Publicado por: Evaldo Oliveira | Abril 13, 2017

PISANDO EM OBRAS-PRIMAS

Quando pisamos sobre essas pedrinhas, geralmente de cor branca ou preta, ou as observamos servindo de fundo de paredes de importantes edifícios, não nos damos conta de que há uma história por trás do bate-bate dos calceteiros.

“Se você me disser que caminha sobre verdadeiras obras-primas, direi como os lisboetas que estás a pisar nas calçadas portuguesas”. É o chamado mosaico português, também conhecido como petit-pavé, geralmente em calcário branco ou preto.

As calçadas, em Portugal, fazem parte do patrimônio cultural, a ponto de a Câmara Municipal de Lisboa criar, em 1986, a Escola de Calceteiros. O objetivo é preservar os conhecimentos sobre a arte de construção e conservação das calçadas portuguesas.

No Brasil, a origem das calçadas, ao que parece, teve início com a fuga da família real para cá, no ano de 1808. D. João VI, previdente, trouxe um mestre calceteiro entre os homens de sua confiança, e certamente terá deixado rastros de seu trabalho em terras tupiniquins.

No ano de 1906 um carregamento de pedras portuguesas chegou ao Brasil, vindas de Portugal juntamente com um grupo de calceteiros. A quantidade que chegou no Rio de Janeiro era enorme, sendo calçada toda a Avenida (que mais tarde seria a Avenida Rio Branco), a Avenida Atlântica, além de áreas de Copacabana e do Leme. Em Copacabana, o desenho das ondas, imitando o mar, foi trazido pelos calceteiros portugueses. O desenho de hoje mostra curvas redesenhadas, mais modernas.

Esta rara foto de 1922, de autor desconhecido, mostra os 18 oficiais do Forte de Copacabana marchando em direção à morte. Observe que a calçada de pedras portuguesas do interior do Forte já existia desde 1906, com desenhos diferentes dos de hoje.

A Revolta dos 18 do Forte: Revolta tenentista que ocorreu no dia 5 de julho de 1922, com a participação de 17 militares e um civil, que se juntara ao grupo. Entre as causas do levante, o descontentamento com a derrota de Nilo Peçanha para Arthur Bernardes e a prisão do Marechal Hermes da Fonseca, ex-presidente do Brasil e presidente do Clube Militar. Os militares foram mortos pelas forças do Governo e o forte foi bombardeado.

No Brasil, não chegamos ao esmero nem ao prestígio dos calceteiros. Os trabalhos com o assentamento das pedras portuguesas foram assumidos pelos pedreiros, sendo que alguns se especializaram nessa área da construção civil, conseguindo elaborar calçamentos conhecidos no mundo inteiro.

Caminhar sobre pedras portuguesas. Pisando sobre obras-primas repletas de história.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN


Responses

  1. Evaldo: A orientação no desenho da calçada de Copacabana foi mudado em 1930. Mas uma segunda reforma foi feita sob a supervisão de Burle Marx, em 1970, quando a largura da calçada foi dobrada e as características atuais definidas. O governador do então Estado da Guanabara era Negrão de Lima. Se não me engano, o único eleito pela então oposição. Mas que, na prática, não foi tão oposicionista assim. Nem poderia.


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