Publicado por: Evaldo Oliveira | Dezembro 7, 2018

IGREJA OU ÓRGÃO DO GOVERNO? Surpresa na Croácia

Caminhando por Zagreb, a bonita capital da Croácia, você certamente vai ficar de frente a um edifício estranho, que lembra uma repartição do governo, voltada para a difusão do turismo, ou um posto das forças de segurança.

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Esse edifício foi construído no século XIII no estilo Romanesco e reconstruído no estilo Gótico. Só percebemos tratar-se de uma igreja depois que entramos. Aí, nos damos conta de que estamos no interior da igreja de São Marcos, que se destaca por seu telhado coberto em mosaico de telhas brancas e vermelhas, além de dois antigos brasões que datam de 1499, representando Zagreb (castelo branco com fundo vermelho) e o segundo brasão representando o trino reino, com Croácia, Slavona e Dalmácia.

As quatro fotos seguintes mostram outros aspectos da Croácia:

SoldadosSoldados com trajes típicos, em desfile pelas ruas de Zagreb

OLYMPUS DIGITAL CAMERACorrimão de edifício antigo, com sustentação mantida por mãos firmes.

Corrimão 2Se estiver cansado, ao visitar o Órgão do Mar, em Zadar, uma escada facilitará a descida ao mar Adriático.

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EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Fotos são de Sacul Acesnof.

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Novembro 30, 2018

FÍSICA QUÂNTICA, a trilha para um novo Universo

Física, termo com origem no grego physis, que significa natureza. É a ciência que estuda as leis que regem os fenômenos naturais suscetíveis de serem examinados pela observação e experimentação, procurando enquadrá-los em esquemas lógicos.

Física quântica é um ramo teórico da ciência que estuda todos os fenômenos que acontecem com as partículas atômicas e subatômicas, ou seja, que são iguais ou menores que os átomos, como os elétrons, os prótons, as moléculas e os fótons, por exemplo (Wikipédia). Essas micropartículas não podem ser estudadas sob a ótica da física clássica, pois não são influenciadas pelas leis que a compõem, como a lei da inércia, ação e reação, a gravidade.

O físico Max Planckfoi um dos pioneiros no desenvolvimento  dos princípios básicos da Física Quântica, que contrariam grande parte das leis fundamentais da física clássica. Quântico é uma referência ao evento físico da quantização, que consiste na alteração instantânea dos elétrons que contém um nível mínimo de energia para um superior, caso sejam aquecidos.

Os princípios da física quântica também são aplicados em vários setores do conhecimento humano, revolucionando não apenas as Ciências Exatas, mas também correntes filosóficas.

A principal ligação entre a física quântica e os conceitos filosóficos e espirituais, de acordo com os defensores desta relação, está na condição de casualidade e incerteza desta teoria, que diz ser possível a existência de duas situações diferentes e simultâneas para determinado corpo subatômico.

Esse princípio foi observado na física quântica a partir da chamada “dualidade onda-partícula”, ou seja, quando uma partícula se comporta ora como partícula e ora como uma onda, afirmação totalmente anormal perante a física clássica. Partindo desta ideia, por exemplo, surgem diversas hipóteses teóricas de estudo, como a “teoria dos vários mundos”, que diz ser possível a existência de diversas realidades alternativas para cada indivíduo.

Essa relação é polêmica, pois consiste no debate entre dois núcleos distintos, sendo um formado pelos que defendem a veracidade da influência quântica no plano espiritual, e outro que nega totalmente o uso da mecânica quântica como modo de explicar a espiritualidade.

Para os que defendem a existência de uma relação entre a física quântica e o espiritual, a força do pensamento humano poderia exercer um grande poder sobre a realidade individual de cada pessoa, sendo ela, com as corretas indicações, capaz de alterar o mundo ao seu redor.

Vários físicos de renome internacional relacionam os princípios da física quântica com as teorias sobre a consciência humanae o poder do pensamento como “construtor” da realidade.

Estudos em Ciência Noética – disciplina que estuda os fenômenos subjetivos da consciência, da mente, do espírito e da vida – indicam que o pensamento pode ser quantificado, por ter massa. Dessa forma, a ideia teria massa, que exerceria uma força de gravidade que poderia atrair massas iguais. Desse modo, se muitas pessoas se concentrarem no mesmo pensamento, as ocorrências desse pensamento passam a se consolidar em uma só, e a massa acumulada tende a aumentar.

