Publicado por: Evaldo Oliveira | Outubro 19, 2019

UMA CIDADE, UM EDIFÍCIO, UM NÚMERO – 4711

Na cidade de Colônia, na Alemanha, o número 4711, estampado na fachada de um prédio, chama a atenção de dez entre dez turistas que a visitam. Boa parte das pessoas olha para cima, focada em um número no alto do prédio. Não se trata do número de um voo de avião, nem se refere a uma linha de ônibus. Trata-se de uma água de colônia.

Prédio 4711Esse número, de fato, refere-se a um produto de vendas de uma empresa alemã, a  Maeurer & Wirtz, que detém os direitos da Água de Colônia 4711, criada no ano de 1792.

Essa água de colônia, juntamente com a fábrica que a produz, marca o ressurgir de uma empresa que foi arrasada na Segunda Guerra Mundial. Depois da Segunda Guerra Mundial, foram encontrados frascos do produto em ruínas de casas bombardeadas, provando que a fragrância fazia parte da vida das pessoas da localidade.

Desde 1792, os habitantes de Colônia tinham uma bebida cheirosa como receita secreta contra a dor de cabeça. Era uma infusão de elementos como bergamota, limão, laranja e lavanda. Isso aliviaria a tensão, e o produto foi transformado em água de colônia, e virou um perfume conhecido em todo o mundo.

De que forma surgiu esse número? Ao invadir a cidade alemã de Colônia, no fim do século XVIII, as tropas de Napoleão Bonaparte passaram a numerar as casas, para facilitar a localização e o deslocamento dos militares. E foi justamente na casa 4711 da Rua Glockengasse,  onde fora morar Milhelm, que teve início a produção da água de colônia 4711. Milhelm Muelhens ganhara de um monge a receita de um remédio para dor de cabeça, que mais tarde se transformaria em água de colônia. O produto foi usado por Napoleão Bonaparte e pelo compositor Wagner, pelo escritor Johann Goethe e por Simón Bolivar.

Milhelm teve a ideia de utilizar o número pintado na fachada do prédio em seu produto, que se transformaria em marca mundial. O perfume foi trazido para o Brasil pelos imigrantes alemães no século 19, fazendo com que as vendas fossem concentradas em São Paulo e Região Sul. Nos últimos anos houve uma guinada para o Nordeste, que hoje é responsável por metade do faturamento.

Um número feito para controlar. Hoje, símbolo de um império comercial que transcende as fronteiras da Europa, e chegou ao Brasil.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 


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