Publicado por: Evaldo Oliveira | Abril 5, 2019

ENCONTROS AMOROSOS FRUSTRADOS PELA MÚSICA

Mililo precisava encontrar-se com Lailira à noite, como era a rotina do casal. Sem Whatsapp para o acerto dos contatos, escolheram uma frequência de igual intensidade para emissão dos seus sinais, e à noite os dois entregavam-se à  esbórnia, em um conluio silencioso com a escuridão.

Acostumado com aquela forma de marcação de seus encontros, naquela noite Mililo saiu de casa todo cheiroso, na certeza de encontrar Lailira para, juntos, desfrutarem das delícias do amor.

Porém havia algo de errado no ar. Mililo percebeu que o som do ambiente estava muito estranho, dificultando o encontro da frequência acertada com Lailira. Logo desconfiou de que o problema talvez fosse causado pelo som executado em uma festa rave que acontecia em um local próximo dali. Aquele som estava deixando Mililo confuso, sem interesse sexual e sem apetite. Havia algo de errado com aquele som, concluiu. Sem conseguir comunicar-se com Lailira, Mililo voltou para casa. Triste e macambúzio, o jovem foi dormir cedo.

No dia seguinte, ao se encontrar com Lailira, sua amada tinha a mesma ideia: o som daquela festa continha algo que os transtornava e os deixava confusos.

Hoje, dia 5 de abril de 2019, Mililo tomou conhecimento do resultado de uma pesquisa da Universidade Malaysia Sarawak . Estupefato, leu que o som emitido pelos mosquitos decorre do batimento de suas assas, e possui uma frequência específica tanto para os machos quanto para as fêmeas. Para a cópula, essas frequências podem ser alteradas e acertadasentre machos e fêmeas, para que entrem em uma sintonia.

No texto, compreendeu que as antenas dos mosquitos funcionam como órgãos sensoriais que percebem vibração e são sensíveis a ondas sonoras. Na pesquisa, os cientistas criaram dois ambientes: um com e outro sem música, e compararam as taxas de visitação, alimentação e reprodução dos mosquitos em cada um. A música eleita para a pesquisa foi Scary Monsters and Nice Sprites, do produtor musical Skrillex, norte americano produtor de música eletrônica do gênero dubstepe trap. As fêmeas de Aedes expostas à música visitaram o ambiente mais tarde que o normal, em número menor de vezes, e também se alimentaram menos. Além disso, copularam menos do que os mosquitos no ambiente sem música. Era tudo que Mililo não queria.

Irritado, cabisbaixo, Mililo retornou a seus aposentos com uma ideia fixa: como destruir esse tal de Skrillex. E tomou uma decisão: entraria em contato com seus amigos do norte da Califórnia, onde mora o agora DJ Skrillex, para produção de um grande movimento dos mosquitos americanos, que ficariam encarregados de zoar todas as noites em seus ouvidos, até que uma barganha fosse conseguida, e que ele parasse com essas músicas malucas. Ali, todo o peso da família Culicidae.

É esperar para ver.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN


Responses

  1. Evaldo
    Que facilidade tens para escrever sobre tantos variados assuntos, como este um tanto curioso.
    É justo que hoje, nós, teus apreciadores, paremos um instante a fim de parabenizamos este ilustre escritor, poeta, médico e amigo por mais um aniversário. E para ti, muita SAÚDE, PAZ e DISPOSIÇÃO para continuar a nos proporcionar grande deleite com tuas inconfundíveis crônicas
    Grande abraço.


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