Publicado por: Evaldo Oliveira | Abril 19, 2019

LEGISLADORES TROPEÇANDO EM SI MESMOS

A Câmara Legislativa do Distrito Federal é famosa pela reiterada aprovação  de leis inconstitucionais, e por ter um dos mais elevados custos de manutenção do Brasil. Em Brasília, as pessoas chegam a fazer pouco caso dos projetos que ali são aprovados, pela frequência de tropeços legislativos e os elevados gastos com os deputados distritais. A manchete a seguir embala todo o descontentamento das pessoas do Distrito Federal: Justiça Derruba 77% de Leis Aprovadas Pela CLDF e Questionadas Pelo MP.

Em outras cidades, porém, os tropeços acontecem por desatenção, pouco caso em relação aos anseios do povo ou por falta de conhecimento, de escolaridade.

Em Serra Caiada, município do Rio Grande do Norte criado em 24 de novembro de 1953,  houve um duplo imbróglio legislativo. O nome da cidade homenageia uma serra de 285 metros de altitude; o termo Caiadase deve à coloração dessa serra, cuja rocha é esbranquiçada.

Em dezembro de 1963, decorridos apenas dez anos de sua fundação, o nome da cidade foi mudado para Presidente Juscelino, no que seria uma homenagem ao último estadista a governar este país. Porém o novo nome não foi bem aceito, e a população passou a exigir o retorno ao antigo nome de Serra Caiada. Isto de fato aconteceu no dia 24.11.1994, quando foi decretado o retorno ao antigo nome da cidade.

Porém outro imbróglio surgiria em sequência: é que a cidade deveria se chamar Juscelino Kubistchek. Acontece que, em meio às turbulências que marcaram o dia de aprovação da mudança do nome, os vereadores se reuniram para que fosse definida a grafia correta do segundo nome do ex-presidente. Face à dificuldade, o nome da cidade ficou definido como Presidente Juscelino. Mais fácil de escrever. E de pronunciar.

Areia Branca, a cidade em que nasci, localizada bem na esquina do mundo, no Rio Grande do Norte, de frente para a África, carrega em sua história um imbróglio que se assemelha ao de Serra Caiada. No dia 16 de fevereiro de 1892, a povoação teve sua categoria elevada para Vila de Areia Branca. Em 22 de outubro de 1927, decorridos 35 anos de sua emancipação política, a vila foi elevada à categoria de Cidade de Areia Branca.

Um jovem historiador local – Gibran Araújo – descobriu um engano nas datas que marcam a emancipação política e a criação do município. É que no ano de 1987 foi sancionada a lei que decretou como feriado municipal o dia 22 de outubro, em alusão ao aniversário da cidade de Areia Branca. Na verdade, essa data se refere ao dia em que a vila foi elevada à categoria de cidade, e não ao dia em que o município foi propriamente emancipado de Mossoró, completa o jovem estudioso.

Em Brasília, o descompromisso com a função de legislar. Estupidez coletiva.

Em Serra Caiada, a vontade do povo.

Em Areia Branca, equívoco que se eterniza.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN.

Publicado por: Evaldo Oliveira | Abril 12, 2019

ISSO DENTRO DO MEU OLHO (?)

José sofre de glaucoma há muitos anos, e usa as medicações prescritas pelo seu médico oftalmologista. Já se informara na internet, e sabia que glaucoma é uma doença ocular caracterizada por alteração do nervo óptico que leva a um dano irreversível das fibras nervosas e, consequentemente, perda de campo visual. Essa lesão pode ser causada por um aumento da pressão ocular ou uma alteração do fluxo sanguíneo na cabeça do nervo óptico (Wikipédia).

Por duas vezes chegou a fazer cirurgia para tentar baixar a pressão que teimava em se manter alta em seus olhos (pressão intraocular). Sabia que existem dois tipos da doença, sendo mais comum o glaucoma de ângulo aberto, mas existe o glaucoma de ângulo fechado. Não entendia a diferença, porém o médico lhe disse que o seu era o de ângulo aberto.