Recentemente descobriu-se que meditações e preces coletivas produzem uma energia altamente ordenada e capaz de alterar o mundo físico. A intenção humana é capaz de afetar o mundo; o pensamento direcionado pode alterar, entre outras coisas, a direção em que os peixes nadam em um aquário e as reações químicas do corpo humano.

Em suma, a mente humana teria uma capacidade profunda de influenciar na disposição das micropartículas atômicas ao redor das pessoas, do modo como elas se comportam e como elas constroem a realidade de cada indivíduo. Para os estudiosos que acreditam nesta ideia, as intenções das pessoas poderiam influenciar a construção da realidade.

Física Quântica e Ciência Noética. Na trilha de um novo universo.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico do RN

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Novembro 23, 2018

GREVE À MODA ARGENTINA

Semana passada escutei um casal de jovens conversando atrás de mim, e hoje trago ao conhecimento dos leitores deste blog. Vou chamar aquele rapaz de Marcelo. Era estudante de um curso na UnB, e recebeu uma proposta para estudar inglês nos Estados Unidos, mais especificamente em San Diego, na Califórnia. O objetivo era aprimorar seus conhecimentos naquele idioma, mas ficou em dúvida, que foi desfeita quando a UnB entrou em greve em seguida, no início daquele ano (1988, se não estou enganado).

Decisão tomada, trancou a matrícula na universidade e viajou para San Diego, onde passou os seis meses seguintes estudando e aprimorando o idioma americano.

Retornou no mês de julho, e percebeu que a greve estava prestes a terminar, após um período de radicalizações de ambos os lados. Interessado em continuar seus estudos, dirigiu-se à Universidade de Brasília para cancelar o trancamento da matrícula, o que  não foi aceito. Ele não poderia cancelar o trancamento da matrícula. Teve que esperar o primeiro semestre terminar, já no final do ano. Somente no final daquele ano, após a conclusão do primeiro semestre, ele pôde finalmente fazer sua matrícula para cursar o segundo semestre, que se iniciaria no ano seguinte. Um ano inteiro sem o direito de estudar, em função daquele movimento.

Preferiu fazer um esforço, junto com a família, e continuar seus estudos em uma universidade particular, tendo que abrir mão do status inerente a uma universidade federal.

E por que estou falando sobre isso somente agora? É que no mês de abril visitei Buenos Aires, em uma sexta-feira, e encontrei a Faculdade de Medicina daquela Universidade Federal em um movimento grevista.

Fac. Medicina

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Pensei um pouco antes de entrar no prédio, temendo uma reação hostil. Lá, a movimentação dos estudantes era de um ritmo frenético, com alguns alunos confeccionando panfletos, outros cuidando do balcão de informações tanto para o público interno como para os curiosos como eu, além de muitos do lado de fora, cantando e tocando violão, junto a uma pequena mesa, a parte visível daquela greve.

Perguntei qual a previsão de duração daquele movimento, esperando uma resposta que se moldasse às nossas experiências no Brasil. A estudante, ao saber que eu era médico, teve todo o interesse em mostrar o que estavam produzindo para continuidade daquele movimento.

Baseado em minha experiência por aqui, perguntei por que toda aquela agitação, se a greve teria tudo para se alongar. A estudante à minha frente teve uma reação de estranheza, e respondeu que aquele movimento grevista só iria até à noite do domingo. É que a partir de segunda-feira teria início o período de provas, e eles não queriam perder tempo. Não precisava estender a greve, pois  a greve havia produzido o efeito esperado, que era alertar a população para os cortes de gastos do governo com a educação.

Interior

Greve de estudantes. Aqui como lá, uma paralisação.

Aqui, sem previsão de término. Parece que os estudantes, por aqui, não querem estudar e os mestres não se interessam em ensinar.

Lá, a preocupação com os estudos, apesar da greve até o final da semana. E nenhuma parede pixada. Eles sabem que tudo aquilo é deles, não do governo.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Publicado por: Evaldo Oliveira | Novembro 16, 2018

MÉDICOS À MODA MÉDICO

O atendimento médico de forma sistematizada teve seu esboço  em Epidauro, que fica a 180 km de Atenas. Ali foi criado o primeiro centro de cura da Grécia antiga, supostamente por Asclépio, o deus da Medicina. O centro de Epidauro era dedicado ao tratamento dos enfermos e à formação de iniciados. Esse trabalho decretaria o fim da medicina mágica e sacerdotal. Asclépio teria vivido no século VIII a.C.

