Publicado por: Evaldo Oliveira | Novembro 9, 2013

FORDYCE, UMA ECTOPIA

 

Todos nós temos lembrança de pessoas de comportamento inadequado. Em geral, notamos que desde pequenas são  crianças desrespeitosas em casa, na escola, com professores e colegas, ao ponto de desenvolver comportamento grosseiro e violento com os amigos. vizinhos, e com pessoas do seu relacionamento. Desse modo, destroem brinquedos, placas e rua, picham paredes e equipamentos comunitários, destratam as pessoas. Em comum, o fato de  contarem sempre com a conivência e a estratégica proteção dos pais.

Ao final, temos adultos confusos, inadequados ao meio, mal desenvolvidos como fruta amadurecida no carbureto, que fica dura e com gosto travoso. Apesar de não apresentarem distúrbio na esfera psiquiátrica, desde o início de sua convivência social desenvolvem uma estranha forma de comportamento em total desacordo com seu meio, e geralmente contam com o apoio irrestrito de seus pais, insisto.

Há,  sempre, uma querela a ser resolvida com essas pessoas, devido a suas provocações, hoje bulling. Não formam uma história de vida útil, desfrutada ao lado de outros jovens de sua idade, seja nas rodas de amigos ou jogando futebol com a molecada.

Tais pessoas desenvolvem sua aura de crianças agressivas e se tornam adolescentes provocadores e brigões, construtores da desconstrução, sempre baseados na discórdia e em um inconveniente apego à grosseria e ao mau gosto em suas atitudes.

Muito tempo fiquei a imaginar o que leva uma criança ou um adolescente a uma vida de provocações e desacatos. Geralmente esses adolescentes ficam fora da escola, embora pertençam a família com boa situação financeira. Contam, quase sempre, com a superproteção dos pais e familiares e  têm como pano de fundo a desagregação familiar.

Há duas semanas, em meu trabalho, revendo um caso de lesão crônica de pele, localizada na linha de junção da pele com a mucosa do lábio superior de uma senhora, fui despertado para o entendimento dessa questão. A entidade clínica Grânulos de Fordyce, identificada por John Addison Fordyce (fordaice), médico dermatologista americano  falecido em 1925, que estudou dermatologia em Viena e Paris, caracteriza-se pela invasão (migração) de células da pele para a mucosa adjacente, neste caso a mucosa labial, com forte impacto estético. São células estranhas (da pele) que migram para a mucosa, um meio diferente do seu habitat original.

Ao final, fiquei com a impressão de que, do mesmo modo que as células da pele que migram para a mucosa causam um desarranjo no meio celular – Grânulos de Fordyce -, por não pertencerem àquele ambiente celular, pessoas de comportamento inadequado, que tentam conviver com outras de boa índole, geram uma disfunção no meio social e destoam completamente desse meio.

Células da pele que migram para região de mucosa, provocando reação local – Grânulos de Fordyce.

Pessoas de comportamento inadequado, estranhas ao ambiente, provocando disfunção no meio social – Síndrome de Fordyce, por mim aqui sugerida, com as desculpas ao Dr. John Addison Fordyce.

Fordyce

Grânulos de Fordyce. Foto da internet

Ah, não se conhece um tratamento definitivo para a entidade clínica Grânulos de Fordyce.


Responses

  1. Que tal: síndrome comportamental de Fordyce…???

    Maravilhoso!!!
    Paulo Montenegro, médico e advogado.

  2. Muito bom, Dr. Evaldo


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