Publicado por: Evaldo Oliveira | Dezembro 8, 2017

MEU PRIMO FAMOSO

Trago comigo a visão quase infinita das veredas.

Comigo, a cor das várzeas mais distantes.

Conheço, na secura desse chão, o esconderijo das nascentes.

Do sol, a lembrança de seus raios no morrer das madrugadas.

De Pedrinhas, Casqueira e Ponta do Mel,

a visão mais justa, mais real de um bravo povo.

Das salinas, o cheiro da maresia e o branco que ofusca.

Dos raros calangos, a visão do susto e da fuga desabalada;

finjo que perco a busca, ao sabe-los tão escassos.

Já senti de perto a fúria do vento quente em noites de verão

e vi os raios desvirginando a noite que, aflita,

tentava esconder-se no outro lado do escuro.

Da família Scolopacidae, migrei para as praias potiguares

junto com o tempo, quando ainda novos, eu e ele.

Sou o Maçarico de Várzea, o fiscal alado das falésias.

Mas tenho um primo importante, que frequenta os campos de futebol de quase todo o Brasil. De família nobre – Charadriidae -, é famoso em toda a América do Sul e faz parte do folclore em diversas regiões.

Em seu voo magistral, lembra um avião de combate. Traz esporões ósseos no ângulo de suas asas, lembrando armas de guerra. É um sujeito que defende seu território, não importando em provocar rixa com elementos de qualquer espécie que habitem a mesma campina. Seu nome, Quero-quero – Vanellus chilensis – também conhecido por tetéu e espanta boiada.

Quero-quero no ataque – internet

Após um ataque de quero-queros em um estádio de futebol, o chefe do bando foi entrevistado, e desabafou: Atacamos, sim. Nós moramos aqui, e tivemos nosso espaço invadido por esse grupo de jogadores que, vez por outra, ameaçam destruir nossas moradias. Eles pisam com essas chuteiras cheias de cravos, arremessam bolas em alta velocidade e ainda se jogam sobre nossas moradias, escorregando, seja simulando faltas inexistentes seja comemorando simples gols. Eles não ganham um dinheirão para isso? Alguns chegam a tirar a camisa do time e jogam sobre nós. Por isso atacamos.

Maçarico de várzea; primo pobre do quero-quero, que se exibe sob os flashes nas arenas de futebol. Assim, defendem seu território com seus voos de guerra.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

w

Connecting to %s

Categorias

%d bloggers like this: