Publicado por: Evaldo Oliveira | Novembro 21, 2009

ODE À AMIZADE

 

Para Voltaire, os maus têm apenas cúmplices; os voluptuosos, companheiros de devassidão. Os interesseiros reúnem sócios. Os políticos congregam partidários. O comum dos homens ociosos mantém relações. Os príncipes têm cortesãos. Só os virtuosos possuem amigos. Cétego era cúmplice de Catilina. Mecenas era cortesão de Otávio. Mas Cícero era amigo de Atico. Com esta citação, o Prof. Deífilo Gurgel fez uma ode à amizade e ao reconhecimento, referindo-se a Luiz Fausto, ex-prefeito de sua cidade natal (Areia Branca, a Terra e a Gente).

Aos fatos: Roma estava pronta para ser incendiada, com palha seca em cada canto da cidade, em seus esconsos e porões, para se tocar fogo em tudo na hora a combinar. Era certo que o incêndio viria. Seria no dia 26 das Calendas de Outubro. Entrementes, Catilina e seu bando iam e vinham pelas ruas, impunes, saboreando o medo que causavam.

Um ar pesado pairava sobre Roma naqueles dias que prenunciavam o terrível golpe. Lucio Sergio Catilina, em um dia de agitação, foi ao Senado. Estava transtornado por haver perdido as eleições para cônsul (64-63 a.C.), exatamente para Cícero. Deliciando-se com o pavor que causava, sentou-se nas arcadas. Ali, agia como se tivesse jurado de morte as pessoas presentes, olhando um por um nos olhos antes de lançar-lhes o dardo mortal. Deu-se, então, que Cícero, o maior orador romano de todos os tempos, exasperado com o exibicionismo, a arrogância e o descaramento do conspirador, postou-se bem em frente a ele e disse bem alto para que todos o ouvissem, inclusive coletando os nomes dos principais cúmplices: Cétego, Mânlio e Lêntulo:

“Quo usque tandem abutere, Catilina, patientia nostra?”… Em português: “Até quando, ó Catilina, abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo ainda há-de zombar de nós essa tua loucura? A que extremos se há-de precipitar a tua audácia sem freio? Nem a guarda do Palatino, nem a ronda noturna da cidade, nem os temores do povo, nem a afluência de todos os homens de bem, nem este local tão bem protegido para a reunião do Senado, nem o olhar e o aspecto destes senadores, nada disto conseguiu perturbar-te? Não sentes que os teus planos estão à vista de todos? Não vês que a tua conspiração a têm já dominada todos estes que a conhecem? Quem, de entre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na noite passada e na precedente, em que local estiveste, a quem convocaste, que deliberações foram as tuas?”

Catilina, essa figura atroz e criminosa, que planejara cada detalhe para que Roma fosse incendiada, provocando a reação de Cícero no Senado, foi nosso mote para lembrar a força da amizade, usando como porta-voz o inesquecível Voltaire, o sempre bravo Cícero, via Deífilo Gurgel, amigo querido.

 


Responses

  1. Viva Deífilo Gurgel!
    Viva o blog d’ Evaldo!
    Parabéns pelo blog!

  2. Caro amigo Othon, Deífilo (Deos=Deus; philo=amigo). O homem é forte até no nome. Um abraço. Evaldo.

  3. Dr Evaldo ja disse tudo.
    Parabens a voces dois.
    Parbens Deifilo
    Parabens Dr Evaldo
    Abraco
    Dodora

    • Dodora, quando Deífilo diz … E NÃO SABIA QUE POR TRÁS DA BARRA O MUNDO ERA TÃO GRANDE eu voo direto para Macondo, de Cem anos de Solidão – Gabriel Garcia Marques. Um abraço.


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