Tendo em vista que a cirurgia a que se submetera – trabeculectomia – não havia sido eficiente em baixar sua pressão intraocular, o médico lhe indicou uma nova cirurgia, cujo pagamento poderia ser coberto por seu plano de saúde. Depois de algumas explicações, o oftalmologista ofereceu-lhe um folder com os detalhes técnicos, as especificações e a fotografia do pequeno aparelho que seria colocado em seu olho, junto à íris. Isso pode ser colocado dentro do olho?– pensou.

O objetivo é que aquele aparelhinho construído de titânio (não ferromagnético) abra uma passagem para que o líquido do seu olho passe de um lado para o outro da íris, e com isso trazer alívio para sua pressão ocular aumentada.

Stent

Dois stentsDois stents

Em casa, a leitura daquele material o introduziu no mundo do micrômetro e nas estruturas da dimensão nano, onde pululam as coisas nos níveis do invisível. De quebra, era-lhe oferecida a oportunidade de ser um dos primeiros brasileiros a se utilizar do menor dispositivo médico conhecido a ser implantado em humanos.

Ele dedicou um tempo especial para as medidas do aparelho quase invisível a olho nu, que media, em comprimento, menos da metade de um milímetro, isto é, 0,4 mm, e 0,3 mm em sua base. E verificou que essas medidas tornam o aparelho um gigante, se considerado o mundo nano.

E a dúvida: o plano de saúde vai pagar por esse implante?

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Abril 5, 2019

ENCONTROS AMOROSOS FRUSTRADOS PELA MÚSICA

Mililo precisava encontrar-se com Lailira à noite, como era a rotina do casal. Sem Whatsapp para o acerto dos contatos, escolheram uma frequência de igual intensidade para emissão dos seus sinais, e à noite os dois entregavam-se à  esbórnia, em um conluio silencioso com a escuridão.

Acostumado com aquela forma de marcação de seus encontros, naquela noite Mililo saiu de casa todo cheiroso, na certeza de encontrar Lailira para, juntos, desfrutarem das delícias do amor.

Porém havia algo de errado no ar. Mililo percebeu que o som do ambiente estava muito estranho, dificultando o encontro da frequência acertada com Lailira. Logo desconfiou de que o problema talvez fosse causado pelo som executado em uma festa rave que acontecia em um local próximo dali. Aquele som estava deixando Mililo confuso, sem interesse sexual e sem apetite. Havia algo de errado com aquele som, concluiu. Sem conseguir comunicar-se com Lailira, Mililo voltou para casa. Triste e macambúzio, o jovem foi dormir cedo.

No dia seguinte, ao se encontrar com Lailira, sua amada tinha a mesma ideia: o som daquela festa continha algo que os transtornava e os deixava confusos.

Hoje, dia 5 de abril de 2019, Mililo tomou conhecimento do resultado de uma pesquisa da Universidade Malaysia Sarawak . Estupefato, leu que o som emitido pelos mosquitos decorre do batimento de suas assas, e possui uma frequência específica tanto para os machos quanto para as fêmeas. Para a cópula, essas frequências podem ser alteradas e acertadasentre machos e fêmeas, para que entrem em uma sintonia.

No texto, compreendeu que as antenas dos mosquitos funcionam como órgãos sensoriais que percebem vibração e são sensíveis a ondas sonoras. Na pesquisa, os cientistas criaram dois ambientes: um com e outro sem música, e compararam as taxas de visitação, alimentação e reprodução dos mosquitos em cada um. A música eleita para a pesquisa foi Scary Monsters and Nice Sprites, do produtor musical Skrillex, norte americano produtor de música eletrônica do gênero dubstepe trap. As fêmeas de Aedes expostas à música visitaram o ambiente mais tarde que o normal, em número menor de vezes, e também se alimentaram menos. Além disso, copularam menos do que os mosquitos no ambiente sem música. Era tudo que Mililo não queria.

Irritado, cabisbaixo, Mililo retornou a seus aposentos com uma ideia fixa: como destruir esse tal de Skrillex. E tomou uma decisão: entraria em contato com seus amigos do norte da Califórnia, onde mora o agora DJ Skrillex, para produção de um grande movimento dos mosquitos americanos, que ficariam encarregados de zoar todas as noites em seus ouvidos, até que uma barganha fosse conseguida, e que ele parasse com essas músicas malucas. Ali, todo o peso da família Culicidae.

