Publicado por: Evaldo Oliveira | Maio 24, 2019

SABE QUEM FOI AUGUSTO SEVERO?

O aeroporto mais querido de Natal chama-se Augusto Severo. Uma cidadezinha do interior do Rio Grande do Norte, nascida com o nome de Campo Grande, teve seu nome alterado para Augusto Severo em 1903, porém o nome não caiu no gosto das pessoas. Somente neste ano de 2019, decorridos 106 anos, a cidade de Campo Grande retornaria ao seu nome original.

Afinal, quem foi Augusto Severo?

No dia 11 de janeiro de 1864 nascia em Macaíba, cidade vizinha a Natal, no Rio Grande do Note, Augusto Severo de Albuquerque Maranhão, inventor brasileiro que também foi político. Em 1880, Severo viajou para o Rio de Janeiro, onde iniciou seus estudos de engenharia na Escola Politécnica.  Projetou um dirigível – o Potyguarania -, cuja construção não chegou a ser iniciada.

Sua carreira política foi curta. Foi eleito deputado ao Congresso constituinte no ano de 1892, que organizou o Estado. No final de 1892, Augusto Severo recebeu um auxílio do governo para mandar construir na Europa um aeróstato dirigível, de sua invenção. A esse aeróstato deu o nome de Bartholomeu de Gusmão. Esse dirigível introduzia um conceito novo.  Era um aparelho semirrígido, em que o grupo propulsor estava integrado ao invólucro através de uma estrutura trapezoidal em treliça. O invólucro foi encomendado à Casa Lachambre, em Paris, especializada na construção de balões.

O balão, com cerca de dois mil metros quadrados, medindo sessenta metros de comprimento, chegou ao Brasil em março de 1893. Sua estrutura em treliça, inicialmente projetada para ser executada em alumínio, foi construída no campo de tiro de Realengo, no Rio de Janeiro, assim como a montagem de uma usina para a produção de hidrogênio. A falta do material para construção da estrutura fez com que o projeto fosse alterado, construindo a parte rígida em bambu.

Somente em 1894 o Bartholomeu de Gusmão realizou as primeiras ascensões, ainda como balão cativo, mostrando-se estável e equilibrado. Porém antes que o dirigível pudesse ser testado livre das amarras, uma forte tempestade destruiu o hangar e a aeronave.

Em 1902, Augusto Severo mandou construir um novo balão em Paris, com 31 metros de comprimento. Possuía dois motores, de 16 e 24 cv, instalados em uma estrutura leve, com duas hélices nas extremidades. Em uma experiência no dia 4 de maio de 1902, dez homens seguraram o balão com uma corda, enquanto as hélices estavam em funcionamento. Outro teste, realizado em 7 de maio, mostrou o funcionamento adequado dos vários mecanismos.

balao_pax

Finalmente, em um dia com boas condições climáticas, na manhã do dia 12 de maio de 1902, o PAX finalmente voou pelos céus de Paris, com destino a Issi-les-Moulineaux. Logo depois da bem sucedida decolagem, um dos motores parou quando o balão estava a 400 metros de altitude, seguindo-se uma explosão que resultou na morte de Augusto Severo e do mecânico Georges Saché. Os destroços da aeronave caíram na Avenue du Maine.

No dia 23 de outubro de 1906, em Paris, Santos Dumont fazia uma exibição pública de um voo do l4-Bis.

Augusto Severo, inventor brasileiro.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Maio 10, 2019

VISITAS NO QUINTAL

Neste domingo 28 de abril, algo chamou minha atenção no quintal.  Um barulho estranho, entre esganiçado e rouco, que lembrava o barulho de um rói-rói ou de uma fechadura enferrujada de um portão. Saí e fiquei atento, espalhando minha limitada audição pelas árvores. De repente, mais um canto rouco.

Flagrei um tucano exibindo-se no alto de uma palmeira, alheio às encrencas dos filhos do presidente com o seu vice. No duro, no duro, lembrava um xingamento. Não sei para quem.

TucanoSó consegui realizar uma foto, e o tucano se foi, tentando equilibrar-se com seu enorme bico amarelo. Partiu na direção da Granja do Torto, hoje residência de finais de semana dos presidentes da república. Desconheço a sua intenção.

