Publicado por: Evaldo Oliveira | Janeiro 27, 2010

QUINZEMINUTOSNOLABORATÓRIO

…cheguei ao laboratório fugindo de uma chuva fina com o guarda chuva na mão meio sem notar as coisas pelo caminho mas logo que me aproximei ouvi uma música suave que surgia não sabia de onde mas era muito gostosa ao abrir a porta percebi um rapaz cantando uma melodia de djavan que logo identifiquei era codinome beija-flor fui bem atendido na recepção e sentei para aguardar a chamada ao meu lado sentou um homem ainda novo de meia idade por volta dos cinquenta anos nesse momento a letra da música dizia pra que usar de tanta educação pra desfilar terceiras intenções e o homem sentado ao meu lado batia um joelho contra o outro nervosamente e dizia que coisa chata esse rapaz cantando essas músicas horrorosas e eu aqui preocupado com os exames que vou fazer não consigo me concentrar e eu pobre de mim querendo ouvir os detalhes daquela belíssima letra que dizia desperdiçando seu mel entre seus inimigos e o homem ficava mais tenso e resmungava baixinho acho que vou pedir para ele parar de cantar eu falei que não que as pessoas gostavam e tentei manter a conversa mas não queria me desligar do andamento da letra já que a música penetrava sem pedir licença e nesse momento a letra dizia caí nos pés do vencedor para ser um serviçal de um  samurai o homem olhava para um lado e para outro percebi que seus dedos estavam amarelados pensei em icterícia e fiquei com pena daquela criatura mas quando olhei para o bigode constatei que também estava amarelado e que era produzido por muitos anos de fumaça de cigarro e a dó que eu sentia passou mas ele olhava para o cantor que não estava nem aí dei uma olhada para as outras pessoas que aguardavam sentadas junto à parede e vi que elas acompanhavam com os pés ou tamborilavam com os dedos ao compasso do ritmo e nesse momento ouvi desesperar jamais de gonzaguinha deu vontade de rir e me contive  mas logo emendou com uma música de roberto carlos detalhes ah eu não ia perder uma só frase dessa música pensei mas o homem disse que música horrorosa eu não sei por que põem alguém cantando aqui onde estão muitas pessoas preocupadas com suas doenças e seus exames mas eu não o escutava direito e tentava fixar minha atenção na letra da música que dizia detalhes tão pequenos de nós dois são coisas muito grandes pra esquecer e me lembrei da minha fase de namoro e relaxei um pouco cheguei a fechar os olhos justo nos acordes finais e ele retornou a gonzaguinha e dizia eu apenas queria que você soubesse nesse momento o homem estava ainda mais estressado balançava as pernas e olhava para o monitor que mostrava os números que eram chamados e apareceu o meu e eu me dirigi ao guichê mas continuei ligado na melodia que agora era terna e calma e dizia meu bem querer é segredo é sagrado e está sacramentado em meu coração meu bem querer tem um quê de pecado acariciado pela emoção e logo chamaram meu nome e de longe pude perceber que o homem dos dedos amarelados já estava sendo atendido no guichê mas não parava de balançar as pernas colhi o sangue ao som de faltando um pedaço e consegui ouvir o primeiro verso enquanto a moça colhia o sangue que dizia o amor é um grande laço um passo pr’uma armadilha um lobo correndo em círculos pra alimentar a matilha comparo sua chegada com a fuga de uma ilha tanto engorda quanto mata feito desgosto de filha  e saí quando ele cantava coração leviano de paulinho da viola e pude ouvir uma estrofe que dizia este pobre navegante meu coração amante enfrentou a tempestade no mar da paixão e da loucura não deu tempo de ouvir o final e fui para o trabalho dando risadas e as pessoas olhavam achando que eu estava maluco…


Responses

  1. Achei maravilhosa sua explanação sobre o incidente, e notei o quando és romântico,e acima de tudo um ser humano maravilhoso,parabéns caro amigo,que os Deuses deste encantado universo te protejam por toda teu caminhar neste lindo planeta azul.que o ano de 2010 consigas tudo que almejares nesta vida, com carinho.
    ,…………….Hannak………..

  2. Hannak, acho que o que se tira de um artigo tem ligação direta com a personalidade de quem lê. Se você gostou deste artigo, é porque sua alma guardou sintonia com o ambiente que amanou da leitura, isto é, sua sensibilidade está voltada para acontecimentos sutis, quase ao acaso, sem apelações, com a suavidade do vento nas madrugadas. É suave, mas traz umidade e vida para as plantas.

  3. Dr Evaldo, voce nao e somente um excelente escritor como tambem um romantico.
    Devia escrever poesias, por que os seus artigos, sao quase que uma poesia.
    Como disse um amigo e conterraneo nosso a algum tempo atras.
    A musica e uma coisa de Deus.
    E eu concordo com ele.
    Parece que cura todas as doencas e tambem as dores da alma.
    Neste laboratorio que o senhor frequenta eles tem muito bom gosto musical.
    Um abraco.
    Dodora

    • Cara Dodora, quando a gente leva uma vida feliz, com um pouco de leitura e alguns bons amigos, aprende a ser poeta, a ver a vida por seu lado bom, como sei que você também vive.

  4. Já houve momentos que eu me lembrei das traquinagens de infância e comecei a rir. Outras pessoas presentes pensaram que se tratava de loucura.
    Vejo que a situação que passou foi idêntica.
    Viva os “loucos” que conseguem penetrar no imaginável que outros sonham um dia atingir!
    Continuemos nesta realidade, vivendo momentos que outros pensam ser maluquice.

    • Othon, percebe-se que você também tem espírito de criança, de riso fácil e sentimentos aguçados. Continue assim.

    • Othon, podemos perceber que você tem espírito de criança, e reage bem à maioria das intempéries. O riso é resultado disso. Continue assim.

  5. Amei todos os escritos… continuas poeta, bem mais crescido, bem mais amadurecido! É
    fantástica a tua forma de escrever, o teu senso de humor e tudo mais. Parabéns, Dr. Evaldo.
    Tomara que teu próximo livro seja lançado no rio grande do norte também (outra vez). E que nunca te aposentes da profissão de escritor.
    Um abraço.
    Sonia

    • Sônia, por teres nascido e crescido nas terras salitradas de AB, carregas no solado do sapato a poeira da infância, com todos os enredos e emoções ali vividos. No site http://www.areiabranca.wordpress.com há uma crônica intitulada DAS MINAS DE WIELICZKA AO SALITRE DE AREIA BRANCA, em que a força daquelas terras salitradas ressurge forte e benfazeja. Obrigado.

  6. Dr. Evaldo
    Grata pela dica. Procurarei, nos raros momentos de folga…
    Um abraço.


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