É esperar para ver.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Publicado por: Evaldo Oliveira | Março 29, 2019

PORTÃO DE BRANDEMBURGO, de porta da cidade a instrumento da guerra fria

Inicialmente construído sobre uma porta da cidade, o Brandenburger Torseria reconstruído no final do século XVIII como um arco do triunfo. Localizado na parte ocidental do centro de Berlim, o Portão de Brandemburgo é hoje a entrada monumental para a avenida Unter den Linden , que antigamente era a via que levava diretamente ao Palácio da Cidade dos reis da Prússia.

O Portão de Brandemburgo foi encomendado pelo rei Frederico Guilherme II da Prússia, e construído entre 1788 e 1791. Durante a Segunda Guerra Mundial, o local foi bombardeado, sendo totalmente restaurado entre os anos de 2000 e 2002.

No pós-guerra, quando a Alemanha foi dividida, o Portão ficou do lado oriental, tornando-se isolado e inacessível, bem ao lado do Muro de Berlim, que passava por aquela área. Ali, serviu de local para grandes eventos históricos, e hoje é símbolo da história da Europa e da Alemanha.

Por estar no lado oriental, o Portão foi usado pelos nazistas como instrumento de propaganda, ficando posteriormente abandonado, quase em ruínas, na divisa entre as duas Alemanhas. Em 22 de dezembro de 1989, o Portão foi reaberto ao tráfego, readquirindo o seu status de símbolo de união.

portao-de-brandemburgoEsta foto foi feita em plena época da guerra fria

No alto do Portão de Brandemburgo foi instalada uma quadriga, em 1793. Treze anos depois, em 1806, Napoleão Bonaparte invadiu Berlim. Para simbolizar a dominação francesa, em dezembro do mesmo ano Napoleão mandou a quadriga para Paris, de onde retornaria a Berlim no ano de 1814, quando recebeu uma cruz de ferro e uma águia prussiana, passando a significar a vitória, deixando de ser um símbolo de paz.

Portão hoje

Portão de Brandemburgo. Hoje, paz, beleza, harmonia.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Março 22, 2019

ENCONTRO NACIONAL PARA DEFESA DAS VOGAIS

Notava-se uma movimentação silenciosa nos bastidores da Associação Brasileira Para a Defesa das Vogais. Em suas reuniões mensais, elas, as vogais, discutiam a procedência dos acentos circunflexos, agudos, as crases, os tremas, os encontros vocálicos. Em pequenas reuniões paralelas, duas vogais – O e U – se reuniam em uma biblioteca, às escondidas, com o objetivo de preparar um movimento de protesto.

Esse movimento, que inicialmente seria para a defesa de seus direitos, poderia se estender em um crescente, podendo chegar a um boicote. Essas duas vogais – O e U, maiúsculas, por favor -, poderiam, a partir de então, não mais se oferecer para formação de frases e orações, impedindo, assim, que a escrita tenha condições de continuar, por falta do O e do U.

Sem entender a ameaça do boicote determinado pelas duas últimas vogais, as três outras – a, e, i – convocaram uma reunião extraordinária para que a questão fosse discutida em sessão plenária. Ali, os motivos da pretensa revolta poderiam ser postos em discussão, para um eventual equacionamento. Afinal, as vogais iniciais sequer tinham noção dos motivos daquele movimento.

Iniciada a reunião, as duas últimas vogais chamaram a atenção para o fato de que os verbos da língua portuguesa possuírem três conjugações: a primeira trata dos verbos terminados em “ar” (cantar, falar, amar, dançar etc.); a segunda, dos verbos terminados em “er” (bater, comer, ver, ler etc.), e a 3ª conjugação, que corresponde aos verbos terminados em “ir” (partir, abrir, rir, sorrir, interferir).

As vogais iniciais se entreolharam com cara de estranheza, especialmente no momento em que o O e o U indagaram: Onde ficaremos nós, nessa estranha classificação? Não queremos fazer parte de apêndices de outras conjugações.

