Publicado por: Evaldo Oliveira | Abril 6, 2018

O HOMEM PIRILAMPO E A ESTUPIDEZ HUMANA

Antoine é um jovem de 25 anos que não gosta de ser manipulado, como ser obrigado a estudar nada que lhe interesse. Então, passou a fazer traduções do aramaico. Ele pensa demais e acredita que essa é a razão de seus problemas, porque a inteligência torna a pessoa infeliz, solitária, pobre, enquanto o disfarce de inteligente oferece a imortalidade efêmera do jornal e a admiração dos que acreditam no que leem. Por isso, resolveu tornar-se estúpido.

Antoine tinha um amigo proveniente de uma família pobre que havia feito testes de alimento para a fábrica Nenê, quando do lançamento de uma nova variedade de potinhos para bebês com um complemento de vitaminas e fósforo que, em doses infinitesimais, é bom para a saúde. Um erro acontecera na fábrica, devido à troca de uma simples unidade de medida, quando um engenheiro confundiu microgramas com quilogramas. Em decorrência, as pessoas tiveram cânceres e outras doenças graves. O amigo Aslee teve sorte de não ter senão problemas mentais que retardaram o seu desenvolvimento cerebral. Devido à alta dosagem de fósforo ingerido, Aslee brilhava à noite. Quando perambulavam pelas ruas à noite, Aslee parecia um imenso pirilampo que iluminava o caminho pelas ruelas escuras.

Certo dia, Antoine comunica a seus amigos que investiria no viés da idiotice como forma de sobrevivência, convencido de que somente com a estupidez conseguiria ser levado a sério pelas pessoas. Decide, então, experimentar fazer o jogo da estupidez, e inicia sua tentativa de se tornar alcoólatra. Acredita que o álcool o ajudaria a esquecer coisas, mas tudo que Antoine consegue é chegar ao coma alcoólico com alguns copos de cerveja. Aqui, a desistência do plano A.

Imagina então que o suicídio seria o mais indicado nessa tentativa de se tornar estúpido. Recuperando-se do coma, e ainda no hospital, recebe a indicação de uma moça sobre um local para fazer um curso de suicídio, com as técnicas para um evento bem elaborado e de sucesso. Porém não consegue.

Concluindo pela incapacidade para dar cabo de si, Antoine decide então fazer uma lobotomia, e marca uma consulta com o pediatra de sua infância que, ao invés disso,  receita-lhe uma pílula vermelha – Felizac – antidepressivo que, com certeza, irá transformá-lo em alguém feliz e sem pensamentos tórridos. Era sua terceira tentativa de se tornar estúpido.

Finalmente, utilizando o antídoto contra a inteligência, Antoine arranja emprego em uma corretora de ações e logo fica milionário. Para se adaptar a essa nova condição, começa a comprar e comprar, enquanto sua consciência dorme. Mas ele é retirado desse estado, pois seu cérebro ainda dá sinais de estar atuante. E temos um final no limite do surrealismo banal.

Devaneio literário feito por Martin Page no livro Como Me Tornei Estúpido, lançado no Brasil pela Editora Rocco.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN


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