Publicado por: Evaldo Oliveira | Março 13, 2021

DOIS TÍMIDOS NAS NOITADAS

Em Natal dos anos 1970 a vida social era muito intensa, com bailes nos diversos clubes da cidade, bem como festinhas chamadas de assustados, que consistiam de eventos realizados em casas de amigos e conhecidos, organizados de modo quase informal. Cada convidado podia convidar um amigo ou amiga, desde que levasse algo para beber ou degustar. 

Uma figura que circulava nas noites natalenses daquela época era Restinho. Não sei seu nome. Restinho era um rapaz de poucos modos, mas falastrão e exibido junto às rodas de conversas no Grande Ponto. 

Restinho tinha esse codinome porque, nas festas dos clubes ou em assustados, ele ficava de pé, acompanhando o andamento da música, escaneando com o olhar as moças que estavam sentadas. Ao perceber que a melodia já estava perto do fim, o rapaz se dirigia a uma das moças e, com seu jeito à James Dean, jogava seu charme: Vamos dançar esse restinho? E rodopiava não mais que trinta segundos.

Olha a Faca era um rapaz excessivamente tímido, e um ser especial. A primeira namorada; o primeiro encontro junto à janela da casa da moça, em uma noite de total escuridão. Para complicar, a iluminação local era reduzida, devido ao galho de uma árvore ao lado. E ficaram os dois ali, sem sequer se olharem de frente. Lá se foram duas horas de total silêncio. Na despedida, ele falou duas palavras em tom forte: Olha a Faca! A donzela tomou um susto e se afastou. Foi uma tentativa desesperada do rapaz para puxar conversa. Aquela foi a última vez que os dois se encontraram.

Restinho e Olha a Faca. Figuras hoje quase sem representantes nos modernos escaninhos sociais. 

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN


Responses

  1. Bem! Na minha época haviam as valsas nos domingos á tarde. Quem tinha uma radiola faziam seus bailhinhos em suas casas e convidavam somente os mais chegados a família. Tínhamos medo de chamar uma garota para dançar temendo uma negativa. Uma época inventaram a festa da CEBOLA. Era a menina que tirava o menino para dançar. Não havia negativa por parte dos meninos, Me fez lembrar uma viagem a Touros, Dormi lá do sábado para o domingo. No sábado à noite estava jantando num barzinho e fui abordado por duas garotas vendendo votos para a Rainha do Milho, As duas eram candidatas. Me convidaram para um baile que iria haver no salão do sitado bar, Fiquei esperando, Chegaram os instrumentos. Sanfona, pandeiro, zabumba e triângulo. Começou o baile. Chamei uma das candidatas. Começamos a dançar. Quando terminou a musica eu a chamei para continua dançando. Ela me respondeu “JÁ ESTOU AFIGURADA” me largou no salão e foi dançar com outro. Fiquei sem entender. Perguntei a uns rapazes do local e eles me explicaram. Quando voce começar a dançar fala logo para a garota que quer dançar a próxima música. Caso contrário os rapazes ficam fazendo sinal afigurando para a próxima música. O baile foi até meia noite, Porque o que tinham pago só dava até aquela hora. Então perguntei ao sanfoneiro quanto ele queira para tocar até mais tarde. Em dinheiro de hoje 50,00 paguei e dancei até as 3:00 da madrugada com uma das candidatas a Rainha do Milho que era também irmã do sanfoneiro. E fui convidado para dormir na casa deles. Meu amigo Dr. Evaldo, suas crônicas belíssimas me faz voltar a minha adolescência. Obrigado por me fazer recordar o passado. Deus nos abençoe e proteja.


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