Publicado por: Evaldo Oliveira | Setembro 22, 2017

OS DEZOITO DO FORTE, para não esquecermos

Imagine alguém que caminhasse tranquilamente pela praia de Copacabana no dia 5 de julho de 1922. O mar agitado emitia suas baforadas de água, quebrando em seguida mansamente na areia. Contemplando o mar, essa pessoa olharia para o lado direito, e veria ao longe o Forte de Copacabana. Naquele momento, um grupo de militares se deslocava pelo calçamento – que já naquela época mostram os desenhos que hoje são vistos no calçadão de Copacabana – de forma meio desorganizada, carregando em suas mãos um mosquetão. Naturalmente, essa pessoa olharia durante algum tempo para esse grupo e logo voltaria sua atenção para a praia em frente.

Sem o saber, esse brasileiro estava de frente para um pequeno grupo de 18 pessoas que, um pouco mais à frente, seriam massacradas pelas forças do governo. É que, naquele dia, o Capitão Euclides Hermes da Fonseca, filho do Marechal Hermes da Fonseca, havia preparado o forte para uma revolta que teria início naquela manhã.

Conhecido como a Revolta dos 18 do Forte ou Revolta do Forte de Copacabana, esse levante teve como motivação a tentativa de derrubada da República Velha, em que as oligarquias e o latifúndio, atrelados ao poderio dos fazendeiros, se opunham a um ideal de democracia idealizado por setores das forças armadas, em especial tenentes, sargentos, cabos e soldados. A República Velha, conhecida como Primeira República, é o período da nossa história que vai da proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, até a Revolução de 1930, quando se iniciou a República Nova, iniciada com o governo de Getúlio Vargas.

Arthur Bernardes foi lançado candidato governista para as eleições de 1º de março de 1922, disputando com Nilo Peçanha. Favorecido pela máquina do governo, Arthur Bernardes venceu com 56% dos votos válidos. A oposição insistia na existência de fraudes.

Nesse período, surgiram cartas atribuídas ao candidato Arthur Bernardes ofensivas ao Exército e ao Marechal Hermes da Fonseca, que culminaram com o fechamento do Clube Militar, cujo presidente era o Marechal Hermes da Fonseca, ex-presidente do Brasil.

Em consequência, na manhã do dia 5 de julho de 1922 o forte sofreu bombardeio da Fortaleza de Santa Cruz da Barra, que fica do lado oriental da barra da Baía de Guanabara. A maioria dos 301 revolucionários desistiu da luta, mas 29 militares decidiram manter-se em combate.

O Capitão Euclides Hermes, ao sair para tentar uma negociação, acabou preso. Os 28 restantes saíram marchando pela Avenida Atlântica em direção ao Leme, porém alguns se dispersaram. No final, apenas 17 militares continuaram sua marcha em direção ao Leme, e a esse grupo se juntou o civil Otávio Correa. Os 18 revolucionários foram derrotados em frente à Rua Barroso – atual Siqueira Campos – na altura do Posto 3 de Copacabana.

A Gazeta de Notícias noticiou a morte de 14 revoltosos, além de 5 feridos. O Correio da Manhã noticiou 30 feridos, entre ambas as forças. Entre os tenentes, apenas Siqueira Campos e Eduardo Gomes sobreviveram, embora feridos. Há outros números, dependendo da fonte de informação.

Ali, 18.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN


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