Na asclépia, o ponto principal da consulta era o ritual da incubação. As pessoas que se sentiam doentes eram adormecidas com chás à base de ervas, no interior do templo sagrado, na esperança de que elas mesmas, à noite, descobrissem as razões que as fizeram adoecer, e Asclépio viesse ter com elas em sonho e, aí sim, indicasse a prescrição para a cura da sua doença. O próprio doente recebia a orientação que levaria à sua cura. O lugar onde o doente adormecia era chamado de kemiterio– as pessoas pareciam mortas. Daí, cemitério. Após a cura, o paciente escrevia seus sintomas e o tratamento determinado por Asclépio em uma tábua, colocava na sala das tábuas votivas, matava um galo em sinal de agradecimento e retornava para sua casa.

Depois de Epidauro, a asclépia de Cós era a mais famosa da Grécia. Ali funcionava como local de formação de iniciados. Foi em Cós que Hipócrates, considerado o Pai da Medicina, desenvolveu o seu trabalho.

Próximo dali, em Pérgamo, na Turquia, desenvolveu-se uma asclépia sofisticada, onde funcionou o primeiro hospital do mundo. Na entrada do túnel que conduzia ao hospital, uma pia de pedra mostra a preocupação com a higiene.

Foto do túnel de acesso ao hospital em Pérgamo, onde havia uma pia para lavagem das mãos. As melhorias são adaptações de hoje.

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Daí resultaria a valorização da consulta médica, em que elementos da propedêutica orientam o médico no correto exame do paciente, com influência determinante no diagnóstico clínico. O emprego racional da anamnese e do exame físico têm relação direta com o diagnóstico e o tratamento.

Na Inglaterra, um estudo (Hampton et al.) mostrou que a anamnese isolada era responsável por 82,5% dos diagnósticos, o exame clínico por mais 8,75% e os exames complementares por mais 8,75%. Estudo realizado no HCFMUSP (Rev Med – São Paulo, Isabela M. Benseñor) mostra que a anamnese é responsável por 40,4% dos diagnósticos, o exame clínico por mais 29,4% e os exames complementares por outros 29,5%.

Esses dados me trazem à mente o caso de um garoto de doze anos, corpo pesado, já com sinais de sobrepeso, que me procurou para uma consulta, levado por sua avó. Sentou-se e nada falou; apenas um olhar vago, fixado no desinteresse.

A avó, claramente acomodada com o nível de desenvolvimento neuropsicossocial do garoto, expôs as queixas daquele pequeno paciente:

– Doutor, meu neto bobou. Há uns dois anos ele foi ficando estranho em casa e na escola, foi se desligando das coisas e hoje está assim: bobou. Um menino desse tamanho, doutor, e não aprende – complementou a avó com ares de resignação.

Iniciei um exame físico detalhado, como sempre o fiz. Os ditames da propedêutica, hoje quase abandonados (inspeção, palpação, percussão e ausculta), eram seguidos com esmero pelos médicos da minha geração. O Cartão de Vacinação era sempre solicitado e analisado em todas as consultas. Daí o meu entendimento de que a puericultura não é outra coisa senão um atendimento pediátrico bem feito.

Como fazia com todas as crianças, passei ao exame otoscópico. Aí veio a surpresa. Os dois condutos auditivos estavam totalmente obliterados por cerume ressecado que mais parecia barro. Umedeci a paredede cerume e pedi para esperar, que eu o chamaria no final.

Novamente no consultório, providenciei a lavagem de ambos os ouvidos, de onde saíram aglomerados de cera ressecada. No meio da lavagem, o garotão explodiu em um grito:

– Vó, estou ouvindo tudo de novo!

E saiu do consultório eufórico, aos pulos, feito um cabrito solto no pasto, e sumiu no corredor. Apenas um exame físico completo bastou.

Um caso de baixa da audição com viés medieval que ceifou dois anos da vida de uma criança. Não foi solicitado sequer um exame complementar.

Um pouco à frente, o estigma de doente mental à espreita.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Novembro 9, 2018

O PODER QUE PODE

Um rei tenta abrir caminho para que sua filha assuma após sua morte. Porém há um empecilho: a Lei Sálica. O rei então promulga um ato anulando os efeitos que decorrem daquela lei.

