Publicado por: Evaldo Oliveira | Novembro 27, 2020

QUANDO ALGO COMEÇA TORTO…

Fui a uma loja de veículos de uma pessoa bastante conhecida, com quem já havia feito vários negócios. A loja era grande, e havia inúmeros veículos expostos, entre novos e seminovos. Eu desejava comprar um veículo simples para meu filho.

Depois de analisar as várias propostas do meu suposto amigo, fechei a compra de um Uno zerinho. Só faltava emplacar. Por se tratar de uma pessoa muito conhecida, e de estar negociando em uma loja grande, paguei antecipadamente. À vista. Nada falei para o meu filho; segredo e surpresa.

Dois dias depois, fui buscar o veículo. Passei em frente à loja e não reconheci. Voltei e procurei novamente. Nada na fachada. Nada lá dentro. Estava vazia. Telefonei para o dono da firma e ele me mandou buscar o carro no dia seguinte, logo pela manhã. Não tinha nenhum carro novo para me entregar, mas ele foi na parte de trás da loja, pelo lado de fora, e retornou com um Uno seminovo, com pouca quilometragem. Eu ficaria com esse carro, que estava em nome da empresa, até ele me entregar o novo. A firma estava passando por dificuldades, mas iria reagir e em breve estaria funcionando.

Pensei um pouco, olhei os documentos novinhos, em nome da empresa, e aceitei ficar com o carro. Chegando em casa, chamei meu filho e ele saiu dirigindo o carro com a intenção de abastecê-lo. Com uns cinco minutos ele me liga. Um caminhão, em alta velocidade, batera na traseira do veículo, resultando em um grande prejuízo. O carro não tinha seguro. O guincho deixou o carro em uma oficina, e o serviço foi autorizado.

Dois dias depois, um homem da voz bem fraca me ligava, mas eu não atendia. De tanto insistir, terminei atendendo. Ele queria encontrar-se comigo, porém não falava sobre o quê. Poderia ser no local que eu indicasse. Encontramo-nos em um posto de gasolina perto da minha casa. Pela voz ao telefone, imaginei encontrar uma pessoa de pequeno porte, magrinha. Logo vi-me diante de um homenzarrão, que se expressava em tom bastante baixo. 

Moço -, falou o homem com voz abafada – esse carro é da minha mulher. Eu fui deixar o veículo na empresa que havia vendido o carro, para passar o documento para o nome da minha mulher.

Olhei para aquele homem pacato e fiquei com medo de contar onde estava o carro, e em que estado. Quando contei o acontecido, ele chorou. Entreguei-lhe as chaves e os documentos e fui com ele à oficina, onde encontramos o carro desmontado, mas com sinais claros de breve recuperação. Ele agradeceu emocionado. O carro não estava no nome da sua esposa, e sequer possuía Nota Fiscal. 

Imbróglio em cascata. Prejuízos que se somavam.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Se lhe interessa o final dessa estória, aí vai: meses depois, encontrei o dono da loja trabalhando em uma revenda de veículos. Ameacei contar para o gerente o que ele havia feito, e chegamos a um acordo: ele me ressarciu o prejuízo em doze prestações mensais. 


Responses

  1. Ainda bem que você não ficou no prejuízo. O meu primeiro carro, ganhei de um amigo que eu fazia a contabilidade e os movimentos bancários do seu posto de gasolina. Eu usava seu carro para fazer os serviços bancários (depósitos e pagamentos de duplicatas) era uma C-10. Um dia um amigo falou, por que você não compra um carrinho usado? Eu respondi que não tinha condições. Esse meu amigo de nome Humberto, falou: procure um que te dou o cheque para pagar. Ai a pessoa que deu a sugestão falou, tem um Gordine ali na Loja Pitombeira e está com o preço de CR$ 1.500,00 (hum mil e quinhentos cruzeiro). O meu amigo fez o cheque e, imediatamente fui comprar meu primeiro carro. Fiquei muito feliz. Eu paguei com meu trabalho. Toda segunda feira eu ia no posto dele para abastecer de graça. Era um tanque cheio. Cabia 60 litros. Na época o Gordine consumia 1 litro a cada 16km. Era maravilhoso.
    Deus n os abençoe e proteja

  2. Evaldo
    Ainda bem que és uma pessoa prudente e o acontecimento teve esse desfecho…
    Se fosse aqui em Mossoró, alguém provavelmente passaria desta para uma ‘melhor’ ou ‘pior.
    Um abraço!


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