Publicado por: Evaldo Oliveira | Janeiro 10, 2020

UM PORRE DE LICOR EM LISBOA

Paulo Ricco, em visita a Lisboa, sentindo-se desprestigiado por seus familiares no pequeno almoço (café da manhã), saiu do hotel e foi caminhando sem destino, no sentido do Rocio. No fundo, tinha como objetivo contemplar o rio Tejo a partir da Torre de Belém.

No caminho, parou em uma lanchonete para tomar um imperial (chope) com o intuito de relaxar um pouco. Sentado, pôs-se a olhar para algumas garrafas de bebidas expostas em um canto da prateleira do meio. Logo se interessaria por uma garrafa de formato diferente que chamava sua atenção.

Pediu uma bica (café expresso, em Lisboa) e ficou de olhar fixo naquela garrafa que trazia um nome estranho no rótulo – Licor de Merda. Em Portugal, caso lhe chamem para tomar um café, não será esse o desejo de quem o convidou. De fato, você vai beber, e talvez não tome nem uma chávena(xícara) de café.

Depois de algum tempo, Ricco fez sinal para o empregado de mesa (garçom) e pediu uma dose daquela bebida de nome estranho. Encantou-se com o aroma que provinha da taça e adorou seu gostinho todo especial. E pediu outra dose.

PromoçãoFoto internet

O Licor de Merda teve origem em Portugal no ano de 1974, quando o país estava em uma fase difícil de sua história recente. Acabara de acontecer a Revolução dos Cravos, que se refere a um evento que depôs o regime ditatorial do Estado Novo, vigente desde 1933. Esta ação foi liderada por um movimento militar que contou com adesão em massa da população. O regime não reagiu, ou quase isso. Uma nova Constituição foi implantada em 1976, ao tempo em que surgia um sistema democrático.

A bebida foi criada como um protesto ou crítica à classe política, à desordem partidária, quando os grupos políticos não se entendiam àquela altura da pós-Revolução dos Cravos, deflagrada no dia 25 de abril de 1974. Nascido como uma brincadeira, o Licor de Merda quase desapareceu, ressurgindo no ano de 2004, agora produzido pela empresa Sérgiu’s, Comércio e Distribuição de Bebidas Ltda.

Desorientados, os familiares de Paulo Ricco o encontraram em estado de total embriaguez, sentado no cais, ao lado da Torre de Belém, com uma sacola ao lado. É que ele aproveitara uma promoção da bebida e caíra na esbórnia etílica.

Cantarolando baixinho versos da canção Esperando na Janela, Paulo foi almoçar no Bar do Ramiro, onde degustou os melhores frutos do mar de Lisboa, e onde conheceu o percebes, que é uma espécie de crustáceo de aspecto estranho muito apreciado aqui em Lisboa.

Percebes

Paulo Ricco. Na sacola ao lado, três garrafas de Licor de Merda.

Licor

Uma delas está comigo até hoje, já quase vazia, aguardando renovação. Sinto que terei de ir a Lisboa.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

 

 


Responses

  1. Que tal um pequeno comentário sobre a estátua “miniyou”?

  2. Louca pra comprar e me embreagar de licor de merda.
    Paula Moreira

  3. Muito interesse Dr. Evaldo, sua passagem e o contexto histórico foram muito bem combinados!


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