Programática Sanção foi o ato promulgado pelo rei Carlos VI, Áustria, revogando a Lei Sálica,que proibia às mulheres reinar sobre as terras dos Habsburgos. Com isso, sua filha Maria Teresa pôde assumir o trono da Áustria, até então restrito aos homens. Que se altere a lei!

Maria Teresa, nascida Maria Teresa Valburga Amália Cristina da Áustria, assumiu o reino da Áustria em 1940, após a morte do seu pai, vítima de envenenamento por cogumelos venenosos. Maria Teresa criou o Codex Theresianus, que definia os direitos civis naquele país. Assumindo o trono depois da morte do seu pai, no ano de 1740, em 1776 ela proibiu que se queimassem mulheres acusadas de bruxaria, em fogueira, proibiu a tortura e retirou a pena de morte do Código Penal. Estas decisões contribuíram para que o reinado de Maria Teresa fosse  duradouro e profícuo.

Durante o seu reinado, Maria Teresa decidiu permitir a inoculação de seus filhos após a epidemia de varíola de 1767, e essa ato mudou a visão negativa que os médicos austríacos tinham sobre esse procedimento. A campanha de inoculação, na Áustria, foi inaugurada com um jantar no Palácio de Schobrunn às primeiras 65 crianças inoculadas, tendo a própria Maria Teresa se encarregado de receber essas crianças.

O reinado de Maria Teresa (1740–1780) e de seu filho José II foi um período de grande desenvolvimento social e político na monarquia. Durante esses anos ocorreu a abolição da servidão e da tortura e instalou-se a liberdade religiosa, entre outras medidas importantes, como as reformas administrativa e judicial.

O poder que pode. Pelos idos dos anos 1980, em um estado brasileiro, o então Secretario de Administração, aproveitando um momento de calmaria antes de uma inauguração, falou para o governador:

– Governador, tomei conhecimento de que um senhor de 70 anos foi nomeado para um cargo na Secretaria da Fazenda.

– O que há de errado nisso?

– Governador, pela lei, esse homem já deveria estar aposentado.

– Um governador não comete erros. Se ele deveria estar aposentado, então vê se providencia sua aposentadoria!

Alguns dias depois aquele senhor de 70 anos era o mais novo aposentado da administração pública estadual.

O poder que pode. Lá, como aqui.

Lá, uma proveitosa administração em 40 anos de reinado.

Aqui, mais um aposentado a mamar nas tetas do Estado. Com rima e tudo.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

 

 

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Outubro 30, 2018

UM TRATORISTA SEM NOÇÃO

…que coisa estranha por que esse tratorista não limpa o matagal próximo àquela árvore  vou parar e ficar acompanhando o trabalho daquele homem sem noção  vou acompanhar para ver se ele vai deixar de cortar o mato em torno daquela árvore moro nesse conjunto e como cidadão tenho o direito de exigir que ele trabalhe direito vou ficar junto a este poste ele não vai me ver puxa vida não me conformo ele passou pelo outro lado da árvore e deixou o mato em volta do mesmo jeito agora ele vai se afastando da árvore e eu vou falar com ele ei moço por favor o senhor não vai aparar o mato que está em volta daquela árvore vou lhe dizer por que deixei aquela área sem roçagem vamos lá que eu lhe mostro veja só bem juntinho ao tronco desta árvore há uma toca de coruja e se você olhar direito verá que há um ninho lá dentro com dois filhotes e agora ele bateu nas minhas costas e está indo pegar algo é uma enxada vamos rapaz que você vai ver como se deixa um ninho desses protegido pela ramagem quase morri de vergonha e saí sem olhar para trás em casa fiquei com vergonha de contar o que havia acontecido naquela tarde que mico…

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Um tratorista de verdade. Um homem de bem com a vida.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Publicado por: Evaldo Oliveira | Outubro 26, 2018

QUATRO FOTOS PARA NÃO ESQUECER AUSCHWITZ

Auschwitz, mundialmente reconhecido como símbolo do terror, do genocídio e do holocausto, foi erguido em 1940, na Polônia, durante a II Guerra Mundial, pelos nazistas, nas redondezas da cidade de Oswiccim, mais tarde rebatizada como Auschwitz. Na foto abaixo, a entrada de Auschwitz, onde no alto do portal está escrito Arbeit Macht Frei– O TRABALHO LIBERTA. Era com essa falsa recepção que os prisioneiros eram acolhidos, imaginando que ali iriam trabalhar e cuidar dos seus filhos.

