínas. O RNA é uma das macromoléculas essenciais à vida, como as proteínas, os lipídeos, os carboidratos e o DNA.

O líder desse estudo, Yoshihiro Furukawa, afirma que o RNA deve ter sido o responsável pelo surgimento e desenvolvimento inicial da vida na Terra: ele tem uma molécula muito mais simples e que tem a capacidade de se replicar sem a ajuda de outras moléculas, ao contrário do DNA. Reforça que os açúcares que compõem o DNA ainda não foram encontrados em meteoritos.

Esse estudo revela que a química essencial à vida tem condições de ser processada em asteroides e meteoros ao longo de bilhões de anos.

No início do Sistema Solar, havia muitos objetos, como meteoros e asteroides, vagando por entre os planetas ainda em formação. Nessa época a Terra passou por um período de intenso bombardeio, sendo alvo desses asteroides de diversos tamanhos.

A própria água deve ter sido trazida de carona em cometas na época do Grande Bombardeio, de acordo com as teorias mais aceitas. Assim que a frequência e a violência  dos impactos se reduziram, a água pôde se condensar formando lagos e oceanos. Com a entrega da ribose através de asteroides teria sido possível formar RNA numa época pré-biótica na Terra, e a partir disso a vida pôde surgir e evoluir.

Meteoros NasaFoto NASA – Grande Bombardeio – ilustração artística

A vida teria vindo do espaço?

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Dezembro 20, 2019

A MÃO QUE BATE EM CHICO SALVA FRANCISCO

O sargento tinha costume de bater na esposa que, cansada dos maus-tratos, foi à delegacia prestar queixa. O casal morava em uma cidade satélite de Brasília, que fica a trinta quilômetros do centro da capital. A delegada, indignada, convocou o militar em seu gabinete e, ali, teve início uma forte discussão. A certa altura, a delegada teria batido no rosto do sargento, que saiu indignado. Aos amigos, prometera vingança. Não se bate no rosto de um homem, teria dito.

Consta que os amigos de bar gostavam de incitar sua masculinidade afirmando que ele havia batido em uma mulher e apanhado de outra. E ali, entre os amigos do bar, prometera que mataria a delegada.

Em um domingo, afogando as mágoas no bar, soube que a delegada estava de plantão. Depois de algumas cervejas, levantou-se, arrumou a pistola na cintura e saiu no rumo da delegacia.

O militar saiu em alta velocidade, tresloucado, e a uma quadra da delegacia bateu o carro em um táxi, com violência. O taxista andou um pouco e prestou queixa à autoridade policial, afirmando que o homem estava com uma arma na mão. A delegada enviou um tenente e um soldado, que foram recebidos a bala pelo militar. O tenente foi atingido e morreu ali mesmo.

O sargento foi contido e levado para o hospital local, onde inúmeros colegas de farda do policial morto se aglomeravam para ali mesmo fazer justiça. A delegada conseguiu esconder o sargento em um local seguro, dentro da unidade de saúde, e com a ajuda de militares da mesma arma do agressor conseguiu driblar os policiais e liberar o sargento por uma saída nos fundos, acalmando os ânimos.

Somente depois a delegada ficaria sabendo que o sargento se dirigira à delegacia para matá-la.

O sargento foi julgado e condenado.

A mão que supostamente bateu foi a mesma que o salvou da morte certa.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Publicado por: Evaldo Oliveira | Dezembro 6, 2019

BRAGA, PORTUGAL; o escadório dos sentidos

Braga é uma cidade localizada  ao norte de Portugal, no centro do Minho. Aqui, o Santuário do Bom Jesus de Braga é dedicado ao Senhor Bom Jesus, e faz parte de um conjunto arquitetônico em que se destacam uma igreja, uma área de mata (Parque do Bom Jesus), um escadório e um funicular.  Esse conjunto, classificado como Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco, conduz a uma escadaria que, no total, desde o pórtico, conta com 573 degraus.Escadario

A primeira ermida desse conjunto data do século XIV, quando foi erguida uma cruz no alto do monte. Em 1494 foi construída uma segunda ermida. No ano de 1722 teve inicio um projeto que terminaria no atual Santuário. O Santuário do Bom Jesus de Braga é patrimônio Mundial da Humanidade. Sua disposição, em forma de escadório, serviu de inspiração  para a construção do Santuário do Bom Jesus do Matosinhos, na cidade de Congonhas/MG.

