Publicado por: Evaldo Oliveira | Outubro 2, 2021

SAL DO BRASIL, UM SALTO TECNOLÓGICO

Na cidade em que nasci e passei minha infância, as pessoas paravam para assistir a um espetáculo corriqueiro: a visão compartilhada da passagem das barcaças de madeira que vinham dos lados do Tirol, em um desfile solitário ou acompanhadas de outras barcaças. Passavam por toda a Rua da Frente e se dirigiam para os navios, nas proximidades da praia de Upanema, repletas de sal. 

Sabemos que era uma faina penosa, desde a colocação manual do sal nas salinas, seu transporte pelo rio, até o desembarque do produto pros lados de Upanema. Em cada barcaça eram transportadas de 60 a 100 toneladas de sal. As barcaças maiores podiam transportar até 120 toneladas. Realizada a descarga do produto diretamente no navio, as três velas eram içadas para que pudesse retornar à salina.  

Nas salinas, um trabalho árduo, inteiramente manual, extenuante, corrosivo, sob um sol abrasador, e ainda não se usava qualquer equipamento de proteção, como luvas, calçados adequados e óculos de sol. 

Hoje, em um mundo dominado pelos computadores e smartphones, a mesma visão, só que em uma nova dimensão. A modernidade, aqui, desenvolveu ações que resultaram no desaparecimento das velhas barcaças a vela e surgissem barcaças de grande porte, de aço, capazes de transportar até 1.200 toneladas de sal de uma única vez. Hoje, o ronco fumacento dos motores domina o vai e vem de pessoas e mercadorias. As novas barcaças de aço são supridas por esteiras transportadoras capazes de movimentar 400 toneladas/hora. O sal é depositado em um imenso Porto Ilha, que fica no oceano, próximo à costa de Areia Branca-RN, onde, através de imensas esteiras, são carregados os navios. Do Porto Ilha também sai o sal produzido em Mossoró e Macau.

Nas salinas, o trabalho pesado é feito por máquinas específicas, que empilham o sal em forma de montanha, quase sem o toque humano direto.       

Barcaças de aço. Cada uma equivale a cerca de 15 barcaças a vela. 

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN


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