Publicado por: Evaldo Oliveira | Janeiro 8, 2021

LAVAGEM DAS MÃOS E A CHACOTA DA IGNORÂNCIA

Semmelweis, nascido em 1818 na cidade de Buda, atual parte de Budapeste, Hungria, formou-se em medicina em 1844, especializando-se em seguida em obstetrícia. Foi  nomeado assistente na primeira clínica de obstetrícia do Hospital Geral de Viena, na Áustria, onde grassava uma terrível epidemia de febre puerperal, que levava à morte uma grande proporção das parturientes. 

Profundamente tocado pelo problema, Semmelweis se lança na busca de uma solução, chegando finalmente a identificar a causa real, e propõe um método simples e eficaz de prevenção. Propôs a lavagem das mãos para médicos e estudantes de medicina com solução de cal clorada (hipoclorito cálcico). As taxas de mortalidade materna tiveram uma queda expressiva; a taxa, que era de 18,3 por cento no mês de abril de 1847, caiu para próximo de dois por cento no mês seguinte. 

Em 1847, seu grande amigo Jakob Kolltschka foi acidentalmente ferido pelo bisturi de um aluno durante uma necropsia e contraiu um quadro infeccioso semelhante aos das mulheres que morriam da febre puerperal, levando-o à morte. Semmelweis associou a contaminação cadavérica com a febre puerperal, concluindo que os estudantes e os médicos carregavam partículas cadavéricas em suas mãos, oriundas das necropsias, para as salas de parto, reforçando suas exigências para lavagem das mãos. 

Apesar dos bons resultados da lavagem das mãos, as condutas de Semmelweis foram contestadas e negadas por seus superiores. O preconceito, de fato, era por conta da sua nacionalidade húngara, e ele terminou sendo demitido por motivos políticos, pois defendia a independência de seu país, a Hungria, do império austríaco.

Semmelweis retornou para a Hungria, onde assumiu o cargo de médico honorário, de pouco prestígio e não remunerado, na enfermaria de obstetrícia do pequeno Hospital Szent Rókus (São Roque), em Budapeste, onde a febre puerperal foi praticamente eliminada depois das práticas por ele preconizadas.

Como nos casos anteriores, Semmelweis virou alvo de chacota por parte dos colegas e acabou sozinho, vaiado e abandonado.

Sua esposa, juntamente com alguns amigos, achava que ele estava mentalmente desequilibrado e, a pretexto de visitar um novo instituto médico, levaram-no para um asilo de doentes psiquiátricos. Quando ele percebeu que estava sendo internado, tentou sair, mas foi contido com violência, submetido a camisa de força e colocado em uma cela escura.

Duas semanas depois, em 13 de agosto de 1865, morreria aos 47 anos, vítima de uma infecção no dedo médio da mão direita, que gangrenou.  

Aqui, a certeza de que o cuidado com a lavagem das mãos salvaria muitas vidas. E poderia ter salvado a sua.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN


Responses

  1. Realmente a lavagem das mãos são muito importante. O que somos solicitados a fazer hoje com frequência, o cantor Roberto Carlos já fazia. As pessoas o criticavam por tanto cuidado com as mãos. Antes da pandemia eu já lavava razoavelmente as mãos. Andava com uma garrafinha de alcool gel na minha mochila quando ia trabalhar, depois que me sentava sempre passei alcool nas mãos. Hoje cuido bem das minhas mãos.
    Que Deus abençoe a todos e nos proteja.
    Que a vacina consiga nos curar dessa pandemia.


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