Ao final dos debates, foi promulgada a Resolução Normativa 02/2018, onde se explicitam as linhas para implementação de uma nova classificação para as conjugações verbais, aí incluídos os verbos terminados em OR. Com relação aos verbos terminados em UR – se é que existem -, o questionamento continuará, na esperança de uma de solução. Um novo encontro foi devidamente agendado, com a anuência de todas as 26 letras do nosso alfabeto, com exceção do y.

Afinal, o Y seria vogal, semivogal, consoante ou semiconsoante? Nova crise?

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Março 15, 2019

AS AVENTURAS DE TESEU, aquele do Minotauro

A história aparentemente é simples. Minos, antes de ser o rei de Creta, na Grécia, tentou enganar o deus Poseidon, sacrificando um touro comum no lugar de um belo touro que sairia do mar. Poseidon, para se vingar, fez com que a esposa de Minos se apaixonasse pelo touro branco, e dessa paixão nasceria o Minotauro, com corpo de homem e cabeça e cauda de touro.

O rei contratou Dédalo, pai de Ícaro, para construir um complicado labirinto na cidade de Cnossos, para aprisionar o Minotauro. Atenas, como tributo, pagaria com sete rapazes e sete donzelas para alimentar a fera. Por ocasião da terceira remessa de jovens, Teseu, um forte e belo rapaz, se ofereceu como uma das vítimas, decidido a matar o Minotauro, o que só foi possível com a ajuda de Ariadne, a bela filha de Minos. Ariadne lhe entregou um novelo de lã para que, no momento da saída, não se perdesse no emaranhado de caminhos do Labirinto. O processo de saída foi mais calmo, e Teseu conseguiu recuperar algumas pessoas que estavam perdidas no interior do Labirinto.

Porém Teseu não era um jovem qualquer. Era filho de Egeu e Etra; esta, filha do rei de Trezena. Dessa união nasceu um menino que cresceu vigoroso, inteligente e forte. Quando Teseu chegou em Atenas, já era conhecido por seus feitos.

Ao retornar de Atenas, encontrou seu pai morto, e assumiu o poder do rei. Teseu organizou um governo democrático, fazendo leis sábias e úteis para o povo. Ao perceber que tudo corria bem com os atenienses, o jovem rei partiu em busca de novas aventuras.

Teseu. Um jovem de origem nobre se oferece para enfrentar o Minotauro, com a ajuda de uma bela jovem, filha de um rei. No final da história, um rei exemplar a governar Atenas.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Março 8, 2019

NO HOSTAL DOS REIS CATÓLICOS

Em Santiago de Compostela encontra-se uma obra prima da hotelaria universal.O Hospital dos Reis Católicos (Hospital Real de Santiago) é um edifício que ocupa o lado norte da Praça do Obradoiro, que tem como conjunto principal a catedral de Santiago de Compostela, na Galícia, Espanha.

O hospital foi mandado construir pelos Reis Católicos, após visita à cidade, para dar abrigo e tratar os peregrinos que precisavam de cuidados médicos depois de fazerem o Caminho de Santiago. O casal real decidiu construir um hospital novo e moderno, o Grande Hospital Real, para atender os peregrinos. O prédio cumpriu sua destinação como hospital até o século XIX. Nos anos 1950 foi convertido em um parador de turismo (hotel de luxo), com o nome Parador Museo Santiago.

Pórtico (1505-1511), plateresque

 O edifício conta com quatro pátios interiores, que formam uma cruz grega. Os primeiros são conhecidos como pátio de São João e pátio de São Marcos. Os dois restantes são conhecidos como pátio de São Lucas e pátio de São Mateus.

No corredor em frente ao nosso quarto, este belo espelho. Resquício da História em parceria com uma bela mulher.

Palacete Municipal

O ônibus que trazia o nosso grupo passou direto pela catedral, ao lado, e parou  diante do Hostal dos Reis Católicos, onde passamos dois dias. Surpresa e puro encantamento.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Março 1, 2019

ÁREAS DE RISCO, aqui e alhures

Área de risco é uma região onde não é recomendada a construção de casas ou instalações, por serem muito expostas a desastres naturais, como desabamentos e inundações. No Brasil, desde 1979 a Lei 6.766 – há 40 anos, portanto -, proíbe o loteamento de áreas de risco para fins urbanos.

Em terras brasileiras, 27 mil áreas de risco estão habitadas, sendo que 3.071 se localizam em São Paulo e Minas Gerais. Os riscos maiores são para enchentes e deslizamentos de terra, segundo o IBGE.

De passagem por Barcelona, na Espanha, nós, juntamente com outras pessoas, alugamos um ônibus para visitar o Mosteiro de Montserrat, que se localiza no Monte Serreado, um maciço que se eleva bruscamente a 50 quilômetros da capital da Catalunha.

O cume do Monte Serreado é conhecido como São Jerônimo, e tem 1.150 metros de altura. As formas rebuscadas da montanha são o resultado de um processo geológico de milhões de anos, formando enormes paredes e blocos arredondados de conglomerado de argila rosa. É comum a presença de cavernas, abismos e barrancos no interior dessas estruturas.

O Mosteiro de Montserrat é um monastério beneditino, e abriga em seu interior a Biblioteca de Montserrat, que ocupa espaço central no recinto monástico, sendo o maior equipamento do gênero em um monastério beneditino. Talvez por isso,  o conjunto tenha servido de fundo de parte do roteiro inicial do novo livro de Dan Brown –Origem.

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Voltemos à nossa visita. Ao avistarmos aquele monumento gigantesco, feito de pedra, ficamos cada um a pensar em como chegar em seu topo, onde se encontram o mosteiro e a biblioteca.

O motorista era um jovem com idade em torno de 26 anos. Ao pé da montanha, estacionou, conversou com um motorista que aparentava mais experiência para, em seguida, iniciar a subida, com o cuidado que o caso requeria. Na metade da subida, em um ponto muito íngreme, um tranco e o motor parou. O motor foi religado e a muito custo continuamos a  subida. Mais à frente, novamente o ônibus pararia, levando pavor a todos os passageiros. E mais uma vez o motor foi religado, para finalmente chegarmos ao ponto mais alto, onde se encontra o mosteiro.

Feitas as visitas de praxe, bem depois do almoço começamos a viagem de volta. Novo sufoco, o carro sempre seguro pelos freios. Finalmente, chegamos vivos ao pé daquele maciço de pedra. No hotel, dois motoristas conversavam em um canto e deu para ouvir que eles comentavam algo como… o quê? Mandaram José para o Mosteiro de Montserrat? A gente sabe que somente motoristas experimentados devem fazer aquele trajeto, que exige conhecimento e técnica do condutor, em especial na descida. Aquela fora a primeira viagem de José dirigindo um ônibus ao mosteiro.

Áreas de risco. No nosso caso, subida e descida. No meio, uma gigantesca pedra mantida lá em cima, sobre o pátio, graças à força das orações, aí incluídas as minhas.

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EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Fevereiro 22, 2019

ALEMANHA ORIENTAL, legados mesmo que simples

A República Democrática Alemã (Alemanha Oriental – RDA) foi um Estado criado em 1949, na área de ocupação soviética, quando o território alemão foi repartido entre os Estados Unidos, o Reino Unido, a França e a União Soviética. A zona de influência soviética deu origem à RDA, enquanto as outras três deram origem à República Federal da Alemanha (Alemanha Ocidental – RFA).

A Alemanha Oriental (lado leste) foi proclamada em Berlim Oriental em outubro de 1949, onde se estabeleceu um regime socialista amplamente controlado pela União Soviética, que manteve suas tropas no local com base nos acordos de Potsdam, para contrabalançar a presença militar dos Estados Unidos na RFA, no lado oeste.

No ano de 1961 foi construído o Muro de Berlim, que dividiu a cidade em dois lados até o ano de 1989, quando foi posto abaixo pelo povo. Em 1990 ocorreu a reunificação da Alemanha.

Após a reunificação, nós, os turistas, percebemos que alguns pequenos legados  da antiga Alemanha Oriental ainda persistem, alguns  bem recebidos, outros nem tanto. Três elementos devem ser lembrados, quando se fala em legados deixados pela Alemanha Oriental: A East Side Gallery, o Trabant e o Homem do Semáforo.

