Publicado por: Evaldo Oliveira | Setembro 4, 2020

EPIDEMIAS/PANDEMIAS exigem lideranças que constroem

No dia 13 de maio de 1717, nascia na Áustria Maria Teresa Valburga Amália Cristina da Áustria, a primeira e única mulher a governar sobre os domínios habsbúrgicos. Maria Teresa assumiu o poder depois da morte e seu pai, Carlos VI, em 1740, vitimado por uma intoxicação por cogumelos venenosos.

Maria Tereza era a mãe de D. Leopoldina de Habsburgo (Carolina Josefa Leopoldina Francisca Fernanda de Habsburgo-Lorena), que no ano de 1817 casou-se com o futuro imperador brasileiro, Pedro I, tornando-se a Imperatriz Consorte do Império do Brasil de 1822 até sua morte. No Brasil, ficou conhecida como Maria Leopoldina. Foi ela quem assinou o ato de independência do Brasil.

Na Áustria, Maria Tereza permitiu a inoculação do vírus da varíola em seus filhos, com isso mudando a visão negativa que os médicos austríacos tinham em relação a esse procedimento. A campanha de inoculação foi inaugurada com um jantar no Palácio de Schonbrunn às primeiras 65 crianças inoculadas, e a própria Maria Teresa encarregou-se de receber essa garotada. O Palácio de Schonbrunn é considerado o Versalhes da Áustria. 

Na Inglaterra do século XVIII a varíola era responsável por cerca de 10% das mortes, e mais de um terço ocorria em crianças. No início do século XVIII, foi introduzida a técnica de injetar o vírus vivo em crianças. Para convencer seus concidadãos, a própria família real inglesa foi inoculada publicamente. A mortalidade da doença caiu para 1%.

No Rio de Janeiro, em meados de 1904, havia mil e oitocentas pessoas internadas devido à varíola. As pessoas, mesmo assim, rejeitavam a vacina, que consistia na inoculação do líquido de pústulas de vacas doentes. À época, corria o boato de que quem se vacinava ficava com cara de boi. 

A vacinação contra a varíola foi declarada obrigatória no Brasil, para crianças em 1837 e para adultos em 1846. Em junho de 1884, Oswaldo Cruz fez com que o governo enviasse ao congresso um projeto para reinstaurar a obrigatoriedade da vacinação em todo o Brasil. A aprovação dessa Lei serviu de fundo para a Revolta da Vacina. O povo, já oprimido, não aceitava ver sua casa invadida e ter que tomar uma injeção contra sua vontade. E saiu às ruas do Rio de Janeiro para protestar. 

A confusão em torno da vacina serviu de pretexto para a ação de forças políticas que queriam depor Rodrigues Alves, gerando uma coalisão estranha e explosiva, diz o historiador Jaime Benchimol. Em 5 de novembro foi criada a Liga Contra a Vacinação Obrigatória. Estudantes aos gritos foram reprimidos pela polícia. Os fatos se agravaram de 10 a 19 de novembro de 1904. No dia 13 estava instalado o caos, com bondes assaltados e outros queimados, lampiões quebrados a pedradas, árvores derrubadas, edifícios públicos e privados apedrejados.

Ao final, após ação das tropas governamentais, havia um saldo de 945 prisões, 461 deportados, 110 feridos e 30 mortos em menos de duas semanas de conflitos, o que levou o governo de Rodrigues Alves a desistir da vacinação obrigatória. Mais tarde, em 1908, quando o Rio foi atingido pela mais violenta epidemia de varíola de sua história, o povo correu para ser vacinado, uma atitude na contramão da Revolta da Vacina.

Estadistas lutando pela vacinação. O povo revoltado. Lampiões quebrados.

Faltaram – ou faltam – aqui lideranças que construam.

Sejamos, pois, fômites do bem, emanando atitudes positivas, orientações seguras, exemplos que respeitem a população.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN


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