Publicado por: Evaldo Oliveira | Fevereiro 9, 2018

TENSÃO NA FRONTEIRA

Corria o mês de maio do ano de 2008; portanto, há apenas 10 anos. Viajávamos de ônibus pela Hungria e atravessamos a Eslováquia com destino à Polônia, sob um clima de ansiedade. No interior do veículo, 48 brasileiros e dois portugueses estavam estressados e confusos com a aproximação da fronteira com a Polônia. É que no hotel fomos avisados de que a travessia da fronteira poderia ser tensa, e que todos deveriam estar com os passaportes à mão.

Em 1985 foi assinado o Acordo de Schengen pelos países fundadores da União Europeia para abertura de suas fronteiras, e se iniciou em 1995 com Portugal, Espanha, França, Bélgica, Holanda, Luxemburgo e Alemanha. Schengen é uma pequena cidade luxemburguesa. Em seguida, aderiram a Itália, a Áustria, a Grécia, a Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia. Com a expansão da UE em 2004, aderiram Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Hungria, Letônia, República Checa, Polônia, Malta e Polônia. A Suíça entrou em 2008.

No dia 19 de agosto de 1989, na fronteira da Áustria com a Hungria, aconteceria algo inusitado. Os dois países permitiram a abertura de suas fronteiras durante algumas horas para que pudesse haver um piquenique, propiciando um encontro entre as famílias afastadas pelo regime comunista. Nesse momento, centenas de alemães orientais aproveitaram para cruzar a fronteira em direção à Áustria, sem que houvesse qualquer reação dos guardas húngaros, abrindo caminho para a queda do Muro de Berlim, que aconteceria três meses depois.

Voltemos à nossa viagem. A tensão aumentava à medida em que a fronteira se aproximava. Mantenham-se calmos. Preparem-se para encarar soldados portando fuzis e metralhadoras, dizia o guia. Não liguem para os tanques, rebatia.

E a fronteira foi surgindo, e nada de tanques, nada de soldados. Aquele posto de controle, onde antes havia um bloqueio de guerra, estava livre, sem qualquer sinal de hostilidade. Passamos por ele aos gritos e apupos. Um viva à liberdade! Era a nova Polônia.

Dali seguimos com três horas para gastar pelo caminho, até chegarmos à capital, nosso destino. E fomos em frente. Uma hora e meia depois, a visão de uma cidade nos deixou aliviados. Era Budejovice, com uma imensa e estranha praça no meio, cercada de pequenos prédios e umas lojinhas do lado direito. Os moradores eram muito brancos; os homens, altos e fortes. Ficamos sabendo que ali é o berço da   cerveja Budweiser, assumida pelos americanos.

As pessoas ficaram nos olhando com ar de desconfiança. Saímos em busca de um local para almoçar. Eles não falavam outro idioma além do polaco, e não faziam nenhum esforço para disfarçar seu descontentamento com a nossa presença. Dali em diante, passei a chamar aquele local de cidade do fim do mundo.

Ceske BudejoviceAlgumas turistas em Budejovice

Budejovice. Talvez hoje, com dez anos de abertura da fronteira, as coisas tenham melhorado por ali. Voltarei para conferir.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 


Responses

  1. Vais voltar? Xenofobia não tem cura instantânea, não.


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