Os escadórios vencem um desnível de 116 metros, sendo o Escadório dos Cinco Sentidos sua principal atração. São cinco lances de escadas, com fontes alegóricas aos cinco sentidos, na seguinte ordem: Visão, Audição, Olfato, Paladar e Tato.

Fonte da Visão– Caracteriza-se por uma figura de onde sai água pelos olhos. Do lado direito, uma estátua de Moisés.

Visão

Fonte da Audição– Aqui, uma figura lança água pelos ouvidos, com uma estátua  a tocar cítara. Ao lado, a inscrição Que cantava ao som da cítara, presidindo os que cantavam e louvavam o Senhor.

Audição.jpg

Fonte do Olfato– Neste ponto, uma figura lança água pelo nariz. Junto uma estátua de um varão encabeçada pela inscrição: Dai flores como lírio e rescendeu suave cheiro.

Olfato

Fonte do Paladar– Lançando água pela boca, uma figura junto a uma estátua de José do Egito ao lado de uma inscrição – Prove o pão, e não abandones como o pastor no meio dos lobos.

Fonte do Tato– Uma figura segura uma bilhacom as duas mãos, de onde lança água, junto à estátua de Salomão e a inscrição As minhas entranhas estremecem ao teu toque.

Tato

Escadório,Visão, Audição, Olfato, Paladar, Tato. Fontes de vida e reflexão.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Novembro 29, 2019

DESCANSO DA ALMA, UMA DIFICULDADE

O homem primitivo vivia atormentado por forças que o tornavam escravo de si próprio. Temia as intempéries, os maus espíritos. O teísmo (theos = deus, em grego) é a visão de que a ordem universal se baseia em uma relação hierárquica entre humanos e um pequeno número de entidades etéreas chamadas deuses.

Na mitologia grega o Universo foi dividido entre três deuses, com jurisdição que abrangia um domínio particular. A Zeus coube o domínio dos céus, com o direito de governar os deuses. Poseidon tornou-se o deus dos mares, e a Hades coube reinar sobre o Mundo Subterrâneo. As mulheres assumiram as funções de deusa dos rios, deusa do alvorecer, deusa da terra, deusa da lua, deusa da colheita e da fertilidade. Outras seriam ninfas e sereias.

Logo após a morte, as almas eram levadas para o Mundo Subterrâneo. Cabia a Hermes apanhar a alma para guiá-la até o mundo dos mortos. Acontece que, para se chegar a esse lugar, era necessário atravessar o rio Estige. Ali, o barqueiro dos mortos, Caronte, exigia uma moeda como pagamento. Caronte apenas conduzia o barco, e era a alma que teria todo o trabalho de remar. Caso a alma não tivesse o dinheiro para pagar o serviço, era obrigada a vagar depois da linha do oceano por cem anos para adquirir o direito de entrar no barco novamente.

Chegando ao barco, a alma era recebida por Caronte, e tinha que passar pelo cão de Hades, Cérbero, antes de entrar pelos portões do Mundo Subterrâneo. O cão tinha três cabeças, e adorava comer carne fresca. Mas Cérbero só atacava aqueles que queriam escapar, ou mortos-vivos que queriam entrar. Esse ritual fez com que se tornasse um hábito entre os antigos colocar uma moeda embaixo da língua dos entes queridos que morriam, para que fosse feito o pagamento dos serviços de Caronte para cruzar  o reino dos mortos.

