Publicado por: Evaldo Oliveira | Setembro 15, 2018

TRABANT, UM REGIME, UMA ERA

Com a queda do Muro de Berlim, no ano de 1989, muitos moradores da antiga Alemanha Oriental abandonaram seus automóveis nas ruas, com vergonha de aparecer dirigindo um carro que se tornara símbolo do atraso.

Era o Trabant – em alemão, companheiro de viagem– um automóvel com cara de tiozão que tinha uma carroceria de plástico parecido com fibra de vidro, porém mais barato, e não reciclável. Com suas características, o Trabant poderia partir-se em dois se fosse colocada uma carga além de sua capacidade.

O carro tinha fama de lento – desenvolvia uma velocidade máxima de 100/km/h e somente em vinte segundos acelerava de 0 a 80 km. Nos anos de 2009 e 2010 o governo alemão lançou um programa para renovação da frota de veículos, e mais alemães se desfizeram de seus Trabant. Hoje, uma empresa de Berlim organiza passeios de grupos de turistas dirigindo Trabant pelas ruas da cidade, formando um belo espetáculo visual.

Visitando Berlim, vale a pena conhecer a East Side Gallery, uma galeria de arte ao ar livre situada em uma sequência de 1.113 metros no lado leste do antigo muro que dividia a cidade, e foi preservado da demolição. Consta de 105 pinturas de artistas convidados de todas as partes do mundo, e foram iniciadas em 1990.

A galeria representa a apropriação de um muro até então intocado. A opressão de suas paredes passaram a exprimir a euforia da liberdade em face de um novo horizonte político para o mundo.

Uma das pinturas mais emblemáticas é o Beijo da Morte, quando o russo Brejnev cumprimenta o presidente da Alemanha Oriental em Berlim, 1979. Nessa pintura, Brejniev cumprimenta o presidente da Alemanha Oriental, Erich Honecker, em Berlim Oriental, 1979.

Beijo da Morte

Em outra  imagem, um Trabant parece atravessar o muro em direção ao desconhecido, apesar de seu simbolismo de atraso e subdesenvolvimento, por ser campeão de poluição sonora e emissão de gases tóxicos.

Trabant

O Beijo da Morte. O Trabant. Dois ícones que arregimentam milhares de pessoas no rumo da East Side Gallery todos os dias.

Não sei por que, lembrei-me do nosso Fiat 147.

EvaldOOliveira

Sócio do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 


Responses

  1. BELÍSSIMO TEXTO, EVALDO.

    LIVRE, LEVE E SOLTO.

    E CONCISO, COMO EXIGEM OS CÂNONES ATUAIS.

    ABS Geniberto


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