Ao lado, um grupo de saguis chamava a atenção, saltando dos galhos repletos de frutos de um abacateiro.

Sagui

Venho de uma pequena cidade localizada na esquina do mundo, maior produtora mundial de sal marinho, e lá não há nem tucanos nem saguis. Esse privilégio, em plena capital da república, pode parecer estranho para um europeu, acostumado com a falta de animais silvestres em áreas urbanas.

Um tucano. Um xingamento rouco.

Um grupo de saguis; capital com cara de campo.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Publicado por: Evaldo Oliveira | Maio 3, 2019

A DOENÇA DA MÃE DO ADONIAS

Adonias, garoto esperto, com 9 anos de idade, acompanhou sua mãe ao médico. É que ela apresentava dores quando tentava erguer algum peso ou movimentar os braços. Toda a parte de cima do seu corpo doía nessas oportunidades.

Saíram de casa cedo, pois o atendimento no centro de saúde obedecia fielmente à ordem de chegada. Seguiram para confirmação da consulta no guichê e dali os dois foram encaminhados para o local dos pré-exames. Uma picada no dedo e a confirmação dos níveis glicêmicos; um aparelhinho no braço e a pressão arterial estava aferida.

Sala de espera. Não demorou e a mãe de Adonias foi chamada pelo médico. Ali, contou sua estória sobre os sofrimentos do dia a dia, em especial sua dificuldade com a movimentação do braço direito.

O médico examinou, pediu para que ela erguesse um braço, em seguida o outro.

Uma pequena martelada no joelho e a perna da mãe de Adonias se ergueu em um salto para diante. Adonias de olho fixo em tudo.

Ao sair, levando consigo o pedido de uma radiografia do ombro direito, a mãe de Adonias estava com o espírito relaxado. O médico dissera que seu problema não tinha nada de grave, e que aguardaria o resultado daquela radiografia, que era o único exame de imagem existente no local.

Adonias estava inquieto, ansioso, e finalmente falou para a mãe:

– Mamãe, tem uma coisa estranha com a sua doença. Mesmo de longe, consegui ler o que aquele médico escreveu. Sei que a senhora não vai gostar, mas eu vou falar: ele escreveu no seu prontuário Síndrome do Mosquito Roncador. Acho que temos que saber que doença é essa.

Desconfiada, a  mãe de Adonias fez a radiografia que o médico havia solicitado e retornou para a consulta.

O médico pôs a radiografia no negatoscópio, expressando em seguida um ar de satisfação. O diagnóstico era o que havia pensado, apesar de o exame não ser o mais indicado para aquele caso.

Adonias tremeu na cadeira, e pensou: então foi confirmada aquela doença do mosquito roncador.

– Vamos tentar uma série de sessões de fisioterapia, para ver se conseguimos debelar esse seu desconforto – falou o médico. Caso não tenhamos um resultado satisfatório com a fisioterapia, restará a cirurgia.

Na saída, a mãe do garoto encheu-se de coragem e perguntou:

– Doutor, qual é a minha doença?

– A senhora tem uma doença chamada Síndrome do Manguito Rotador, que é uma lesão nos tendões que fazem parte do ombro, e ajudam em sua estabilização. Esse grupo muscular trabalha quando se erguem os braços sobre a cabeça, por exemplo.

Adonias abaixou a cabeça e suspirou de satisfação.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Publicado por: Evaldo Oliveira | Abril 26, 2019

DiSLeXiA – NO FIM DO TÚNEL, UMA LUZ

A Associação Brasileira de Dislexia conceitua este distúrbio como um transtorno do desenvolvimento específico de aprendizagem, de origem neurológica, que se caracteriza por dificuldade no reconhecimento preciso e/ou fluente da palavra, na habilidade de decodificação e em soletração.

Como podemos deduzir, não se trata de uma doença, mas de uma dificuldade de aprendizagem na qual a capacidade da criança para ler ou escrever está abaixo do seu nível de inteligência.

O Correio Braziliense publicou, no segundo semestre de 2018, um artigo com o título Problemas Nos Olhos Pode Ser a Origem da Dislexia, abordando um estudo que cientistas franceses publicaram na revista Proceedings of the Royal Society B.

