Publicado por: Evaldo Oliveira | Janeiro 18, 2019

INTUSSUSCEPÇÃO, VOLVO, TOALETE OROFARINGOTRAQUEOBRÔNQUICA

O volvo, ou nó no intestino, é um evento grave, em que ocorre a torção de parte do intestino, provocando obstrução e bloqueando o fluxo sanguíneo para o local. Este evento tem como sintomas náuseas, vômitos, dor e inchaço na barriga.

A intussuscepção intestinal é uma condição grave na qual uma parte do intestino desliza para dentro de outra, como as partes de um tripé fotográfico retrai sobre a outra parte. Pode interromper a passagem de sangue para essa porção do intestino e causar uma infecção grave, obstrução, perfuração do intestino ou até morte dos tecidos. A intussuscepção é mais comum em crianças até três anos, e causa sintomas como vômitos intensos, barriga inchada, dores fortes, diarreia e sangue nas fezes.

Estas duas palavras estranhas vieram à tona quando tomamos conhecimento de que um rapaz de Alagoasmorreu ao ser acometido, pelo que se comenta, de um volvo intestinal ao não liberar a eliminação de flatos (puns) depois de almoçar na casa da namorada.

Outra expressão que nos causa estranheza é toalete orofaringotraqueobrônquica quando queremos dizer que alguém está gargarejando forte, como ocorreu com Megriv, estudante de Fisioterapia, em suas matinais limpezas das vias aéreas, quando gritava o seu tradicional ARRGHRRAARRBRRR no interior do banheiro todas as manhãs, pondo em alvoroço os moradores do prédio em que morava, conforme contado na crônica Os Gargarejos Matinais de Megriv, publicada neste blog em agosto de 2010.

O caso do rapaz de Alagoas, de fato, está mais para infarto agudo do miocárdio que para uma torção do intestino (volvo). A intussuscepção está descartada, ao que parece. Quanto a Megriv, espero que nunca em minha vida eu venha a ter um vizinho assim, preocupado com sua toalete matinal diária, a que chama de toalete orofaringotraqueobrônquica.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Janeiro 11, 2019

ASTRID, UMA TRAGÉDIA REAL

Na estrada que liga Zurique a Lucerna há uma igreja, na verdade, uma capela em homenagem à rainha Astrid da Bélgica. E você fica curioso. Quem teria sido a rainha homenageada com essa capela?

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No dia 17 de novembro de 1905 nascia na Suécia Astrid Sofia Lovisa Thyra. Filha do príncipe Oscar Carlos da Suécia, irmão do rei Gustavo, recebeu uma formação de grande liberdade, sem a costumeira educação espartana que acontecia na Grã Bretanha. Seus pais queriam que Astrid e suas irmãs Marta e Margarida tivessem a mesma aprendizagem que qualquer menina burguesa. Aprenderam a cozinhar, cozer e tratar de crianças. Astrid, a mais nova das três irmãs, formou-se em Puericultura pela Universidade feminina de Upsala.

Astrid conheceu aquele que viria ser marido em um dos encontros entre famílias europeias. Em março de 1926, depois de algumas semanas de convívio, Leopoldo e Astrid sentiram-se atraídos um pelo outro. Ele, o príncipe herdeiro da Bélgica, filho de Alberto I e da rainha Isabel. Leopoldo era bonito, inteligente, simpático e rico. Os dois se amaram como se podia amar naquele tempo. O casamento foi primeiro uma cerimônia civil em Estocolmo, no dia 4 de novembro de 1926. A noiva era da religião luterana e o noivo era católico.

Ao visitar a Exposição Internacional de Bruxelas, em 1935, o rei comprou um belo automóvel, um Packard cupê. Em agosto desse mesmo ano, o casal real instalou-se com os filhos em uma pequena comitiva numa aldeia suíça para praticar alpinismo. No dia 29 de agosto o casal real, acompanhado por amigos que viajavam em outro carro, partiram para as montanhas com o intuito de praticar seu desporto preferido. O motorista e a dama de companhia da rainha viajavam no banco de trás. Astrid, com um mapa na mão, seguia o itinerário e dava indicações ao marido dos locais onde gostava de parar para apreciar a paisagem. Em um gesto impensado, a rainha, virando-se para o marido, mostra-lhe algo no mapa e este, num segundo de distração, perde o controle do carro e vai de encontro a uma árvore, em que abalroa de forma violenta. O corpo de Astrid da Bélgica é brutalmente projetado, partindo o vidro com a cabeça, e seu corpo cai ensanguentado, tendo morte instantânea. O rei Leopoldo e os outros ocupantes do carro tiveram ferimentos leves.

