Publicado por: Evaldo Oliveira | Setembro 28, 2018

HONESTINO, UM NOME, UMA PONTE

Pessoas do Brasil inteiro que vêm a Brasília atravessam uma ponte que ostenta um nome até pouco tempo desconhecido. Brasília, no entanto, conhece bem esse nome – Honestino Guimarães. Quer saber quem foi Honestino? Então, vamos à Wikipédia.

Por ironia, a atual ponte Honestino Guimarães chamava-se Costa e Silva, como podemos perceber nesse inconformismo anônimo.

ponte_honestino

Honestino Monteiro Guimarães era um jovem de 26 anos, nascido em Itaberaí, no estado de Goiás. Estudava Geologia na UnB – Universidade de Brasília e era presidente da Federação dos Estudantes da Universidade de Brasília. Por conta de sua forte militância, foi preso quatro vezes, não mais retornando depois de sua quarta e derradeira prisão. Seu atestado de óbito só foi entregue à família em 1996, vinte e três anos depois, e sem constar a causa da morte.Ponte H. Guimarães

Com a edição do AI-5, Honestino passou a viver na clandestinidade, com Isaura, em São Paulo. Em 10 de outubro de 1973, foi preso no Rio de Janeiro por agentes do Centro de informações da Marinha (Cenimar), quando desapareceu aos 26 anos, sem deixar vestígios.

Nos bares de Brasília, fosse no Beirute ou no Gilberto Salomão, jovens estudantes cantavam músicas quase em sussurro, e recitavam poemas de artistas, o que, de alguma forma, ajudava a manter aceso o sonho da liberdade.

Entre os versos mais repetidos naqueles encontros, era recitado um soneto cuja autoria era atribuída a Honestino: Punhais Alabastrinos. Somente esta semana tomei conhecimento de que este soneto pertence a Liônio Guerra, que o publicou em seu livro O Doce Cárcere das Rimas, com o título de Amor a Três.

AMOR A TRÊS

Amei Maria, gente. Amei de fato!

Não por seus olhos lúbricos, ardentes,

Nem pelo toque de seus lábios quentes

Nem por seu corpo de infernal contato;

 Nem mesmo pelos ares insolentes

De um queixo fino e um narizinho chato.

De Maria, do amor que aqui relato,

Acreditem, irmãos, amei os dentes.

 Sim, os dentes! Punhais alabastrinos,

Alvíssimos, brilhantes, purpurinos,

De brancura mais branca que Deus fez!

 Eram pérolas, joias, diamantes,

Perfeitos, divinais, esfuziantes.

Os dentes de Maria… Todos três!!!…

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN


Responses

  1. CARO EVALDO,

    DOIS TEXTOS EMOCIONANTES DA SUA “LARVA”;
    1. SOBRE HONESTINO;
    2. E ESTE ÚLTIMO SOBRE FERNANDO.

    O NOME DISSO É TALENTO.

    VALEU, GAROTO DE AREIA BRANCA.

    ABS, GENIBERTO


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