Publicado por: Evaldo Oliveira | Julho 13, 2012

DOIS MOMENTOS

Primeiro:

No tumulto que é a vida em São Paulo, Demian se dirigia a uma bela casa; de fato, tratava-se de uma mansão. Fotógrafo profissional, o jovem analisou a fachada externa do imóvel. E gostou do que viu. Ansioso, tocou a campainha, e logo surgiu a esplendorosa Sheylla Standboard, uma bela mulher recém-alçada ao seleto clube das celebridades. Solteira, amiga íntima de alguns homens de negócio, ganhara, digo, comprara a sua primeira moradia.

A casa, ainda acomodando o cheirinho de uma reforma, esbanjava brilho e elementos de decoração, com muitos itens africanos em destaque. Na sala, de dimensões cinematográficas, um grande leão de mármore branco recebia as visitas com sua bocarra à receita federal.

Após uma análise detalhado da mansão, foram determinados os locais a serem fotografados, e a sala era um deles. Demian fez um sinal para Sheylla Standboard e falou:

– Sheylla, seria bom que você trouxesse alguns livros para preencher este espaço, que pode funcionar como uma pequena estante, nesse cantinho aconchegante.

– Eu também acho – concordou a moça.

Chamou Ariovaldo, seu motorista, e determinou: pegue uma fita métrica e veja a medida deste espaço. Depois, vá à livraria e compre a mesma medida de livros. Escolha daqueles da lombada colorida, que chamam mais atenção.

E dirigiu-se à sala de musculação, ladeada por seu personal trainer. Corpos eretos, saíram com os romboides acionados e escápulas juntas, tipo soldado apresentando arma.

 

Segundo:

Alexandre, o grande – quase dois metros de altura -, acabara de chegar a Brasília. Formara-se em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, e já incrementara sua pós-graduação no Distrito Federal.

Sexta-feira à noite, depois de uma aula estafante, Alexandre estacionou seu fusca em frente ao prédio onde morava, mas teve que se deter. Com a mão na barriga e suores na testa, segurava uma vontade de evacuar, que se iniciara ainda na sala de aula e não podia mais ser contida.

Olhou para os lados, tudo escuro. Abriu a porta do carro, abaixou-se e fez ali o que deveria ter feito no sanitário da faculdade. Limpou-se com uma página do livro, arrumou-se, olhou em volta e saiu aliviado.

Na manhã seguinte, um sábado ensolarado, pronto para sua caminhada, Alexandre foi abordado pelo porteiro do prédio que, nervoso, batia com o cassetete na lateral da perna direita. Fez sinal para o ainda estudante, e assim se expressou:

– Doutor, um cabra safado cagou junto do seu carro! Alexandre esforçou-se para disfarçar um discreto ar de riso.

Demonstrando interesse, o advogado arguiu:

– Como você sabe que foi um cabra safado?

– Pela qualidade da bosta. Só come porcaria!

Em tempo: cassetete, aquele bastão usado por policiais, escreve-se com ss, porque deriva do francês casse-tête (quebra-cabeça).


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