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No seu enterro estiveram presentes monarcas e príncipes, além de chefes de Estado, mas a grande e comovente homenagem, que ela teria apreciado, foi prestada pelos mineiros, que ela protegera, e que fizeram questão de desfilar envergando suas roupas de trabalho, com os típicos lenços vermelhos ao pescoço; nas mãos, as lâmpadas acesas das lanternas com que desciam às minas.

Uma rainha, uma capela. A homenagem de um povo.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

 

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Janeiro 4, 2019

O AZULEJO, DO EGITO A SÃO LUÍS DO MARANHÃO

O azulejo existia na antiguidade, no Antigo Egito e na Mesopotâmia, alastrando-se com a expansão islâmica para a Península Ibérica no século XIV pelos mouros, que levaram consigo o termo atual. Em sua permanência na Península Ibérica, a produção de azulejos se desenvolve na Espanha, em especial em Sevilha, Málaga, Valência e Talavera de la Reina. Os mosaicos serviam para ornamentar paredes dos palácios nas terras conquistadas, traduzindo um complexo jogo geométrico em brilho e ostentação.

Os artesãos simplificaram a técnica mourisca, que exigia muito tempo, e trataram de adaptar os padrões ao gosto ocidental. Nos finais do século XV, surgiram em Sevilha os primeiros exemplares usados em Portugal, e serviram para revestir as paredes de palácios e igrejas. Em Lisboa, os azulejos somente surgiriam setenta anos depois, em 1560, em oficinas de olaria que utilizavam técnica importada da Itália (faiança). Hoje, em Portugal, os azulejos estão nas casas, nas ruas, praças e monumentos, nas igrejas, palácios.

Na cidade do Porto, a Capela das Almas ou Capela de Santa Catarina ainda nos encanta com seus azulejos. Essa construção atual remonta aos finais do século XVIII.

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Na época do Brasil colônia, os portugueses trouxeram os azulejos em navios, para ornamentação de igrejas e casas, replicando o que fizeram os mouros ao invadir a Espanha.

Porém o primeiro registro da azulejaria brasileira data de 1620/1640, quando vieram de Portugal peças de cerâmica vidrada para ornamentar o Convento de Santo Amaro de Água Fria, do Engenho Fragoso, em Olinda. No ano de 1737 chegam ao Brasil, vindos de Portugal, os magníficos painéis da capela mor do Convento de São Francisco, na Bahia.

Somente no século XVIII os azulejos portugueses começaram a chegar à capital do Maranhão, para enriquecimento da estética de prédios comerciais e de casas mais abastadas da cidade.

Ainda hoje, no Centro Histórico de São Luís, é possível observar azulejos em bom estado de conservação, revestindo paredes de casas e lojas, assim como painéis de azulejos que existem em vários locais da cidade, a exemplo do que acontece em Portugal.

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EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Dezembro 28, 2018

ASSIM PENSAVA HIPÓCRATES, O PAI DA MEDICINA

Os aforismos hipocráticos retratam o pensamento livre de um homem nascido no ano de 460 a.C. Hipócrates teve como contemporâneos alguns dos filósofos mais importantes da História da Humanidade – Demócrito, Sócrates, Diógenes de Sinope, Platão, Heráclito de Éfeso e Aristóteles.

Nascido na asclépia de Cós, na Grécia, filho de pai médico, Hipócrates começou a estudar o que os pacientes escreviam nas tábuas votivas, ao deixarem a asclépia depois de curados. Com esse trabalho, o médico de Cós elaborou as máximas da Alopatia – Contraria Contrariis Curentur(o contrário curando o contrário) assim como as da Homeopatia – Similia similibus curentur (o semelhante curando o semelhante).

Contemporâneo dos mais prestigiados filósofos gregos, Hipócrates construiu os Aforismos, pensamentos que orientaram sua prática médica e seu modo de vida.

