Publicado por: Evaldo Oliveira | Janeiro 6, 2010

MERCADO PÚBLICO, RETRATO DE UMA ÉPOCA

Muitas gerações de areiabranquenses curtiram a emoção e o prazer de fazer suas compras no Mercado Público da cidade, que, desde 1922, ostenta semblante e altivez de obra bem construída, inclusive com utilização de material importado da Inglaterra. Há informação de que sua construção tenha durado apenas três meses. Não acredito.

             Na década de 1950, as pessoas iam às compras cedinho, e utilizavam balde de alumínio para transportar as mercadorias. Não sei por quê.  Além de peixes, frutas, legumes, verduras e carnes de todos os tipos – de bode, de boi, de porco, de aves -, boa parte das pessoas levava para suas casas aquele cuscuz redondinho, feito na tampa da chaleira, para reforçar o café da manhã.

            As pessoas encontravam-se com os amigos, e o bom papo se estendia pelos corredores, com paradas para um cafezinho feito na hora, com coador de pano. Não havia banco na cidade, e as compras tinham pagamento à vista ou eram anotadas em cadernetas, para futura quitação. No mercado havia de tudo para vender, de cabresto, açúcar preto, cabaço, enxada, urupema, fumo de rolo, alpercatas de todos os tipos, dobradiças, confeito, pinga e esteiras de palha, além de um precário artesanato. Também havia colorau, pães de vários tipos, tareco, rapadura, sabão – que era cortado a faca -, prego, parafuso e sianinha. Era uma festa para os olhos e para os ouvidos, com os comerciantes a endeusar seus produtos aos berros, gerando risadas e comentários. Quando nós, crianças, queríamos comprar baladeira, gaiola, papagaio – hoje, pipa -, rói-rói ou pião, corríamos para lá, onde as opções eram variadas e os preços bem amenos, em função da choradeira da meninada pelos descontos.       

Naquela época não havia geladeira, e as pessoas iam diariamente às compras. Os barcos dos beijus, que ancoravam ao lado da rampa, em frente à igreja, forneciam mercadoria fresquinha para renovação dos estoques do mercado, numa simbiose comercial que atendia a todos os interesses.

            O que lá funciona, hoje, parece ser uma repartição pública. Mas o prédio tem de ser preservado, para orgulho das próximas gerações.


Responses

  1. Dr. Evaldo
    Que memória você tem! Por essa época, lembro-me de meu pai indo à feira diariamente com o balde de alumínio que mamãe lavava (ou areava), deixando com um brilho de causar inveja.
    Tudo mudou, mas as lembranças permanecem para
    o deleite de quem viveu esse tempo, como nós.
    Obrigada, por me fazer recordar…
    Um abraço. Sônia

  2. Sônia, um abraço. Nos idos de 1950/1960 as pessoas tinham comportamentos simples, sem ostentações, e, em AB, o Mercado Público era point obrigatório, pois a imensa maioria das pessoas não possuía geladeira, e tinha de fazer as compras de gêneros alimentícios diariamente. Para os adolescentes, a pracinha e a Rua do Meio, no rumo do Cine Coronel Fausto, formavam um caminho quase automático, ao som da sonora no alto da Prefeitura.


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