Publicado por: Evaldo Oliveira | Novembro 21, 2014

ARRITMIA, PARADA CARDÍACA, MARCA-PASSO, essas coisas

O ano era 2004. Fim de semana prolongado. Providências tomadas, check list consultado inúmeras vezes. Pescaria no rio Araguaia. Deslocando-se pelo rio em uma pequena embarcação, o grupo de amigos sorria e a conversa fluía alegremente, cada qual a exibir suas qualidades de pescador. Em dado momento, Arnaldo sentiu-se mal e desmaiou, tombando para dentro do barco. Rapidamente os amigos providenciaram um atendimento médico nas proximidades, e o agora paciente foi trazido para Brasília.

Após atenta avaliação clínica e realização de alguns exames, Arnaldo foi encaminhado pelo cardiologista para o arritmologista. Realizado o estudo eletrofisiológico, o médico – baiano com especialização e doutoramento no exterior -, constatou a necessidade de se colocar um desfibrilador implantável com o objetivo de prevenir uma parada cardíaca. O paciente ficou assustado com a indicação do médico, e resolveu procurar dois outros profissionais. Um médico posicionou-se a favor da indicação do arritmologista e o outro foi contra esse implante, sugerindo apenas um acompanhamento clínico, com o uso das medicações por ele indicadas.

Em dúvida, Arnaldo foi para São Paulo consultar-se com um especialista que, após avaliação clínica e análise de seus exames, posicionou-se contra a implantação do desfibrilador.

No ano de 2010, o médico arritmologista percebeu que o próximo paciente a ser chamado era Arnaldo, e resolveu chamá-lo da porta. Arnaldo não viera à consulta. Sua esposa entrou na sala do médico e falou:

– Doutor, meu marido não sabe que eu estou aqui. Vim apenas dizer que o senhor estava certo. Arnaldo teve uma parada cardíaca há alguns dias, e não morreu porque nós moramos quase em frente ao Hospital Regional de Planaltina, e fomos prontamente atendidos. Depois de medicado na emergência, foi encaminhado para um hospital de cardiologia, onde foi implantado um desfibrilador em seu peito. Eu vim apenas dizer que o senhor estava certo na sua indicação.

E abraçou o médico efusivamente.

Aqui, a mais pura gratidão, o reconhecimento e o respeito por um profissional.


Responses

  1. Evaldo, impossibilitada de me deter na leitura e/ou escrita por motivo de um derrame no olho (não sei a expressão científica), não posso deixar de comentar as duas crônicas com esses maravilhosos exemplos: de dedicação à profissão, no caso da sábia Lena, bem como a manifestação de reconhecimento, por parte desta senhora que retornou ao médico para agradecer. São fatos raros nos dias atuais!
    Relatos assim são dignos de publicação, como sempre fazes.
    Grande abraço.

  2. Belo gesto de uma “quase-viúva”. Se o médico que desestimulou o implante tomasse conhecimento desse episódio seria uma maravilha. Pra ele, inclusive.
    PS – Desconfio, vagamente, que sei quem é o médico baiano que indicou o implante, corretamente. Parabéns pra ele também (principalmente).


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