Publicado por: Evaldo Oliveira | Julho 17, 2021

DIA DO FICO, UMA RESPOSTA

A família real chegou ao Brasil em 1808, fugindo de uma possível invasão francesa. Com isso, o Brasil deixou de ser uma colônia portuguesa e passou a ser o centro do império português. Sete anos depois, o Brasil seria elevado à categoria de reino. Em 1921 D. João VI é forçado a retornar a Portugal, e deixou seu filho Pedro de Alcântara na condição de príncipe regente.

Havia intenção do governo português de retornar o Brasil ao status de colônia, o que provocou uma reação do Partido Brasileiro no sentido de evitar esse retrocesso. Foi com essa intenção que as Cortes exigiam o retorno do príncipe regente Pedro de Alcântara a Portugal, quando seria nomeada uma junta governativa para o Brasil.

Os liberais radicais organizaram uma movimentação para reunir oito mil assinaturas a favor da permanência do príncipe que, pressionado, resolveu ficar. Foi então que, contrariando as ordens emanadas de Portugal, declarou para o público: “Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Digam ao povo que fico”.

Foi assim que, em 9 de janeiro de 1822, o então príncipe regente D. Pedro I declarou que não cumpriria as ordens das Cortes portuguesas, permanecendo no Brasil. Era o Dia do Fico.

Com essa atitude, D. Pedro I entrou em conflito com os interesses portugueses, e oito meses depois seria declarada a Independência do Brasil, no dia 7 de setembro de 1822. Em 12 de outubro de 1822 o reino do Brasil, agora independente, torna-se Império do Brasil, com a aclamação do imperador D. Pedro I. 

Com o desgaste de seu governo, D. Pedro I foi forçado a abdicar em 1831, deixando seu filho, de apenas cinco anos de idade (futuro D. Pedro II) e seguiu para a Europa. Tendo em vista que o futuro imperador era jovem demais, foi instituído o regime de Regência até que o imperador pudesse assumir. Em 1840 foi declarada a maioridade de D. Pedro II, sendo considerado apto a assumir o trono do Império do Brasil. D. Pedro II tornou-se um monarca popular, com os louros de haver conseguido debelar as revoltas regionais e apaziguar as disputas políticas. O reinado foi interrompido pelo golpe militar que instituiu o sistema republicano no Brasil, no dia 15 de novembro de 1889, movimento liderado pelo Marechal Deodoro da Fonseca.

Fico durou de 1822 a 1831, quando D. Pedro I abdicou e seguiu para a Europa.

Não ficou.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Publicado por: Evaldo Oliveira | Julho 10, 2021

UM DOM PARA CHAMAR DE SEU

Há três anos, assumia a presidência do Tribunal Superior do Trabalho o ministro João Batista Brito Pereira. Em sua biografia, algo despertou minha atenção. O ministro, como eu, nasceu em uma pequena cidade do interior (Sucupira do Norte) e sempre estudou em escolas públicas, e iniciou sua vida pública como datilógrafo. Como eu.   

Um dom, uma aptidão, quando bem trabalhados, podem ser definitivos na construção de um destino. Posso dizer que o meu foi traçado, em grande parte, pelo fato de saber manejar, de forma quase perfeita, uma máquina de datilografia. Chegando a Natal, no ano de 1960, já com a base da técnica datilográfica, fui trabalhar no Arquivo Público do Estado.

O Diretor do IML, quando visitava a administração do arquivo, fixou o olhar naquele menino franzino datilografando uns documentos com impressionante rapidez, fato que chamou sua atenção.  Na mesma hora, fez um convite para trabalhar com ele, triplicando o meu salário. Esse trabalho junto aos peritos foi um fator definitivo na minha decisão quanto à profissão que assumiria em minha vida (médico).

Com uns quinze dias no IML, certa tarde, em pleno uso dos meus quinhentos toques por minuto, utilizando corretamente os dez dedos, pressenti que havia alguém atrás de mim, observando o meu desempenho em uma IBM elétrica. No dia seguinte estava em uma fazenda, no interior de Santa Cruz-RN, datilografando o que me diziam um coronel e um capitão da PM, em uma tomada de depoimento de um coronel da região que, cercado de jagunços, mandara soltar todos os presos da delegacia. Ali eu utilizaria uma máquina pequena, manual. Mesmo assim, quando o depoente terminava de explicitar a frase, eu já estava à espera da próxima. Não foi um trabalho fácil.

Lembro de um concurso que fiz para o Banco do Brasil; o fiscal distribuiu o texto para ser datilografado. Ao sinal da campainha, todos desviraram a folha de papel e iniciamos a digitação. O fiscal, ao me ver parado, quis saber por que, e eu falei que já havia terminado. Ele pediu para que eu datilografasse outro, e outro, em sua frente. Foram três textos, e ele extasiado, olhando meu desempenho.

Assumi, em 1966, por concurso público, o cargo de Escriturário do IAPFESP, e logo fui indicado para Encarregado do Setor de Divulgação e Biblioteca, mais uma vez em função de minha habilidade com a máquina de datilografia. Os documentos eram encaminhados para mim, datilografados em uma novíssima IBM elétrica e em seguida esse material era rodado em um mimeógrafo Gestetner. Em seguida surgiria o offset para implementar qualidade e rapidez na composição do Boletim de Serviço Local, contendo todos os atos administrativos do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Ferroviários e Empregados em Serviços Públicos-IAPFESP no Rio Grande do Norte. Em 1966 – um mês depois de entrar para o serviço público federal – entrei no curso de medicina da UFRN, mas continuei trabalhando no instituto.

Em seguida, viria a fusão de todos os institutos e caixas de previdência. Para que se implementasse essa fusão, foi formado um grupo composto por cinco funcionários, todos indicados por serem excelentes datilógrafos. E lá estava eu, mais uma vez, no comando de uma IBM elétrica. Ali, muitas amizades foram feitas.

Minha habilidade datilográfica pontuou os momentos mais importantes da minha vida profissional, e aqui está posta para que as novas gerações percebam que a vida não é fácil e que, às vezes, um pequeno detalhe pode ser a diferença a seu favor.

Dom. Qualidade inata, natural; aptidão, talento. 

Pintura, música, canto, desenho, datilografia. Dom ou talento?

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Publicado por: Evaldo Oliveira | Junho 26, 2021

NA TRILHA DE ASCLÉPIO, O DEUS DA MEDICINA

Asclépio não era para ter nascido, visto que sua mãe, a ninfa Corônis, foi assassinada quando ele ainda se encontrava no ventre materno. Apolo, seu pai, tirou-o do útero antes que morresse junto com sua mãe, no que teria sido a primeira cesariana da História, no século VIII a.C.

O recém-nascido foi entregue a Quíron, o melhor e mais sábio de todos os centauros, para que o criasse e educasse. Quíron era um excelente médico, e ensinou a seu pupilo todos os meandros da cirurgia e da arte de curar. 

Quando adulto, e já excelente médico, foi acusado de retirar a clientela de Hades, o deus do submundo, ao ressuscitar alguns mortos. Hades exige que Zeus ordene seus ciclopes produtores de raios a fulminarem Asclépio. Apolo, enfurecido, sequestra os ciclopes de Zeus, e determina que ele o traga de volta ao mundo dos vivos, agora como um deus. Porém um mortal não poderia ser um deus, e ele retornou à vida como um semideus. 

Quíron também ficou encarregado de criar Jasão, aquele da expedição dos argonautas. Assim, Asclépio participou dessa expedição dirigida por Jasão. O objetivo era trazer de volta o Velocino de Ouro, a lã de ouro do carneiro alado Crisómalo, de Cólquida para que pudesse ter de volta o trono. Jasão foi para Argo, uma cidade na Península do Peloponeso, para construir sua nau. Em seguida, escolhe uma tripulação de heróis para acompanhá-lo no que seria conhecida como Expedição dos Argonautas. 