Que a comida seja teu alimento e o alimento tua medicina

 Tuas forças naturais, as que estão dentro de ti, serão as que curarão tuas doenças

 A vida é curta, a arte é longa, a oportunidade é fugaz, a experiência enganosa, o julgamento difícil

 Nem a sociedade, nem o homem, nem nenhuma outra coisa deve ultrapassar os limites estabelecidos pela natureza

 Aos doentes, tenha por hábito duas coisas – ajudar, ou pelo menos não produzir danos (Primum non nocere)

 Há uma circulação comum, uma respiração comum. Todas as coisas estão relacionadas

 A febre da doença provoca o próprio corpo; a do amor, o corpo do outro

 Tudo acontece conforme a natureza

 A cura está ligada ao tempo e, às vezes, também às circunstâncias

 Tuas forças naturais, as que estão dentro de ti, serão as que curarão tuas doenças

 Os jovens de hoje não parecem ter respeito algum pelo passado, nem esperança alguma para o porvir

 Há, verdadeiramente, duas coisas diferentes: saber e crer que se sabe. A ciência consiste em saber; em crer que se sabe está a ignorância

 Os homens deveriam saber que é do cérebro, e de nenhum outro lugar, que vêm as alegrias, as delícias, o riso e as diversões, e tristezas, desânimos e lamentações

 Os homens pensam que a epilepsia é divina meramente porque não a compreendem. Se eles denominassem divina qualquer coisa que não compreendem, não haveria fim para as coisas divinas

 A arte é longa, a vida é breve

 Para os males extremos, só são eficazes os remédios intensos

 A guerra é a melhor escola do cirurgião

 Não darei veneno a ninguém, ainda que me o peça, nem lhe sugerirei tal possibilidade

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Aforismo é um gênero textual ou uma obra deste gênero caracterizado por sentenças breves que possuem uma definição de um preceito moral ou prático. A palavra aforismo foi utilizada pela primeira vez nos Aforismos de Hipócrates.Wikipédia

 

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Dezembro 20, 2018

COLONIA DEL SACRAMENTO

Saindo de Buenos Aires com destino ao Uruguai, há duas opções. A primeira e mais prática, para quem tem bagagem, é voar até Santiago do Chile e tomar um avião para Montevidéu. A segunda opção é sair da capital da Argentina e viajar cerca de 150 quilômetros de barco e aportar em Colônia do Sacramento, cidade uruguaia que fica na foz do rio da Prata.foz-rio-da-prata

O Rio da Prata, de fato, é um grande estuário, formado pela desembocadura dos rios Paraná e Uruguai no Oceano Atlântico. De uma forma bela e democrática, o Rio da Prata banha as cidades de Buenos Aires e Montevidéu, ao tempo em que separa a fronteira de Uruguai e Argentina.

Colônia do Sacramento é uma cidade do Uruguai, fundada em janeiro de 1680, pelo Governador da Capitania Real do Rio de Janeiro, a mando do Império Português, com o objetivo de estender as fronteiras de sua colônia até o Rio da Prata. O Centro Histórico desta bela cidade é reconhecido como Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

A seguir, a cidade-patrimônio em quatro fotos.

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Primeiras ruas

Rua com calçamento português, com escoamento no centro.

Praça de Touros

Praça de touros, detalhe

Colônia do Sacramento, um Patrimônio da Humanidade que merece uma visita.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Dezembro 14, 2018

GINJA EM PORTUGAL, onde e como tomar

Na crônica Um Mistério À Portuguesa, falei que a Ginjinha é um licor obtido pela fermentação da ginja, uma frutinha parecida com a cereja, e que os ingredientes tradicionais dessa bebida são as ginjas, o açúcar, o vinho branco, o vinho tinto e o pau de canela. Também falei que há dois estabelecimentos tradicionais que, em Portugal, comercializam esta bebida: a Ginjinha Sem Rival, fundada no século XIX, e a Ginjinha da Espinheira, que funciona desde 1840. Esta última, por estar localizada no Largo São Domingos, serviu como único ponto para degustação, em Lisboa.

