Publicado por: Evaldo Oliveira | Abril 7, 2017

NOS CAMINHOS DE COMPOSTELA

Um caminhante solitário. Um vinho tinto para aquecer pelos caminhos do desconhecido. Uma exaustão que alivia. Um sofrimento que acalma. Uma caminhada sem pressa. Quando chega a noite, nos diversos albergues, o cuidado com dolorosas bolhas em pés estropiados. Na cabeça, um deletar de sentimentos que não dignificam, pois criados pela soberba. Em seu lugar, a real percepção de um novo pensar.

Como apetrechos de viagem, uma mochila facilita a caminhada, com acolchoamento nas costas e nas laterais do corpo. Um saco de dormir pode ajudar em determinados locais. Não esquecer de amaciar previamente os calçados, para evitar contratempos.

No caminho, curvas com os mistérios que hão de vir. Na sequência, grandes retas em estradas de um cascalho grosseiro, tantas vezes massacrado, mas que se renova a cada dia, depois de um benfazejo vento úmido das madrugadas; e novamente pronto para machucar. Somente no final as pessoas se convencem de sua função. Não tenha medo de se perder pelas veredas que abrirão braços e bocas e lhe chamar. A lenda indica que basta seguir o traçado das estrelas para que cheguemos ao túmulo de São Tiago, uma peregrinação que se perpetua desde o século IX.

Diferentes caminhos partem de toda a Europa, e geralmente se entroncam nos caminhos espanhóis ou no Caminho Francês. O peregrino (do latim per aegros, “aquele que atravessa os campos”) tem como símbolo uma vieira, que se supõe originário de povos ancestrais de antes do cristianismo.

Ao fim da caminhada, o Portal da Glória na entrada da catedral espera cada peregrino com um esplendor que surge da simplicidade. Nada de brilho. Tudo aconchega, engrandece e encanta. Se der sorte, poderá assistir ao vai e vem do botafumeiro* espargindo paz e calor.

O Portal da Glória e as bruxinhas vieram comigo

Ao final, a transformação.

(*) Trata-se de um turíbulo gigante que balança na nave durante as missas dos peregrinos e outras ocasiões importantes. Para sua movimentação, são necessários oito homens treinados. O primeiro turíbulo foi presenteado no século XI pelo rei da França, Luiz XI.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 


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