Publicado por: Evaldo Oliveira | Março 29, 2019

PORTÃO DE BRANDEMBURGO, de porta da cidade a instrumento da guerra fria

Inicialmente construído sobre uma porta da cidade, o Brandenburger Torseria reconstruído no final do século XVIII como um arco do triunfo. Localizado na parte ocidental do centro de Berlim, o Portão de Brandemburgo é hoje a entrada monumental para a avenida Unter den Linden , que antigamente era a via que levava diretamente ao Palácio da Cidade dos reis da Prússia.

O Portão de Brandemburgo foi encomendado pelo rei Frederico Guilherme II da Prússia, e construído entre 1788 e 1791. Durante a Segunda Guerra Mundial, o local foi bombardeado, sendo totalmente restaurado entre os anos de 2000 e 2002.

No pós-guerra, quando a Alemanha foi dividida, o Portão ficou do lado oriental, tornando-se isolado e inacessível, bem ao lado do Muro de Berlim, que passava por aquela área. Ali, serviu de local para grandes eventos históricos, e hoje é símbolo da história da Europa e da Alemanha.

Por estar no lado oriental, o Portão foi usado pelos nazistas como instrumento de propaganda, ficando posteriormente abandonado, quase em ruínas, na divisa entre as duas Alemanhas. Em 22 de dezembro de 1989, o Portão foi reaberto ao tráfego, readquirindo o seu status de símbolo de união.

portao-de-brandemburgoEsta foto foi feita em plena época da guerra fria

No alto do Portão de Brandemburgo foi instalada uma quadriga, em 1793. Treze anos depois, em 1806, Napoleão Bonaparte invadiu Berlim. Para simbolizar a dominação francesa, em dezembro do mesmo ano Napoleão mandou a quadriga para Paris, de onde retornaria a Berlim no ano de 1814, quando recebeu uma cruz de ferro e uma águia prussiana, passando a significar a vitória, deixando de ser um símbolo de paz.

Portão hoje

Portão de Brandemburgo. Hoje, paz, beleza, harmonia.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Março 22, 2019

ENCONTRO NACIONAL PARA DEFESA DAS VOGAIS

Notava-se uma movimentação silenciosa nos bastidores da Associação Brasileira Para a Defesa das Vogais. Em suas reuniões mensais, elas, as vogais, discutiam a procedência dos acentos circunflexos, agudos, as crases, os tremas, os encontros vocálicos. Em pequenas reuniões paralelas, duas vogais – O e U – se reuniam em uma biblioteca, às escondidas, com o objetivo de preparar um movimento de protesto.

Esse movimento, que inicialmente seria para a defesa de seus direitos, poderia se estender em um crescente, podendo chegar a um boicote. Essas duas vogais – O e U, maiúsculas, por favor -, poderiam, a partir de então, não mais se oferecer para formação de frases e orações, impedindo, assim, que a escrita tenha condições de continuar, por falta do O e do U.

Sem entender a ameaça do boicote determinado pelas duas últimas vogais, as três outras – a, e, i – convocaram uma reunião extraordinária para que a questão fosse discutida em sessão plenária. Ali, os motivos da pretensa revolta poderiam ser postos em discussão, para um eventual equacionamento. Afinal, as vogais iniciais sequer tinham noção dos motivos daquele movimento.

Iniciada a reunião, as duas últimas vogais chamaram a atenção para o fato de que os verbos da língua portuguesa possuírem três conjugações: a primeira trata dos verbos terminados em “ar” (cantar, falar, amar, dançar etc.); a segunda, dos verbos terminados em “er” (bater, comer, ver, ler etc.), e a 3ª conjugação, que corresponde aos verbos terminados em “ir” (partir, abrir, rir, sorrir, interferir).

As vogais iniciais se entreolharam com cara de estranheza, especialmente no momento em que o O e o U indagaram: Onde ficaremos nós, nessa estranha classificação? Não queremos fazer parte de apêndices de outras conjugações.

Ao final dos debates, foi promulgada a Resolução Normativa 02/2018, onde se explicitam as linhas para implementação de uma nova classificação para as conjugações verbais, aí incluídos os verbos terminados em OR. Com relação aos verbos terminados em UR – se é que existem -, o questionamento continuará, na esperança de uma de solução. Um novo encontro foi devidamente agendado, com a anuência de todas as 26 letras do nosso alfabeto, com exceção do y.

Afinal, o Y seria vogal, semivogal, consoante ou semiconsoante? Nova crise?

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Março 15, 2019

AS AVENTURAS DE TESEU, aquele do Minotauro

A história aparentemente é simples. Minos, antes de ser o rei de Creta, na Grécia, tentou enganar o deus Poseidon, sacrificando um touro comum no lugar de um belo touro que sairia do mar. Poseidon, para se vingar, fez com que a esposa de Minos se apaixonasse pelo touro branco, e dessa paixão nasceria o Minotauro, com corpo de homem e cabeça e cauda de touro.

O rei contratou Dédalo, pai de Ícaro, para construir um complicado labirinto na cidade de Cnossos, para aprisionar o Minotauro. Atenas, como tributo, pagaria com sete rapazes e sete donzelas para alimentar a fera. Por ocasião da terceira remessa de jovens, Teseu, um forte e belo rapaz, se ofereceu como uma das vítimas, decidido a matar o Minotauro, o que só foi possível com a ajuda de Ariadne, a bela filha de Minos. Ariadne lhe entregou um novelo de lã para que, no momento da saída, não se perdesse no emaranhado de caminhos do Labirinto. O processo de saída foi mais calmo, e Teseu conseguiu recuperar algumas pessoas que estavam perdidas no interior do Labirinto.

Porém Teseu não era um jovem qualquer. Era filho de Egeu e Etra; esta, filha do rei de Trezena. Dessa união nasceu um menino que cresceu vigoroso, inteligente e forte. Quando Teseu chegou em Atenas, já era conhecido por seus feitos.

Ao retornar de Atenas, encontrou seu pai morto, e assumiu o poder do rei. Teseu organizou um governo democrático, fazendo leis sábias e úteis para o povo. Ao perceber que tudo corria bem com os atenienses, o jovem rei partiu em busca de novas aventuras.

Teseu. Um jovem de origem nobre se oferece para enfrentar o Minotauro, com a ajuda de uma bela jovem, filha de um rei. No final da história, um rei exemplar a governar Atenas.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Março 8, 2019

NO HOSTAL DOS REIS CATÓLICOS

Em Santiago de Compostela encontra-se uma obra prima da hotelaria universal.O Hospital dos Reis Católicos (Hospital Real de Santiago) é um edifício que ocupa o lado norte da Praça do Obradoiro, que tem como conjunto principal a catedral de Santiago de Compostela, na Galícia, Espanha.

O hospital foi mandado construir pelos Reis Católicos, após visita à cidade, para dar abrigo e tratar os peregrinos que precisavam de cuidados médicos depois de fazerem o Caminho de Santiago. O casal real decidiu construir um hospital novo e moderno, o Grande Hospital Real, para atender os peregrinos. O prédio cumpriu sua destinação como hospital até o século XIX. Nos anos 1950 foi convertido em um parador de turismo (hotel de luxo), com o nome Parador Museo Santiago.

Pórtico (1505-1511), plateresque

 O edifício conta com quatro pátios interiores, que formam uma cruz grega. Os primeiros são conhecidos como pátio de São João e pátio de São Marcos. Os dois restantes são conhecidos como pátio de São Lucas e pátio de São Mateus.

No corredor em frente ao nosso quarto, este belo espelho. Resquício da História em parceria com uma bela mulher.

Palacete Municipal

O ônibus que trazia o nosso grupo passou direto pela catedral, ao lado, e parou  diante do Hostal dos Reis Católicos, onde passamos dois dias. Surpresa e puro encantamento.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Março 1, 2019

ÁREAS DE RISCO, aqui e alhures

Área de risco é uma região onde não é recomendada a construção de casas ou instalações, por serem muito expostas a desastres naturais, como desabamentos e inundações. No Brasil, desde 1979 a Lei 6.766 – há 40 anos, portanto -, proíbe o loteamento de áreas de risco para fins urbanos.