Agora vamos ao como e onde tomar essa delícia de bebida:

Foto 1

Na Ginjinha da Espinheira, sozinho, em Lisboa (copinho de vidro)

Foto 2

Em grupo, ainda em Lisboa (copinho de vidro)

Foto 3

Em Óbidos, em suas ruas estreitas (copinho de plástico)

Foto 4

Ainda em Óbidos, conferindo em uma barraca de rua (copinho de plástico)

Foto 5

Finalmente, em Óbidos, degustando uma ginja à moda cult, em taças de cristal

Foto 6

E terminar o dia comendo um dos melhores bacalhaus de Lisboa, que ninguém é de ferro.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Dezembro 7, 2018

IGREJA OU ÓRGÃO DO GOVERNO? Surpresa na Croácia

Caminhando por Zagreb, a bonita capital da Croácia, você certamente vai ficar de frente a um edifício estranho, que lembra uma repartição do governo, voltada para a difusão do turismo, ou um posto das forças de segurança.

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Esse edifício foi construído no século XIII no estilo Romanesco e reconstruído no estilo Gótico. Só percebemos tratar-se de uma igreja depois que entramos. Aí, nos damos conta de que estamos no interior da igreja de São Marcos, que se destaca por seu telhado coberto em mosaico de telhas brancas e vermelhas, além de dois antigos brasões que datam de 1499, representando Zagreb (castelo branco com fundo vermelho) e o segundo brasão representando o trino reino, com Croácia, Slavona e Dalmácia.

As quatro fotos seguintes mostram outros aspectos da Croácia:

SoldadosSoldados com trajes típicos, em desfile pelas ruas de Zagreb

OLYMPUS DIGITAL CAMERACorrimão de edifício antigo, com sustentação mantida por mãos firmes.

Corrimão 2Se estiver cansado, ao visitar o Órgão do Mar, em Zadar, uma escada facilitará a descida ao mar Adriático.

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EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Fotos são de Sacul Acesnof.

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Novembro 30, 2018

FÍSICA QUÂNTICA, a trilha para um novo Universo

Física, termo com origem no grego physis, que significa natureza. É a ciência que estuda as leis que regem os fenômenos naturais suscetíveis de serem examinados pela observação e experimentação, procurando enquadrá-los em esquemas lógicos.

Física quântica é um ramo teórico da ciência que estuda todos os fenômenos que acontecem com as partículas atômicas e subatômicas, ou seja, que são iguais ou menores que os átomos, como os elétrons, os prótons, as moléculas e os fótons, por exemplo (Wikipédia). Essas micropartículas não podem ser estudadas sob a ótica da física clássica, pois não são influenciadas pelas leis que a compõem, como a lei da inércia, ação e reação, a gravidade.

O físico Max Planck foi um dos pioneiros no desenvolvimento  dos princípios básicos da Física Quântica, que contrariam grande parte das leis fundamentais da física clássica. Quântico é uma referência ao evento físico da quantização, que consiste na alteração instantânea dos elétrons que contém um nível mínimo de energia para um superior, caso sejam aquecidos.

Os princípios da física quântica também são aplicados em vários setores do conhecimento humano, revolucionando não apenas as Ciências Exatas, mas também correntes filosóficas.

A principal ligação entre a física quântica e os conceitos filosóficos e espirituais, de acordo com os defensores desta relação, está na condição de casualidade e incerteza desta teoria, que diz ser possível a existência de duas situações diferentes e simultâneas para determinado corpo subatômico.

Esse princípio foi observado na física quântica a partir da chamada “dualidade onda-partícula”, ou seja, quando uma partícula se comporta ora como partícula e ora como uma onda, afirmação totalmente anormal perante a física clássica. Partindo desta ideia, por exemplo, surgem diversas hipóteses teóricas de estudo, como a “teoria dos vários mundos”, que diz ser possível a existência de diversas realidades alternativas para cada indivíduo.

Essa relação é polêmica, pois consiste no debate entre dois núcleos distintos, sendo um formado pelos que defendem a veracidade da influência quântica no plano espiritual, e outro que nega totalmente o uso da mecânica quântica como modo de explicar a espiritualidade.

Para os que defendem a existência de uma relação entre a física quântica e o espiritual, a força do pensamento humano poderia exercer um grande poder sobre a realidade individual de cada pessoa, sendo ela, com as corretas indicações, capaz de alterar o mundo ao seu redor.

Vários físicos de renome internacional relacionam os princípios da física quântica com as teorias sobre a consciência humanae o poder do pensamento como “construtor” da realidade.

Estudos em Ciência Noética – disciplina que estuda os fenômenos subjetivos da consciência, da mente, do espírito e da vida – indicam que o pensamento pode ser quantificado, por ter massa. Dessa forma, a ideia teria massa, que exerceria uma força de gravidade que poderia atrair massas iguais. Desse modo, se muitas pessoas se concentrarem no mesmo pensamento, as ocorrências desse pensamento passam a se consolidar em uma só, e a massa acumulada tende a aumentar.

