Publicado por: Evaldo Oliveira | Maio 19, 2017

EM ÉVORA, ALMOÇO COM UM CHEF

Ainda no Brasil, já acertada nossa viagem a Portugal, decidimos que visitaríamos Évora mais uma vez. Na busca por um bom restaurante, com preços ajustados ao nosso limitado orçamento, ficamos com aquele que nos transmitia um ar de coisas da terra. Taberna Típica Quarta-Feira. E fomos nós.

Chegando a Évora, revisitamos seu centro histórico bem preservado, e declarado Patrimônio Mundial pela Unesco. O Templo de Diana, local dedicado aos cultos imperiais, mais uma vez nos encantou. A Capela dos Ossos, um enclave na Igreja de São Francisco, desta vez nos mostrou até onde vai a insensatez humana: construída no século XVII, seu interior – que é iluminado pela luz que entra por três pequenas frestas do lado esquerdo – teve um número incontável de ossos furtados de suas paredes. Uma pena. Mas ainda estava lá a mensagem com que somos recebidos logo à entrada: Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos.

 Por volta do meio dia a fome discretamente nos avisava do horário agendado na taberna. Lá, descobrimos que o restaurante tem apenas cerca de seis mesas, e que os clientes não sabem o que vão degustar. Vai depender do que o chef resolvera preparar para aquele dia. É a norma da casa, que conhecíamos desde que a escolhemos.

O chef dirigiu-se a cada mesa para explicitar o que seria servido naquele almoço, elaborado com ingredientes que ele considera serem mais adequados para o seu estilo. Isto é chamado de Cozinha de Ingredientes, quando o chef escolhe o que há de mais fresco e característico de sua região; do presunto ao vinho. Todo o sabor vem da simplicidade e não da complexidade da preparação.

As entradas – queijo de cabra do Alentejo, aspargos enrolados no presunto, lascas de presunto, cogumelos recheados com sopa feita da água que eles mesmos soltam no cozimento (enriquecida com ervas), salada verde de amargos, rabanete grelhado, cubos de peixe e molho de pimentões – foi seguida do prato principal: batatas fritas, arroz (cozido em caldo) com cenoura, migas (preparado com espinafre e farinha de rosca) e porco negro assado. Como se já não bastasse, veio a sobremesa – shot de sorvete de limão com vinho doce e cachaça, bolo de nozes com ovos moles (lembra de ovos moles de Aveiro?) e doce de ovos.

Ao final, um preço mais que justo, e a certeza de havermos participado de algo inesquecível.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 


Responses

  1. Que legal!!


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