Publicado por: Evaldo Oliveira | Maio 8, 2010

AS DÍVIDAS DE CADA UM

Neste mundo nada vem por acaso, especialmente quando se trata do desenvolvimento da ciência. Há sempre alguém que veio antes, pesquisou, descobriu algo, e essa descoberta alavanca outros conhecimentos, que não teriam acontecido sem os esforços e a luta dos pioneiros.

O egoísta e orgulhoso Galeno (130 a 200 d.C.) não teria sido o que foi se não tivesse tirado proveito de inúmeras idéias de Hipócrates (460 a 380 a.C.). Difusor da cura pelos contrários, o galenismo atravessou catorze séculos sem que fosse posto em dúvida. Quem ousaria correr o risco de ser acusado de heresia? Johannes Baptista (1577-1644), discípulo de Paracelso, passou dois anos preso na Espanha por combater as idéias de Galeno.

As teses de Galeno somente foram contestadas por Paracelso (1493 a 1541), que ousou queimar seus livros em praça pública em Basiléia, na Suíça. Foi Paracelso, também, quem recuperou, analisando os trabalhos de Hipócrates, vários conhecimentos ligados ao tratamento pelos semelhantes, abrindo caminho para que Hahnemann (1754 a 1843), duzentos e cinquenta anos depois, estruturasse as bases da Homeopatia. E Hahnemann, em sua vasta produção científica, não menciona o nome de Paracelso.

Antony Leeuwenhoek (1632 – 1723) era um holandês vendedor de tecidos que tinha por passatempo construir pequenos microscópios que ampliavam 400 a 500 vezes, com os quais conseguia examinar as tramas dos tecidos que vendia. Na verdade, era um aperfeiçoamento do artefato rudimentar criado pelos irmãos holandeses Franz, Johan e Zacarias Jensen. 

Com sua descoberta, Leeuwenhoek examinou o olho de uma baleia, o estrume do seu cavalo e seu próprio esperma. Foi ele quem, pela primeira vez, e em suas próprias fezes, examinou uma Giardia lamblia, não sendo lembrado, por isto, como pioneiro da parasitologia.         

Para se ter uma ideia da importância do instrumento criado por Leeuwenhoek, o inglês William Harvey (1578/1657) descobriu a circulação do sangue, mas protelava sua divulgação temendo ser considerada uma heresia médica, por contradizer as idéias centenárias de Galeno, que achava que o sangue era fabricado pelo fígado e por ele bombeado para o corpo. E Harvey morreu supondo que as artérias do corpo desembocavam nas veias. É que não havia como estudar a fina rede de capilares. Somente depois Marcelo Malpigui (1628/1694) descobriu esses capilares (vasos muito finos que formam uma rede na qual se esvaziam as artérias) com a utilização do microscópio desenvolvido por Leeuwenhoek.

Pasteur (1822-1895), trabalhando com as bactérias, criou o processo que leva seu nome (pasteurização), a vacina antiantraz e desenvolveu a vacina contra a raiva. Robert Koch, descobridor do bacilo do antraz, por sua vez, provou serem as bactérias capazes de produzir doenças nos animais e em seres humanos, ao descobrir o bacilo da tuberculose em 1882.

Pasteur não citou os animáculos (bactérias) de Leeuwenhoek, nem Robert Koch falou das descobertas de Pasteur.

Na Grécia antiga, o paciente, depois de conseguir a cura para o seu mal, na asclépia, escrevia seus sintomas e a forma de cura em uma tábua, colocava em uma sala e, em seguida, matava um galo para agradecer a Asclépio, o deus da medicina.

Sócrates, um dos homens mais sábios da história da humanidade, disse antes de tomar a cicuta que lhe sorveria a vida: “Somos devedores de um galo a Asclépio”.

            Humildade e gratidão. Sentimentos em falta.


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