Publicado por: Evaldo Oliveira | Março 30, 2018

ÉFESO, TRÊS MIL ANOS DE BRILHO NA TURQUIA

Quando se fala de Éfeso, importantíssima cidade turca do século X a.C, há que se reforçar os pesos histórico e bíblico desta que já foi a segunda maior cidade do Império Romano.

Éfeso é uma cidade localizada a três quilômetros de Selçuk, atual Esmirna, na Turquia. Foi construída no século X a.C. por colonos gregos jônicos. A cidade floresceu sob o domínio de Roma em 129 a.C., sendo a segunda maior cidade do Império Romano, atrás apenas de Roma. No século I, contava com 250.000 habitantes, sendo também a segunda maior cidade do mundo.

Em Éfeso ficava o Templo de Ártemis, concluído por volta do ano 550 a.C. e eleito como uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. Lá também funcionava a Biblioteca de Celso, com sua fachada monumental, representando uma fase de esplendor. Ali estão as estruturas bem conservadas do seu famoso teatro, capaz de abrigar 25.000 pessoas. Ali também foi o local onde São Paulo fez a leitura de várias de suas cartas. O Evangelho de São João pode ter sido escrito em Éfeso.

Nessa importante cidade foi escrito o livro de Efésios por São Paulo, entre os anos 60 a 63 d.C. Este livro descreve a disciplina necessária para que o cristão possa se transformar em verdadeiro filho de Deus, ao tempo em que estabelece e fortalece o crente para que ele possa cumprir os propósitos e o chamado de Deus.

E foi justamente para Éfeso que São João levou Maria após a ressurreição de Cristo. Sua casa fica no Monte Rouxinol (Bülbül Dagi), onde teria passado seus últimos dias.

Na asclépia de Pérgamo, distante 178 quilômetros de Éfeso, foi construído o primeiro hospital do mundo, com uma estrutura que ainda hoje impressiona. A asclépia de Pérgamo, junto com na asclépia de Cós, na Grécia, foram o berço da prática médica não sacerdotal.

Éfeso, berço de acontecimentos que mudaram a história do mundo.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Publicado por: Evaldo Oliveira | Março 23, 2018

MINHAS CINCO MÃES

Meu nome é Mirtes. Nasci no interior do Piauí há 57 anos. Meu pai, Manoel, era um homem espirituoso, engraçado, nascido em Araripina-PE. Casou com minha mãe Jandira, e o casamento evoluiu muito bem, com a rudez natural de meu pai e o amor incondicional de minha mãe aos sete filhos do casal.

Aos vinte e sete anos de idade minha mãe morreu, e meu pai falou que, para ele, o mundo havia acabado. No velório de mamãe, papai conheceu uma moça e logo perguntou se ela queria casar com ele. Combinaram o dia em que ele iria à casa da moça comunicar que iriam se casar.

No dia marcado, meu pai, conforme fora combinado, foi à casa onde morava sua futura esposa, sendo recebido por uma de suas irmãs, Lucinda. Todas as moças da casa eram conhecidas pela beleza. Meu pai perguntou onde estava Maria, sua pretendida, e Lucinda respondeu que ela não se encontrava no lugarejo. Meu pai, então, perguntou se ela queria casar com ele, e saiu dali noivo de Lucinda, e logo se casariam. Vingança.

Depois de algum tempo Lucinda engravidou e teve seu primeiro filho. Maria, sua irmã, foi para sua casa cuidar do recém-nascido enquanto Lucinda se recuperava do parto. Maria voltou para casa grávida do meu pai. O filho nasceu e ela sumiu da cidade, levando consigo a criança, de quem meu pai jamais teria notícia. Vingança.

Lucinda, aproveitando-se das viagens do meu pai, começou um chamego com o filho de uma irmã do meu pai; portanto, seu sobrinho. Os boatos se espalharam e Lucinda, envergonhada, fugiu de casa levando consigo os três filhos.

Ao chegar de viagem, meu pai tomou conhecimento do acontecido e foi em busca de seus três filhos. Ao chegar ao local onde eles estavam, encontrou somente dois filhos – um menino e uma menina -, e os trouxe de volta. Meu pai nunca soube do paradeiro do filho mais velho.

Logo que retornou, meu pai casou novamente, mas esta união durou apenas três meses. Então, pôs dinheiro no bolso, montou em uma burra e disse: Vou procurar uma mulher para casar. Encontrou Erminda, que era separada do marido. E meu pai foi pedir a moça em casamento. O pai da moça falou para o pretenso noivo que sua filha não merecia se casar, por ser uma pessoa muito má. Meu pai não deu ouvidos ao futuro sogro, e o casamento foi realizado. Dessa união nasceram quatro filhos. O pai da moça tinha razão. O casal se separaria anos depois. Erminda era uma mulher cruel.

Casou-se pela última vez com uma moça de 15 anos, com quem teve três filhos e ao lado de quem veio a falecer no ano de 2002.

Os sete filhos da minha mãe foram parcialmente criados por todas aquelas cinco mulheres, sendo amados pela primeira, nossa verdadeira mãe -, e maltratados por quatro delas. Uma chegava a esconder os copos para que não bebêssemos água e sujássemos a louça.

Manoel. Cinco casamentos. Seis relacionamentos. Dezesseis filhos; dois perdidos pelo caminho.

Hoje exercendo o cargo de procuradora federal, Mirtes ainda consegue rir de sua conturbada história de vida.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Março 16, 2018

PAMUKKALE, o algodão doce da Turquia

A Turquia é um país de grandes dimensões, e possui atrações que, mesmo antes de conhecer, o turista já possui informações, embora muitas vezes precárias. É o caso de Pamukkale, que fica a cerca de dez a doze horas de ônibus, saindo de Istambul.

Conhecido como Castelo de Algodão, que mais parece uma geleira, é um conjunto de piscinas formadas pelo calcário branco formado pela solidificação da calcita que desce junto com as águas das fontes termais, e que depois de solidificado se transforma em mármore travertino.

Pamukkale data do período helenístico, época em as virtudes medicinais de suas fontes termais transformaram a cidade vizinha, Hierápolis, fundada em 197 a.C., em um centro de cura. O parque foi declarado Patrimônio Mundial pela Unesco no ano de 1988. Esse período, dito helenístico, vai da morte de Alexandre o Grande, em 323 a.C., até 146 a.C., quando a península grega foi anexada por Roma. Hoje, Hierápolis é uma estância termal na Turquia. São Paulo refere-se a este lugar, em suas cartas. Reforço que este parque fica muito perto de Éfeso, em cujo anfiteatro São Paulo fez a leitura de algumas de suas cartas.

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Pamukkale. De longe, uma geleira. Ao nos aproximarmos, um Castelo de Algodão.

Coisas da senhora Natureza.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN.

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Março 9, 2018

PORTUGAL, sem texto

Falar das coisas de Portugal. Fácil, nem precisa de texto. Aqui, apenas as fotos e suas localizações. Elas falam por nós.

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Na cidade do Porto, visitando o Majestic Café

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Pelas ruas de Lisboa, em momento estátua viva

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Em Lisboa, as questões da atualidade

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Ainda em Lisboa, de tuc-tuc elétrico, sem fumaça nem barulho

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Em Aveiro, a Veneza portuguesa

Precisa de texto? Ou o texto poderia ser tão inútil quanto meias para cadeira?

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EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Publicado por: Evaldo Oliveira | Março 2, 2018

KAFKA PASSOU POR AQUI

Em Praga, um passeio pela Cidade Velha já serve de um bom caminho e estímulo para se conhecer a capital da República Tcheca. Quando se fala em Praga, logo lembramos de um homem esbelto, magro, de ar circunspecto, que escreveu, dentre outros, o livro A Metamorfose, em 1912. Se você ainda não leu, vale a pena pensar nisso.

No livro, o personagem que se destaca é um jovem, Gregor Samsa, que certo dia se descobre transformado em uma grande barata, enquanto dormia, e isso altera a vida de cada uma das pessoas de sua casa. Um inseto insignificante, repugnante, que pode, sem dúvida, simbolizar a visão da sociedade sobre ele.

Continuando a caminhada, ao entrar na rua Franze Kafky Námesti, sem pressa, nossa atenção será desviada para a casa nº 5, que fica ao lado da Igreja de Saint Nicholas. Ao olharmos em volta, logo descobriremos que, de fato estamos em frente à casa em que nasceu o grande escritor tcheco Franz Kafka. E é naquela casa simples que funciona o Museu de Kafka. Ali, uma surpresa poderá até nos fazer rir, por um detalhe.

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Kafka nasceu em Praga em 3 de julho de 1883, e morreu de tuberculose no dia 3 de junho de 1924, um mês antes de completar 41 anos. Embora considerado pelos críticos como um dos escritores mais influentes do século XX, Kafka nunca foi profeta em sua terra. É que suas primeiras traduções foram realizadas por intelectuais de tendência anarquista, criando a ideia de que Kafka era um autor revolucionário.

Com a mudança do regime pós-guerra e instauração da ditadura comunista, a produção de Kafka esteve proibida, por ele ser considerado um autor reacionário. Até mesmo pessoas que se dedicavam a estudar Kafka foram perseguidas pela polícia política. Em 1990, com a queda do regime socialista, foi criada a Sociedade Franz Kafka de Praga.

Agora, o motivo do eventual riso: próximo à entrada da casa/museu, duas estátuas masculinas fazem xixi, displicentemente, sobre o mapa da República Tcheca. As duas estátuas, verdade, nada têm a ver com Kafka ou seus escritos. É obra de um artista, em protesto contra a corrupção existente no país. Se a moda pega no Brasil, teríamos milhares de zumbis urinando em quase todas as esquinas das grandes cidades.

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EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Fevereiro 23, 2018

ISTAMBUL, onde o oriente e o ocidente se encaram no Bósforo

Quando se fala em Istambul, logo surge a ideia de que esta cidade é a capital da Turquia, porém é Ancara que oficialmente ocupa este posto. Ao andarmos por Istambul temos a impressão de que estamos viajando no tempo. A cidade já foi conhecida como Bizâncio e Constantinopla, a depender do invasor da vez. Com treze milhões de habitantes, Istambul rivaliza com Londres como acidade mais populosa da Europa.

Istambul chamava-se Bizâncio até 330 d.C. A seguir, passou a se chamar Constantinopla, nome que vigorou até 1453, quando suas muralhas foram enfim vencidas e a cidade foi invadida pelo sultão Mehmet II, sendo rebatizada de Istambul. Dessa forma, Istambul foi a capital de três grandes impérios: Romano, Bizantino e Otomano.

Com um posicionamento geográfico privilegiado, a cidade de Istambul ocupa ambas as margens do movimentado estreito de Bósforo que, juntamente com o mar de Mármara, separa a Ásia da Europa no sentido norte-sul, conferindo a esta cidade a característica única no mundo de ocupar dois continentes. Com trinta quilômetros de extensão, o Estreito de Bósforo divide em duas partes a cidade de Istambul, delimitando os territórios europeus de um lado e a Ásia do outro, ao tempo em que liga o mar Negro ao Mar de Mármara. Ali se encontra a ponte Fatih Sultão Mehmet, com 1.090 metros de extensão, a segunda maior ponte pênsil do mundo. A primeira está no Japão.

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A moderna e democrática Turquia deve estas condições a Ataturk – Pai dos Turcos – que, em 1922, acabou com os privilégios dos sultões, aboliu a escrita árabe-otomana, por sua complicação, e introduziu o alfabeto ocidental.

