Publicado por: Evaldo Oliveira | Fevereiro 1, 2013

ESTUPIDEZ, SEMPRE A VELHA ESTUPIDEZ

O escritor francês Martin Page, em seu livro Como Me Tornei Estúpido, conta a estória de um rapaz que buscava desesperadamente uma forma de nulificação pela idiotice. Antoine, jovem estudante de aramaico, percebeu que a inteligência e a consciência crítica se transformam em empecilhos para alcançar a felicidade. Decidiu, então, investir na idiotice como forma de sobrevivência, assumindo posturas de alto risco, sabidamente destrutivas para o ser humano.

Assumindo essa postura autocorrosiva, decidiu fumar desesperadamente. No máximo, depois de algum tempo, conseguiu uma tosse produtiva acompanhada de escarros purulentos. No início, sentiu tonturas e mal estares que o deixaram quase certo de conseguir seu intento.

Desistiu da empreitada. Concluiu que daquele modo não conseguiria dar fim à sua vida, e resolveu mudar de conduta. Optou por iniciar-se no vício da bebida. Conseguiu até um orientador especializado nas estratégias do alcoolismo, frequentando o submundo da boemia parisiense. Ao final e ao cabo, concluiria que, daquele jeito, ao menos a médio prazo, não conseguiria o seu intento.

Decidiu-se, então, pelo uso de antidepressivos como forma de sobrevivência, e novamente sentiu-se frustrado em sua empreitada autodestrutiva. Porém não desistiu de sua busca por uma conduta idiota. Descobriu um local muito frequentado, onde as pessoas recebiam orientação técnica de como se suicidar de forma poética, onde o sentimento de culpa era substituído pela ansiedade. Apesar de todo o seu empenho, também não conseguiu.

Quase no limite do desespero, Antoine imaginou uma cirurgia, no cérebro, ao nível do cíngulo, estrutura que contém circuitos neuronais que controlam o comportamento emocional, os processos motivadores (estado de necessidade ou desejo necessário à sobrevivência do indivíduo e da espécie, como fome, sede e sexo). Procurou um médico, mas viu frustrada sua determinação.

Antoine não conseguiu formatar-se como estúpido. Faltou-lhe o fino espírito da estupidez. Nos Estados Unidos, a venda indiscriminada e sem controle de armas de fogo de altíssimo poder destrutivo, que deveriam ser de uso exclusivo das Forças Armadas, é um bom exemplo de estupidez.

No Brasil, fica fácil a escolha de como se pôr a idiotice acima do bom senso, podendo contar com o beneplácito das autoridades, em sua ânsia de produzir leis e regulamentos ineficazes. Ainda mais, pode-se optar em dar cabo de si ou de centenas de vidas de jovens, seja em uma grande capital ou em uma cidade de menor porte.

Messe mix idiotizado individual, participam homens que implantam próteses mamárias para um falso aumento de volume dos músculos peitorais, o grande e o pequeno. Mulheres alteram não mais as mamas,  mas os glúteos, com implante de volumosas próteses, e por isso impedidas de sentar de forma confortável, e, ainda pior, meninas de corpo escultural se submetem a desnecessárias e perigosas lipoaspirações, com as consequências que vemos todos os dias na mídia.

No coletivo, torna-se possível construir uma casa de shows em desacordo com as normas elementares de segurança, contando com o descaso das autoridades de todas as latitudes, aí incluídas todas as formas de burocracia e desinteresse com os resultados.

Qualquer leigo sabe que uma casa de shows, construída para abrigar mais de quinhentas pessoas, tem de dispor de um sistema que facilite uma evacuação rápida. Também sabe que não se deve utilizar material de alta combustão no teto ou nas paredes de um ambiente sempre abarrotado de gente e de fios, muitas vezes desencapados ou em mau estado de conservação. Este é no plural: nós sabemos que não se pode autorizar o uso de artefatos que produzem faísca ou lancem chamas , sejam prateadas, douradas ou vermelhas. Aqui, uma reflexão: sinceramente, qual o encanto ou a graça que possui um sinalizador, com fogo em uma extremidade e um idiota na outra, e aceso em um local escuro e de difícil circulação do ar?.

Ao final, uma pergunta: em sã consciência, alguém acenderia um sinalizador no interior de sua própria casa, junto à sua família?


Responses

  1. Amigão, na qualidade de antitabagista convicto, para meu gáudio vejo que o amigo é, igualmente, moderado nos hábitos. Sabemos que, até mesmo as coisas boas e inofensivas, quando em demasia, podem ser maléficas à saúde. Você falou no idiota posicionado do lado oposto a uma futura (se não der chabu) explosão. Muitas vezes esse idiota se transforma em idiota parcial (sem dedos ou mãos) ou em ex-idiota. Será que fomos claros? Ao que tudo indica, jamais irei entender o ato de absorver fumaça para os pulmões ou a prática de acender um explosivo cujos transtornos e riscos se aqui fossem comentados iria indispor até um frade de pedra! Abraços e, doravante, temos mais uma meta a vencer, além da reunião em AB, qual seja, o lançamento do livro de crônicas.


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