Publicado por: Evaldo Oliveira | Janeiro 1, 2021

UMA VISITA CASUAL A D. PEDRO II


Mais uma vez, vamos passear pela história da monarquia no Brasil. Tudo começou com a chegada da família real em Salvador, no dia 22 de janeiro de 1808, quando o príncipe regente, D. João, fugiu da ameaça de invasão por Napoleão Bonaparte. D. João era príncipe regente desde 1792, devido a doença da rainha-mãe D. Maria I. Em 1807, com a morte da rainha, D. João foi coroado Rei do Reino Unido, Portugal, Brasil e Algarves.

No dia 22 de janeiro de 1808 desembarcava em Salvador a família real portuguesa. No dia 7 de março a comitiva chegava ao rio de janeiro. D. João VI, que era rei de Portugal, resolveu retornar ao seu país no dia 26 de abril de 1821, levando consigo uma grande quantidade de ouro e diamantes que estavam nos cofres do Banco do Brasil, deixando seu filho mais velho, Dom Pedro, como Príncipe Regente do Brasil. A independência do Brasil aconteceria um ano depois, tendo como marco o grito às margens do riacho do Ipiranga no dia 7 de setembro de 1822.

D. Pedro I (Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon) foi aclamado imperador do Brasil no dia 12 de outubro de 1822, tendo sua coroação ocorrido no dia 1º de dezembro do mesmo ano. O autoritarismo foi a grande marca de D. Pedro I durante seu reinado, provocando um desgaste com as elites. 

A partir da independência, iniciou-se no Brasil o Primeiro Reinado, que se estendeu até 1831. Os desgastes na relação de D. Pedro I com a elite econômica e política fizeram com que o imperador abdicasse do trono em favor de seu filho, que tinha cinco anos, e retornasse a Portugal, onde morreria quando o príncipe regente tinha nove anos.

Dessa forma, em 1831 chegava ao fim o Primeiro Reinado. A maioridade do príncipe foi antecipada, e com isso ele assume o trono em 1840, pouco antes de completar 15 anos. Com isso, iniciava-se o Segundo Reinado, governado por D. Pedro II, estendendo-se de 1840 até 1889, quando a Proclamação da República determinou o fim da monarquia no Brasil. 

Nascido em 2 de dezembro de 1825, no Rio de Janeiro, Dom Pedro II era filho de Dom Pedro I e da imperatriz D. Maria Leopoldina, que morreu quando o filho tinha um ano.  O seu nome – Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Bragança e Bourbon – seguia a tradição portuguesa de homenagear seus avós, santos e anjos. Sua formação foi pautada na moralidade, para evitar que ele repetisse os exemplos de seu pai, D. Pedro I, cujas relações extraconjugais provocavam escândalos, abalando a imagem da monarquia brasileira. Sua maioridade foi antecipada, permitindo que ele assumisse o trono com apenas catorze anos.

D. Pedro II em 1875

O reinado de D. Pedro II durou 58 anos (1831 a 1889), e representou uma época de grande prosperidade e progresso para o país. Apesar de suas realizações, foi deposto por um golpe de estado organizado por republicanos insatisfeitos com o regime imperial. O povo, no entanto, não desejava tal mudança.

A Proclamação da República ocorreu no dia 17 de novembro de 1889, e D. Pedro II e a família imperial deixaram o Rio de Janeiro de forma discreta, rumo ao exílio. D. Pedro preferiu ficar em Paris, onde morreria no dia 6 de dezembro de 1891, de pneumonia.

Além da prosperidade e modernização que Pedro deixou ao Brasil, também houve um legado de valores políticos e pessoais, que contribuíram para a fundação dos ideais democráticos brasileiros. Alguns acadêmicos o consideram como o maior brasileiro da história.

A lei que permitiu o traslado dos corpos de D. Pedro II e Teresa Cristina foi assinada em 3 de dezembro de 1920, encerrando o banimento da família imperial. Os caixões foram transportados no couraçado São Paulo. O Conde d’Eu acompanhou os restos mortais de seus sogros, ao lado do filho ainda vivo, Pedro de Alcântara, Príncipe do Grão-Pará.

Os corpos de D. Pedro II e de Teresa Cristina encontram-se até hoje na Catedral de São Pedro de Alcântara, em Petrópolis.

Tumbas de Pedro e Teresa Cristina na Catedral de Petrópolis. Nas pontas estão as tumbas de Isabel (esquerda) e Gastão (Conde d’Eu).

Voltemos, que Maria Leopoldina nos espera.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN


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