O estreito de Bósforo, com 7.600 anos de formação, é muito recente do ponto de vista geológico, e tem sua história envolvida nos escritos bíblicos. É que o Mar Negro, antigamente, era um grande lago de água doce, e foi invadido pelas águas do Mediterrâneo, dando origem ao estreito. Essa invasão, na visão de historiadores, teria inspirado a história bíblica do dilúvio e da Arca de Noé.

Segundo o Gênesis, escrito por Moisés em torno do ano 1400 a.C., de repente começou a cair água. Caiu do céu um aguaceiro que durou 40 dias e 40 noites. Noé cumprira o determinado, e os homens e os animais foram acomodados na arca. Os que não conseguiram ficaram assustados e subiram nos morros, mas logo as montanhas mais altas foram cobertas. Deus se arrependeu, e prometeu que jamais haveria outro dilúvio sobre a terra.

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Estreito de Bósforo, relato bíblico no ponto que separa dois continentes.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Publicado por: Evaldo Oliveira | Fevereiro 16, 2018

UMA IGREJA SEM ENTRADA

Sempre gostei de visitar igrejas. Já conheci igreja protestante com imagens de santos em seu interior. Estranho? É que essa igreja foi confiscada pela religião protestante ao se expulsarem os padres. Isso é comum, tanto do lado do catolicismo quanto das igrejas protestantes, devido ao sem número de guerras europeias.

Também já vi um hotel recepcionando seus hóspedes onde até pouco tempo funcionava uma igreja católica, como esta na Polônia.

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Em Praga, a bela capital da República Checa, caminhando por sua praça principal, à noite, vislumbrei duas belíssimas torres que pareciam flutuar, em sua tentativa de aparecer por trás de alguns prédios. Procurei um modo de entrar naquela igreja que se destacava na parte de trás de um imenso quadrilátero que formava praça. Impossível entrar. Não havia uma porta ou caminho pudessem me indicar o acesso ao edifício da igreja. Amanhã eu retorno, pensei.

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Na manhã do dia seguinte, novamente na praça, tentei descobrir o caminho que não encontrara na noite anterior. Perguntei nas lojas do quarteirão e encontrei a resposta. A entrada ficava quase despercebida entre alguns prédios comerciais, à direita da foto. A teimosia valeu a pena. A igreja é belíssima também por dentro.

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A história da praça da Cidade Velha remonta ao século XIV, quando era apenas um espaço comercial dominado, durante a Idade Média, por uma burguesia próspera e poderosa. Ali foi construída a prefeitura da Cidade Velha, e lguns anos depois seria construída a igreja Nossa Senhora de Tyn, que ficou conhecida como a catedral dos comerciantes, e tinha como objetivo competir com a catedral de Praga.

Igreja de Nossa Senhora de Tyn. Até hoje sua entrada nos confunde em meio a um emaranhado de prédios comerciais.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

 

 

 

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Fevereiro 9, 2018

TENSÃO NA FRONTEIRA

Corria o mês de maio do ano de 2008; portanto, há apenas 10 anos. Viajávamos de ônibus pela Hungria e atravessamos a Eslováquia com destino à Polônia, sob um clima de ansiedade. No interior do veículo, 48 brasileiros e dois portugueses estavam estressados e confusos com a aproximação da fronteira com a Polônia. É que no hotel fomos avisados de que a travessia da fronteira poderia ser tensa, e que todos deveriam estar com os passaportes à mão.

Em 1985 foi assinado o Acordo de Schengen pelos países fundadores da União Europeia para abertura de suas fronteiras, e se iniciou em 1995 com Portugal, Espanha, França, Bélgica, Holanda, Luxemburgo e Alemanha. Schengen é uma pequena cidade luxemburguesa. Em seguida, aderiram a Itália, a Áustria, a Grécia, a Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia. Com a expansão da UE em 2004, aderiram Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Hungria, Letônia, República Checa, Polônia, Malta e Polônia. A Suíça entrou em 2008.

