Publicado por: Evaldo Oliveira | Outubro 23, 2020

A DESCOMPLICAÇÃO DO GREGO

Arkopoulos era professor de grego, e atendia seus alunos em casa, sempre com muito respeito; uma postura exemplar. Com seu sotaque característico de estrangeiro, o professor esmerava-se na exigência da pronúncia. Descomplicar o grego, pregava.

Dizia que não era difícil reconhecer os fonemas do grego antigo, e que o alfabeto grego é uma adaptação do alfabeto fenício, um sistema de escrita fonética composto por 24 letras que podem representar vogais e consoantes.

Os estudantes, geralmente pessoas de meia idade ou de idade inteira, deliciavam-se com as colocações sempre bem-humoradas do professor. Francisco Di Parma era um desses alunos. Estudava grego desde a época do seminário, e se preparava para uma viagem à Grécia, agora falando com melhor fluência o idioma de Platão.

Próximo ao final do ano, Arkopoulos viu-se em dificuldade financeira e decidiu parar com suas aulas e viajar para Portugal, aonde não conseguiu se fixar. Decidiu, então, retornar para a Grécia. Muitas coisas a resolver.

Em Atenas, logo o ex-professor de grego resolveu seu problema financeiro, ao passar a trabalhar em uma entidade ligada à cultura, função que assumiu depois da aprovação em um concurso.

O Prof. Francisco Di Parma viajou para Atenas dois anos depois, e Arkopoulos foi ao aeroporto recebê-lo. No saguão, Di Parma procurou o grego com o olhar estendido e não o viu. Procurou para o outro lado e também não o localizou. À sua frente, duas mulheres e um adolescente. Foi aí que uma voz feminina chamou pelo nome do Prof. Francisco di Parma. Era a mulher de compleição mais forte que falava. Ali, identificou seu ex-professor de grego. Abraços e afagos. Ao seu lado, sua esposa e seu filho adolescente. 

Na sequência, em um restaurante, Arkopoulos contaria sua aventura para a mudança de comportamento sexual. Nascera homem com alma de mulher. Mas continuava ao lado da esposa e do filho.

O Prof. Di Parma, conforme programado, foi aprimorar seus conhecimentos do grego em Tessalônica, com um pessoal ligado a um convento já com bastante prática nesse tipo de ensino.

Foi em Tessalônica (que pertencia à província da Macedônia, no Império Romano), que o apóstolo Paulo escreveu sua famosa Primeira Carta Aos Tessalonicenses, lida neste final de semana (17 e 18 de outubro de 2020) em todas as igrejas católicas do Brasil.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN


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