Em terras brasileiras, 27 mil áreas de risco estão habitadas, sendo que 3.071 se localizam em São Paulo e Minas Gerais. Os riscos maiores são para enchentes e deslizamentos de terra, segundo o IBGE.

De passagem por Barcelona, na Espanha, nós, juntamente com outras pessoas, alugamos um ônibus para visitar o Mosteiro de Montserrat, que se localiza no Monte Serreado, um maciço que se eleva bruscamente a 50 quilômetros da capital da Catalunha.

O cume do Monte Serreado é conhecido como São Jerônimo, e tem 1.150 metros de altura. As formas rebuscadas da montanha são o resultado de um processo geológico de milhões de anos, formando enormes paredes e blocos arredondados de conglomerado de argila rosa. É comum a presença de cavernas, abismos e barrancos no interior dessas estruturas.

O Mosteiro de Montserrat é um monastério beneditino, e abriga em seu interior a Biblioteca de Montserrat, que ocupa espaço central no recinto monástico, sendo o maior equipamento do gênero em um monastério beneditino. Talvez por isso,  o conjunto tenha servido de fundo de parte do roteiro inicial do novo livro de Dan Brown –Origem.

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Voltemos à nossa visita. Ao avistarmos aquele monumento gigantesco, feito de pedra, ficamos cada um a pensar em como chegar em seu topo, onde se encontram o mosteiro e a biblioteca.

O motorista era um jovem com idade em torno de 26 anos. Ao pé da montanha, estacionou, conversou com um motorista que aparentava mais experiência para, em seguida, iniciar a subida, com o cuidado que o caso requeria. Na metade da subida, em um ponto muito íngreme, um tranco e o motor parou. O motor foi religado e a muito custo continuamos a  subida. Mais à frente, novamente o ônibus pararia, levando pavor a todos os passageiros. E mais uma vez o motor foi religado, para finalmente chegarmos ao ponto mais alto, onde se encontra o mosteiro.

Feitas as visitas de praxe, bem depois do almoço começamos a viagem de volta. Novo sufoco, o carro sempre seguro pelos freios. Finalmente, chegamos vivos ao pé daquele maciço de pedra. No hotel, dois motoristas conversavam em um canto e deu para ouvir que eles comentavam algo como… o quê? Mandaram José para o Mosteiro de Montserrat? A gente sabe que somente motoristas experimentados devem fazer aquele trajeto, que exige conhecimento e técnica do condutor, em especial na descida. Aquela fora a primeira viagem de José dirigindo um ônibus ao mosteiro.

Áreas de risco. No nosso caso, subida e descida. No meio, uma gigantesca pedra mantida lá em cima, sobre o pátio, graças à força das orações, aí incluídas as minhas.

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EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Fevereiro 22, 2019

ALEMANHA ORIENTAL, legados mesmo que simples

A República Democrática Alemã (Alemanha Oriental – RDA) foi um Estado criado em 1949, na área de ocupação soviética, quando o território alemão foi repartido entre os Estados Unidos, o Reino Unido, a França e a União Soviética. A zona de influência soviética deu origem à RDA, enquanto as outras três deram origem à República Federal da Alemanha (Alemanha Ocidental – RFA).

A Alemanha Oriental (lado leste) foi proclamada em Berlim Oriental em outubro de 1949, onde se estabeleceu um regime socialista amplamente controlado pela União Soviética, que manteve suas tropas no local com base nos acordos de Potsdam, para contrabalançar a presença militar dos Estados Unidos na RFA, no lado oeste.

No ano de 1961 foi construído o Muro de Berlim, que dividiu a cidade em dois lados até o ano de 1989, quando foi posto abaixo pelo povo. Em 1990 ocorreu a reunificação da Alemanha.

Após a reunificação, nós, os turistas, percebemos que alguns pequenos legados  da antiga Alemanha Oriental ainda persistem, alguns  bem recebidos, outros nem tanto. Três elementos devem ser lembrados, quando se fala em legados deixados pela Alemanha Oriental: A East Side Gallery, o Trabant e o Homem do Semáforo.

A East Side Gallery é uma galeria de arte ao ar livre, situada em uma sequência de 1.113 metros no lado leste do antigo muro , próximo ao centro de Berlim. Consta de 105 pinturas feitas por artistas de todas as partes do mundo. Algumas dessas pinturas tornaram-se ícones da expressão gráfica de Berlim, sendo reproduzidas em quase todo  tipo de souvenires vendidos na cidade.

Gallery

O Beijo da MorteO Beijo da Morte

O Trabant – companheiro de viagem, em alemão – era um veículo construído com fibras de plástico parecido com fibra de vidro, não reciclável e mais barato. Por suas características, o Trabant poderia partir-se em dois se recebesse uma carga superior à sua capacidade. Muitos desses automóveis foram abandonados nas ruas por seus donos depois da queda do muro em 1989. Hoje, uma empresa de Berlim aluga esses carros para passeios turísticos pela cidade.

Trabant

No lado oriental de Berlim, ao tentar atravessar a faixa de pedestres, o turista se vê diante de um sinaleiro que mostra um homem de baixa estatura, de chapéu, a nos orientar na passagem – SIGA -, caminhando lento no início e rápido do final, até que, em vermelho, ele reaparece em posição de abraço, em um PARE único no mundo.

Com a queda do muro de Berlim, surgiu uma reação do povo que morava no lado oriental para a manutenção do Ampelmann, chegando a haver uma votação  para se escolher entre a manutenção do símbolo oriental ou se o povo preferia o ícone universal. O Ampelmann continua orientando os pedestres até hoje.

Ampelmann

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Fevereiro 15, 2019

UM ESTRANHO CASO DE ASMA

No rol de lembranças dos meus atendimentos na rede pública de saúde, veio-me à mente mais um caso emblemático. Trabalhava no Posto de Saúde do Guará I e tinha como cliente uma criança que morava em Taguatinga, cidade-satélite a cerca de 15 quilômetros. Esse cliente tinha um quadro de asma brônquica que resistia a todas as tentativas de resolução.

Os atendimentos anteriores foram corretos, e as medicações seguiram o padrão adequado para a alopatia. Foram prescritos medicamentos e cuidados de higiene que não funcionaram, apesar de bem intencionados e compatíveis com uma boa prática pediátrica. A criança já havia consultado com um alergista, porém seu quadro de asma continuava a responder de forma insatisfatória.

Depois de algumas tentativas de tratamento, sem que algo de especial surgisse em meus planos, tive a ideia de ir à casa dos pais do garoto. Acertamos para o dia seguinte. Senti que havia algo que mantinha aquela criança sempre em crise.

Na casa, apesar de alguns elementos não estarem de acordo com o que seria ideal, não me pareceram ser decisivos em sua não melhora. Não havia cão ou gato, ou outro animal de pelo ou de penas. Visitei o quintal e os lados da casa, e resolvi entrar no domicílio.

Analisei a sala, que me pareceu bem cuidada, e me dirigi, orientado pelos pais, para o quarto da criança, que ficava no início do corredor. Na passagem pela sala, algo me chamou a atenção. Havia muito calor na parte de cima do meu corpo, e da cintura para baixo a temperatura era bem amena, em função do piso. Parei, fui um pouco à frente e retornei. Ali estava a explicação para o problema do garoto. Havia claramente duas ondas (bolhas) de calor. Uma quente, que ia até a cintura de um adulto, e uma fria, daí para baixo.

Olhei para o teto, que descobri ser de telhas de amianto. Reuni-me com os pais e ficou acertado que imediatamente as telhas seriam trocadas para essas de barro, tipo colonial. Acredite, tudo passou a trabalhar a favor da saúde daquela criança. Adeus, asma!

Uma doença crônica de difícil resolução, em uma criança pobre atendida na rede pública de saúde. Uma visita. Apenas uma visita.

Unknown Telhas de barro. O início da cura.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Obs.: Caso algum especialista discorde dessa acepção, favor fazer comentário pertinente.

Publicado por: Evaldo Oliveira | Fevereiro 8, 2019

PIXILINGA NA JANELA

Certo dia, recebi em meu consultório uma criança de 8 meses apresentando uma irritação pruriginosa na pele, e chorava com muita intensidade. Após um exame minucioso, suspeitei de que houvesse algo errado no quarto daquela criança.

Combinei com os pais e ao final do expediente dirigi-me ao seu apartamento com a intenção de averiguar alguma anormalidade ou inadequação. Saí do consultório imaginando encontrar mofo ou algo que pudesse provocar aquele tipo de reação na pele da criança.

Encontrei um quarto limpinho, muito bem cuidado, com excelente ventilação, e com um piso adequado. Olhei para um lado, procurei em outro, fui ao banheiro. Nada que me chamasse a atenção.

Um pouco decepcionado, já pensando em sair, percebi um pombo do outro lado da janela, junto ao vidro. Logo veio outro, e outro. Pronto. O diagnóstico estava selado: Irritação da pele por pixilinga de pombo. Uma boa higienização do local e a colocação de uma tela de proteção foram suficientes.

A pixilinga (Dermanyssus gallinae), também conhecida como piolho de galinha ou de pombo, é uma infestação de piolhos de aves. Esses piolhos (insetos) têm necessidade de hospedeiros para sobreviver.

Além da pixilinga, outras doenças podem ser transmitidas pelos pombos, como a  Criptococose, doença causada pelo fungo Cryptococus neoformans; outra doença é a Histoplasmose, que é transmitida pela inalação dos esporos de um fungo que existe nas fezes dos pombos; Ornitose ou psitacose: doença infecciosa tem como agente etiológico a bactéria Clamydia psittaci. Tive um cliente de 15 anos que foi acometido de psitacose, transmitida por um periquito dado de presente por sua namorada, que ocasionou perda da visão central em um dos olhos. Os sintomas lembravam os da Aids.

Pixilinga 2

Uma criança doente. Um exame clínico apurado. Pombos. Pixilingas na janela.

Telas de proteção. Cuidado!

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Fevereiro 1, 2019

E AS PRISÕES, COMO SURGIRAM?

Com toda essa onda de prisões, seja por crimes comuns, por feminicídio ou crime do colarinho branco, imaginei: como e quando surgiram as prisões? E descubro que a ideia de cárcere vem desde a Idade Antiga – século VIII a.C. ao século V d.C. Aqui, o cárcere era marcado pelo aprisionamento, não pelo caráter da pena, mas como garantia de ter o sujeito sob o domínio físico, para se exercer a punição.

No Egito, por volta de 525 a.C., os lavradores eram requisitados para construir as obras públicas e cultivar as terras do Faraó (toda a terra do Egito). Quem não era capaz de pagar os impostos do faraó, em troca de construção de obras na área de irrigação e armazenamento de cereais, tornava-se escravo.

Minos, o rei de Creta, na Grécia, mandou encarcerar em uma ilha-prisão o artesão Dédalo, que construíra o Labirinto a mando do rei, para conter o Minotauro. Ao penetrar no Labirinto e matar o Minotauro, Teseu, comprovou a vulnerabilidade do Labirinto. Preso, Dédalo construiu um par de asas para si e outro para Ícaro, seu filho. No dia da fuga, o rapaz desobedeceu às orientações do seu pai e voou muito alto, derretendo a cera que sustentava as penas e as asas, vindo o jovem a se espatifar sobre os rochedos.

Na Idade Média surgiu a pena eclesiástica, com o intuito de purgar seus monges dos pecados, isolando-os em celas, para um tempo de reflexão sobre seus atos. Nessa época, as punições dos transgressores consistiam na amputação dos braços, na degola, na forca, o suplício na fogueira, queimaduras a ferro em brasa, a roda e a guilhotina.