No dia 19 de agosto de 1989, na fronteira da Áustria com a Hungria, aconteceria algo inusitado. Os dois países permitiram a abertura de suas fronteiras durante algumas horas para que pudesse haver um piquenique, propiciando um encontro entre as famílias afastadas pelo regime comunista. Nesse momento, centenas de alemães orientais aproveitaram para cruzar a fronteira em direção à Áustria, sem que houvesse qualquer reação dos guardas húngaros, abrindo caminho para a queda do Muro de Berlim, que aconteceria três meses depois.

Voltemos à nossa viagem. A tensão aumentava à medida em que a fronteira se aproximava. Mantenham-se calmos. Preparem-se para encarar soldados portando fuzis e metralhadoras, dizia o guia. Não liguem para os tanques, rebatia.

E a fronteira foi surgindo, e nada de tanques, nada de soldados. Aquele posto de controle, onde antes havia um bloqueio de guerra, estava livre, sem qualquer sinal de hostilidade. Passamos por ele aos gritos e apupos. Um viva à liberdade! Era a nova Polônia.

Dali seguimos com três horas para gastar pelo caminho, até chegarmos à capital, nosso destino. E fomos em frente. Uma hora e meia depois, a visão de uma cidade nos deixou aliviados. Era Budejovice, com uma imensa e estranha praça no meio, cercada de pequenos prédios e umas lojinhas do lado direito. Os moradores eram muito brancos; os homens, altos e fortes. Ficamos sabendo que ali é o berço da   cerveja Budweiser, assumida pelos americanos.

As pessoas ficaram nos olhando com ar de desconfiança. Saímos em busca de um local para almoçar. Eles não falavam outro idioma além do polaco, e não faziam nenhum esforço para disfarçar seu descontentamento com a nossa presença. Dali em diante, passei a chamar aquele local de cidade do fim do mundo.

Ceske BudejoviceAlgumas turistas em Budejovice

Budejovice. Talvez hoje, com dez anos de abertura da fronteira, as coisas tenham melhorado por ali. Voltarei para conferir.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

Publicado por: Evaldo Oliveira | Fevereiro 3, 2018

CAPADÓCIA, a Turquia em 5 fotos

A Capadócia fica na Anatólia Central, bem no meio da Turquia, a 700 quilômetros de Istambul. Nessa região, onde pontuam formações geológicas únicas, resultado de fenômenos vulcânicos e erosivos, as cidades mais conhecidas são Uçchisar, Göreme e Ürgrüp. Em Göreme se destacam hotéis, habitações e igrejas escavadas na rocha. O Parque Nacional de Göreme, com suas bizarras formações geológicas, foi declarado Patrimônio Mundial pela Unesco.

Na região da Capadócia, difícil é falar nas atrações, que são muitas. As cidades subterrâneas da região datam do século V a.C, e estão entre os locais cuja visita é obrigatória. Entre as mais importantes está a cidade subterrânea de Kaymakli, composta de quatro pisos e até 15 a 25 metros de profundidade. Em seguida vem a cidade de Derinkuyu, conectada com a cidade de Kaymakli. Está localizada a 25 quilômetros de Nevsehir, e tem quase oitenta e cinco metros de profundidade, com cinquenta e dois túneis de ar verticais catalogados em sua área.

Uma das melhores experiências, quando se está viajando pela Capadócia, é algo simples, geralmente desprezado pelos turistas: são as feirinhas públicas que se espalham pelas pequenas cidades. É nessas feiras onde, de forma descontraída, podemos sentir o pulsar de uma cultura milenar, de forma pura e espontânea. Aqui encontramos de tudo um pouco, desde réplicas de objetos de antes da era cristã, como lamparinas de azeite, assim como antigos moedores de pimenta, jarras, e ainda réplicas, em miniatura, de casas, teatros da época de São Paulo, pedras com escrita cuneiforme, figuras dos derviches dançantes e muitos outros elementos da cultura daquele povo de origem tão antiga.

Porém nada se compara ao encantamento de viajar pelo céu da Capadócia, onde sonho e realidade se fundem, dando origem a um terceiro sentimento que não sei qual.