O medo do inferno. A dificuldade para se salvar. Caronte e Cérbero, no mundo de Hades.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Novembro 22, 2019

OLHO DE HÓRUS, PODER E SAÚDE

O Olho de Hórus é um dos mais antigos símbolos do Egito Antigo, significando poder e proteção. Também conhecido como udyat, era usado como um amuleto representando força, vigor, segurança e saúde.

Para a maçonaria, o Olho de Hórus significa que eles estão sendo observados por alguém, por um ser superior, o Grande Arquiteto do Universo. Para os Illuminati, teria muita influência e controlaria muitas coisas.

Para entendermos a importância do olho de Hórus para a Medicina, teremos que retornar três mil anos antes de Cristo, ao Antigo Egito. Ali, uma tragédia foi engendrada no palácio do rei Osíris e da rainha Ísis. O casal tinha um filho de nome Hórus, o deus da cabeça de falcão. O rei tinha um irmão ambicioso chamado Seth. Em silêncio, o irmão do rei engendrava um plano para tomar o poder. Em um dia propício, Seth partiu em direção a Osíris com a intenção de matá-lo, e os irmãos entraram em luta corporal. Vendo o pai ser massacrado por Seth, Hórus saiu em seu socorro, e teve seu olho esquerdo ferido pelo tio. Ísis, desesperada, clamou pela intervenção de Thor, o deus da cura e da sabedoria, que na mesma hora restaurou o olho ferido. Consta que, Anos depois, com sua visão restaurada, Hórus derrotou Seth, vingando seu pai, recuperando o trono e promovendo a reunificação do Egito.

Como forma de valorização do amor filial e da bravura de Hórus, foi criado esse amuleto que representa um olho esquerdo com uma cicatriz. A partir de então, os egípcios imploravam ao deus Hórus que curasse os seus males.

A marca do R/ com o pé cortado era usada pelos médicos egípcios significando saúde e felicidade, sendo imitados pelos médicos gregos, chegando a ser considerado o símbolo de Apolo, pai de Asclépio, o deus da Medicina.

Em suas receitas, até hoje os médicos utilizam esse R/ com o pé cortado em respeito a Hórus, Apolo e Asclépio.

No ano de 1922 foi descoberta a tumba de Tuthankamon, próximo da entrada da tumba de Ramsés VI, e se descobriu que o jovem rei usava inúmeros objetos de adorno e decoração com a figura do Olho de Hórus.

Olho de Hórus 1

Olho de Hórus 2

Olho de Hórus 3

Olho de Hórus. Poder, saúde, proteção.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Novembro 15, 2019

UMA TRAGÉDIA MARANHENSE

No dia 13 de março de 1901, em Alto Alegre, município de Barra do Corda, no Maranhão, ocorreu um dos maiores massacres da história do Brasil.

No ano de 1895 chegava à região de Alto Alegre uma missão dos Capuchinhos italianos, composta por 12 sacerdotes, 5 leigos e 5 irmãs, que compunham um grupo de catequese. No mesmo ano fundaram uma escola para os curumins, como eram chamadas as crianças índias em idade escolar. As filhas de pessoas ricas e influentes de Barra do Corda e Grajaú eram enviadas para ali estudar. Naquela região havia 17 tabas indígenas.

Os missionários recrutaram crianças para o internato do colégio, e exigiam que os índios participassem de missas, terços, aulas de catecismo, além de impor os seus rituais e conceitos.

A tribo dos índios Guajajara, liderada pelo cacique Caiuré Imana, dividia-se em muitas tabas, cada qual governada por um chefe ou tuxaua, escolhido por sua gente, em razão da bravura, caráter e honradez.

