Publicado por: Evaldo Oliveira | Outubro 2, 2020

O ANEL DE GIGES e os poderosos

O ANEL DE GIGES E OS PODEROSOS

Comecemos pelo entendimento do mito do anel de Giges, que é um artefato mítico e mágico mencionado pelo filósofo Platão no segundo livro A República. O anel concede o poder de tornar-se invisível àquele que o possui. A República pondera, então, se uma pessoa inteligente seria justa se não temesse por sua reputação ao cometer injustiças.

Essa história começa com Giges, rei da Lídia, fundador de uma dinastia. Giges era um pastor de ovelhas. Certo dia houve uma tempestade e um terremoto fez uma abertura na terra. Giges desceu até a abertura, onde encontrou o corpo de um homem nu com um anel de ouro no dedo. Ele pegou o anel e foi para casa.

Mais tarde, foi para uma assembleia dos pastores. Lá, começou a mexer em seu anel, e percebeu que quando o anel estava em certa posição as pessoas falavam dele como se ele ali não estivesse. Descobriu que se tornava invisível. Mexeu no anel mais uma vez, e constatou que, de fato, tornava-se invisível. Após a reunião, foi formado um grupo de mensageiros que iriam conversar com o rei sobre a produção dos rebanhos, e Giges se meteu no meio deles. No palácio, Giges seduziu a rainha, conspirou com ela a morte do rei e o matou, assumindo seus poderes. 

Imaginemos que são dois os anéis mágicos; o justo põe um em seu dedo e o injusto põe o outro. Será que algum homem poderia manter suas mãos longe do que não fosse seu, desde que ele pudesse, com segurança, tomar o que quisesse das lojas ou entrar em casas, deitar-se com qualquer um a seu bel-prazer, ou matar ou libertar da prisão quem ele quisesse? O justo e o injusto chegariam ao mesmo ponto?

Seria uma prova de que um homem é justo não por sua vontade ou porque ele acha que a justiça é algum bem para ele individualmente, mas por necessidade, pois onde quer que qualquer um pense que pode ser injusto com segurança, ele é injusto. Será que alguém, obtendo esse poder de se tornar invisível, continuaria sem fazer nada errado ou tocar no que não era seu?

Um homem agiria com correção se tivesse o poder da invisibilidade, podendo fazer maldades sem ser percebido? Ou o importante é manter as aparências de ser uma pessoa justa e bondosa?

Quantas pessoas conhecemos que eram justas e honestas, mas quando passaram a exercer um cargo público de relevância se corromperam? Mas ele era tão honesto, cheio de bons propósitos! Com o anel de Giges no dedo, o nosso amigo se corrompeu, como a maioria. O medo de ser pego por seus atos, e julgado por eles, fazia com que o nosso amigo cuidasse do seu comportamento em grupo. Com a fugaz ilusão de que não seria descoberto, mudou o que consideramos de caráter? Onde estavam seus valores?

Imagine o que você faria se estivesse de posse desse anel. Se você tivesse uma garantia perfeita de que nunca seria pego ou punido, o que faria? São acertos de contas a realizar, vinganças a concretizar… 

Não lembro de um amigo que tenha assumido cargo político importante e ter voltado a ser meu amigo depois.

Anel de Giges. O sentir-se livre para agir. Aqui, a importância da ética.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN


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