Asclépio sempre aparece com um cajado com uma serpente enrolada. A origem desse símbolo é muito antiga, anterior aos gregos. Na Mesopotâmia, há cinco mil anos, era usado um bastão com uma serpente como emblema de Ningizzida, o deus das pragas, da fertilidade e do matrimônio. 

Foi em Epidauro, a 180 km de Athenas, que foi criado o primeiro centro de cura da Grécia antiga. Esse centro era dedicado ao tratamento dos enfermos e à formação de iniciados. 

Na asclépia, o ponto principal da consulta era o ritual da incubação. Os doentes eram adormecidos com chás à base de ervas, no interior do templo sagrado, na esperança de que eles mesmos, à noite, descobrissem as razões que os fizera adoecer, e Asclépio viesse ter com eles em sonho, e indicasse a prescrição para a cura da sua doença. O próprio doente recebia a orientação que levaria à cura. O lugar onde o doente adormecia era chamado kemiterio – as pessoas pareciam estar mortas. Após a cura, o paciente escrevia seus sintomas e o tratamento determinado por Asclépio em uma tábua, colocava na sala dos votos, matava um galo em sinal de agradecimento e retornava para sua casa. O galo sacrificado em sua honra era o símbolo do raiar do sol, o astro regido por Apolo, o pai divino de Asclépio.

Asclépio. Retirado do útero materno para ser o deus da Medicina.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Publicado por: Evaldo Oliveira | Junho 19, 2021

ANESTESIA, DE EUFANE A LUCIANA

Luciana foi trazida para o hospital às pressas. Estava grávida de gêmeos, e de forma inesperada começou a sentir que a hora do nascimento de seu filho se aproximava, antes da data prevista. Constatada a iminência do parto prematuro, o obstetra tomou, de forma quase automática, as providências de praxe. Centro obstétrico avisado, equipe de enfermagem a postos, anestesista e neonatologista convocados. Em vinte minutos, um casal de recém-nascidos aconchegava-se à mãe, já disputando carinho e alimento.

No ano de 1591, em Edimburgo, Eufane, uma jovem mãe, acabara de dar à luz duas crianças, e tivera a imprudente idéia de pedir que lhe aplicassem algo para aliviar a dor. Por esse ato impensado, foi retirada à força de sua casa, arrastada e enterrada viva. A Igreja da época não admitia que a mulher tentasse escapar da dor do parto, pois assim fora determinado por Deus.

Meyer Friedman e Gerald W. Friedland, em seu livro As Dez Maiores Descobertas da Medicina, relatam: “No Hospital de Londres, construído em 1791, a sala de operações ficava no último andar. Do lado de fora da sala havia um sino; quando se estava pensando em realizar uma operação, tocava-se o sino, e todas as enfermeiras, médicos e ajudantes corriam para a sala de operações e fechavam a pesada porta para que os gritos do paciente não fossem ouvidos. Todos os funcionários do hospital ajudavam a segurar o paciente, que era amordaçado, se preciso”.  O cirurgião, pela falta da anestesia, tinha de ser rápido, alguns conseguindo a façanha de amputar um membro em menos de um minuto.

Somente no ano de 1772 o inglês Joseph Priestley descobriu o óxido nitroso, porém desconhecia suas propriedades anestésicas. Foi Humphrey Davy, farmacêutico, então com dezessete anos, que chamou o óxido nitroso de gás do riso, após inalá-lo e sair às gargalhadas. No ano de 1800, aos vinte e um anos, Davy publicou um livro detalhando as propriedades químicas, físicas e fisiológicas do óxido nitroso. Este produto foi utilizado por Davy em si próprio para aliviar a dor produzida pela erupção de um dente do siso.

A anestesia foi utilizada para fins cirúrgicos no ano de 1842, e o pioneiro foi o Dr. Crawford Long. Neste caso, a anestesia foi feita com éter, naquela época muito utilizado nas folias de éter e do gás do riso. Foi também Crawford Long quem, no ano de 1845, usou pela primeira vez a anestesia em um procedimento obstétrico. Duzentos e cinqüenta e quatro anos separaram a bárbara execução daquela pobre mãe inglesa deste ato anestésico.

No ano de 1847, o médico inglês James Young Simpson, na mesma cidade de Edimburgo, desafiou a Igreja Calvinista de Edimburgo, que se opunha ao uso da anestesia em obstetrícia, ao indicar e realizar procedimentos obstétricos utilizando-se da anestesia. Simpson era obstetra da rainha Vitória. Talvez por isso tenha escapado da fogueira. Ele e a paciente.

Anos depois, Simpson conheceu um produto químico chamado clorofórmio, fabricado pelo norte-americano Samuel Gutrie em 1831. Usou a nova substância em si próprio, e passou a utilizá-la nos partos que assistia. Foi Simpson quem utilizou o clorofórmio para fazer o parto de um filho da rainha Vitória, o príncipe Leopoldo, no dia 7 de abril de 1853. Atualmente, comemora-se o Dia Mundial da Saúde nesse dia. Tal como acontecera com o éter, o uso do clorofórmio foi sendo deixado de lado, devido a seus efeitos colaterais.

O óxido nitroso (protóxido de azoto, gás hilariante ou gás do riso), descoberto em 1772 pelo inglês Joseph Priestley e detalhado física e quimicamente no ano de 1800 por Humphrey Davy, ainda hoje é utilizado pelos anestesistas.

Entre o éter, o clorofórmio e as modernas substâncias anestésicas, passamos por uma substância ainda hoje utilizada, descoberta pelos índios da América do Sul e do Norte. Trata-se de uma mistura de suco de algumas plantas da floresta tropical – curare – que era colocada na ponta das flechas com a finalidade de paralisar o animal atingido. Em 1516 o efeito paralisante do curare foi descrito, mas somente em 1942, durante a Segunda Grande Guerra, o curare foi produzido em escala comercial e passou a ser utilizado como miorrelaxante, destravando os músculos, propiciando melhores condições para o trabalho do cirurgião.

De Eufane a Luciana, cinco séculos, muito trabalho, muita pesquisa, e um fosso escuro onde ecoam os gritos de uma pobre mãe, arrastada de casa e enterrada viva.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Publicado por: Evaldo Oliveira | Junho 12, 2021

MARQUÊS E POMBAL, O PRESTÍGIO DE UM HOMEM

Lisboa foi atingida por um terremoto em novembro de 1755, seguido de um grande tsunami. Muitos incêndios se sucederam, em face do uso do óleo nas luminárias. A violência tal que deixou a cidade com dois terços de sua área inabitáveis. Face ao acontecido, o Rei D. José I nomeou e concedeu plenos poderes a Sebastião José de Carvalho e Melo, o futuro Marquês de Pombal, que ocupou cargo homólogo a primeiro-ministro, tendo organizado o plano de reconstrução urbanística da cidade. 

Naquela época, Lisboa era uma cidade com ares medievais, cheia de ruas pequenas, sinuosas e sujas. O Marquês de Pombal criou leis que proibiram escravizar índios e reformou a Universidade de Coimbra, o Exército e a Marinha. Reorganizou as finanças do Estado, criou a Imprensa Real e a Escola de Comércio.

As reformas pombalinas chegaram ao Brasil, com a criação da Companhia do Grão-Pará e do Maranhão, criação da Companhia Geral de Pernambuco e Paraíba, a extinção definitiva das capitanias hereditárias, a elevação do Brasil a vice-reino de Portugal, a nomeação do Rio de Janeiro como nova capital da colônia, em substituição a Salvador, e a expulsão dos jesuítas.

