Publicado por: Evaldo Oliveira | Agosto 18, 2017

OS CONTORNOS DO INCONTORNÁVEL

Imagine uma estrada ou autoestrada construída no perímetro de grandes cidades, como São Paulo, com o objetivo de conectar importantes vias de circulação de veículos para evitar que o tráfego mais intenso afete vias de menor escoamento. Esta é a ideia do rodoanel ou anel viário.

Na região metropolitana de São Paulo existe o Rodoanel Mário Covas, que ainda se encontra em fase de construção, por sua magnitude. No Rio de Janeiro, o Arco Metropolitano encontra-se em fase final de construção, restando apenas a duplicação de uma via expressa para que o arco esteja pronto e duplicado.

Agora, imagine uma cidade no interior do Ceará, com sessenta e oito mil habitantes, localizada a 310 quilômetros de Fortaleza. Alguém pensou: Nada melhor do que construir aqui um anel viário para escoar o trânsito nas estradas que cortam o município.

Na realidade, as estradas são poucas, e o movimento de veículos não é assim tão intenso. Mas resolveram viabilizar o empreendimento, que certamente rendeu votos e outras vantagens aos políticos e burocratas envolvidos.

Escolheram dois pontos de uma mesma rodovia, que passa pela periferia da cidade, e deram início à construção. São duas estruturas em concreto – pequenos viadutos – uma ao lado da outra, localizadas no mesmo trecho da rodovia, replicada cerca de dois quilômetros uma da outra. Desse modo, quatro pequenos viadutos, dois a dois, consumiram o dinheiro dos nossos impostos e a paciência dos moradores, há cerca de vinte anos.

E os monstrengos estão lá, dois na chegada e logo à frente mais dois que, juntos, constituiriam o anel viário de Tianguá. Quando muito, servem para que caminhoneiros estacionem veículos de grande porte debaixo dessas estruturas, onde descansarão ou passarão a noite.

Uma beleza… de desperdício.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN.

 


Responses

  1. Dr. Evaldo, (como Dodora costuma tratar o amigo escritor, poeta, compositor, cantor, professor, e (também) doutor).
    Como podes pensar em nos privar de teus escritos quando escreves assim, tão esplendorosamente?!
    Uma crônica contendo, além de uma linguagem fluente, clareza, elegância, tudo presente no relato de um assunto interessante, fruto de tuas romarias por este nosso Brasil e/ou além mares.
    Só temos a te agradecer por nos proporcionar tão excelentes textos.
    Um abraço.


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