Nesse estudo, os cientistas descobriram uma possível causa da dislexia. Comparando 30 estudantes de um grupo disléxico com outro de não disléxicos, eles detectaram que, no grupo dos não disléxicos, há diferenças na forma e nos mecanismos de células oculares receptoras de luz, envolvidas na visão.

Em indivíduos sem a disfunção que compromete a leitura, as células oculares receptoras de luz não têm a mesma forma em ambos os olhos, ou seja, são assimétricas. No caso dos disléxicos, há simetria dessas estruturas, segundo a análise feita nos 30 voluntários.

Os cientistas descobriram que, quando uma pessoa vê uma imagem, o cérebro escolhe o sinal enviado pelo olho dominante– o ser humano tem um olho que prevalece sobre o outro – para recriá-la. No caso dos disléxicos, a simetria impede o cérebro de escolher entre os sinais enviados pelos olhos, o que explicaria a confusão que esses indivíduos fazem ao ler e escrever.

Descobrimos que há um intervalo de tempo entre a imagem primária (vista pelo olho) e a imagem-espelho (recriada pelo cérebro). Isso nos permitiu desenvolver um método para borrar a imagem-espelho, que confunde tanto os disléxicos, utilizando uma lâmpada LED, explicou.

O tratamento experimental foi feito com o uso de uma lâmpada LED piscando de forma extremamente rápido, invisível, não identificada a olho nu, na frente do paciente. Dessa forma, pôde-se cancelaruma das imagens no cérebro de disléxicos durante a leitura. Os testes iniciais resultaram em melhora no desempenho dos voluntários, mas os investigadores ressaltam que novos estudos são necessários para confirmar a eficácia do método.

Determinação do olho dominante

O dominante

Estique os dois braços à frente

  • Faça um triângulo sobrepondo as mãos, mantendo um espaço aberto entre os polegares e os indicadores;
  • Foque este espaço em um objeto qualquer, um pouco distante;
  • Feche um dos olhos;
  • Se você ainda vê o objeto, o olho dominante é o que ficou aberto. Se não o visualizar mais, o olho dominante é o que ficou fechado.

Dislexia. Uma luz piscando no fim do túnel.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN                                               Obs. O texto pode ser acessado no Google (Proceedings of the Royal Society B)

 

 

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Abril 19, 2019

LEGISLADORES TROPEÇANDO EM SI MESMOS

A Câmara Legislativa do Distrito Federal é famosa pela reiterada aprovação  de leis inconstitucionais, e por ter um dos mais elevados custos de manutenção do Brasil. Em Brasília, as pessoas chegam a fazer pouco caso dos projetos que ali são aprovados, pela frequência de tropeços legislativos e os elevados gastos com os deputados distritais. A manchete a seguir embala todo o descontentamento das pessoas do Distrito Federal: Justiça Derruba 77% de Leis Aprovadas Pela CLDF e Questionadas Pelo MP.

Em outras cidades, porém, os tropeços acontecem por desatenção, pouco caso em relação aos anseios do povo ou por falta de conhecimento, de escolaridade.

Em Serra Caiada, município do Rio Grande do Norte criado em 24 de novembro de 1953,  houve um duplo imbróglio legislativo. O nome da cidade homenageia uma serra de 285 metros de altitude; o termo Caiadase deve à coloração dessa serra, cuja rocha é esbranquiçada.

Em dezembro de 1963, decorridos apenas dez anos de sua fundação, o nome da cidade foi mudado para Presidente Juscelino, no que seria uma homenagem ao último estadista a governar este país. Porém o novo nome não foi bem aceito, e a população passou a exigir o retorno ao antigo nome de Serra Caiada. Isto de fato aconteceu no dia 24.11.1994, quando foi decretado o retorno ao antigo nome da cidade.

Porém outro imbróglio surgiria em sequência: é que a cidade deveria se chamar Juscelino Kubistchek. Acontece que, em meio às turbulências que marcaram o dia de aprovação da mudança do nome, os vereadores se reuniram para que fosse definida a grafia correta do segundo nome do ex-presidente. Face à dificuldade, o nome da cidade ficou definido como Presidente Juscelino. Mais fácil de escrever. E de pronunciar.

