Publicado por: Evaldo Oliveira | Maio 29, 2021

POLÔNIA 1945. UMA EM CHICO, OUTRA EM FRANCISCO

Um jovem judeu de 20 anos é levado de trem para o campo de extermínio nazista de Auschwitz. Era abril de 1942, e ele imaginava estar fazendo o melhor para o seu futuro. Passa pelo portão principal, onde lê aquela famosa frase: “O Trabalho Liberta” – ARBEIT MACHT FREI.

Na chegada, a apresentação: “Sou o comandante Rudolf Hoess. Estou no comando aqui em Auschwitz. Os portões pelos quais os senhores acabaram de entrar dizem: O TRABALHO LIBERTA. Essa é sua primeira lição, a única lição. Trabalhem duro. Façam o que lhes disserem para fazer e sairão livres. Desobedeçam, e haverá consequências”. 

Lá, os horrores da falta de alimento, do tratamento desumano, das execuções por puro sadismo, os estupros, as experiências do louco Josef Mengele, os crematórios lotados, funcionando a todo vapor, o terror por 24 horas, todos os dias. A lembrança do dia em que entrou em uma sala, levado por um oficial da SS, e se deparou com muitos corpos empilhados uns sobre os outros, com os membros retorcidos, ainda o atormenta. Eram homens, jovens e velhos; crianças por baixo.

Do nada, três anos depois, um avião passa voando baixo, e todos ficam eufóricos com a possibilidade, ainda que remota, de libertação para aqueles que ainda estão vivos. O tempo passa, e certo dia percebem uma agitação dos oficiais nazistas para queimar documentos, em uma tentativa de destruir provas. Os russos chegavam para libertar.

O jovem se anima, o ataque começa. Era o dia 27 de janeiro de 1945. Bombardeios em terra, tumulto generalizado. Surpresos e apavorados, os nazistas atiram em qualquer um que passe em sua frente. Ao fim, a liberdade chegou para aquele jovem, depois de três longos anos de torturas, terror e sofrimento.

Aproveita a confusão e foge do campo de Auschwitz-Birkenau, dirigindo-se à mata fechada, trôpego pelo longo período de fome e sofrimento. Caminha em meio às árvores por alguns dias, os poloneses do campo sempre ajudando nessa desesperada empreitada. Naquele dia, oito mil prisioneiros foram libertados pelos invasores russos, a maioria em estado deplorável, face ao martírio que enfrentaram.

Enfim, uma estrada. O jovem caminha sem destino. De repente, do nada, um comando russo aparece. Os primeiros soldados ignoram o rapaz, que segue em sua louca fuga. Um oficial grita para que ele pare. Pergunta se ele fala russo; sim, ele fala russo e mais seis idiomas. “Achamos quem vai nos ajudar”, bradou o oficial, acomodando o jovem em um transporte militar e levando-o para o comando local.

O tratamento era o mesmo dos nazistas, com a diferença de que, ali, na sede do comando, uma maravilhosa mansão certamente confiscada, havia muita comida, joias caríssimas, de todos os tipos, bebidas, mulheres nas festas noturnas. Tudo para os oficiais de alta patente. A saída seria fugir para Bratislava. E assim o fez. Liberdade?

Os soviéticos combateram focos de insurgências internas com prisões ou execuções. Enviaram um milhão e setecentos mil poloneses para campos de concentração russos e para outras partes da URSS para realização de trabalhos forçados. 

Nazismo. Campos de concentração. Russos. Difícil escolher o pior.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico 

Um passeio pelo livro O Tatuador de Auschwitz, de Heather Morris


Responses

  1. Caro amigo Dr. Evaldo, voce sempre nos presenteando com lindas crônicas falando da nossa História. Infelizmente o mundo teve que assistir essas desumanidade ocorridas na época da guerra. No meu entender, parte do inferno e céu começam na terra. Os que viveram em campos de concentrações comeram o pão que o diabo amassou.
    Estima-se que milhões de pessoas tenham morrido em campos de concentração nazistas, e o maior campo de concentração foi Auschwitz, na Polônia.
    Que Deus nos abençoe e proteja.


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