Recentemente descobriu-se que meditações e preces coletivas produzem uma energia altamente ordenada e capaz de alterar o mundo físico. A intenção humana é capaz de afetar o mundo; o pensamento direcionado pode alterar, entre outras coisas, a direção em que os peixes nadam em um aquário e as reações químicas do corpo humano.

Em suma, a mente humana teria uma capacidade profunda de influenciar na disposição das micropartículas atômicas ao redor das pessoas, do modo como elas se comportam e como elas constroem a realidade de cada indivíduo. Para os estudiosos que acreditam nesta ideia, as intenções das pessoas poderiam influenciar a construção da realidade.

Física Quântica e Ciência Noética. Na trilha de um novo universo.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico do RN

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Novembro 23, 2018

GREVE À MODA ARGENTINA

Semana passada escutei um casal de jovens conversando atrás de mim, e hoje trago ao conhecimento dos leitores deste blog. Vou chamar aquele rapaz de Marcelo. Era estudante de um curso na UnB, e recebeu uma proposta para estudar inglês nos Estados Unidos, mais especificamente em San Diego, na Califórnia. O objetivo era aprimorar seus conhecimentos naquele idioma, mas ficou em dúvida, que foi desfeita quando a UnB entrou em greve em seguida, no início daquele ano (1988, se não estou enganado).

Decisão tomada, trancou a matrícula na universidade e viajou para San Diego, onde passou os seis meses seguintes estudando e aprimorando o idioma americano.

Retornou no mês de julho, e percebeu que a greve estava prestes a terminar, após um período de radicalizações de ambos os lados. Interessado em continuar seus estudos, dirigiu-se à Universidade de Brasília para cancelar o trancamento da matrícula, o que  não foi aceito. Ele não poderia cancelar o trancamento da matrícula. Teve que esperar o primeiro semestre terminar, já no final do ano. Somente no final daquele ano, após a conclusão do primeiro semestre, ele pôde finalmente fazer sua matrícula para cursar o segundo semestre, que se iniciaria no ano seguinte. Um ano inteiro sem o direito de estudar, em função daquele movimento.

Preferiu fazer um esforço, junto com a família, e continuar seus estudos em uma universidade particular, tendo que abrir mão do status inerente a uma universidade federal.

E por que estou falando sobre isso somente agora? É que no mês de abril visitei Buenos Aires, em uma sexta-feira, e encontrei a Faculdade de Medicina daquela Universidade Federal em um movimento grevista.

Fac. Medicina

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Pensei um pouco antes de entrar no prédio, temendo uma reação hostil. Lá, a movimentação dos estudantes era de um ritmo frenético, com alguns alunos confeccionando panfletos, outros cuidando do balcão de informações tanto para o público interno como para os curiosos como eu, além de muitos do lado de fora, cantando e tocando violão, junto a uma pequena mesa, a parte visível daquela greve.

Perguntei qual a previsão de duração daquele movimento, esperando uma resposta que se moldasse às nossas experiências no Brasil. A estudante, ao saber que eu era médico, teve todo o interesse em mostrar o que estavam produzindo para continuidade daquele movimento.

Baseado em minha experiência por aqui, perguntei por que toda aquela agitação, se a greve teria tudo para se alongar. A estudante à minha frente teve uma reação de estranheza, e respondeu que aquele movimento grevista só iria até à noite do domingo. É que a partir de segunda-feira teria início o período de provas, e eles não queriam perder tempo. Não precisava estender a greve, pois  a greve havia produzido o efeito esperado, que era alertar a população para os cortes de gastos do governo com a educação.

Interior

Greve de estudantes. Aqui como lá, uma paralisação.

Aqui, sem previsão de término. Parece que os estudantes, por aqui, não querem estudar e os mestres não se interessam em ensinar.

Lá, a preocupação com os estudos, apesar da greve até o final da semana. E nenhuma parede pixada. Eles sabem que tudo aquilo é deles, não do governo.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Publicado por: Evaldo Oliveira | Novembro 16, 2018

MÉDICOS À MODA MÉDICO

O atendimento médico de forma sistematizada teve seu esboço  em Epidauro, que fica a 180 km de Atenas. Ali foi criado o primeiro centro de cura da Grécia antiga, supostamente por Asclépio, o deus da Medicina. O centro de Epidauro era dedicado ao tratamento dos enfermos e à formação de iniciados. Esse trabalho decretaria o fim da medicina mágica e sacerdotal. Asclépio teria vivido no século VIII a.C.