Situada entre a Avenida da Liberdade e o Parque Eduardo VII, a Praça do Marquês de Pombal é hoje um dos logradouros mais importante da capital portuguesa. Inaugurada a 13 de maio de 1934, o Monumento ao Marquês de Pombal é constituído por um pedestal em pedra trabalhada, com 40 metros de altura. No alto, reina absoluta sua estátua em bronze. Sob a praça passa o Túnel do Marquês, extenso túnel rodoviário que liga a Avenida Fontes Pereira de Melo à autoestrada A5, com destino à região oeste de Lisboa.

A parte inferior da base encontra-se rodeada por diversas figuras alegóricas; ali, uma figura feminina – Lisboa reedificada – e três grupos escultóricos evocam as reformas levadas a cabo pelo Marquês de Pombal. A calçada em volta da praça está decorada com as armas de Lisboa.


A influência do Marquês de Pombal é tão forte que determinados trechos de Lisboa são considerados pombalinos e outros pré-pombalinos, em referência à época. Antes ou depois do Marquês de Pombal.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Publicado por: Evaldo Oliveira | Junho 5, 2021

CIDADE DO PORTO, ONDE O VINHO DA CASA DISPENSA TRADUTOR

Uma belíssima cidade para se conhecer, passear e esquecer das querelas da vida. Uma cidade com vinho servido na calçada, à margem do rio Douro. O charme é deixar o carro antes da ponte e atravessá-la a pé, para o lado de Vila Nova de Gaia. Aí, tendo à frente a cidade do Porto, você disporá de uma carta de vinhos do Porto com variadas opções, superando em muito tudo o que você imaginava. Uma sugestão: antes ou depois de se deliciar às margens do Douro, manda a prudência que se visite o Majestic Café, para não ficar com essa dívida turística.

Esta cidade deu nome a Portugal, desde duzentos anos antes de Cristo, quando era conhecida por Portus Cale, vindo mais tarde a ser elevada à categoria de capital do Condado Portucalense, de onde se originou Portugal. A cidade é  conhecida por seu vinho, por suas pontes, sendo seu centro histórico classificado com Patrimônio Mundial pela Unesco. A Universidade do Porto está colocada entre as cem melhores universidades da Europa.

No final da tarde, caso encontre um grupo de jovens fazendo barulho nas ruas, não se intimide. São estudantes na luta pelo que lhes é devido.

Cidade do Porto. Vinho do Porto. Barcos do Douro. Um brinde à vida!

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Publicado por: Evaldo Oliveira | Maio 29, 2021

POLÔNIA 1945. UMA EM CHICO, OUTRA EM FRANCISCO

Um jovem judeu de 20 anos é levado de trem para o campo de extermínio nazista de Auschwitz. Era abril de 1942, e ele imaginava estar fazendo o melhor para o seu futuro. Passa pelo portão principal, onde lê aquela famosa frase: “O Trabalho Liberta” – ARBEIT MACHT FREI.

Na chegada, a apresentação: “Sou o comandante Rudolf Hoess. Estou no comando aqui em Auschwitz. Os portões pelos quais os senhores acabaram de entrar dizem: O TRABALHO LIBERTA. Essa é sua primeira lição, a única lição. Trabalhem duro. Façam o que lhes disserem para fazer e sairão livres. Desobedeçam, e haverá consequências”. 

Lá, os horrores da falta de alimento, do tratamento desumano, das execuções por puro sadismo, os estupros, as experiências do louco Josef Mengele, os crematórios lotados, funcionando a todo vapor, o terror por 24 horas, todos os dias. A lembrança do dia em que entrou em uma sala, levado por um oficial da SS, e se deparou com muitos corpos empilhados uns sobre os outros, com os membros retorcidos, ainda o atormenta. Eram homens, jovens e velhos; crianças por baixo.

Do nada, três anos depois, um avião passa voando baixo, e todos ficam eufóricos com a possibilidade, ainda que remota, de libertação para aqueles que ainda estão vivos. O tempo passa, e certo dia percebem uma agitação dos oficiais nazistas para queimar documentos, em uma tentativa de destruir provas. Os russos chegavam para libertar.

O jovem se anima, o ataque começa. Era o dia 27 de janeiro de 1945. Bombardeios em terra, tumulto generalizado. Surpresos e apavorados, os nazistas atiram em qualquer um que passe em sua frente. Ao fim, a liberdade chegou para aquele jovem, depois de três longos anos de torturas, terror e sofrimento.

Aproveita a confusão e foge do campo de Auschwitz-Birkenau, dirigindo-se à mata fechada, trôpego pelo longo período de fome e sofrimento. Caminha em meio às árvores por alguns dias, os poloneses do campo sempre ajudando nessa desesperada empreitada. Naquele dia, oito mil prisioneiros foram libertados pelos invasores russos, a maioria em estado deplorável, face ao martírio que enfrentaram.

Enfim, uma estrada. O jovem caminha sem destino. De repente, do nada, um comando russo aparece. Os primeiros soldados ignoram o rapaz, que segue em sua louca fuga. Um oficial grita para que ele pare. Pergunta se ele fala russo; sim, ele fala russo e mais seis idiomas. “Achamos quem vai nos ajudar”, bradou o oficial, acomodando o jovem em um transporte militar e levando-o para o comando local.

O tratamento era o mesmo dos nazistas, com a diferença de que, ali, na sede do comando, uma maravilhosa mansão certamente confiscada, havia muita comida, joias caríssimas, de todos os tipos, bebidas, mulheres nas festas noturnas. Tudo para os oficiais de alta patente. A saída seria fugir para Bratislava. E assim o fez. Liberdade?

Os soviéticos combateram focos de insurgências internas com prisões ou execuções. Enviaram um milhão e setecentos mil poloneses para campos de concentração russos e para outras partes da URSS para realização de trabalhos forçados. 

Nazismo. Campos de concentração. Russos. Difícil escolher o pior.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico 

Um passeio pelo livro O Tatuador de Auschwitz, de Heather Morris

Publicado por: Evaldo Oliveira | Maio 15, 2021

BARCOS DO DANÚBIO

Quando criança, em Areia Branca-RN, que também tem um rio passando em frente à cidade, ficávamos impressionados com os iates embandeirados que adentravam o rio Ivipanim, deixando a meninada em polvorosa. 

De passagem pela Hungria, chegamos a Budapeste, a capital que de um lado do rio é Buda e do outro é Peste, cada um com seus encantos e seus palácios de requintada beleza. 

Se você gosta de barcos, Budapeste é um dos lugares certos para passear nos mais confortáveis e maiores que eu já vi. Barcos de passeio gigantescos, que parecem não ter fim, e barcos de carga, transportando a riqueza da União Europeia, desfilam pelo Danúbio, um maravilhoso rio de águas limpas.

Barcos do Danúbio. Reais, todos!

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Publicado por: Evaldo Oliveira | Maio 9, 2021

POLÔNIA, DO PAPA JOÃO PAULO II A AUSCHWITZ

Em 2008 viajávamos de ônibus pela Hungria e atravessamos a Eslováquia com destino à Polônia. Havíamos sido avisados no hotel de que a entrada na Polônia poderia ser tensa. Todos com passaporte na mão. 

A tensão aumentava com a proximidade com a fronteira. O guia nos avisa, com voz controlada: Mantenham-se calmos. Preparem-se para encarar soldados portando fuzis e metralhadoras. Não liguem para os tanques, rebatia. E a fronteira foi surgindo, nada de tanques. Aquele posto de controle, onde antes havia um bloqueio de guerra, estava livre. Era a nova Polônia.

Daí, com tempo livre, fomos para uma pequenina cidade chamada Budejovice, onde as pessoas – ao que nos pareceu – nunca tinham visto tantos turistas. Além do idioma, o tratamento rude no único restaurante nos amedrontou. Foi em Budejovice que teve origem a cerveja Budweiser, mas isso é outra história.

No centro de Cracóvia, onde Karol Wojtyla (Papa João Paulo II) foi bispo auxiliar entre 1958-1964, ouve-se, a cada hora fechada, ao invés da batida dos sinos, um clarim. Este evento é chamado na Polônia de Hejnal Mariacki (alerta de Mariacki) e o som afinado do topo da igreja Mariana invade as ruas da cidade, alertando turistas e moradores. Um bombeiro, do topo da torre, toca quatro vezes aquela música simples, uma para cada posição cardeal. 

O som do clarim cumpre uma tradição que remonta ao século XIII, determinando o fechamento dos portões da cidade. Em certa madrugada, tendo o guarda da muralha da cidade percebido o ataque dos tártaros, tocou o clarim para alertar os habitantes e os soldados da cidade sobre a invasão, tocando o Hejnal, mas foi interrompido ao ser atingido por uma flecha do inimigo.

Não se pode falar da Polônia sem mencionar o campo de extermínio de Auschwitz, um símbolo do terror, erguido em 1940, pelos nazistas, próximo à cidade de Oswiccim. Na foto abaixo, a entrada de Auschwitz, onde se lê, acima do portão ARBEIT MACHT FREI (O Trabalho Liberta). Era com essa falsa concepção que os prisioneiros eram acolhidos, imaginando que ali iriam trabalhar e cuidar dos seus filhos.

Para aliviar nossa tensão, fomos visitar a cidade onde João Paulo II nasceu, cresceu e foi batizado. Chegamos a Wadowice no meio da tarde, e nos sentamos para degustar um kremówka, o doce preferido do papa, até porque ninguém é de ferro. Wadowice fica a 50 km de Cracóvia, no sul da Polônia. 

Polônia. História de dor, luta e superação. E doce, no final.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN.

Publicado por: Evaldo Oliveira | Maio 1, 2021

ÓLEO DE CANOLA; O QUE É, DE FATO?

Quando se viaja de ônibus ou de trem por alguns países da Europa, percebe-se que ao largo das estradas uma plantinha amarela toma conta de quase todo o visual, e logo vai ouvir de alguém que aquilo é plantação de canola, uma plantinha de onde se extrai um óleo comestível.

Depois, com calma, pesquisando na internet, você descobre que não existe uma planta chamada canola, e que aquela plantinha amarela se chama colza, que existe na Índia há 4000 anos. E por que essa confusão entre colza e canola? As informações a seguir foram retiradas da internet.

O óleo de colza, em estado natural, contém ácido erúcico e glucosinolatos, que têm um certo nível de toxidade para os seres humanos, e por isso era utilizado para fins industriais. 

Estudos comprovaram que o ácido erúcico causava danos cardíacos a ratos, e que os glucosinolatos davam mau sabor ao óleo, tornando-o impossível de se consumir. Mais tarde, técnicas de análise genética teriam demonstrado que existe uma predisposição genética à intoxicação com óleo de colza desnaturado. 

Esse problema levou um grupo de estudiosos a selecionar sementes que contivessem uma quantidade menor dessas duas substâncias. Chegou-se a variedades que contém menos de 2% de ácido erúcico e menos de 30 micromoles de glucosinolatos por grama de componente sólido da semente seca ao ar. 

Com isso, hoje se produz óleo de canola completamente seguro para o consumo humano e animal, além de estar entre os mais saudáveis óleos derivados de plantas, tendo uma quantidade relativamente baixa de gordura saturada, ao tempo em que contém um alto teor de gorduras poliinsaturadas, sendo também usado como uma fonte de biodísel. 

Desde 1978, todos os óleos de colza canadenses, produzidos para uso alimentar, contêm ácido erúcico em nível inferior a 2%. Nos EUA, o FDA só permitiu que o produto fosse introduzido com níveis de ácido erúcico que não ultrapassem 1%.

Colza – Canadian oil – Canoil – Canola.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN.

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