Publicado por: Evaldo Oliveira | Julho 12, 2019

UM CASO DE AMOR

Conheci Londres, Espanha, Itália, Bruxelas, Turquia, Croácia, Nova York, Berlim, Paris, Suíça, Luxemburgo, Holanda, além de outros. Perceba que misturei capitais com países. É para demonstrar aqueles que tive oportunidade de conhecer várias cidades de um mesmo país.

E conheci Portugal. O que tem esse pequeno país de tão especial? São tantas as boas lembranças de Portugal que tenho dificuldade de citar as que mais tocaram minha sensibilidade. Poderia justificar citando Coimbra, Porto, Évora, Guimarães, Lisboa.

Vou iniciar pelo idioma, que é um pouco diferente do nosso modo brasileiro de falar palavras e construir frases. Os portugueses têm um sotaque especial, de tal modo que somente eles, ou talvez pessoas que residem no país há muitos anos, conseguem assim se expressar. O modo todo especial como o português canta é muito difícil de ser igualado. E eu adoro isso. Em Portugal, a ausência do gerúndio é quase regra absoluta. Estás a pensar? – dizem os portugueses. O tu no lugar de você é outro detalhe charmoso.

A forma meio melancólica de se comunicar é bastante diferente do nosso modo, porém no dia a dia chega a nos encantar. Sente-se uma amargura que flui da alma das pessoas. Percebe-se que os portugueses são muito objetivos, e isso pode ser confundido com má vontade.

Vou citar uma vivência pessoal. Chegando com um grupo a um restaurante de Lisboa, dirigi-me a uma garçonete e perguntei:

– Onde vamos sentar?

– Nas cadeiras! – Respondeu, e retornou ao serviço.

No Brasil, a resposta poderia ser:

– O grupo pode sentar nas mesas do lado de dentro, porque aqui fora está frio.

Se você perguntar a um português se ele sabe que horas são, ele responde que sabe, e vai embora. Esse é um dos modos de ser do português, que muita gente não é capaz de entender, mas eu gosto e divulgo.

No Brasil, pessoas sem compromisso com a realidade pregam que o português é burro. É que eles levam tudo ao pé da letra. Tirei este exemplo da internet: Fui a uma loja de roupa, perguntei se podia ver a camisa e a atendente respondeumas é claro que podes ver.A pessoa pegou a roupa e a mulher gritou: Falei que podias ver, mas não tocar!

 Um amigo meu, em Lisboa, perguntou a um barbeiro se ele começava a atender às oito horas. Ele respondeu: Não, às vezes eu começo às 7:57, outras vezes às 8 horas e muitas vezes inicio às 8:03. Depende do transporte. Claro que esta frase foi pronunciada usando seu sotaque especial e com palavras que somente os portugueses conseguem encaixar. No final, o palavreado flui bonito.

 A sinceridade é outro ponto forte nos portugueses. São sinceros, e percebemos não terem vocação para a mentira. Aqui, a palavra tem maior valor. Isso nos leva a confiar mais nas pessoas.

Portugal, não há como não gostar de ti.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

 

 

 


Responses

  1. Adorei o texto, Dr. Evaldo! Fiquei com vontade de conhecer Portugal! Obrigada por compartilhar suas histórias!

  2. AH, COMO É DIFERENTE O AMOR EM PORTUGAL…
    AH! OS IBÉRICOS E SUA LÓGICA PECULIAR.
    Um hóspede pergunta na portaria do hotel em Lisboa: – rua tal em bairro tal, dá para ir a pé? – Certamente, responde o funcionário.
    o hóspede leve mais de 3 horas para chegar lá. Xingando o hotel e os portugueses.

    CUIDADO AO FORMULAR SUAS PERGUNTAS AOS PORTUGUESES. ELES SÃO DIFERENTES…

  3. Evaldo, mais uma excelente crônica com peculiaridades de um país tão cobiçado por muitos brasileiros, e aí me incluo.
    Mas o que me envaidece no teu escrito de hoje é o fato de teres conseguido andar por todos esses magníficos recantos, depois de teres saído de nossa salinésia, Areia Branca, onde juntos estudávamos, no tempo em que quase éramos “proibidos” de nos dirigirmos ao sexo oposto.
    A comunicação, quando possível, era uma raridade e sob os olhos atentos dos nossos superiores.
    Mesmo assim, teu jeito era de um menino determinado a vencer…
    E hoje, sinto-me muito orgulhosa de teres alcançado, a custo de muito esforço, o que almejaste, depois de tua inesperada partida da terra natal.
    Sou, (como os demais conterrâneos), uma leitora assídua e admiradora de todos estes escritos que nos presenteias semanalmente.
    Um grande abraço.


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