Publicado por: Evaldo Oliveira | Agosto 10, 2018

A GRANDE FLOR DE AÇO E ALUMÍNIO

Depois de uma visita ao cemitério da Recoleta, você caminha por alguns minutos até à Praça das Nações Unidas e vai se encantar com uma imensa flor. No meio do parque, uma flor de aço e alumínio exibe-se ao vento e ao sol da capital da Argentina desde o ano de 2002, com suas seis pétalas, pesando 18 toneladas e com uma altura de 23 metros.

Localizada sobre um espelho d’água, a flor gigante de Buenos Aires abre suas pétalas às oito da manhã, como se por encanto, e se fecha ao anoitecer, girando conforme o dia passa. Todos os movimentos são controlados por um sistema elétrico que abre e fecha automaticamente as pétalas, a depender da hora do dia. À noite a flor fecha e de seu interior sai uma luz vermelha; pela manhã ela se abre novamente.

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Depois de caminhar pelo cemitério da Recoleta, uma flor nos espera.

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Com bom gosto, brilho e movimentos.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Publicado por: Evaldo Oliveira | Agosto 3, 2018

UM RESTAURANTE, UM JOGO AMERICANO

Em nossa viagem ao Chile, em abril deste ano, além da demonstração de um bom nível civilizatório, alguns eventos ficaram marcados pelo bom gosto e pela qualidade dos serviços, fosse no metrô ou nos cafés, estes bonitos e agradáveis.

Em Santiago, um restaurante simples nos recebeu de forma surpreendentemente agradável, como eram seu ambiente e suas mesas. O cardápio anunciava uma comida trivial, que depois saberíamos com gosto de comida de verdade.

Ao entrarmos, percebemos um ambiente de simplicidade, porém a clientela nos dava a garantia de um bom aval em uma duplicata. Não lembro o nome daquele  lugar, mas o gosto e a satisfação com que as pessoas saboreavam suas iguarias, fosse o prato do dia ou algo um pouco mais elaborado, nos encheu de confiança. Sentamos, pedimos um vinho e não nos arrependemos.

Nas mesas próximas, estudantes, pequenos empresários e trabalhadores do comércio riam e discutiam assuntos pertinentes. Ao lado da nossa mesa, um casal de mulheres conversava sobre coisas da vida, o dia a dia eviscerado em um papo de restaurante. No contraponto, riso e descontração.

Sobre as mesas, um jogo americano de papel reciclado trazia  em seu falar uma provocação que nos fez pensar; o choque que desperta:

Jogo americano

Escuta, respeita, diverte-te

Ama, canta, confia, viaja

Sonha, sorri, arrisca-te, confia

Compartilha, luta, deixa-te levar

Ri, manifesta-te contra, fala, ri

Descobre, arrisca-te, vive

Sê feliz

 …

Sê feliz, a mensagem. E nós o fomos.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Publicado por: Evaldo Oliveira | Julho 27, 2018

O SILÊNCIO DAS MURIÇOCAS

Nasci e vivi durante alguns anos em uma pequena cidade que fica na esquina do mundo, na região da Costa Branca. É ali onde o sol toca primeiro em seu domínio sul americano. Desde pequeno, quando estudava no grupo escolar, eu imaginava coisas quase impossíveis, como subir de avião e recolher aquelas nuvens que passavam faceiras pelos céus da minha cidade.

Ainda criança, como uma brincadeira, pensei em uma forma de me comunicar com algumas pessoas sem o perigo de ter meus escritos vazados, e vi-me envolvido no obscuro mundo da encriptação. Idealizei, então, uma forma simples e segura de me comunicar, ao criar um código primitivo que depois viria saber já ter sido utilizado por Celso, o todo poderoso imperador de Roma.

Em outro momento, já adulto, imaginando o universo dos pequeninos, penetrei no mundo nano. Na crônica Nanomedicina, o Futuro Chegou, enfoco os benefícios e os riscos dos nanoprodutos. Ali, um pouco do que nos espera nessa área do conhecimento. Em outra ocasião, em um texto sobre Ciência Noética – Ciência Noética, o Futuro da Cura ou Instrumento do Terror?– eu chamava a atenção para um mundo  de esperanças, sem esquecer os perigos que cercam este tema.