Areia Branca, a cidade em que nasci, localizada bem na esquina do mundo, no Rio Grande do Norte, de frente para a África, carrega em sua história um imbróglio que se assemelha ao de Serra Caiada. No dia 16 de fevereiro de 1892, a povoação teve sua categoria elevada para Vila de Areia Branca. Em 22 de outubro de 1927, decorridos 35 anos de sua emancipação política, a vila foi elevada à categoria de Cidade de Areia Branca.

Um jovem historiador local – Gibran Araújo – descobriu um engano nas datas que marcam a emancipação política e a criação do município. É que no ano de 1987 foi sancionada a lei que decretou como feriado municipal o dia 22 de outubro, em alusão ao aniversário da cidade de Areia Branca. Na verdade, essa data se refere ao dia em que a vila foi elevada à categoria de cidade, e não ao dia em que o município foi propriamente emancipado de Mossoró, completa o jovem estudioso.

Em Brasília, o descompromisso com a função de legislar. Estupidez coletiva.

Em Serra Caiada, a vontade do povo.

Em Areia Branca, equívoco que se eterniza.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN.

Publicado por: Evaldo Oliveira | Abril 12, 2019

ISSO DENTRO DO MEU OLHO (?)

José sofre de glaucoma há muitos anos, e usa as medicações prescritas pelo seu médico oftalmologista. Já se informara na internet, e sabia que glaucoma é uma doença ocular caracterizada por alteração do nervo óptico que leva a um dano irreversível das fibras nervosas e, consequentemente, perda de campo visual. Essa lesão pode ser causada por um aumento da pressão ocular ou uma alteração do fluxo sanguíneo na cabeça do nervo óptico (Wikipédia).

Por duas vezes chegou a fazer cirurgia para tentar baixar a pressão que teimava em se manter alta em seus olhos (pressão intraocular). Sabia que existem dois tipos da doença, sendo mais comum o glaucoma de ângulo aberto, mas existe o glaucoma de ângulo fechado. Não entendia a diferença, porém o médico lhe disse que o seu era o de ângulo aberto.

Tendo em vista que a cirurgia a que se submetera – trabeculectomia – não havia sido eficiente em baixar sua pressão intraocular, o médico lhe indicou uma nova cirurgia, cujo pagamento poderia ser coberto por seu plano de saúde. Depois de algumas explicações, o oftalmologista ofereceu-lhe um folder com os detalhes técnicos, as especificações e a fotografia do pequeno aparelho que seria colocado em seu olho, junto à íris. Isso pode ser colocado dentro do olho?– pensou.

O objetivo é que aquele aparelhinho construído de titânio (não ferromagnético) abra uma passagem para que o líquido do seu olho passe de um lado para o outro da íris, e com isso trazer alívio para sua pressão ocular aumentada.

Stent

Dois stentsDois stents

Em casa, a leitura daquele material o introduziu no mundo do micrômetro e nas estruturas da dimensão nano, onde pululam as coisas nos níveis do invisível. De quebra, era-lhe oferecida a oportunidade de ser um dos primeiros brasileiros a se utilizar do menor dispositivo médico conhecido a ser implantado em humanos.

Ele dedicou um tempo especial para as medidas do aparelho quase invisível a olho nu, que media, em comprimento, menos da metade de um milímetro, isto é, 0,4 mm, e 0,3 mm em sua base. E verificou que essas medidas tornam o aparelho um gigante, se considerado o mundo nano.

E a dúvida: o plano de saúde vai pagar por esse implante?

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Abril 5, 2019

ENCONTROS AMOROSOS FRUSTRADOS PELA MÚSICA

Mililo precisava encontrar-se com Lailira à noite, como era a rotina do casal. Sem Whatsapp para o acerto dos contatos, escolheram uma frequência de igual intensidade para emissão dos seus sinais, e à noite os dois entregavam-se à  esbórnia, em um conluio silencioso com a escuridão.

Acostumado com aquela forma de marcação de seus encontros, naquela noite Mililo saiu de casa todo cheiroso, na certeza de encontrar Lailira para, juntos, desfrutarem das delícias do amor.

Porém havia algo de errado no ar. Mililo percebeu que o som do ambiente estava muito estranho, dificultando o encontro da frequência acertada com Lailira. Logo desconfiou de que o problema talvez fosse causado pelo som executado em uma festa rave que acontecia em um local próximo dali. Aquele som estava deixando Mililo confuso, sem interesse sexual e sem apetite. Havia algo de errado com aquele som, concluiu. Sem conseguir comunicar-se com Lailira, Mililo voltou para casa. Triste e macambúzio, o jovem foi dormir cedo.