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Em Auschwitz, corredores com arames farpados garantem facilidade no controle dos prisioneiros, como animais em cativeiro. Os primeiros a serem assassinados aqui foram os polacos, seguidos pelos prisioneiros de guerra soviéticos, ciganos e pessoas de outras nacionalidades

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O pátio de fuzilamento era o local onde as questões do dia a dia eram resolvidas pelos nazistas.

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A partir de 1942 Auschwitz tornou-se o mais importante local de extermínio em massa de judeus em toda a história da humanidade. A maior parte era enviada para ser exterminada nas câmaras de gás de Birkenau, separado de Auschwitz-1 pelos trilhos de uma estrada de ferro. Para Birkenau, estima-se terem sido deportados mais de um milhão e cem mil judeus. Os comboios de trens passavam pelo portão e eram recepcionadosno interior do campo.

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Auschwitz/Birkenau – lembrar sempre, para nunca esquecer.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico

 

 

 

 

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Outubro 19, 2018

A MONARQUIA NO BRASIL

Algumas vezes, no silêncio de nossos momentos de descontração, ficamos pensando em coisas vagas, tipo pode crer. Uma delas: como a monarquia surgiu no Brasil? O que era o Brasil antes da monarquia?

Pesquisandona internet, nos damos conta de que era o Brasil Colônia, que se iniciou quando o governo português enviou para o Brasil a primeira expedição colonizadora chefiada por Martim Afonso de Souza, em 1530. Martim Afonso, em 1532, fundou o primeiro povoamento, a Vila de São Vicente, no litoral do atual estado de São Paulo. Resumo da História: o Brasil colônia compreende o período de 1530 a 1822.

Ao aportarem as 13 caravelas lideradas por Pedro Álvaves Cabral, os portugueses imaginaram tratar-se de um grande monte, e o chamaram de Monte Pascoal. De volta à Índia, Cabral, na dúvida entre tratar-se de um continente ou de uma grande ilha, rebatizou a terra descoberta para Ilha de Vera Cruz. A partir de informações de explorações realizadas por outras expedições, os portugueses se deram conta tratar-se de um continente, e novamente o nome foi mudado para Terra de Santa Cruz. A partir do ano de 1511 nosso país passou a ser chamado pelo nome que até hoje conhecemos: Brasil.

O Brasil, colônia do Reino de Portugal, torna-se a sede do governo do Império Português em 1808, quando o príncipe regente de Portugal (futuro D. João VI) fugiu da invasão do território português pelas tropas de Napoleão e se estabeleceu com a família real e a corte na cidade do Rio de Janeiro. Mais tarde, D. João VI retornou para Portugal, deixando seu herdeiro, o filho mais velho, D. Pedro, na condição de Príncipe Regente do Brasil. O Reino do Brasil, no dia 7 de setembro de 1822, desmembrou-se do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, quando foi proclamada a Independência por D. Pedro, Príncipe Real.

Em 12 de outubro de 1822 o reino do Brasil, agora independente, torna-se Império do Brasil, com a aclamação do imperador D. Pedro I, com a outorga da Constituição brasileira de 1824. Nesse período reinou D. Pedro I, responsável pela independência e pela primeira constituição elaborada pela Assembleia. D. Pedro I não aceitou essa constituição, dissolveu o colegiado e redigiu uma carta magna para o país obedecendo a seus critérios, que vigoraria até a queda do regime monárquico.

O período monárquico brasileiro durou 67 anos, isto é, desde a independência, em 1822, até o ano de 1889, quando o Marechal Deodoro da Fonseca liderou um golpe militar que instituiu a República dos Estados Unidos do Brasil.

Com o desgaste de seu governo, D. Pedro I foi forçado a abdicar em 1831, deixando seu filho, de apenas cinco anos de idade (futuro D. Pedro II) e seguiu para a Europa. Tendo em vista que o futuro imperador era jovem demais, foi instituído o regime de Regência até que o imperador pudesse assumir. Em 1840 foi declarada a maioridade de D. Pedro II, sendo considerado apto a assumir o trono do Império do Brasil. D. Pedro II tornou-se um monarca popular, com os louros de haver conseguido debelar as revoltas regionais e apaziguar as disputas políticas. O reinado foi interrompido pelo golpe militar que instituiu o sistema republicano no Brasil, no dia 15 de novembro de 1889, movimento liderado pelo Marechal Deodoro da Fonseca.

Brasil. História confusa desde o descobrimento.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Outubro 12, 2018

UMA PSIQUIATRA EM APUROS

Um serviço de emergência psiquiátrica exige dos profissionais que ali trabalham, além dos conhecimentos técnicos específicos, um potencial envolvimento com a verdade do ser humano. A presente estória foi vivenciada por uma psiquiatra de Brasília que, recém-saída de sua especialização, trabalhou como plantonista em um hospital psiquiátrico no interior de São Paulo. Esta estória já foi contada aqui.

Certa noite, por voltadas onze horas, o hospital psiquiátrico foi avisado de que uma ambulância estava conduzindo um paciente bastante conhecido daquela unidade hospitalar. Jorjão era seu nome fictício; um sujeito forte, medindo um pouco acima de dois metros, portador de transtorno bipolar, que desenvolvera um surto maníaco. Em casa, descontrolado, batera muito no pai e destruíra quase todos os móveis.

A enfermeira chefe e o pessoal de apoio do hospital foram avisados. Em poucos minutos, uma ambulância adentrava o portão do estabelecimento, conduzindo o paciente. O veículo dirigiu-se para a entrada de um grande corredor, em um local construído para receber pacientes agressivos. O veículo parou, e a Dra. Lúcia logo percebeu o tamanho da encrenca. O paciente era tão grande que, do lado de fora da janela, somente se conseguia ver parte do ombro e do tórax . Então, iniciou-se um diálogo difícil e demorado:

– Oi, Jorjão, vamos descer para tomar um café?

– Se eu descer, vou quebrar tudo, inclusive a doutora!

E a conversa prosseguiu, com pequenos avanços e retrocessos difíceis de serem recuperadas. Uma hora e dez minutos depois, um acordo: Jorjão concordou em descer para tomar um cafezinho e conversar, porém com uma exigência: todos deveriam se afastar e ficariam apenas ele e a doutora, em cuja companhia ele entraria na copa. E mais ninguém. Proposta aceita. Já fora da ambulância, Jorjão gritou, com sua voz de trovão:

– Somente eu e a doutora!

O paciente e a médica caminhavam pelo corredor, cujas luzes iam se acendendo à medida em que os dois passavam. Nesse momento, a Dra. Lúcia arrependera-se do que estaria para acontecer, mas já haviam atravessado o Rubicão – alea jacta est,imaginou a psiquiatra. Ato contínuo, membros da enfermagem surgiram e aplicaram uma injeção especialmente preparada para aquele caso, composta de quatro tipos de medicação. Muita agitação. O paciente era forte em demasia, e difícil de ser contido. Aguardaram alguns minutos e a medicação não fez efeito. A médica reavaliou o caso e prescreveu mais um dos medicamentos. Em alguns minutos o paciente havia se acalmado.

Jorjão foi internado, permanecendo no hospital por cerca de três meses. Nesse período, falava com insistência no nome da Dra. Lúcia com os companheiros de quarto. A médica só atendia pacientes da emergência, e apenas em seus plantões noturnos. Por esse motivo, só soube da alta de Jorjão através do pessoal de apoio.

Passaram-se seis meses. A médica, na fila do Banco do Brasil, distraída enquanto conferia alguns papéis a serem pagos em seguida, ergueu o olhar e contou: havia duas pessoas à sua frente. Percebeu que, atrás, a fila crescera.

De repente, uma pancada forte e decidida em seu ombro. Dra. Lúcia virou o rosto e constatou a presença desconfortável de cinco dedos enormes e uma palma de pele áspera fazendo peso em sua pele. Assustada, virou-se para trás.

– Oi, Jorjão, como vai?

– Escapando, feito gás de cozinha! Por falar em cozinha, a senhora me enganou. E não se engana uma pessoa daquela forma, doutora! Eu saí da ambulância para tomar um cafezinho e conversar. Fique sabendo que eu nunca consegui esquecer o que aconteceu naquela noite.

Logo, um senhor ao lado apresentou-se como o pai de Jorjão, e a conversa ficou um pouco mais amena. A médica respirou aliviada quando foi chamada pelo caixa do banco.

Quando a psiquiatra, na saída, se aproximava da porta giratória, Jorjão, agora no balcão de atendimento, virou-se para trás e lançou, qual flecha mortal, um olhar 121 na direção da médica, que quase congelou, pois conhecia muito bem o seu sentido. Instintivamente, lembrou-se do Código Penal.

