Publicado por: Evaldo Oliveira | Março 17, 2010

O CIGARRO, a fumaça e seus descaminhos

 

No meio da confusão, de nariz empinado, Augusto gritava a todo pulmão: Não meta o seu nariz onde não é chamado! Não pedi a sua opinião! E ponto final. E esta, na delicadeza de uma entrevista: Gosto dessa menina. Ela sabe onde põe o nariz.

O nariz, esse órgão de funções pouco conhecidas, faz parte do sistema respiratório, que tem no pulmão o seu órgão hegemônico. Por ser, na face, o elemento mais proeminente, o nariz tem suas medidas rigidamente determinadas, pois divide sua posição estratégica com os lábios e o queixo. Uma medida simples: colocando-se uma régua que toque o nariz e a ponta do queixo, ela deverá, também, tocar o lábio inferior.

O nariz é realmente um órgão extraordinário. Faz parte do sistema respiratório, e para si são destacadas quatro refinadas funções, às vezes esquecidas: servir ao sentido do olfato, prover uma via aérea para a respiração, filtrar e umedecer o ar inspirado e libertar-se de substâncias estranhas que extrai do ar. Há uma quinta, e fundamental, que faz a alegria dos cirurgiões plásticos: sua insubstituível função estética. Na Índia antiga as mulheres adúlteras sofriam como castigo a amputação do nariz. Também as mulheres que se recolhiam aos conventos submetiam-se à amputação do nariz como um dos meios de preservação da virgindade: nenhuma deformação dá aspecto mais repugnante do que a que oferece o nariz mutilado.

O nariz comunica-se com umas cavidades existentes nos ossos da face – seios paranasais – que auxiliam no aquecimento e umedecimento do ar inspirado. A inflamação do nariz (rinite) pode se disseminar aos seios paranasais, produzindo as sinusites.

Se desejarmos fazer uma visita guiada ao pulmão, seremos obrigados a uma passagem pelo nariz, uma volta na faringe, uma descida pela laringe, uma visita à traqueia, que faz sua ligação com os brônquios, daí aos bronquíolos e aos alvéolos. E pronto. Já estaremos na intimidade do pulmão. Os cílios que revestem o epitélio da traqueia arrastam, com movimentos orientados para cima, secreções mucosas e materiais estranhos inspirados, no sentido da laringe, e daí até o nariz e à boca.

Estendendo-se da bifurcação da traqueia, os brônquios penetram nos pulmões, dividindo-se e subdividindo-se num sistema de tubos aéreos ramificados – a árvore bronquial – conduzindo ar para os alvéolos, que são as unidades respiratórias dos pulmões. É aqui, nos alvéolos, que ocorre um dos mais belos e intrigantes fenômenos do organismo: a hematose, que é a troca do oxigênio do sangue pelo dióxido de carbono, que é eliminado. Hematose é a transformação da carbohemoglibina – hemoglobina com baixo teor de oxigênio e alto teor de gás carbônico – em oxihemoglobina (com alto teor de oxigênio e baixo teor de gás carbônico).

O processo respiratório é controlado, reflexamente, pelos centros respiratórios do cérebro, que são particularmente sensíveis à concentração de dióxido de carbono. A um aumento da concentração do dióxido de carbono corresponde um aumento da freqüência e da profundidade da respiração, com redução do nível desse gás. Um adulto apresenta entre onze e catorze movimentos respiratórios por minuto, enquanto uma criança ao nascer apresenta uma média de trinta e nove.

A principal função dos pulmões é a troca de gases. O ar puro alcança os alvéolos e, aproximadamente, igual quantidade de dióxido de carbono é exalada. Os alvéolos funcionam, portanto, como um laboratório, onde o oxigênio é levado à barreira gás-sangue para sua troca pelo dióxido de carbono.

E muitas pessoas jogam fumaça de cigarro nos alvéolos. Imagine: você está em um laboratório fazendo um trabalho delicado com gases, e alguém contamina o ambiente com fumaça, que contém alguns milhares de substâncias tóxicas, além da sujeira que fica nas paredes, móveis e objetos, com sua aura sombria e seu cheiro de suor de vampiro.

 Pensemos nisso tudo, antes de pormos fogo à extremidade de um cigarro.


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