No dia seguinte, ao se encontrar com Lailira, sua amada tinha a mesma ideia: o som daquela festa continha algo que os transtornava e os deixava confusos.

Hoje, dia 5 de abril de 2019, Mililo tomou conhecimento do resultado de uma pesquisa da Universidade Malaysia Sarawak . Estupefato, leu que o som emitido pelos mosquitos decorre do batimento de suas assas, e possui uma frequência específica tanto para os machos quanto para as fêmeas. Para a cópula, essas frequências podem ser alteradas e acertadasentre machos e fêmeas, para que entrem em uma sintonia.

No texto, compreendeu que as antenas dos mosquitos funcionam como órgãos sensoriais que percebem vibração e são sensíveis a ondas sonoras. Na pesquisa, os cientistas criaram dois ambientes: um com e outro sem música, e compararam as taxas de visitação, alimentação e reprodução dos mosquitos em cada um. A música eleita para a pesquisa foi Scary Monsters and Nice Sprites, do produtor musical Skrillex, norte americano produtor de música eletrônica do gênero dubstepe trap. As fêmeas de Aedes expostas à música visitaram o ambiente mais tarde que o normal, em número menor de vezes, e também se alimentaram menos. Além disso, copularam menos do que os mosquitos no ambiente sem música. Era tudo que Mililo não queria.

Irritado, cabisbaixo, Mililo retornou a seus aposentos com uma ideia fixa: como destruir esse tal de Skrillex. E tomou uma decisão: entraria em contato com seus amigos do norte da Califórnia, onde mora o agora DJ Skrillex, para produção de um grande movimento dos mosquitos americanos, que ficariam encarregados de zoar todas as noites em seus ouvidos, até que uma barganha fosse conseguida, e que ele parasse com essas músicas malucas. Ali, todo o peso da família Culicidae.

É esperar para ver.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Publicado por: Evaldo Oliveira | Março 29, 2019

PORTÃO DE BRANDEMBURGO, de porta da cidade a instrumento da guerra fria

Inicialmente construído sobre uma porta da cidade, o Brandenburger Torseria reconstruído no final do século XVIII como um arco do triunfo. Localizado na parte ocidental do centro de Berlim, o Portão de Brandemburgo é hoje a entrada monumental para a avenida Unter den Linden , que antigamente era a via que levava diretamente ao Palácio da Cidade dos reis da Prússia.

O Portão de Brandemburgo foi encomendado pelo rei Frederico Guilherme II da Prússia, e construído entre 1788 e 1791. Durante a Segunda Guerra Mundial, o local foi bombardeado, sendo totalmente restaurado entre os anos de 2000 e 2002.

No pós-guerra, quando a Alemanha foi dividida, o Portão ficou do lado oriental, tornando-se isolado e inacessível, bem ao lado do Muro de Berlim, que passava por aquela área. Ali, serviu de local para grandes eventos históricos, e hoje é símbolo da história da Europa e da Alemanha.

Por estar no lado oriental, o Portão foi usado pelos nazistas como instrumento de propaganda, ficando posteriormente abandonado, quase em ruínas, na divisa entre as duas Alemanhas. Em 22 de dezembro de 1989, o Portão foi reaberto ao tráfego, readquirindo o seu status de símbolo de união.

portao-de-brandemburgoEsta foto foi feita em plena época da guerra fria

No alto do Portão de Brandemburgo foi instalada uma quadriga, em 1793. Treze anos depois, em 1806, Napoleão Bonaparte invadiu Berlim. Para simbolizar a dominação francesa, em dezembro do mesmo ano Napoleão mandou a quadriga para Paris, de onde retornaria a Berlim no ano de 1814, quando recebeu uma cruz de ferro e uma águia prussiana, passando a significar a vitória, deixando de ser um símbolo de paz.

Portão hoje

Portão de Brandemburgo. Hoje, paz, beleza, harmonia.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Março 22, 2019

ENCONTRO NACIONAL PARA DEFESA DAS VOGAIS

Notava-se uma movimentação silenciosa nos bastidores da Associação Brasileira Para a Defesa das Vogais. Em suas reuniões mensais, elas, as vogais, discutiam a procedência dos acentos circunflexos, agudos, as crases, os tremas, os encontros vocálicos. Em pequenas reuniões paralelas, duas vogais – O e U – se reuniam em uma biblioteca, às escondidas, com o objetivo de preparar um movimento de protesto.

Esse movimento, que inicialmente seria para a defesa de seus direitos, poderia se estender em um crescente, podendo chegar a um boicote. Essas duas vogais – O e U, maiúsculas, por favor -, poderiam, a partir de então, não mais se oferecer para formação de frases e orações, impedindo, assim, que a escrita tenha condições de continuar, por falta do O e do U.

Sem entender a ameaça do boicote determinado pelas duas últimas vogais, as três outras – a, e, i – convocaram uma reunião extraordinária para que a questão fosse discutida em sessão plenária. Ali, os motivos da pretensa revolta poderiam ser postos em discussão, para um eventual equacionamento. Afinal, as vogais iniciais sequer tinham noção dos motivos daquele movimento.

Iniciada a reunião, as duas últimas vogais chamaram a atenção para o fato de que os verbos da língua portuguesa possuírem três conjugações: a primeira trata dos verbos terminados em “ar” (cantar, falar, amar, dançar etc.); a segunda, dos verbos terminados em “er” (bater, comer, ver, ler etc.), e a 3ª conjugação, que corresponde aos verbos terminados em “ir” (partir, abrir, rir, sorrir, interferir).

As vogais iniciais se entreolharam com cara de estranheza, especialmente no momento em que o O e o U indagaram: Onde ficaremos nós, nessa estranha classificação? Não queremos fazer parte de apêndices de outras conjugações.

Ao final dos debates, foi promulgada a Resolução Normativa 02/2018, onde se explicitam as linhas para implementação de uma nova classificação para as conjugações verbais, aí incluídos os verbos terminados em OR. Com relação aos verbos terminados em UR – se é que existem -, o questionamento continuará, na esperança de uma de solução. Um novo encontro foi devidamente agendado, com a anuência de todas as 26 letras do nosso alfabeto, com exceção do y.

Afinal, o Y seria vogal, semivogal, consoante ou semiconsoante? Nova crise?

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Março 15, 2019

AS AVENTURAS DE TESEU, aquele do Minotauro

A história aparentemente é simples. Minos, antes de ser o rei de Creta, na Grécia, tentou enganar o deus Poseidon, sacrificando um touro comum no lugar de um belo touro que sairia do mar. Poseidon, para se vingar, fez com que a esposa de Minos se apaixonasse pelo touro branco, e dessa paixão nasceria o Minotauro, com corpo de homem e cabeça e cauda de touro.

O rei contratou Dédalo, pai de Ícaro, para construir um complicado labirinto na cidade de Cnossos, para aprisionar o Minotauro. Atenas, como tributo, pagaria com sete rapazes e sete donzelas para alimentar a fera. Por ocasião da terceira remessa de jovens, Teseu, um forte e belo rapaz, se ofereceu como uma das vítimas, decidido a matar o Minotauro, o que só foi possível com a ajuda de Ariadne, a bela filha de Minos. Ariadne lhe entregou um novelo de lã para que, no momento da saída, não se perdesse no emaranhado de caminhos do Labirinto. O processo de saída foi mais calmo, e Teseu conseguiu recuperar algumas pessoas que estavam perdidas no interior do Labirinto.

Porém Teseu não era um jovem qualquer. Era filho de Egeu e Etra; esta, filha do rei de Trezena. Dessa união nasceu um menino que cresceu vigoroso, inteligente e forte. Quando Teseu chegou em Atenas, já era conhecido por seus feitos.

Ao retornar de Atenas, encontrou seu pai morto, e assumiu o poder do rei. Teseu organizou um governo democrático, fazendo leis sábias e úteis para o povo. Ao perceber que tudo corria bem com os atenienses, o jovem rei partiu em busca de novas aventuras.

Teseu. Um jovem de origem nobre se oferece para enfrentar o Minotauro, com a ajuda de uma bela jovem, filha de um rei. No final da história, um rei exemplar a governar Atenas.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

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