Publicado por: Evaldo Oliveira | Janeiro 19, 2018

OUVINDO A VOZ DE DEUS? Se não, de quem?

Em apenas dois momentos de minha vida ouvi uma voz fluindo dentro de mim, de forma suave, mas firme. Porém eu ouvi essa voz de forma limpa, clara, em pleno dia no primeiro evento e em plena madrugada, no segundo. Nos dois casos, encontrava-me sozinho.

Na década de 1990 eu era chefe de uma unidade de saúde e, como tal, dispunha de uma vaga privativa para estacionar meu carro. Trabalhei ali durante quase 25 anos, pelo período de quatro anos fui chefe da unidade.

Certa manhã, chegando bem cedo, estacionei o veículo que havia dado à minha filha por ter sido aprovada no vestibular, pois meu carro estava em revisão na concessionária. Estacionei debaixo de uma árvore, onde costumava fazê-lo todos os dias, e saí. Quando cheguei na metade do corredor que dava para minha sala, ouvi perfeitamente uma voz suave, mas incisiva, dizer: Volte e retire seu carro daquele local. Agora. Parei e pensei um pouco. Sim, aquela voz ainda reverberava em minha mente, quando voltei e retirei o carro e o estacionei em um local ao lado. O guarda achou estranho aquela atitude, mas nada falou. No momento em que eu retornava pelo corredor, caminhando para a sala da chefia, o guarda me chamou forte, com veemência, para que eu comparecesse ao local onde de onde eu havia retirado o carro. Lá, fiquei estático ao constatar que um galho enorme da árvore havia caído exatamente onde há uns dois minutos eu havia retirado o carro da minha filha, e provocara um pequeno afundamento no asfalto. À noite, em casa, concluí que aquela voz não havia entrado pelos meus ouvidos, mas, ao contrário, viera de dentro de mim. Alguém me dera uma ordem, mas quem?

Cerca de três anos depois, eu retornava da casa de uma criança adoentada que eu acabara de visitar. Eram duas da madrugada, e entrei no Buraco do Tatu, uma via subterrânea escavada que passa por baixo da rodoviária, no centro de Brasília -, via de mão dupla – duas faixas para cada lado. Eu dirigia na velocidade da via, na faixa da esquerda, logicamente bem próximo à faixa da esquerda de quem vinha em sentido contrário. No momento em que me aproximava da saída dessa via rebaixada, ouvi nitidamente uma voz dizer: Saia dessa faixa. Vá para a direita. Em um reflexo inesperado, puxei o carro para a direita e quase fiquei sem voz, de tanta perplexidade. Acabara de passar, em alta velocidade, um carro que invadira a contramão e passara por mim, exatamente na faixa à minha esquerda, onde me encontrava quando recebi a ordem para dali me afastar. Aquela voz também não chegara a mim pelos ouvidos. Viera de dentro. Novamente alguém me dera uma ordem, mas quem?

Pesquisando na internet, descobri algo que talvez oriente um eventual debate sobre essa questão: Sem dúvida, há diversos idiomas (vozes) no mundo; todavia, nenhum deles é sem sentido. Portanto, se eu não entender o significado do que alguém está falando, serei estrangeiro para quem fala, e ele, estrangeiro para mim (1 Coríntios 14:10,11).

Este evento me leva ao encontro de uma dúvida que algumas pessoas têm a respeito do fato de os apóstolos terem ouvido a voz de Cristo após a ressuscitação. Um dia desses, dizia um sujeito na televisão: Como podem eles, os apóstolos, ter ouvido uma voz, se não havia um aparelho fonador para produzir as palavras supostamente ouvidas? Sem um aparelho fonador não pode haver som, voz, comunicação oral, rebateu o debatedor.

Hoje, tenho certeza. Não há necessidade de aparelho fonador para que se escute uma voz. Alguém, ou algo, pode, sim, falar conosco pelo lado de dentro de nós mesmos. De que modo? Não sei.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Sem chance.

 

 

 

 


Responses

  1. Evaldo, belíssima crônica! Explicitados com segurança, clareza e precisão ambos os fatos.
    E concordo plenamente contigo a respeito de ‘ouvir vozes vindas de dentro de nós mesmos’, sem entendermos a razão do ocorrido.
    Grande abraço!


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