Publicado por: Evaldo Oliveira | Janeiro 5, 2018

O ASSASSINATO DE JOÃO PESSOA E A REVOLUÇÃO DE 1930

Nós, brasileiros de classe média, não temos o hábito de ler a respeito dos fatos que marcaram nossa história. Mas é simples. Para isso podemos contar com a internet. Assim, eu o convido para um passeio pela História do Brasil.

Para entendermos os fatos que deram início à Revolução de 1930, é preciso entender o período monárquico brasileiro, que durou 67 anos, isto é, desde a independência, em 1822, até o ano de 1889, quando o Marechal Deodoro da Fonseca liderou um golpe militar que instituiu a República dos Estados Unidos do Brasil. No ano de 1891 foi elaborada a primeira constituição do período republicano, que vigorou até 1930. Este período é conhecido como República Velha. Durante esse período, o Partido Republicano Paulista-PRP e o Partido Republicano Mineiro – PRM fizeram alianças que lhes garantiriam o revezamento na presidência da República, artifício conhecido como política do café com leite.

Em consequência desse acordo, no dia 15 de novembro de 1926 Washington Luís assumia a presidência da República, em eleição sem opositor. No final do seu mandato, em 1930, o presidente rompeu com a política do café com leite, ao apoiar a candidatura de outro representante da política paulista, Júlio Prestes, que venceu as eleições contra Getúlio Vargas. O grupo derrotado, usando como pretexto o assassinato de João Pessoa, uniu-se a chefes militares do Exército e da Marinha e depuseram o presidente, instalando uma junta militar que, em seguida, transferiu o poder para Getúlio Vargas. Com isso, terminou o domínio das oligarquias no poder, e Getúlio Vargas governou o Brasil de forma provisória entre 1930 e 1934. Em 1934 o próprio Getúlio foi eleito presidente constitucional do Brasil pela Assembleia Constituinte, com mandato até 1937. Porém, através de um golpe que teve apoio de setores militares, permaneceu no poder até 1945. Era o fim do período conhecido como Estado Novo.

E onde João Pessoa entra nessa história? João Pessoa nasceu na cidade de Umbuzeiro em 1878; era sobrinho de Epitácio Pessoa, que fora presidente da República no período de 1919 a1922. O assassinato de João Pessoa por João Dantas, ocorrido em Recife no dia 26 de julho de 1930, no interior da Confeitaria Glória, quando ainda era presidente da Paraíba, foi o gatilho que pôs em marcha os entendimentos que culminariam com a deflagração da Revolução de 1930. O escritório de João Dantas fora invadido por homens da polícia, supostamente a mando de João Pessoa. O presidente da Paraíba era candidato a vice-presidente da República, na chapa de Getúlio Vargas, mas perderam para o candidato governista Júlio Prestes. Em sua homenagem, a capital do estado da Paraíba, antes denominada de Parahyba, passou a se chamar João Pessoa a partir de 4 de setembro de 1930.

O Nego da bandeira da Paraíba teve origem neste telegrama: Paraíba, 29-julho-1929. Deputado Tavares Cavalcanti: Reunido o diretório do partido, sob minha presidência política, resolveu unanimemente não apoiar a candidatura do eminente Sr. Júlio Prestes à sucessão presidencial da República. Peço comunicar essa solução ao líder da Maioria, em resposta à sua consulta sobre a atitude da Paraíba. Queira transmitir aos demais membros da bancada essa deliberação do Partido, que conto, todos apoiarão, com a solidariedade sempre assegurada. Saudações: João Pessoa, Presidente do Estado da Paraíba.

O professor Fábio Lafaiete Dantas, em seu livro Uma Família na Serra do Teixeira, questiona: O nome vigente da capital simboliza a tragédia ampliada das mortes de João Pessoa, João Dantas, Augusto Caldas, Anaíde Beiriz e João Suassuna; simboliza também a vitória dos que se apropriaram da tragédia, criaram um mito do bem e um mito do mal, transformando esta criação num poder que, malgrado sua fragilidade, atravessou o século. Respeitável quando designa um paraibano ilustre, o nome João Pessoa passa a representar também a grande tragédia. Imposto que foi pela manipulação das massas traumatizadas, perdura o nome mesmo depois da tragédia diluída pela realidade dos fatos.

O Prof. Lafaiete questiona: Os paraibanos levarão para sempre em sua bandeira uma palavra do ídolo – Nego – significando um ato estritamente pessoal, que foi negar-se a aderir a uma articulação política? Deverá a bandeira paraibana manter assustados os supersticiosos, ao alçar um ícone de mau agouro? É justo que a bandeira paraibana faça com que a negativa circunstancial de um líder signifique que o povo paraibano, onde quer que hasteie sua bandeira, esteja proclamando uma atitude de negatividade generalizada, ilimitada e perpétua?

Assassinato de João Pessoa por questões pequenas, pessoais. Um pretexto para mais um golpe contra a democracia.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 


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