Não se engana uma pessoa daquela forma. Esta frase, proferida no interior de um banco, em uma tarde quente, ribombaria nas lembranças de uma hoje experiente psiquiatra.

Um paciente. Uma aprendizagem. Uma mudança radical. A verdade, sempre.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Outubro 5, 2018

CRIANÇAS EM RISCO

Encontrava-me na área de alimentação de um grande supermercado, lanchando tranquilamente, quando uma moça chegou com uma criança de cerca de um ano em um carrinho, à minha frente. Parou, retirou a criança do carrinho e a colocou sobre a mesa. Fixei os olhos naquele quadro que me parecia surreal. De repente, ela se afastou para fazer o pedido no balcão, e deixou a criança sobre a mesa da lanchonete. Quando ia se afastando, dei um grito e ordenei que ela retornasse e colocasse a criança de volta no carrinho. Ela assim o fez, e me agradeceu quando saiu. Um acidente quase certo, evitado a tempo.

Em um plantão, atendi uma criança com a boca queimada por fora e por dentro. A mãe estava dando banho no menino quando ele colocou o chuveirinho na boca e soprou. Tomou um forte choque na boca, o que quase lhe custou a vida.

Dados da Sociedade Brasileira de Pediatria nos mostram que, no Brasil, cerca de 37 crianças e adolescentes sofrem de intoxicação pelo contato inadequado com medicamentos. Em 18 anos, 245 mil casos de intoxicação ocorreram nessa faixa etária.

 

Estados Total
Amazonas 910
Bahia 7.510
Ceará 2.794
Distrito Federal 7.782
Espírito Santo 16.806
Goiás 6.011
Mato Grosso 588
Mato Grosso do Sul 3.334
Minas Gerais 13.315
Pará 1.540
Paraíba 2.088
Paraná 5.592
Pernambuco 4.271
Piauí 248
Rio de Janeiro 11.602
Rio Grande do Norte 384
Rio Grande do Sul 47.342
Santa Catarina 6.980
São Paulo 88.582
Sergipe 2.525
Total 245.402

Os números mostram que o risco de intoxicação é maior entre crianças de um a quatro anos, com um número total de 130 mil, correspondendo a um percentual de 53% dos casos. O segundo grupo mais atingido vai de 14 a 19 anos (42.614 casos), seguido daqueles com idade entre cinco e nove anos (32.688 registros) e, por fim, as de 10 a 14 anos (24.282).

Tabela 1 – Casos Registrados de Intoxicações Humanas pelos Centros de Intoxicações, por Agente Tóxico e Faixa etária, Brasil, 2006, de 0 a 20 anos de idadeTotal de casos: 480481
Faixa Etária (anos) < 1 1 a 4 5 a 10 11 a 15 15 a 19
Agente no no no no no
Medicamentos 1099 8290 2288 1736 3201
Agrotóxicos/Uso Agrícola 46 402 108 167 569
Agrotóxicos/Uso Doméstico 176 1174 165 157 253
Produtos Veterinários 9 337 57 54 90
Raticidas 93 1119 127 173 574
Domissanitários 267 5245 685 371 611
Cosméticos 84 827 67 32 43
Produtos Químicos Industriais 120 2193 363 175 311
Metais 32 187 40 19 19
Drogas de Abuso 15 28 19 134 612
Plantas 58 701 300 122 73
Alimentos 30 162 171 137 158
Animais Peç./Serpentes 15 140 338 451 543
Animais Peç./Aranhas 27 262 240 272 308
Animais Peç./Escorpiões 33 411 515 503 576
Outros Animais Peç./Venenosos 52 543 638 444 446
Animais não Peçonhentos 41 396 392 356 359
Desconhecido 97 836 476 334 370
Outro 35 404 126 71 277

Fonte: MS / FIOCRUZ / SINITOX, 200611

Choques elétricos podem ser evitados, assim como a ingestão inadvertida de medicamentos e de produtos de limpeza, que ficam à disposição da meninada em embalagens dos mais variados tipos e com os mais diversos rótulos.

As novas tomadas ajudam a prevenir os choques elétricos. Aqui, a importância de não improvisar nas instalações. A vigilância é que faz a verdadeira diferença.

Ingestão de medicamentos e produtos que causam intoxicação também podem ser prevenidos. Nesse sentido, a guarda responsável desses produtos é essencial.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

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