Publicado por: Evaldo Oliveira | Janeiro 13, 2017

UM PSIQUIATRA, DOIS MOMENTOS

Primeiro momento

Dr. Everson é um psiquiatra alinhado com a modernidade de sua especialidade, e busca sempre procurar entender a mensagem por trás de uma queixa ou atitude de seus clientes. Desse modo, está sempre disposto a ouvir seus pacientes. Certo dia, estava em seu consultório, atendendo uma consulta, quando o telefone tocou. O médico fez de conta que não percebera o número no visor do telefone.Um minuto depois, novamente aquele número aparecia na telinha do aparelho. Era ele. Resolveu atender.

Era ele, mais uma vez. A terceira chamada em cinco minutos. O médico tirou o telefone da base e falou com voz pausada:

– Qual é o problema, seu Lázaro (nome fictício)?

– Doutor, por favor me ajude. – Falava o cliente, já bastante conhecido do profissional. Sua voz denotava um tom de aflição e desespero.

– Seu Lázaro, fique calmo e me explique o que está acontecendo.

– Doutor, fui sequestrado!

– O senhor tem certeza do que está dizendo?

– Tenho, sim. Estou preso em um quarto.

– Seu Lázaro, conte o que é que tem nesse quarto em que o senhor foi colocado.

– Tem uma cama, um ventilador de teto, uma cadeira e um aparelho de televisão igual ao meu.

– Seu Lázaro, o senhor deve estar em seu quarto. Veja direito.

– É, doutor, agora percebi. Estou em meu quarto.

E desligou.

Segundo momento

Há um mês, saindo do elevador do prédio onde tem o consultório, sentiu seu aparelho celular vibrar no bolso da calça e verificou quem era o responsável por aquela ligação.

Do outro lado um cliente implorava por um atendimento de emergência para a manhã seguinte, bem cedo, porque seu caso era muito grave. Inclusive ele não entendia como ainda estava vivo depois daquele incidente.

O médico concordou em chegar meia hora mais cedo para atender o paciente, em vista da urgência do caso.

Quando o psiquiatra chegou, meia hora antes de iniciar o expediente, o paciente já o esperava há meia hora. Estava muito aflito e angustiado.

– Seu Jaime, o que aconteceu?

– Doutor, um inseto picou bem no alto da minha cabeça. Nem sei como não morri.

Pacientes. Conflitos.

Capacidade para entender as mensagens que cada paciente traz consigo.

Psiquiatria.

Evaldo Alves de Oliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 


Responses

  1. Evaldo, ser m€dico representa mais que uma profissão, uma missão, semelhante a do professor, pelo menos para uma boa parte de quem a abraça ‘por vocação’.
    Ser psiquiatra requer uma dose maior de paciência… Tem que alcançar não só a mente, mas a alma humana tamb€m, para conseguir a cura ou dela se aproximar.
    Tua crõnica me reporta a um tempo, não tão distante, em que necessitei dos cuidados profissionais de um deles. Encontrava-me como uma dessas criaturas por ti citadas (ou como as duas…)
    Foi necessário muito esforço para vencer a barreira da minha introspecção.
    Mas o profissional conseguiu e, eu, fiz minha parte; paguei com “moedas de ouro” a minha cura.
    Estamos quites…profissional e paciente, cada um na sua
    Grande abraço, amigo!


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

w

Connecting to %s

Categorias

%d bloggers like this: