Publicado por: Evaldo Oliveira | Setembro 20, 2019

O NORDESTE MUDOU; o coronelismo, parece que não

Helena veio estudar em Brasília. Formada em Psicologia, pretendia desenvolver seus estudos em temas relacionados aos direitos das pessoas. Nisso, o mestrado foi concluído, e logo ela foi indicada para um doutorado no exterior. Terminado o curso, retornou para Brasília, onde passou a trabalhar em um órgão do governo.

Depois de dez anos fora, Helena resolveu voltar a Alagoas, estado onde nasceu e passara a adolescência. Maceió está diferente -, pensou. Pelos caminhos, estradas em bom estado anunciavam o semblante de um novo Nordeste. Pelo visto, os ventos da mudança parecem soprar por essas bandas -, imaginou. Sedimentou suas impressões de avanços ao conversar com pessoas de sua convivência.

Foi justamente uma dessas amigas que a convidou para um almoço na casa de praia de um político local. Na mansão da praia, muita gente bonita exibindo seus corpinhos esturricados de sol e malhação.

Da casa avistava-se o mar azul até onde lhe permitiam o horizonte e as palmeiras em frente. Lanchas de muitas cores deslizavam ao sol abrasador de um Nordeste efervescente. Na imensa varanda, conversas de riqueza e ostentação.

Helena já se preparava para sair. A noite chegando, a escuridão já impondo seu padrão grafite profundo. Beijinhos no rosto, apertos, abraços quebra-ossos e os mais sinceros votos de sucesso.

Passando pela lateral da área de serviço, percebeu uma pessoa se dirigindo a duas mulheres. Apurou a visão e identificou uma delas: era Maristela,  a morena bonita que passara o dia no vai e vem de bem servir os convidados.

Estarrecida, a jovem psicóloga presenciou um diálogo estonteante entre a dona da casa e as moças que ali trabalhavam:

– Ei, Maristela e Dolores, pra onde vocês pensam que vão, com essa roupa?

– Vamos pra casa, a senhora bem sabe.

– Estou falando é da blusa! Voltem e vistam a camiseta do candidato!

– Mas está molhada, porque nós lavamos as camisas hoje à tarde -, retrucou a bela e fogosa Maristela.

– Voltem e sequem as camisas com o ferro -, indicava com o dedo em riste. Vocês só saem daqui vestidas com a camiseta do candidato! -, esbravejava.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN.

 

 


Responses

  1. Tudo como dantes no quartel de Abrantes…

  2. É como no quartel de Abrantes…


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