Na Idade Moderna as punições eram ligadas ao corpo, e chamadas de suplício público. Assim, o corpo do indivíduo condenado era violado na presença da população, para mostrar qual seria o destino daqueles que desafiassem a ordem vigente, a ordem do monarca. Desobedecer a ordem do poder absoluto era como desobedecer a ordem de um deus.

Para encarcerar não era necessária a existência de um local específico, podendo ser calabouços, ruínas e torres de castelos, até ser construída, em Londres, a primeira penitenciária – House of Correction -, entre os anos de 1550 e 1552.

Em Veneza, na Itália, a Ponte dos Suspiros (1600-1602), cujo nome é atribuído a uma lenda que diz que, em tempos remotos, os criminosos, após receberem a sentença no Palácio Ducal, à direita, suspiravam ao ver pela última vez o mundo externo quando eram conduzidos à Prigioni Nuove – prédio à esquerda – através da ponte. Dali eles não saíam. Ou ficavam nas prisões ou eram executados. Assim dizia a lenda. Na Wikipédia consta ter sido este o primeiro edifício no mundo construído com a finalidade específica para ser uma prisão.

Ponte SuspirosO Palácio Ducal – Palácio do Doge – foi construído entre 1309 e 1424, passando a ser residência do Doge de Veneza, e contém os escritórios de várias instituições políticas. No início do século XVII foram construídas as Prigioni Nuove, que ficavam na outra margem do rio. Esta construção era a sede dos Signori dela Notte, formada por magistrados encarregados de prevenir e reprimir crimes penais. Os edifício, um de cada lado do rio, foram ligados através da Ponte dei Sospiri (1600-1602). Este era o percurso feito pelos condenados trazidos do Palácio Ducal para as prisões.

Ponte dos Suspiros, a mais bela passagem ligando uma condenação ao pavor, sem retorno.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Janeiro 25, 2019

O TOURO DE OSBORNE

O mundo é um livro, e aqueles que não viajam leem apenas uma página.

Frase no saguão de um hotel.

Ao viajarmos de carro pela pela Espanha, saindo de Madri com destino a Sevilha, aqui e ali nos deparávamos com um outdoor exibindo a silhueta de um belo touro. Esses painéis se repetiram tantas vezes que logo surgiu a pergunta óbvia: O que significa a imagem desse touro?

No ano de 1956 a agência publicitária Azor realizou, por encomenda do Grupo Osborne, o desenho, em grandes painéis, de um símbolo para representar uma bebida do grupo, o brandy Veterano. Os painéis mediam 4 metros de altura, com a imagem do touro e o anúncio da bebida.

Esses painéis foram então distribuídos estrategicamente pelas estradas, para cortar o horizonte e favorecer a sua visibilidade. Com a passagem do tempo, houve um apego das pessoas pela imagem do touro, o que transformou o que era apenas uma marca comercial em um símbolo cultural espanhol.

No ano de 1988, a Lei Geral de Estradas obrigou a retirada de publicidade que se localizasse em lugar visível a partir de qualquer estrada estatal. Logo os textos foram retirados dos painéis, mas os touros ficaram lá.

Em 1997 o Supremo Tribunal dita a sentença determinando a manutenção dos touros de Osborne, em face do interesse estético e cultural que lhes foi atribuído, e a partir de 1988 o Touro de Osborne deixou de ser um símbolo estritamente comercial.

Embora não sendo o touro de Osborne oficialmente um símbolo de identidade da Espanha, os nacionalistas da Catalunha boicotam e chegam a derrubar o único touro colocado na Catalunha.

caminhos madriEste, capturei nos caminhos de Sevilha

Atualmente existem 88 touros de Osborne distribuídos de forma aleatória pela Espanha, porém há uma concentração em torno de Cádis e Sevilha.

Uma imagem. Uma identidade. A cultura.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

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