Publicado por: Evaldo Oliveira | Agosto 26, 2011

PÉRGAMO, TURQUIA, O BERÇO DA PRÁTICA MÉDICA

Um dos primeiros marcos da Medicina

Na medicina grega, a asclépia era o local onde os primeiros médicos desenvolviam suas atividades profissionais. Havia duas asclépias importantes, por volta do ano 400 a.C.: a de Cós, na Grécia, onde trabalhou Hipócrates, e a de Pérgamo, hoje Bergama, na atual Turquia.

Fica difícil entender as atividades médicas praticadas atualmente, se não conhecemos as características do trabalho médico desenvolvido em uma asclépia, que serviu de exemplo para a costrução dos primeiros hospitais. Visitei a Asclépia de Pérgamo, e vou tentar expor minha impressão, esperando que a emoção não me tire a devida isenção do início ao fim deste relato. Apenas para lembrar, palavra pergaminho deriva de Pérgamo.

Na chegada, entramos por uma ampla avenida, cercada de arcos, resquícios de antigos monumentos e edificações. A emoção que sentimos, à chegada do complexo hospitalar, se fortalece ao imaginarmos que ali trabalhou Galeno, um dos mais polêmicos médicos da história. Nascido em Pérgamo no mês de setembro do ano 129 d.C., foi ali que ele se tornou o cirurgião da escola de gladiadores, que lhe serviu de passaporte para o cargo de médico particular do imperador romano Marco Aurélio. Somos arrebatados por uma forte emoção quando nos descobrimos frente a frente com um dos primeiros símbolos da Medicina.

As ruínas da asclépia de Pérgamo impressionam pela grandiosidade de seus edifícios, além de claros sinais de respeito aos sentimentos  e à dignidade dos pacientes que para ali se dirigiam. O complexo era formado por um hospital (ou centro de cura), um teatro, um centro de recepção para orientações ao paciente, onde – pasmem – existia um local para lavagem das mãos.

No apogeu da asclépia, na área sagrada havia fontes e piscinas, além de três nascentes. Os quartos de dormir foram construídos no período elenístico, e resistem até hoje. Ficavam em torno das fontes sagradas, na parte sul do complexo. Os pacientes eram encaminhados para dormir em quartos especiais, que inspiravam sonhos. Quando acordavam, seus sonhos eram interpretados pelos sacerdotes, e serviam de orientação ao tratamento. O paciente, antes de se dirigir aos aposentos, através do túnel,  descansava e meditava junto a um bosque, e assistia a apresentações no teatro O barulho gerado pelas fontes – o som das águas – durante a passagem pelo túnel produzia uma atmosfera mística que acalmava e ajudava no processo de cura (havia orifícios no teto do túnel, por onde penetravam o som das águas e uma brisa agradável).

À frente da asclépia, no alto de um monte, o altar de Zeus ainda preservado.

Túnel de acesso ao "hospital"


Responses

  1. Gostei muito dos seus esclarecimentos sobre a asclépia. Estive na Turquia, há 16 anos, mas não conheci Pérgamo. Iolanda Abreu – http://www.parisomorestanoar.blogspot.com

  2. Estive em abril deste ano em Pergamo e amei.. Realmente maravilhoso, mas ler o seu relato me emocionou. Parabéns. Marissa São Paulo.


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

Categorias

%d bloggers like this: