Publicado por: Evaldo Oliveira | Setembro 7, 2010

A ROSA DE PARACELSO

Crônica de JORGE LUIS BORGES, o maior escritor/poeta argentino de todos os tempos.

            O velho Paracelso vivia isolado em uma casa no alto dos morros. Seu último grande desejo era finalmente encontrar um aluno inteligente a quem transferiria todo o seu saber. Um dia ouviu baterem à porta, correu para abri-la e lá estava, na sua frente, um belíssimo jovem, que lhe disse: Eu vim de muito longe porque conheço a tua fama. Tu és um grande mago, um grande estudioso, e eu, antes que tu morras, quero aprender tudo o que sabes, incluindo o segredo de transmutar as pedras em ouro. Em troca, te trouxe todas as minhas riquezas e toda a minha apaixonada vontade de aprender. Porém, para demonstrar-me que vale a pena ser teu aluno, deves dar-me uma prova, por mínima que seja, do teu poder mágico.

            Paracelso escarneceu dele. Disse-lhe que o paraíso existe e que é esta terra em que vivemos. Disse-lhe que existe também o inferno, e que consiste no fato de não percebermos que vivemos em um paraíso. Ao jovem, que insistia pretendendo uma prova sobrenatural e que lhe perguntava qual seria a meta da nossa viagem terrena, respondeu, dizendo: Cada passo é a meta.

            O jovem, porém, insistiu ainda no pedido de um milagre, e lhe sugeriu um aparentemente simples. Pegou uma rosa que despontava de um vaso e a atirou no fogo da lareira. Se és um mago, não te custa nada fazer com que a rosa reviva!   E, já que Paracelso insistia em dizer que não era capaz de semelhante milagre, o jovem recolheu as moedas que colocara sobre a mesa e foi embora.

            Só então Paracelso se inclinou sobre o fogo, recolheu as cinzas da flor queimada, deu-lhe um sopro e recolocou no vaso a rosa revivida.


Responses

  1. Nao precisa ser mago e nem tao pouco um genio , para entender que a moral da historia, e que Parcelso percebeu que este jovem nao era digno de aprender a sua magia.

    Este Paracelso devia ser nordestino
    Um abraco
    Dodora

  2. Dodora, somente a genialidade de Borges para nos mostrar o valor do respeito aos ditames da sabedoria. Paracelso, no entanto, era nordestino.

  3. Caro Evaldo:
    Dodora escreveu: “…somente a genialidade de B…”. Para mim, genialidade é um valor intrínseco da alma e do povo areiabranquence. Gostaria muitíssimo de saber o seu E-mail para enviar-lhe fotografias da recente Festa dos Navegantes 2010, coisa que já fiz para a nossa amiga Dodora, que mora nos EE.UU.
    Saudações,
    Lauro Duarte da Costa
    lauro_foto@yahoo.com.br

  4. Caro Lauro Duarte,
    conheci um Lauro Duarte que era filho de seu Lauro, pai de Quiquico e Dedé Sodré, de quem falei em uma de minhas crônicas. Qual o seu parentesco com essas pessoas?


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