Na asclépia, o ponto principal da consulta era o ritual da incubação. As pessoas que se sentiam doentes eram adormecidas com chás à base de ervas, no interior do templo sagrado, na esperança de que elas mesmas, à noite, descobrissem as razões que as fizeram adoecer, e Asclépio viesse ter com elas em sonho e, aí sim, indicasse a prescrição para a cura da sua doença. O próprio doente recebia a orientação que levaria à sua cura. O lugar onde o doente adormecia era chamado de kemiterio– as pessoas pareciam mortas. Daí, cemitério. Após a cura, o paciente escrevia seus sintomas e o tratamento determinado por Asclépio em uma tábua, colocava na sala das tábuas votivas, matava um galo em sinal de agradecimento e retornava para sua casa.

Depois de Epidauro, a asclépia de Cós era a mais famosa da Grécia. Ali funcionava como local de formação de iniciados. Foi em Cós que Hipócrates, considerado o Pai da Medicina, desenvolveu o seu trabalho.

Próximo dali, em Pérgamo, na Turquia, desenvolveu-se uma asclépia sofisticada, onde funcionou o primeiro hospital do mundo. Na entrada do túnel que conduzia ao hospital, uma pia de pedra mostra a preocupação com a higiene.

Foto do túnel de acesso ao hospital em Pérgamo, onde havia uma pia para lavagem das mãos. As melhorias são adaptações de hoje.

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Daí resultaria a valorização da consulta médica, em que elementos da propedêutica orientam o médico no correto exame do paciente, com influência determinante no diagnóstico clínico. O emprego racional da anamnese e do exame físico têm relação direta com o diagnóstico e o tratamento.

Na Inglaterra, um estudo (Hampton et al.) mostrou que a anamnese isolada era responsável por 82,5% dos diagnósticos, o exame clínico por mais 8,75% e os exames complementares por mais 8,75%. Estudo realizado no HCFMUSP (Rev Med – São Paulo, Isabela M. Benseñor) mostra que a anamnese é responsável por 40,4% dos diagnósticos, o exame clínico por mais 29,4% e os exames complementares por outros 29,5%.

Esses dados me trazem à mente o caso de um garoto de doze anos, corpo pesado, já com sinais de sobrepeso, que me procurou para uma consulta, levado por sua avó. Sentou-se e nada falou; apenas um olhar vago, fixado no desinteresse.

A avó, claramente acomodada com o nível de desenvolvimento neuropsicossocial do garoto, expôs as queixas daquele pequeno paciente:

– Doutor, meu neto bobou. Há uns dois anos ele foi ficando estranho em casa e na escola, foi se desligando das coisas e hoje está assim: bobou. Um menino desse tamanho, doutor, e não aprende – complementou a avó com ares de resignação.

Iniciei um exame físico detalhado, como sempre o fiz. Os ditames da propedêutica, hoje quase abandonados (inspeção, palpação, percussão e ausculta), eram seguidos com esmero pelos médicos da minha geração. O Cartão de Vacinação era sempre solicitado e analisado em todas as consultas. Daí o meu entendimento de que a puericultura não é outra coisa senão um atendimento pediátrico bem feito.

Como fazia com todas as crianças, passei ao exame otoscópico. Aí veio a surpresa. Os dois condutos auditivos estavam totalmente obliterados por cerume ressecado que mais parecia barro. Umedeci a paredede cerume e pedi para esperar, que eu o chamaria no final.

Novamente no consultório, providenciei a lavagem de ambos os ouvidos, de onde saíram aglomerados de cera ressecada. No meio da lavagem, o garotão explodiu em um grito:

– Vó, estou ouvindo tudo de novo!

E saiu do consultório eufórico, aos pulos, feito um cabrito solto no pasto, e sumiu no corredor. Apenas um exame físico completo bastou.

Um caso de baixa da audição com viés medieval que ceifou dois anos da vida de uma criança. Não foi solicitado sequer um exame complementar.

Um pouco à frente, o estigma de doente mental à espreita.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

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