Publicado por: Evaldo Oliveira | Setembro 21, 2012

UM BIZARRO MONUMENTO

Em maio de 2003, presenciei o gelo das montanhas da Europa iniciando seu movimento para engordar os regatos – repleção da natureza -, o rio a esperá-los. Junto a esse movimento, a primavera despertava, com sua pontualidade cósmica. A claridade das cores e a alegria das pessoas, por pura birra, vieram juntas, abrindo mão de um convite formal. E, novamente, presenciamos, em um conluio sideral, os filetes da mais pura água, a primavera, a claridade e a alegria. E eu estava lá.

Trago comigo a teimosia areiabranquense, ranzinza e tisnada pelo salitre trazido pelos ventos que agitam os topetes das inocentes berdruelgas, em seu esconderijo varzeano. Foi com essa mesma árida teimosia que havia decidido seguir os passos de Teophrastus Bombastus von Hohenhein – o Paracelso – em território português. Nem sei por que tinha escolhido aquele roteiro, mas havia uma lógica em meus pressentimentos; só depois saberia.

Saímos de Lisboa pela manhã, em um ônibus de turismo, direto para Coimbra, onde visitamos sua bela Universidade, subindo pelo Arco da Almedina. No dia seguinte, seguimos para a cidade do Porto. Dois dias depois, continuamos no sentido norte, no rumo de Braga, com os ajustes do nosso GPS cerebral programados para a região de Trás Os Montes, tendo como ponto futuro a maravilhosa catedral de Santiago de Compostela, na Espanha.

Ao chegarmos em Braga, vislumbramos um portal do século XVI – Arco da Porta Nova – emoldurando uma bonita via para pedestres. A surpresa foi descobrir uma bela cidade, pequenina, formosa, com o invólucro do tempo a acariciá-la, sob os laços de fita descoloridos pelo tempo. Tomamos o rumo da pracinha, e logo me senti em Areia Branca, atrás da igreja matriz, e tendo ao lado o palacete municipal.

Ao lado da praça, muito bem cuidada, ao invés do palacete municipal, erguia-se, majestosa, uma bela fortaleza, com a austeridade trazida dos recônditos medievais. Impressionante, grandiosa. Sua visão conduziu-me a um mundo de magia e encantamento. Ali, uma fortaleza – de fato, um castelo da Idade Média – de pedra, símbolo de força e poder, onde a história se esconde em cada fresta. Calada, impoluta, grandiosa. Logo, imaginei-me correndo por seus labirintos, como se menino fosse.

Chegando ao centro da cidade, uma visão inacreditável, estapafúrdia, bizarra. No alto de um pedestal, a figura de um homem morcego nos afrontava com sua face emblemática e aterrorizante, fixando seus olhos de ferro no vazio do meio dia, feito Nosferatu – o Conde Orlok – saído do submundo escuro de nossa imaginação.

Um pedestal. Um homem-morcego. Um enigma.

Ao final, o livro QUEM MATOU PARACELSO? foi a resposta.

 


Responses

  1. Dr. Evaldo, Paracelso, (que não conheci), não morreu… Continua presente através de pessoas que o divulgam, como tu.
    Excelente trabalho este teu, como todos os publicados e, com certeza, os que virão.
    Saúde!

  2. Vou ler novamente o livro. Talvez eu acabe descobrindo o misterio da morte de ParaCelso. Excelente artigo, como todos os outros.Abracos


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