A East Side Gallery é uma galeria de arte ao ar livre, situada em uma sequência de 1.113 metros no lado leste do antigo muro , próximo ao centro de Berlim. Consta de 105 pinturas feitas por artistas de todas as partes do mundo. Algumas dessas pinturas tornaram-se ícones da expressão gráfica de Berlim, sendo reproduzidas em quase todo  tipo de souvenires vendidos na cidade.

Gallery

O Beijo da MorteO Beijo da Morte

O Trabant – companheiro de viagem, em alemão – era um veículo construído com fibras de plástico parecido com fibra de vidro, não reciclável e mais barato. Por suas características, o Trabant poderia partir-se em dois se recebesse uma carga superior à sua capacidade. Muitos desses automóveis foram abandonados nas ruas por seus donos depois da queda do muro em 1989. Hoje, uma empresa de Berlim aluga esses carros para passeios turísticos pela cidade.

Trabant

No lado oriental de Berlim, ao tentar atravessar a faixa de pedestres, o turista se vê diante de um sinaleiro que mostra um homem de baixa estatura, de chapéu, a nos orientar na passagem – SIGA -, caminhando lento no início e rápido do final, até que, em vermelho, ele reaparece em posição de abraço, em um PARE único no mundo.

Com a queda do muro de Berlim, surgiu uma reação do povo que morava no lado oriental para a manutenção do Ampelmann, chegando a haver uma votação  para se escolher entre a manutenção do símbolo oriental ou se o povo preferia o ícone universal. O Ampelmann continua orientando os pedestres até hoje.

Ampelmann

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Fevereiro 15, 2019

UM ESTRANHO CASO DE ASMA

No rol de lembranças dos meus atendimentos na rede pública de saúde, veio-me à mente mais um caso emblemático. Trabalhava no Posto de Saúde do Guará I e tinha como cliente uma criança que morava em Taguatinga, cidade-satélite a cerca de 15 quilômetros. Esse cliente tinha um quadro de asma brônquica que resistia a todas as tentativas de resolução.

Os atendimentos anteriores foram corretos, e as medicações seguiram o padrão adequado para a alopatia. Foram prescritos medicamentos e cuidados de higiene que não funcionaram, apesar de bem intencionados e compatíveis com uma boa prática pediátrica. A criança já havia consultado com um alergista, porém seu quadro de asma continuava a responder de forma insatisfatória.

Depois de algumas tentativas de tratamento, sem que algo de especial surgisse em meus planos, tive a ideia de ir à casa dos pais do garoto. Acertamos para o dia seguinte. Senti que havia algo que mantinha aquela criança sempre em crise.

Na casa, apesar de alguns elementos não estarem de acordo com o que seria ideal, não me pareceram ser decisivos em sua não melhora. Não havia cão ou gato, ou outro animal de pelo ou de penas. Visitei o quintal e os lados da casa, e resolvi entrar no domicílio.

Analisei a sala, que me pareceu bem cuidada, e me dirigi, orientado pelos pais, para o quarto da criança, que ficava no início do corredor. Na passagem pela sala, algo me chamou a atenção. Havia muito calor na parte de cima do meu corpo, e da cintura para baixo a temperatura era bem amena, em função do piso. Parei, fui um pouco à frente e retornei. Ali estava a explicação para o problema do garoto. Havia claramente duas ondas (bolhas) de calor. Uma quente, que ia até a cintura de um adulto, e uma fria, daí para baixo.

Olhei para o teto, que descobri ser de telhas de amianto. Reuni-me com os pais e ficou acertado que imediatamente as telhas seriam trocadas para essas de barro, tipo colonial. Acredite, tudo passou a trabalhar a favor da saúde daquela criança. Adeus, asma!

Uma doença crônica de difícil resolução, em uma criança pobre atendida na rede pública de saúde. Uma visita. Apenas uma visita.

Unknown Telhas de barro. O início da cura.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Obs.: Caso algum especialista discorde dessa acepção, favor fazer comentário pertinente.

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