Publicado por: Evaldo Oliveira | Setembro 24, 2009

O VOO DE ÍCARO

Minos era o rei de Creta, na Grécia. Este, antes de se tornar rei, tentou enganar o deus Poseidon, sacrificando um touro comum no lugar de um belo touro branco que sairia do mar. Poseidon, para se vingar, fez com que a esposa de Minos se apaixonasse pelo belo touro branco, e dessa paixão nasceria o Minotauro, com corpo de homem e cabeça e cauda de touro. Minos, com medo do terrível animal, contratou Dédalo, o maior artesão da antiguidade, para construir algo que pudesse conter o Minotauro. Dédalo idealizou e construiu um belo e complicado labirinto na cidade de Cnossos, em Creta. O rei passou a cobrar tributo da cidade de Atenas – sete rapazes e sete donzelas para alimentar aquela terrível criatura.
Todos nós sabemos o final dessa história: Teseu – um forte e belo rapaz – ofereceu-se como uma das vítimas, decidido a matar o Minotauro. Ariadne, a filha do rei Minos, apaixonou-se pelo herói e resolveu ajudá-lo, entregando-lhe um novelo de lã para que, no momento da saída do labirinto, não se perdesse naquele emaranhado de caminhos. Usando uma espada mágica que ganhara de Ariadne, Teseu conseguiu matar aquela terrível e perigosa criatura, e, de quebra, salvou algumas pessoas que ainda estavam vivas, perdidas dentro do labirinto.
Demonstrado que o labirinto não era intransponível, Dédalo e seu filho Ícaro foram colocados em uma ilha-prisão, à beira do mar, por determinação do rei Minos. O velho artesão construiu dois pares de asas para que ele e seu filho Ícaro pudessem escapar daquela ilha. Ícaro, por descumprir as determinações de seu pai, voou muito alto, e a cera que prendia suas asas derreteu com o calor do sol, vindo o jovem a se espatifar sobre os rochedos.
O desfecho fatal de Ícaro me lembra o que ocorre com a maioria dos cupins subterrâneos, que constroem imensas galerias no solo – e se movimentam nesses túneis com desenvoltura. Acontece, porém, que, no processo de formação de novas colônias, eles fazem uma revoada, e ganham dois pares de asas para, no período entre agosto e dezembro, migrarem para lugares distantes, em busca de locais para instalação de novos ninhos, a partir de uma rainha. No ninho, a rainha põe milhares de ovos todos os dias, e o processo se reinicia.
Acontece que grande parte dos cupins aproveita as asas para empreender voos impossíveis, e a maioria, fascinada e ofuscada com as luzes das cidades, fica dando voltas em torno das lâmpadas, onde a quase totalidade se espatifa no solo, tal qual Ícaro, sem que algo de produtivo tenha realizado.
Quem de nós já ouviu falar de Dédalo, o maior de todos os artesãos da Grécia antiga? Ao contrário, Ícaro teve seu nome associado ao romantismo dos voos argonáuticos, quase impossíveis, conquistas heróicas e espaços a serem conquistados.
Com relação a voos altos, nos dizem Luiz Eduardo Vitti e Mauro Schweizer em O desafio de realizar a estratégia Corporativa: Uma boa ideia não é aquela que simplesmente voa alto, mas sim a que possui trem de pouso para poder aterrar em seu destino.
Ícaro tem a força do marketing pessoal a seu serviço.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN


Responses

  1. Dr Evaldo.
    Parabens pelo blog.
    Gostei imensamente dos artigos .
    Sao belos e instrutivosl
    voltarei, a visitar
    Dodora

    • Cara Dodora,
      suas observações têm a força da esperança… esperança de que muitas pessoas tenham sensibilidade para viver as coisas boas da vida. Dentre elas, a leitura e a valorização das coisas da nossa infância. Evaldo


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