Publicado por: Evaldo Oliveira | Maio 21, 2022

UMA LUTA DE VALE TUDO, mas tudo mesmo

No ano de 1961 foi anunciada uma luta de vale tudo envolvendo um lutador de Natal, que não lembro o nome, e um lutador de uma cidade do interior. Estou em dúvida se essa luta, de fato, aconteceu em Areia Branca-RN ou em Macau-RN, mas vale a pena ser contada, pelo inusitado do desfecho.

Naquela época, era comum que alguns espertalhões inventassem uma luta contra alguém da região, sem qualquer preparo ou formação para esse tipo de evento. No tatame – se é que podemos chamar assim aquele ringue improvisado -, alguns sopapos, bofetões de araque, chutes na pleura, o forasteiro vencia e levava o dinheiro dos incautos.

O dia da luta se aproximava, e na cidade só se falava disso. Foram colocados avisos dessa luta nas paredes das lojas, no muro da prefeitura e nos arredores da pracinha. A cidade se preparou para o grande evento. Também não lembro o nome do lutador de Natal. Sei que havia dois lutadores famosos, de verdade: Aderbal e Bernardão. Obviamente, não era nenhum dos dois. Mas era um lutador famoso.

No dia do evento, muitas pessoas se dirigiram para o local do embate. O tatame, que fora improvisado com algumas cordas cercando o quadrilátero, era forrado com uma camada de serragem de madeira colocada sobre o cimento e coberta com uma lona, em uma alarmante e perigosa improvisação, patente em cada detalhe, assim como o desconhecimento das regras de segurança. 

As pessoas, de pé e espalhadas em torno do tatame improvisado, aguardavam com grande ansiedade o início da luta. Aguardaram cinco minutos depois da hora marcada (19hs), e o lutador local não aparecia. Ao lado do tatame, o lutador de Natal se exibia junto do seu empresário, com movimentos provocativos. E o lutador local não dava as caras por ali.

Decorrido um bom tempo do horário marcado para o início da luta, e o lutador local não aparecendo, as pessoas presentes começaram a se irritar, e a gritaria tomava conta do ambiente. É marmelada!!! É enrolação!!! Quero meu dinheiro de volta!!! E o clima de hostilidade foi se elevando.

A certa altura, tendo passado meia hora do horário previsto, um homem sacou de uma faca e, aos gritos, obrigou o lutador a entrar no tatame e lutar com seu empresário. Apesar das desculpas do empresário, os dois foram forçados a lutar. Bofete pra lá, chute pra cá, queda de um lado, desvio do outro. O lutador, depois de algum tempo, perguntou se a plateia estava satisfeita, e a resposta foi não. Depois de muitas bofetadas e do empresário bastante machucado, a luta foi encerrada. 

Uma luta de vale tudo. Um embuste que terminaria de forma inusitada. Um empresário com o rosto amassado. E as pessoas satisfeitas com a pancadaria desigual.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN


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