Porém dois elementos sempre me intrigaram: o silêncio e a escuridão. Minha  medida para o breu total acontecia depois das dez da noite – quando a energia elétrica era desligada – momento em que ela, a escuridão, em conluio com a cruviana e a serração da velha, apagava a cidade para os raros aviões. Ali, na esquina do mundo, o império dos grilos; se no inverno, também dos sapos.

Haveria um nível de ultra escuridão? A resposta é sim. O cosmo era totalmente escuro, antes e depois do Big Bang, que aconteceu há treze bilhões de anos. A luz visível aos nossos olhos somente iluminaria o cosmo passados 400 milhões de anos, com o esfriamento de uns 4 mil graus, permitindo que prótons, neutros e elétrons se aglutinassem em átomos neutros, o que coincidiu com o surgimento das primeiras estrelas.

Uma dedução elementar e antiga: a escuridão simplesmentenão existe; é criada pela ausência da luz. A quantidade de luz presente em um espaço define o nível da escuridão.

Do mesmo modo, haverá o silêncio absoluto, em que o ruído produzido pelo voo de uma libélula possa até nos apavorar, por sua intensidade? A entrada em uma câmara anecoica acústica poderia nos fornecer elementos para reflexão. Em uma dessas câmaras você pode se assustar ao ouvir com clareza os batimentos do seu coração, o ruído do sangue correndo em suas artérias cerebrais, o ronco da sua respiração.

Escuridão, ausência da luz.

Silêncio, necessário até no nível do cochicho das muriçocas. E somente até aí.

Os dois juntos, loucura.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Julho 20, 2018

UMA NO PINO E OUTRA NO CONTRAPINO

Em minha vida de 30 anos como pediatra, sempre trabalhando em unidades do serviço público de saúde, atendi muitas crianças envolvidas em ocorrências ligadas a choques elétricos. Algumas delas morreram. Lembro de uma criança do Gama que chegou com a parte interna da boca queimada por ter colocado a ponta do chuveirinho na boca e soprado com força. A mãe estava junto.

Adultos ou crianças, um dos momentos mais perigosos era exatamente aquele em que se tentava colocar ou retirar um aparelho da tomada. É que sobrava um espaço sem proteção entre o pino do aparelho e a entrada da tomada. Esse era o momento mais propício para o choque.

Foi criado o novo sistema de tomadas, que pode ser de dois tipos: plugues para aparelhos que não produzem calor (10 amperes), como batedeira, máquina de lavar roupa) e os plugues mais grossos, de 20 amperes, para equipamentos que geram calor, como aquecedor elétrico e micro-ondas. Com isso, evita-se a ligação de um equipamento de maior consumo em um ponto que não foi projetado para ele, o que poderia causar uma sobrecarga.

Em face dessa evidente melhoria que se seguiu à implantação do novo sistema de tomadas, fica difícil não entender os benefícios trazidos por esse novo modelo. Só se fechar os olhos.

Já li muitas queixas em relação a essas tomadas, mas nenhuma delas foi feita por pessoas comuns que se sentiram iludidas pelas melhorias propaladas quando de sua implantação no Brasil.

Todos sabem que as causas dos choques elétricos são muitas e variadas, e em sua maioria ocorrem por negligência e desrespeito às normas de segurança. Lembro aqui o caso de duas enfermeiras que mandaram pintar uma casa  e em sua visita ao imóvel, depois da entrega do serviço, se depararam com a fiação energizada,  com cerca de meio metro para fora das paredes, com as pontas protegidas  por fita isolante. Ao chegarem à casa, as irmãs amarraram a corrente de ferro, onde o cachorro estava preso, em um dos fios e o dobraram para cima. O cão começou a latir e a pular, desencapando o fio. Quando uma das moças ouviu o grunhido do cãozinho, que se debatia em reação aos choques, jogou-se sobre o animal, tendo morte instantânea. Frente àquela situação, a irmã pulou sobre os dois, e também morreu. Nada disso teve a ver com as novas tomadas.