Inconformado com os procedimentos dos religiosos, o cacique Caiuré convocou o povo da selva para uma reunião e, sob a forma de convite, convocou também os chefes Guajajara para discutirem alguns aspectos pertinentes ao destino da raça. No meio da festa, Caiuré bateu com os punhos fechados no peito e falou bem alto para seus irmãos sobre o seu plano de libertação. Falou que não era possível aturar tanto abuso praticado pelo pessoal da Missão estrangeira que tinha como objetivo escravizar a todos, tentando encaixar nas cabeças dos índios que deviam levar a vida de outra maneira, e não como era ou deveria ser. O dia marcado pelo tuxaua Caiuré para o ataque era 12 de março do ano de 1901.

No dia 13 de março, mal clareara o dia, Caiuré, assumindo o comando geral dos caciques ali presentes, ordenou a todos para marchar rumo ao povoado, disposto a matar os que não pertenciam à sua raça.

Os índios bloquearam todas as saídas das estradas, e sob o comando de Caiuré – Morte aos Cristãos!– tiros e flechadas foram lançados sobre os cristãos. A capela ficou cheia de mortos, bem como dentro e fora das casas, no meio das ruas, pelos caminhos. Na capela, no convento e no sobrado era onde mais havia mortos. Nem mesmo as crianças foram poupadas. Ninguém da raça branca. E ai daquele que quisesse salvar a vida de alguma pessoa!

Ao amanhecer do dia 14, Caiuré ordenou a remoção dos corpos, tentando livrar-se do mau cheiro, e mandou que fossem enterrados. Temendo que pessoas de Arroz, Pari, Preperi e Lagoa Cercada, comunicassem o ocorrido às autoridades, Caiuré ordenou que todos fossem mortos, e que o serviço fosse bem feito.

Notícias da barbárie chegaram às grandes cidades do Brasil, causando grande consternação. O Papa Leão II assim se expressou: São as primícias do século XX.

Representando as forças do governo, a tropa do coronel Pinto desfechou um cerrado tiroteio contra Caiuré e seus guerreiros. O Cel. Pinto mandou o Cap. Goiabeira seguir com parte da tropa à aldeia Canabrava, onde estava o tuxaua Caiuré, na esperança de salvar a sua vida e a de sua gente. O oficial e seus comandados mal puseram os pés nos terreiros dos casebres ouviram a voz de Caiuré:

– Malvado capital Goiabeira, não preciso mais de viver! Vou sair na tua frente… mata-me, se é esse o desejo de todos os brancos malvados. Mas fica sabendo que eu não tenho medo de ti, nem do Cel. Pinto. Capitão Goiabeira, faze como eu, aprende a ter coragem! Aqui estou desarmado… Aproveita e dispara tuas armas!

– Valente chefe Caiuré, não queremos tirar-te a vida. Desejamos apenas levar-te a Barra do Corda e a São Luís do Maranhão, onde o Governador tem poder para perdoar tudo, e logo te mandar de volta a esta mesma região, onde nasceste e tens vivido até agora. Ele poderá te dar uma grande faixa de terra demarcada, onde quiseres escolher, e ainda viver feliz com a tua gente!

– Não! Não me interessa conhecer Torreão da Costa mais de uma vez! Nem também me interessa ganhar de homem algum aquilo que já é nosso, e que Tupã deixou para seus filhos. Não quero nada. Apenas quero morrer!

Caiuré, mal acabara de falar, foi rapidamente dominado pelos soldados. Ao final, estava preso e algemado o perigoso Caiuré, o general da selva. No final do mês de maio, pela manhã, chegava o capitão Goiabeira, conduzindo à sua frente, em um cavalo baio, o cacique Caiuré. Ao chegar em Barra do Corda, ouviu-se a banda de música executar o Hino Nacional e diversos dobrados cívicos. Fogos de artifício pipocavam pela cidade. O velho canhão deu diversos disparos.

Instaurado o inquérito, Caiuré Imana foi o mais acusado. Condenado, depois de dois anos preso, o chefe Guajajara não resistiu às sevícias e morreu.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

(*) Texto integralmente baseado no livro Caiuré Imana, o Cacique Rebelde, do historiador Olímpio Cruz.

 

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