Publicado por: Evaldo Oliveira | Novembro 3, 2017

ARQUITETOS E RESTAURADORES

Os arquitetos têm a chance, assim como os pintores, de um devaneio artístico em suas obras, ora criticando os poderosos do momento e outras vezes inserindo em suas obras um detalhe inusitado, um grito calado, uma mensagem subliminar.

Em Dubrovnik, uma bela e bem conservada cidade medieval, fomos visitar um edifício onde funciona a primeira farmácia do mundo, desde 1317. Caminhando por seus corredores, uma coluna ornamentada por rostinhos sorridentes, quase angelicais. Ao apurar a visão, nos damos conta de que um rosto com a bochecha inchada tenta se esconder. E que, na finalização dos trabalhos naquelas colunas, o arquiteto teve uma infecção dentária, talvez um abscesso. E ali ficou marcado seu protesto.

No centro da cidade de Reims, capital da região de Champagne, na França, há uma réplica da catedral de Notre Dame. Após a visita à igreja, dirigimo-nos a uma pequena praça logo em frente e passa a degustar o champagne local. Logo, algo atrai sua atenção no portal do lado esquerdo. Você fica em dúvida e sai para

uma olhada de perto. E descobre um anjo sorrindo sem desfaçatez. Aqui, o gozo do arquiteto.

A catedral de Salamanca, na Espanha, construída entre os séculos XVI e XVIII, tem basicamente dois estilos: gótico tardio e barroco. Admirando sua fachada externa, descobre-se a figura de um astronauta que, de forma descarada, nos enche de pensamentos surreais e ideias conspirativas. Nada mais que a ação de um restaurador anônimo que ali deixou sua marca, não sei se de bom ou mau gosto.

Foto de Luís Fernando, angiologista

Na cidade de Freiburg, entre os anos de 1120 e 1230, foi construída uma catedral gótica belíssima. Ao visitar a catedral, você, com um pouco de curiosidade, pode descobrir uma gárgula em posição desconcertante, com a saída da água da chuva disposta em local inadequado. Em Freiburg, mais um caso inusitado perpetrado por um restaurador estressado ou um pedreiro insatisfeito.

Foto de Luís Fernando, angiologista

Em Dubrovnik e em Reims, a marca do arquiteto. Em Salamanca e em Freiburg, a vingança do restaurador.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 


Responses

  1. Sensacional essa tua crônica, Dr. Evaldo, com um toque pessoal muito bem humorado, legitimando a autoria do inconfundível escritor.
    Um abraço.


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