Publicado por: Evaldo Oliveira | Março 28, 2014

O DIA DE SÃO JOSÉ E O EQUINÓCIO DE PRIMAVERA DOS CELTAS

Stonehenge

Foto pessoal

Os celtas habitavam a ilha de Grã Bretanha. Ali, foram atacados pelos soldados do Império Romano. Os celtas eram um povo forte e de grande estatura. No livro Stonehenge, Bernard Cornwell descreve como esse bravo povo conseguiu, dois mil anos antes de Cristo, empilhar blocos de pedra pesando dezenas de toneladas para formar seus alteres sagrados.

Para os celtas, as datas dos equinócios e dos solstícios eram marcos importantes, que definiam festividades e comemorações. Por sua especial disposição, nos dias mais longos e mais curtos do ano (solstício e equinócio), ambos os monumentos de Stonehenge se alinhavam de modo incrível ao nascer e no pôr do sol.

No equinócio de outono (Mabon) dia (do deus Slaol) e noite (da deusa Lahana), sempre em disputa, tornam-se iguais. Para os celtas, o Mabon correspondia à segunda colheita do ano, e o altar deveria estar forrado com folhas secas e enfeitado com as sementes que germinarão na primavera.

A recente passagem do dia 20 para o dia 21 de março marcou o equinócio de outono no hemisfério sul e o equinócio de primavera no hemisfério norte. Para os sertanejos, esse dia coincide como dia de São José, comemorado no dia 19 de março.

solsticio-e-equinocio

Foto da internet

No hemisfério sul, o equinócio que ocorre em março (dia 20 ou 21) marca o início do outono, e o de setembro (dia 22 ou 23) marca o início da primavera. No hemisfério norte acontece o inverso: em setembro inicia o outono e, em março, a primavera. O dia do equinócio pode variar a cada ano, devido ao ano solar ter 365 dias e mais algumas horas.

Aqui, muita ansiedade e esperança antecedem o dia de São José nas casas dos agricultores, que aguardam um comando do céu para o incremento das providências para o plantio, em especial a preparação da terra. As experiências do homem do campo têm fundamentação científica, relacionando-se com as condições climáticas e oceânicas que favorecem a ocorrência de chuvas nesse período no Nordeste do Brasil.

No dia de São José, homens e mulheres do campo e de pequenas cidades se reúnem para celebrações especiais, culminando com procissões. Enxadas e outros utensílios da roça são exibidos pelos sertanejos, em reforço às preces e cantorias, em sua ânsia por chuvas no semi-árido nordestino. Chuva nesse dia sinaliza para perspectivas de um ano bom para a agricultura. Aqui, a Convergência Intertropical e outras denominações meteorológicas são temas de reuniões fechadas, em gabinetes distantes.

Aqui, dia de São José. Para os celtas, a exata duração de 12 horas do dia e da noite já era conhecida  mais de dois mil anos a.C., e também era marcada por festividades.


Responses

  1. Evaldo, uma verdadeira aula não só de Geografia (matéria pela qual não consegui me apaixonar), mas aí está uma curiosidade que me chamou a atenção. a relação da experiência do homem do campo com as condições climáticas e oceânicas. Na minha ignorância, seria só crendice popular.
    O que nos alegra é o fato de, desde o dia de São José, as chuvinhas têm molhado nossas plantinhas e trazendo esperança ao homem do campo.
    Continuas a nos satisfazer com teus significativos escritos, pelos quais seremos sempre gratos. Um abraço.

  2. Amigo Evaldo.
    Concordo quando o amigo diz ” as experiências do agricultor familiar têm fundamentos científicos”. Hoje a ciência continua chamando o conhecimento do agricultor familiar em conhecimento empírico; porém, este conhecimento adquirido com a experiência se perpetua ao longo das gerações e nos ensina e embasa para o conhecimento científico.
    Como aprendemos com os romanos que anexavam os povos conquistados e em alguns casos, estes ex-escravos conquistavam a cidadania romana.
    Os equinócios e os solstícios estão aí. Viva São José! Viva a chuva!

  3. Prezado Evaldo! Sempre uma ótima crônica.Dia de São José é uma dia de esperanças para nossos agricultores. Há pessoas que fazem promessa neste dia. Colocam em uns pedaços de papel nomes de frutas. Dobram e colocam num depósito e escolhe um. O nome que sair no papel, fazem um pedido e ficam um ano sem comer a fruta sorteada. Voltando a comer só no próximo dia de São José. Será que algum leitor já fez isso?
    Um grande abraço a todos e que Deus os abençoe


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