Novos pinos

Por ser apenas médico e não entender de lobbys nacionais ou internacionais, sou francamente favorável à implantação desse novo sistema de tomadas. Tenho a firme convicção de que as indústrias brasileiras poderiam assumir, sem qualquer dificuldade, a produção desses novos padrões de tomadas no Brasil e fora dele.

Uma no pino. Tomadas seguras evitando acidentes. Até hoje não entendi a causa de tanta reclamação.

Contrapino 1   Contrapino

Outra no contrapino. A segurança em um pequenino artefato.

Por quem os contra pinos dobram?

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

 

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Julho 13, 2018

LIVRARIA ATENEO Buenos Aires

Ao visitar Buenos Aires, além de todos os programas que você organizou para sua estada na capital da Argentina, dê uma passadinha na Avenida Santa Fé, no bairro Norte, e você se encantará com um edifício em estilo eclético, com o teto exibindo belíssimos afrescos pintados pelo artista italiano Nazareno Orlando. Ali, no ano de 1919, funcionava um teatro com capacidade para acolher 1.050 felizes espectadores.

Pelo caminho você poderá se deparar com Dom Quixote exibindo-se com sua espada ao lado de um belo touro, tendo ao fundo a imagem de Evita Peron.

Dom Quixote

No final da década de 1920 o teatro foi convertido em cinema, sendo projetados ali os primeiros filmes sonoros na Argentina. Como um passo de mágica, no lugar do cinema surgia a Livraria El Ateneo que, somente em 2007, vendeu mais de 700 mil livros. Anualmente, mais de um milhão de pessoas visitam aquele local.

Livraria-El-Ateneo

Nesse ambiente encantador, utilizando seus camarotes ainda intactos, os leitores podem mergulhar nos livros, sob uma aura de pura e elegante retrofilia. No local que funcionava como palco, o visitante pode desfrutar dos serviços de um bonito café. Tudo isso fez com que El Ateneo fosse classificado, pelo jornal britânico The Guardian, no ano de 2008, como a segunda melhor livraria do mundo.

El Ateneo. Cultura, beleza e história juntas. Com a companhia de um cafezinho, porque ninguém é de ferro.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Julho 6, 2018

NO GRANDE BAZAR DE ISTAMBUL, PERDIDO

Você atravessa a ponte Gálata, em Istambul, e dá de cara com um gigantesco mercado. Fica deslumbrado e entra. Lá, você descobre que aquele é o Mercado ou Bazar das Especiarias, ou Bazar Egípcio, um dos maiores e mais antigos bazares da cidade.

Merc Egípcio II

Pesquisando, você se dá conta de que naquele mercado existem 88 salas e que a ala mais longa tem 150 metros de comprimento e 36 lojas. A ala mais curta tem 120 metros e 46 lojas. No centro existem 6 lojas.

E você imagina: Pronto, já vi o bazar de Istambul. Em seguida, levado por um guia, você se descobre em frente ao Grande Bazar, e fica extasiado.Afasta-se para que possa contemplar o Grande Bazar de Istambul por inteiro, e se dá conta de que se encontra diante do maior e um dos mais antigos mercados cobertos do mundo.

Situado no bairro de Eminönü, em Istambul, o Grande Bazar se oferece por inteiro através de suas quatro entradas, sendo uma em cada um dos extremos das ruas principais. O Portão Nuruosmaniye liga o setor de tecidos ao de especiarias, e o Portão Beyazit dá acesso ao bazar de Livros, junto à área de couros e prataria.

Minha impressão diante do Grande Bazar de Istambul foi de puro encantamento. Parei em frente ao primeiro grande portão e logo me lembrei da orientação do guia: Anote o número do portão por onde estiver entrando, porque você pode sair em ruas ou locais desconhecidos, e se confundir na volta para o hotel.

O mercado foi aberto em 1461, ficando mundialmente conhecido por sua joalheria, cerâmica, seus tapetes e suas especiarias. O Grande Bazar tem mais de 60 ruas e conta com cerca de 3.000 lojas, onde a cada dia acorrem cerca de 300.000 pessoas. Especula-se que chegue a 20.000 o número de trabalhadores naquele local.

No interior, um enorme labirinto repleto de pessoas, onde se vendem luminárias, narguilés, joias, tapetes, almofadas, louças, cerâmicas. Os preços são mais altos que os praticados nas lojinhas da cidade, e a arte de uma boa pechincha pode reduzir o valor de uma peça a menos da metade.

A caminhada pelo Grande Bazar nos conduz aos tempos de Aladim, o jovem que sai á procura de uma lâmpada sem se dar conta de que dentro havia um gênio. Lembra também daqueles filmes de suspense em que as pessoas se perdem em meio a uma multidão apressada e tagarela, e onde um eflúvio de odores de todos os tons nos conduz a um imaginário de quinhentos anos atrás.

Gran Bazar

E fui caminhando, a todo momento me deparando com elementos coloridos, luzes, idiomas variados, temperos, cheiros e sabores. A todo momento, grupos de turistas de todas as  latitudes passam pelos corredores em busca de algo que ainda estão por descobrir. Mas sabem que encontrarão.

De repente, fui invadido pela impressão de estar perdido. Ali, a terrível sensação e o exato entendimento do sentimento de abandono. Olhei para os lados e não vi o pessoal que estava comigo, mas mantive a calma. Eu saberia sair dali, pois anotara o número do portão por onde havia entrado, e me controlei.

Depois de algumas idas e vindas, finalmente avistei rostos conhecidos, e meu ânimo voltou ao limite da normalidade. Ufa!

Não havia ainda o smartphone. Hoje só se perde quem quer.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Junho 29, 2018

UMA VELA PARA VOCÊ

Em viagem de turismo à cidade de Buenos Aires, no mês de maio, resolvi fazer algo nada convencional: conhecer um cemitério. E lá fui eu para o Cemitério da Recoleta (Cementerio de la Recoleta), no bairro do mesmo nome.

Lá, percebe-se que os arredores  do cemitério se tonaram um local de lazer muito utilizado pelos moradores da cidade, pela qualidade de seus jardins. O distrito da Recoleta é um dos mais nobres da capital da Argentina.

Em face do luxo das lápides e da ostentação dos túmulos, o Cemitério da Recoleta é, hoje, juntamente com o cemitério de Pere-Lachaise, na cidade de Paris, um dos mais visitados do mundo. O cemitério da Recoleta representa o bom momento econômico que a Argentina viveu nos anos iniciais do século XIX.

Na manhã daquele sábado ensolarado, entrei no cemitério com o objetivo único de fotografar os túmulos maiores e os mais bonitos. Porém a grandiosidade dos mausoléus e a beleza de suas lápides eram tão exageradas que eu desisti.

Então, mudei de foco. Procurei pelo menor. Com essa ideia na cabeça, caminhei por ruas bem cuidadas em busca do menor de todos os túmulos. Passei em frente ao grandioso mausoléu do todo poderoso Juan Domingo Peron. Não parei. Havia muita gente em volta.

Nessa busca, deparei-me com dois dos menores túmulos do local. Em ambos, a simplicidade que o tempo soube respeitar. Parei em frente a cada um deles e me emocionei ao perceber uma vela acesa em sua entrada. Naqueles jazigos mais simples, mais antigos, com ares de mal cuidados, uma simples vela acesa os distinguia dos demais. Não percebi velas acesas nos outros túmulos, àquela hora da manhã. Exceto no de Peron.

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Dois túmulos antigos, com ares de mal cuidados.

Uma vela acesa simbolizando amor e respeito, em detrimento do estado de conservação e da idade dos pequenos túmulos.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Junho 23, 2018

UM TUMULTUADO CASAMENTO

Fui convidado para a festa especial de casamento, que aconteceria no quintal dos pais da noiva. A festa aconteceu neste sábado, dia 17 de junho, e muitos vizinhos de sítios e fazendas compareceram ao Recanto do Pôr do Sol para conferir.

No quintal da casa principal foi colocada uma mesa para acomodar os utensílios que o padre Honorino utilizaria no evento. Por precaução, os pais da noiva convidaram o delegado e o bravo Possidônio, soldado de boa reputação no vilarejo, para garantir a normalidade daquelas bodas. Veio também um escrivão.Casamento

Os convidados foram chegando para a festa, que aconteceria à noite. A papelada estava em ordem, e o noivo devidamente escoltado por dois capangas. O padre Afonso estava tão ansioso para realizar a cerimônia de casamento que mandou dona Isolda fazer uma vestimenta nova, com estola e tudo mais. A estola não foi usada porque serviu de brinquedo para Coceira, o cão da dona da casa.

