Publicado por: Evaldo Oliveira | Maio 9, 2021

POLÔNIA, DO PAPA JOÃO PAULO II A AUSCHWITZ

Em 2008 viajávamos de ônibus pela Hungria e atravessamos a Eslováquia com destino à Polônia. Havíamos sido avisados no hotel de que a entrada na Polônia poderia ser tensa. Todos com passaporte na mão. 

A tensão aumentava com a proximidade com a fronteira. O guia nos avisa, com voz controlada: Mantenham-se calmos. Preparem-se para encarar soldados portando fuzis e metralhadoras. Não liguem para os tanques, rebatia. E a fronteira foi surgindo, nada de tanques. Aquele posto de controle, onde antes havia um bloqueio de guerra, estava livre. Era a nova Polônia.

Daí, com tempo livre, fomos para uma pequenina cidade chamada Budejovice, onde as pessoas – ao que nos pareceu – nunca tinham visto tantos turistas. Além do idioma, o tratamento rude no único restaurante nos amedrontou. Foi em Budejovice que teve origem a cerveja Budweiser, mas isso é outra história.

No centro de Cracóvia, onde Karol Wojtyla (Papa João Paulo II) foi bispo auxiliar entre 1958-1964, ouve-se, a cada hora fechada, ao invés da batida dos sinos, um clarim. Este evento é chamado na Polônia de Hejnal Mariacki (alerta de Mariacki) e o som afinado do topo da igreja Mariana invade as ruas da cidade, alertando turistas e moradores. Um bombeiro, do topo da torre, toca quatro vezes aquela música simples, uma para cada posição cardeal. 

O som do clarim cumpre uma tradição que remonta ao século XIII, determinando o fechamento dos portões da cidade. Em certa madrugada, tendo o guarda da muralha da cidade percebido o ataque dos tártaros, tocou o clarim para alertar os habitantes e os soldados da cidade sobre a invasão, tocando o Hejnal, mas foi interrompido ao ser atingido por uma flecha do inimigo.

Não se pode falar da Polônia sem mencionar o campo de extermínio de Auschwitz, um símbolo do terror, erguido em 1940, pelos nazistas, próximo à cidade de Oswiccim. Na foto abaixo, a entrada de Auschwitz, onde se lê, acima do portão ARBEIT MACHT FREI (O Trabalho Liberta). Era com essa falsa concepção que os prisioneiros eram acolhidos, imaginando que ali iriam trabalhar e cuidar dos seus filhos.

Para aliviar nossa tensão, fomos visitar a cidade onde João Paulo II nasceu, cresceu e foi batizado. Chegamos a Wadowice no meio da tarde, e nos sentamos para degustar um kremówka, o doce preferido do papa, até porque ninguém é de ferro. Wadowice fica a 50 km de Cracóvia, no sul da Polônia. 

Polônia. História de dor, luta e superação. E doce, no final.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN.


Responses

  1. Amigo Dr. Evaldo! Fico muito feliz com suas caminhadas mundo a fora. Minha felicidade é acompanhada de orgulho em saber que um amigo de infância criado com muito sacrifício por seu pais, hoje desfruta de muito conforto ao lado de sua familia. Que Deus te proteja, e, que tenhas muitas viagens através do mundo. Um grande abraço amigo.


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