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Quase esquecia de algumas bugigangas que adquiri em uma daquelas feirinhas e que guardo com carinho em minhas relíquias de viagens: um porta-caneta com tinteiro, instrumento utilizado pelos árabes em seus momentos de escriba.

Foto do porta-caneta

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Publicado por: Evaldo Oliveira | Janeiro 26, 2018

ENCRIPTANDO1 AINDA EM CRIANÇA

Embevecido pela leitura do livro Fortaleza Digital, de Dan Brown, de repente surpreendi-me com a personagem Susan, superespecialista em criptografia, fazendo um rabisco em um papel e o entregando para o namorado: enh anl sdq sd bnmgdbhcn. O rapaz era versado em vários idiomas, e isso facilitou as coisas. Logo ele traduziu, ao constatar que, naquela criptografia simplificada, cada uma das letras era trocada pela letra seguinte. Dessa forma, A virava B, que virava C e assim por diante. E aí, vamos decifrar a mensagem?

O que isso tem a ver com uma criança? No final da década de 1950, eu, na faixa dos meus catorze anos, estudando na Escola Técnica de Comércio, comecei a pensar em uma forma de escrever algo que só pudesse ser lido pela pessoa a quem era destinada a mensagem. O que fiz? Inventei de escrever trocando as letras de tal modo que o A fosse B e o B fosse A. E assim sucessivamente, nesta sequência:

A = B e B = A

C = D e D = C

E = F e F = E

G = H e H = G

I = J e J = I

L = M e M = L

N = O e O = N

P = Q e Q = P

R = S e S = R

T = U e U = T

V = X e X = V

Z = Z

Para escrever a frase quero falar com você na pracinha, eu colocava ptfsn ebmbs dpl xpdf mb qsbdjogb. Mesmo já adulto, vez por outra eu me comunicava com a namorada nesse código. O acento circunflexo não podia ser usado, assim como o agudo, o til (que não é um acento, mas um sinal indicativo de nasalização) e a crase, para não deixar pistas. Brrjl, enj dsjbcn n dncjhn cf Fxbmcn.

Vamos testar? Gnif rbaflnr ptf Dfrbs, n qncfsnrn jlqfsbcns, enj n qsjlfjsn b trbs dncjhnr frdsjunr. F ptf rftr lforbhfjsnr dnssjbl n sjrdn cf rfs dbqusbcnr fl flanrbcbr, f rtbr nscfor frdsjubr qncfsjbl rfs sntabcbr. Fmf tujmjzbxb tl dncjhn – tl rjruflb rjlqmfr cf rtarujutjcbn -, on ptbm b mfusb cb lforbhfl nsjhjobm fsb usndbcb qfmb mfusb ptf rf rjutbxb usfr qnrjdnfs b rtb esfouf, bcptjsjocn b rfhtjouf enslb: Dbcb mfusb B fsb rtarujutjcb qfmb mfusb C, A qns F f brrjl rtdfrrjxblfouf. Fsb n dncjhn cf Dfrbs.

Caso não tenha conseguido, segue aqui a tradução: Sabe-se que Cesar, o poderoso imperador, foi o primeiro a usar códigos escritos. É que seus mensageiros corriam o risco de ser capturados em emboscadas, e suas ordens escritas poderiam ser roubadas. Ele utilizava um código – um sistema simples de substituição -, no qual a letra da mensagem original era trocada pela letra que se situava três posições à sua frente, adquirindo a seguinte forma: Cada letra A era substituída pela letra D, B por E e assim sucessivamente. Era o código de Cesar.

Hoje, a feliz constatação de que algo simples, elaborado em tom de brincadeira por uma criança, carregava em si um simbolismo criptográfico.

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Rndjn Dnssfrqnocfouf cn Jorujutn Gjrunsjdn f Hfnhsbejkn cn SO

(1)Encriptação é o processo de transformar informação usando um algoritmo de modo a impossibilitar a sua leitura a todos exceto aqueles que possuam uma identificação particular, geralmente referida como de chave. Wikipédia

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