Os primeiros a chegar foram sinhá Vitória e Fabiano. Os filhos ficaram com uma vizinha, dona Evangelina, pessoa de grande confiança. Baleia também ficou

Fabiano

Sinhá Vitória

Descobriram essa penetra, com uma mala com vestimentas de vaqueiro. A intenção era dar fuga ao noivo.

Penetra

Ao final, depois da apresentação de um grupo de bumba meu boi, uma pequena vaquejada animou a festança.

Vaquejada I

Vaquejada II

Encerrando todo o evento, rolou um forró que foi até o dia clarear.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Junho 15, 2018

LIGURIA, O BEIRUTE DE SANTIAGO

Em visita a Santiago, a educada capital do Chile, depois da visita ao mercado da cidade e de uma maravilhosa degustação de vinhos orgânicos, faltava conhecer um restaurante gostoso, que tivesse a cara da cidade.

Dispúnhamos de uma abalizada indicação, e saímos em busca de novidades, até encontrarmos um café que nos lembrava Paris, porém com alguns detalhes que os chilenos sabem agregar com louvor.

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Caminhando pelas ruas quase sempre limpas, nos encantamos com a bela visão de dois amantes fugindo pelos céus de um parque. Como em um passe de mágica, nos descobrimos em frente ao bar Liguria, que eu imaginava um restaurante. Sua fachada simples, com ares italianos, permitia uma visão de seu interior, o que nos impunha a obrigação de entrar, pelo que se anunciava de belo. Logo, a lembrança do Beirute, o emblemático bar-símbolo de Brasília, na 109 Sul, surgiu em minha mente.

O seu interior nos remete a restaurantes antigos, apesar de ter apenas 25 anos de existência. Uma volta no tempo, com suas banquetas convidando para um amplo balcão e, à frente aquele tudo de bom que as prateleiras de um restaurante pode oferecer.

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Ao sairmos desse almoço especial, reencontrei el bigodon, que na calçada havia nos convidado a entrar. Um abraço e uma foto. No hotel, dando uma passada nas folhas de um livro que falava sobre aquele famoso bar, deparei-me com a figura de el bigodon. E descobri que havia abraçado um personagem, um ícone.

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Liguria, parte de Santiago. Beirute, a cara de Brasília desde tempos.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Publicado por: Evaldo Oliveira | Junho 8, 2018

UMA ÁRVORE, uma religião, um povo?

No ano de 1931 um grupo de bascos trouxe uma árvore do país basco para ser replantada na cidade de Santiago, no Chile. Ali, o roble sagrado de Viscaya, que simboliza liberdade e justiça, funde suas raízes na milenar tradição Basca. Que o  vento dos séculos espalhe suas folhas e, como mensageiras do país basco, fertilizem a terra chilena (texto escrito em uma placa de mármore). Viscaya se refere a um território histórico do País Basco, cuja capital é Bilbao.

No país basco fica a cidade de Guernica, bombardeada pela Alemanha Nazi e pela Itália fascista no ano de 1937, durante a Guerra Civil Espanhola, que aconteceu no período de 1936 a 1939. Nesse ataque, 126 pessoas inocentes foram mortas.  Guernica  serviu de inspiração e deu nome ao melhor e mais famoso de todos os quadros de Picasso.

A árvore foi plantada no Cerro(morro, em português) San Cristóbal, onde no alto se encontra uma grande estátua da Virgem da Imaculada Conceição. Ocerroé um dos pontos mais altos de Santiago, e desde o ano de 1931 aquela árvore oferece sua sombra benfazeja a quantos visitam aquele que é um dos melhores pontos da da capital do Chile.

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Uma árvore. Um grito de liberdade do povo basco seis anos antes do ataque a Guernica.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Os bascos são um grupo étnico que habita partes do norte da Espanha e do sudoeste da França. São encontrados predominantemente na região conhecida como País Basco. Wikipédia.

 

 

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