Publicado por: Evaldo Oliveira | Outubro 16, 2021

O TERROR DENTRO DE CASA

Luzimar e Hortência eram irmãs, e moravam juntas em um confortável apartamento, desde que ficaram viúvas. Eram pessoas cordiais e ligadas nas novidades tecnológicas. 

Certa noite, por volta das três horas da madrugada, perceberam barulhos estranhos no apartamento; pancadas fortes que se sucediam. As duas trancaram a porta do quarto e se abraçaram em oração. Quem quer que fosse, deveria sair dali e deixá-las em paz.

Os barulhos continuaram por muito tempo, variando de lugar. Ora o barulho vinha do segundo quarto, ora da cozinha, outras vezes da sala. Fazia barulho, batia nos objetos e silenciava. Mas logo a barulheira retornava em outro lugar. 

Depois de algum tempo, o silêncio. As irmãs, um pouco mais aliviadas, encostaram o ouvido na porta e nada perceberam. Aguardaram um pouco e foram dormir. No dia seguinte, abriram a porta do quarto com cuidado e saíram na ponta dos pés, fazendo uma revisão pelo apartamento de três quartos. Tudo em paz. Não havia nada fora do lugar. Nada de sujeira nos cômodos; tudo calmo na sala e na cozinha.

Com vergonha de serem taxadas de medrosas, combinaram não dizer nada a ninguém.

E assim passaram o dia, sempre de olho nos cômodos e na segurança da porta, embora sem qualquer sinal de violação da fechadura. Por segurança, combinaram que a partir daquele dia trancariam também a segunda fechadura, na parte inferior da porta.

Na hora de dormir, checaram todos os cômodos, todas as portas, debaixo da cama do segundo quarto, dentro dos guarda-roupas. Tudo em ordem. As duas irmãs, como de costume, fizeram suas orações noturnas e foram dormir, cada uma em sua cama de solteira.

Três horas em ponto, novamente o barulho retornou, e o ritual da noite anterior se sucedia quase na mesma sequência. Com as mãos na cabeça, Hortência percebeu que estava sem sua touca de dormir. Deixa pra lá, depois eu procuro!Barulho dali; em seguida dacolá; depois, de mais distante. As duas senhoras tremiam. A maldição das três horas retornava com força. A porta do quarto estava fechada, e elas esperaram para ver se aquilo cessaria, como na noite anterior. 

E novamente, depois de algum tempo, tudo cessou e elas voltaram para suas camas.

Pela manhã, novamente na ponta dos pés, fizeram uma revisão detalhada de cada cômodo, procurando qualquer coisa fora do lugar. No segundo quarto, ao estreitar a visão sobre cada objeto, perceberam que Lim-Pin, um robozinho chinês de limpeza, trazia presa em sua vassourinha giratória a sua touca. Mistério desvendado. Fora ele, o Lim-Pin, que havia provocado toda aquela balbúrdia.

Seu primo Argônio foi chamado e logo detectou uma programação indevida para as três horas. Desfez a programação e Lim-Pin passou a sair de sua casinha às três horas da tarde, como fazia todos os dias.

Lim-Pin, descontrolado, virou a maldição das três horas.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN


Respostas

  1. Evaldo
    Se baseado realmente em um fato real, foi muito bem pensada tua explanação Caso contrário, fazes jus realmente ao título ‘também’ de cronista.
    A modernidade tem suas vantagens, mas também nos surpreende com fatos assim.
    Se no nosso tempo de AB , diríamos até que poderia ser o Zorro bolando um jeitinho para nos assustar.
    Mais uma bela crônica para nosso deleite.


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